
Fogo Negro Livro 2: O Fabricante de Espadas
Autor
Elena Ayre
Leituras
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Capítulos
39
Após quase matar um dos guerreiros mais poderosos da terra, Murron tornou-se sua prisioneira. E agora ele deve decidir a punição dela. O que Leon escolherá para garantir que a dívida seja paga? Tomá-la como sua escrava sexual? Cruzar com ela para repor o contingente após a última guerra? Ou simplesmente nunca deixá-la partir?
Capítulo 1: Uma Flecha Que Ela Não Podia Errar
MURRON
Três homens altos e fortes estavam de pé na sacada de pedra, olhando para a multidão. Seus torsos largos, nus e bronzeados exibiam linhas firmes de músculos duros e bem definidos que se moviam com muita força, e seus bíceps esculpidos pareciam muito poderosos. Mas era o homem no centro dos três o maior e mais viril de todos.
Mais alto e mais largo, com uma postura orgulhosa e dominadora, ele parecia controlar tudo que estava sob o calor ardente do céu de verão.
Ele estava de pé com uma espada no quadril e o peito largo cruzado por uma bainha cheia de facas, usando calças de couro que não escondiam nada do seu tamanho e da força de suas coxas. Notei que seu braço esquerdo estava coberto pelas linhas fortes e nítidas de uma tatuagem preta.
Mas não era uma tatuagem qualquer. Era uma marca distinta — um símbolo de quem ele era e do poder com o qual havia nascido. Ele não era apenas um guerreiro, era um Forjador de Espadas com a força do aço correndo em suas veias.
O homem grande ergueu o braço alto no céu. Imediatamente, a multidão barulhenta prendeu a respiração e um silêncio caiu sobre o lugar. Então, o som alto de um berrante ecoou pelo ar quente, e a multidão vibrou.
O leilão tinha começado.
Um por um, sob a luz intensa do sol do meio-dia, uma fila de prisioneiros nus foi levada para a arena por seus mestres de escravos.
Presos uns aos outros por correntes nos tornozelos, com as mãos amarradas nas costas e os olhos voltados para a areia quente que queimava as solas dos pés machucados, eles desfilaram na frente da multidão para serem leiloados a quem pagasse mais.
Uma dor profunda apertou meu estômago enquanto eu os observava do alto da parede circular de pedra do antigo anfiteatro.
Eu sabia como era ser um deles — ser despida e vendida como escrava, ser humilhada e aterrorizada enquanto esperava pelo meu destino. Mas, se dependesse de mim, o destino desses prisioneiros seria a liberdade.
Com uma respiração funda, eu me levantei e afastei os pés. Eu era uma silhueta à distância, uma figura solitária de pé no topo da parede que cercava a arena, posicionada em frente à esfera ardente de um sol dourado.
Tirando uma flecha da aljava nas minhas costas, coloquei-a no arco, puxei a corda e mirei. O homem mais alto, o dominante que era tão feroz quanto belo, olhou para cima. Ele me viu, sua testa franziu, seus olhos se estreitaram, e seu peito se expandiu em uma respiração profunda.
Mas era tarde demais. Eu já tinha atirado a minha flecha, e ela voou tão rápido que atingiu o alvo em segundos. Peguei outra flecha, depois outra, e atirei novamente.
Cada vez que atirava, eu não podia errar — cada flecha tinha que ir exatamente para onde eu queria, e cada flecha devia fazer sua parte num ataque rápido e coordenado para libertar os prisioneiros.
E elas foram. Primeiro, minhas flechas atingiram os três homens fortes que estavam na sacada, depois os mestres de escravos, e finalmente, antes mesmo que a multidão ofegante pudesse me notar, mirei na grande fechadura de metal que prendia as correntes dos prisioneiros.
Esse era o alvo que eu não podia errar. Com apenas um espaço muito pequeno entre o homem e a mulher de cada lado da fechadura, não havia margem para erro. Uma gota de suor escorreu da minha testa, e meu braço esquerdo ardia com uma dor tão intensa que eu não sabia se conseguiria aguentar tempo suficiente para que a minha mira fosse precisa.
