
Os Rejeitados Livro 2
Author
Ruth Robinson
Reads
73,8K
Chapters
52
Capítulo 1
Livro 2: O Bartender
STEVE THE PUNK
Vou contar um segredinho para vocês. Cocktail é meu filme favorito de todos os tempos. Isso mesmo! Aquele dos anos 1980 com o famoso ator Tom Cruise.
Quando eu era criança crescendo numa parte pobre de Londres, passei horas e horas com meu nariz escorrendo grudado na televisão assistindo aquele filme de novo e de novo.
Aí eu cresci e descobri que amava música punk.
Música sempre foi uma parte importante da minha família. Meu avô tinha vindo no navio Windrush da Jamaica em 1948 quando era um adolescente. Ele já tocava numa banda de reggae quando se mudou, e continuou tocando na Inglaterra.
Depois ele conheceu uma garota, se casaram e tiveram meu pai.
Crescendo em Londres nos anos 1970 e 1980, num lugar com muitas culturas diferentes, meu pai ouvia a música reggae que escutava em casa e a música punk que ouvia nas ruas. Então fazia sentido que ele acabasse numa banda de ska.
Então minha casa quando eu era criança era sempre barulhenta. Meu avô cantando e tocando violão, meu pai cantando e tocando baixo, e aí você adiciona seis crianças. Minha mãe é uma porra de uma santa, eu te digo!
Nunca vou esquecer o dia em que botei minhas mãozinhas sujas na coleção de música punk do meu pai. Minha mente explodiu.
Minha vida mudou para sempre.
Quando tinha dezesseis anos eu passava todo meu tempo andando por Camden Lock com os outros punks. Eu tinha alfinetes de segurança enfiados em diferentes partes da minha pele e desenhos de tatuagens caseiras mal feitas desenhados no meu corpo.
Foi por volta dessa época que comecei a trabalhar no bar local, só recolhendo copos vazios e outras coisas. Trabalhar para um chefe raivoso e servir os bêbados babacas do bairro não era o mundo rápido e empolgante de bartender que Cocktail tinha me mostrado. Mas foi o suficiente para me deixar interessado de novo.
Comecei a trabalhar atrás do bar assim que fiz dezoito anos.
Foi quando conheci o amor da minha vida, Ramona. Achei que ela era a tal, de verdade. Ficamos juntos por dois anos, aí ela decidiu se mudar para a América. Eu estava tão apaixonado que simplesmente arrumei minhas coisas e a segui.
Por um ano eu a segui por aí como um porra de um cachorrinho perdido. Aí, um dia, ela sumiu. Descobri que eu era só algo que ela usava para deixar o pai rico dela puto.
Então passei alguns meses me mudando sem plano nenhum. Agora que tinha vinte e um anos podia trabalhar nos bares aqui, então voltei a fazer a única coisa que sabia fazer.
Acabei nessa cidade e imediatamente me senti em casa. É bem uma cidade universitária, cheia de lojas estranhas e incomuns como Camden, e muitas garotas da minha idade que todas queriam ficar com o bartender inglês.
Então fiquei! Estou aqui há quase sete anos agora.
Três anos atrás, consegui economizar dinheiro suficiente para comprar o bar decadente. Finalmente, eu tinha um lugar que podia chamar de meu, podia fazer o que quisesse.
Assumi uma quantidade enorme de dívidas para fazer isso, mas foda-se. Esse é um problema para o Steve do futuro.
O dia em que assinei todos os papéis e peguei as chaves, o dia em que oficialmente me tornei dono de pub, dono de bar, um empresário se você quiser, foi o dia em que conheci os gêmeos Gardener.
Se não fosse pelas roupas e cortes de cabelo diferentes você nunca conseguiria diferenciá-los. Ah, bom, e o fato de que Christian está numa cadeira de rodas, claro.
Tinha muitos góticos em Camden. Eles ajudavam a equilibrar as cores vibrantes de nós punks. Então Sam e eu viramos amigos na hora. O cara pode parecer um filho da puta assustador, mas é um cara ótimo por baixo de todas as roupas pretas.
E apesar de todas as coisas ruins que passou, Christian ainda é um filho da puta sarcástico, engraçado pra caralho. Eles têm sido bons amigos para mim nos últimos três anos.
***
Subo o caminho para o quintal do Sam assobiando, dando a ele um sorriso largo quando ele abre a porta.
Imediatamente meus ouvidos escutam a batida emocional de uma cantora chorona. Não que eu odeie cantoras. Gwen Stefani sabe pra caralho cantar. Mas essa merda triste simplesmente incomoda minha alma.
“Puta que pariu, quem está tocando os CDs da Lisa Loeb? Não achei que precisaria ouvi-la de novo depois que os anos noventa acabaram!”
“Ela está em casa, o que acho que já é uma vitória.”
Sam e sua nova meio que namorada estavam tendo alguns problemas. Como alguém assistindo de fora, era fácil ver que os dois tinham sentimentos crescendo. Mas ambos tinham certeza de que eram os únicos.
Amor jovem! Uma porra de besteira na minha opinião.
Sento ao lado do Sam no seu sofá grande e confortável, e abrimos uma cerveja. “Ela já falou com você?”
“Não.” Ele suspira, tomando um longo gole da garrafa.
Parece que ficamos dias sentados ouvindo aquela música triste. Até a música gótica pesada pra caralho do Sam não é tão triste quanto aquelas cantoras dos anos 1990.
Alguém começa a bater na porta da frente dele, e nós dois pulamos, ansiosos por qualquer pausa do tédio que esteja do outro lado.
Nunca pensei que seria uma foguetinha tão pequena do outro lado.
