
Armas e Realeza Livro 2
Author
H. F. Perez
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Chapters
40
Anjo
Angélica
. . Sonora, México
“Isso não pode estar acontecendo.”
Outro grupo de ingredientes tinha estragado.
“Droga.”
Depois de meses tentando, Angelica ainda não conseguia cozinhar direito.
“Cuidado com a linguagem, mi hija” — disse suavemente a mulher ao seu lado.
Angelica deu um sorriso sem graça. “Desculpa.”
“Em espanhol, Angelica.”
Ela sempre era lembrada de falar espanhol cada vez que soltava uma palavra em inglês.
“Certo.” “Lo siento, tía.”
A mulher assentiu com aprovação. “Bueno. Hacer otro lote de tortillas, por favor.”
“Sí.”
Angelica tinha que traduzir as palavras para o inglês na cabeça para entender.
O ar fresco da manhã a fazia tremer de frio. Ela estava pronta para ajudar Juanita, a mulher que a tinha ajudado quando estava numa situação muito ruim.
Juanita e seu marido, Tío Ramón, eram os trabalhadores de confiança que cuidavam de uma grande hacienda. A propriedade estava cheia de empregados, trabalhadores rurais e guardas.
Angelica tinha amado o lugar no momento em que viu. As montanhas verdes ao redor de uma área plana com uma fonte de água natural — era uma propriedade rural perfeita.
Mesmo ainda se recuperando de um ferimento de bala, este lugar tinha se tornado seu refúgio. E Juanita e Ramón eram as pessoas que a salvaram.
Juanita a tratava como uma filha, ensinando-a como se adaptar. Mas com seu cabelo loiro e olhos azul-violeta, Angelica parecia diferente, mesmo com seu bronzeado.
Mas ninguém a tratava de forma diferente. Assim que Juanita disse que Angelica era sua sobrinha, todos a receberam de braços abertos.
“Siempre habla en nuestro idioma, Angélica. El Patrón detesta a extrañas en su tierra.” ~(Sempre fale em nosso idioma, Angelica. El Patrón detesta estranhos em sua terra.)
“Sí, tía.” “El Patrón.” Todos pareciam temer o velho, um medo que vinha do respeito. Angelica nunca o tinha conhecido, mas estava ficando curiosa.
Seria ele como Tío? Uma figura paterna? “¿Cuándo volverá a casa?” ~(Quando ele volta para casa?)
“No me corresponde decirlo. Quiero que te mantengas alejado de él. Por favor.” ~(Não cabe a mim dizer. Quero que você fique longe dele. Por favor.)
“I will, Tía Juanita.”
Mas por quê? Com certeza, El Patrón era um velho gentil. Angelica deu de ombros. Era melhor ouvir o aviso de Juanita.
Ela não queria causar problemas. Só queria recuperar suas memórias para poder encontrar o caminho de casa.
Sua família devia estar muito preocupada. Ela também estava.
Precisava se encontrar. E por mais que amasse este lugar, sabia que estava em perigo antes de Juanita e Ramón a acolherem.
Não queria trazer problemas para eles.
Angelica estava esperando o dia em que pudesse deixar este lugar e procurar sua família.
“Tudo que sei é que El Patron vai voltar para casa em breve. Então precisamos estar prontos. E seria melhor se ele não te visse.”
“E quanto à família dele?”
Era estranho — não havia crianças correndo pela propriedade.
“Ele não tem família. Ele quer assim. Sem mais perguntas, si?”
Angelica assentiu. Não era da sua conta.
Ela só precisava melhorar, ganhar algum dinheiro e depois ir embora. Não tinha motivo para ser curiosa demais sobre o misterioso El Patrón.
***
A tarde quente a fazia querer nadar no rio mais próximo.
Ou melhor ainda, na grande piscina da mansão. Sua beleza espanhola poderia ter assustado outros, mas não ela.
Sabia que tinha visto lugares assim antes.
Angelica sabia muitas coisas, exceto quem ela realmente era.
Protegeu seus incomuns olhos azul-violeta do sol forte.
Tudo que queria nesta tarde era se refrescar. Esquecer suas preocupações na água fria.
Mas não é permitido, Angelica.
Ela fez uma careta. Verdade. Juanita tinha dito claramente para não explorar certas partes da casa, especialmente a ala de El Patron.
Estava curiosa, mas sabia que era melhor não arriscar.
Não, não faça isso. Pare de me fazer querer! Черт побери!
Olhou ao redor, surpresa. Tinha acabado de xingar na cabeça em outro idioma.
Parecia que conseguia falar muitos idiomas.
Descobrir suas habilidades lhe dava esperança. Mas não podia contar a Juanita. Eles iam se preocupar, e ela não queria isso.