Mas eu tinha que conseguir. Não importava o custo para mim, eu precisava fazer isso. Senti meu corpo começar a balançar e minha cabeça a girar, mas com determinação, ajustei minha postura, puxei o cotovelo para trás e atirei do meu arco com uma mira que zumbiu nos meus ossos.
Minha energia havia se esgotado e eu estava à beira de um colapso. Porém, não tirei os olhos do voo da minha flecha e, enquanto caía de joelhos, observei ela despedaçar a fechadura com um estalo alto e seco.
Os prisioneiros estavam livres.
Meus olhos piscaram e minha mente se transformou em um borrão embaçado. Então, o meu mundo ficou escuro e desabei impotente no chão.
***
O crepúsculo esticava as sombras de duas silhuetas gigantes que pairavam sobre mim. Dois homens, largos e fortes, puxaram meu corpo mole de uma camada grossa de samambaias onde eu estava deitada, meio enterrada.
Mantive meus olhos fechados e fingi ainda estar inconsciente.
Enquanto eles conversavam entre si em sussurros rudes, descobri que o mais alto se chamava Leon, e o menor se chamava Magilligan.
“Leon, eu acho que é um garoto”, disse Magilligan. Ele estava agachado ao meu lado, com a respiração quente na minha pele.
“Traga ele para mim!”, Leon disse. Sua voz era mais grave, mais controladora, e fervia de raiva. Sua silhueta era grande e imponente, dominando completamente a lua e as estrelas. “Ele deve ser quem tentou me matar!”
“Muito bem, senhor”, Magilligan disse, inclinando-se para me pegar.
“Espere!”, Leon disse. “Há algo de diferente neste garoto. Algo no cheiro dele não está…” Ele se aproximou de mim, colocando o rosto no meu pescoço, farejando para descobrir o que o incomodava.
Tentei prender a respiração. Será que ele podia sentir o cheiro? Será que ele podia notar, mesmo na escuridão, que debaixo do meu disfarce eu não era um garoto?
“Leon!”, Magilligan respondeu. “É tarde! Nós estivemos em batalha por quatro meses e já é hora de finalmente ir para casa! Eu tenho uma mulher esperando por mim, e eu preciso sentir ela nos meus braços e em volta do meu pau! Vamos só levar esse garoto agora e cuidar dele amanhã, quando tivermos a luz do dia do nosso lado e a satisfação nos nossos ossos!”
O homem chamado Leon resmungou em aceitação relutante. “Muito bem! Eu vou trancá-lo no celeiro quando voltarmos. E lidarei com ele pela manhã!”
Magilligan me ergueu sobre seus ombros como se eu não pesasse mais que um gato selvagem, me jogou nas costas do seu cavalo, amarrou-me de um jeito desconfortável e cavalgou comigo durante a noite.
Mas apesar do meu desconforto, da minha dor e do meu estado semiconsciente, eu sabia que esses dois homens que me encontraram eram guerreiros. E eu sabia que um deles, o maior chamado Leon, era o homem da arena que carregava a marca de um Forjador de Espadas.
Todos criados nessas terras conheciam as histórias ligadas aos guerreiros — histórias de força, coragem, desejo e o poder mítico das suas espadas e dos seus escudos. Mas a história que eles guardavam em segredo atrás das paredes dos seus castelos e fortalezas, era a história do Fogo Negro.
Uma chama rara e mágica que os guerreiros pareciam ter reivindicado como sua, o Fogo Negro era uma coisa viva que respirava e que podia conceder a resposta para qualquer problema impossível de consertar.
Mas o fogo sempre cobrava um preço pelo seu presente, e nunca era um da escolha de quem pedisse.
Eu sabia que essas histórias eram verdadeiras. Já as ouvira serem contadas mil vezes, mas não importava o que Leon planejava fazer comigo, usando mágica ou não, eu me recusava a ser sua prisioneira, sua escrava ou sua serva — e ele não seria o meu mestre. Assim que pudesse, minha intenção era fugir.










