Uma garota que mal chega no meu peito está olhando com raiva para nós dois da porta do Sam. O cabelo dela está tingido de vermelho vivo. Ela está usando shorts curtos sobre meias-calças sexy pra caralho e vestindo uma camiseta do Bad Religion. Gostosa!
“Que porra você fez com ela, seu babaca do caralho!”
Ela passa por nós dois antes que Sam possa responder, andando pelo corredor até o quarto da Lizzy. Ela é rapidamente deixada entrar, nos deixando parados perto da porta aberta, nossas bocas ainda abertas de choque.
***
“Já faz duas horas pra caralho.” Inclino para trás para poder olhar pelo corredor para a porta fechada de novo. “Quem será que é aquela garota?”
Sam levanta a garrafa de cerveja até a boca, revirando os olhos para mim.
“Ei! Garoto-emo.” A gatinha sexy e pequena entra na sala de estar. “Beth disse que você tem um estoque secreto de Oreos Double Stuf. Vamos precisar deles.”
Ela fica de pé, encostada no arco da porta, batendo a ponta dos seus Doc Martens brancos no chão. Não consigo evitar arrastar meus olhos pelo seu corpinho apertado, sentindo o sangue começando a correr da minha cabeça para baixo.
Lambo meus lábios, juntando coragem para falar com a fadinha punk fogosa parada na minha frente. “Então, qual é seu nome, linda?”
“Não” ela responde rapidamente, estourando o p.
“O quê?” Sinto meu sorriso cair.
“Não.” Ela revira os olhos enquanto seus lábios cheios se juntam em volta da palavra única. “Meu nome não é linda. Ou querida. Ou princesa. Ou qualquer outro nome bonitinho chato que você acha que é bom me chamar.”
Franzo um pouco a testa enquanto noto Sam tentando ao máximo não sorrir da nossa troca de palavras enquanto entrega os biscoitos.
“Valeu, garoto-emo.”
Não consigo evitar que meus olhos fiquem grudados na bunda dela enquanto ela volta para o quarto da Lizzy. O rebolado nos quadris dela é quase mágico. “Sam, cara. Acho que estou apaixonado.”
***
“E aí esse filho da puta idiota decide que é uma ideia fan-puta-tástica tirar o pau de lápis dele para fora e começar a mostrar para as mulheres no bar” nas palavras dele “o que todas estão perdendo. Os policiais realmente fizeram o trabalho deles dessa vez e jogaram o babaca na cadeia.”
Eu rio, lembrando da cara de choque no rosto do babaca quando colocaram as algemas nele.
Sam está sentado com um cigarro na boca, deixando ele basicamente queimar, claramente não me ouvindo nem um pouco.
Inclino e puxo a coisa de entre os lábios dele, dando uma tragada profunda eu mesmo. Ele levanta a sobrancelha para mim enquanto solto a fumaça.
“Olha, para de se preocupar com ela. A guarda-costas sexy e pequena dela está aqui. E pelo menos ela fez a Lizzy parar de tocar aquela música horrível. Até ouvi elas rindo quando fui mijar da última vez.”
“Só quero que elas saiam e nos digam que porra está acontecendo.” Ele prende o cabelo num rabo de cavalo.
“O que está acontecendo é que estamos morrendo de fome. Quem quer me levar para buscar comida chinesa?” A mulher pequena e sexy está parada na porta atrás de nós.
Essa é minha porra de chance! Empolgado, começo a bater no Sam na barriga dura dele com as costas da minha mão para chamar a atenção dele.
“Ai! Que porra, Steve!”
“Me dá suas chaves” sussurro baixinho antes de dar para a ruivinha na minha frente um dos meus sorrisos mais sexy, aquele que geralmente funciona para mim. “Vou te levar com prazer, querida.”
“Ainda não é meu nome, babaca.” O sorriso dela é cheio de sarcasmo, e meu pau está a fim.
“Bom, podemos usar nossa viagenzinha juntos para nos conhecermos melhor, florzinha.” Estendo minha mão, meu sorriso ficando maior enquanto Sam deixa cair as chaves do carro na minha mão.
“Que legal. Mal posso esperar.” Ela revira os olhos de novo, virando no salto dos Docs dela, não me deixando espaço para fazer nada além de segui-la.
O carro do Sam é um muscle car preto e sexy, um que eu tinha pegado emprestado várias vezes para impressionar as garotas. Minha nova amiga picante não pareceu muito impressionada. Ela só se acomodou no banco e começou a mascar chiclete.
“Então, você é tipo, a melhor amiga da Lizzy?” Tento não recuar do calor no olhar raivoso dela. Para uma coisinha pequena ela é uma grande bola de raiva.
“Olha, Sr. Sou-tão-legal-porque-sou-alternativo-e-estrangeiro...”
Eu rio, fazendo ela me encarar ainda mais.
“Não estou interessada em te conhecer. Não estou interessada em ser sua amiga. Só estou aqui pela minha prima.”
“Ah, então a Lizzy é sua prima! É, consigo meio que ver a semelhança de família agora.”
Ela bufa quando percebe que sua personalidade afiada não vai me afastar.
“Então, princesa, se você vai estar por perto muito, então eventualmente vamos acabar sendo amigos.”
Sorrio para ela enquanto ela bufa de novo, cruzando os braços firmemente no peito, o que empurra as tetas pequenas dela contra a freira de caveira branca na sua camiseta preta do Bad Religion. “Anna” ela cospe.
“Prazer em te conhecer, Anna. Sou Steve the Punk...” Tento não sorrir demais. “Seu futuro amante.”











