Conseguia falar francês e russo com facilidade. Seria ela da KGB?
Também conhecia armas. O tipo, o modelo, quão bem funcionavam.
E sabia como usá-las. Grande ou pequena, não importava.
Algumas semanas atrás, tinha encontrado uma academia perto do posto avançado.
Era mais como uma área de treinamento, então ela escapava ao amanhecer e usava o que tinha lá.
Ficou surpresa ao descobrir que conhecia Krav Maga e artes marciais mistas.
E tinha força para treinar por horas, até seus músculos tremerem e ela ficar ofegante.
Quem a tinha treinado? Maman? Não conseguia se lembrar. Maman. Mãe.
Se seus sentimentos estivessem certos, tinha deixado sua mãe para trás. E sua mãe devia estar muito preocupada com sua filha desaparecida.
Angelica piscou para conter as lágrimas. Sentia falta de sua mãe, quem quer que fosse. Tinha uma irmã? Um irmão? Amigos? Um namorado?
Havia uma parte dela que precisava ser preenchida. Precisava saber.
Seu nome não era Angelica. Tia Juanita tinha dado esse nome porque achava que ela parecia um anjo.
Palavras dela, não minhas.
Riu do pensamento. Só porque sabia coisas perigosas não a tornava uma guerreira de Deus. Estava destinada a outra coisa.
E estava longe de ser um anjo. Estava inquieta, querendo uma válvula de escape. Se não encontrasse uma logo, ia gritar suas frustrações para o céu.
Enquanto olhava para o horizonte, lágrimas escorriam por suas bochechas.
Quem sou eu? Qual é meu nome verdadeiro?
***
“Estive procurando por você, hija.”
A voz de Tia estava cheia de censura gentil.
Angelica sabia que tinha ficado fora por horas. Tinha caminhado pelas árvores densas e nadado no rio frio. Até encontrou uma pequena cabana.
Fez uma nota mental para limpar o lugar e torná-lo seu. Parecia que fazia anos desde que alguém morava lá.
“Fui nadar.”
Voltar ao espanhol era um pouco difícil, mas ela fazia isso por respeito a Juanita.
Juanita soltou um grande suspiro enquanto a olhava.
“Da próxima vez, me avise para que eu não fique preocupada. Estava prestes a pedir ao seu Tio para começar uma equipe de busca.”
Angelica sorriu com suas palavras. Sabia o quanto eles se importavam com ela.
“Não posso te contar todos os meus segredos. Algumas coisas são melhores deixadas no escuro” — disse brincalhona, movendo as sobrancelhas para cima e para baixo.
“Dios mío! Você e suas brincadeiras. Vá se refrescar. O jantar vai estar pronto em uma hora. Vá!”
Juanita a empurrou com as duas mãos. Rindo, Angelica beijou a bochecha vermelha de sua guardiã antes de girar e sair.
“Te vejo daqui a pouco, Tia Juanita.”
***
Sentindo-se renovada e de alto astral, Angelica, vestida com uma confortável blusa azul-clara de ombros à mostra e uma saia branca esvoaçante, entrou alegremente na sala de jantar.
Parou de repente, os olhos arregalados enquanto observava a discussão acalorada à mesa.
Esta era a primeira vez que via Juanita e Ramon discutindo.
“O que está acontecendo? Tía? Tío?”
Eles ficaram em silêncio, parecendo veados paralisados pelos faróis.
“Nada, hija!”
Juanita dispensou sua pergunta, e Ramon assentiu em concordância.
Ela podia ter perdido a memória, mas não era boba. Algo estava errado. Havia uma sensação tensa ao redor deles, movendo-se e apertando como uma corda em volta de um pescoço.
“Vocês não podem mentir para mim. Deviam me contar agora para que eu possa me preparar.”
Com passos suaves, atravessou a sala e tomou seu lugar habitual à mesa.
A área de jantar era elegante, mesmo não sendo a sala de jantar formal ou o charmoso cantinho do café da manhã. Tinha eletrodomésticos modernos, azulejos de cerâmica importados, lustres e uma longa mesa de mogno.
Com o guardanapo cuidadosamente colocado sobre as coxas e um sorriso calmo no rosto, olhou para seus companheiros, esperando, a sobrancelha erguida.
Angelica não fazia ideia de quanto parecia com sua poderosa Maman naquele momento. “E então?” — perguntou.
Juanita quase pulou da cadeira. Seus olhos castanho-chocolate se moveram de Angelica para seu marido.
“El Patrón. Ele está voltando para casa” — disse ela, a voz tremendo.
“Ah.”
Черт побери!








































