
Harlowe Island 2: Apaixonando-se pelo Pintor
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S. L. Adams
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Capítulo 1
MYRA
Livro 2: Apaixonando-se pelo Pintor
“De jeito nenhum eu vou fazer isso.”
“Myra, não estou pedindo para você passar a noite com o homem”, o papai esbravejou.
“Por que a Audrey não pode bajular ele até ele assinar a porra desse contrato idiota?”
“Você acha que um contrato que vale tanto dinheiro é um contrato idiota?”
“Eu acho que assumir um projeto como esse vai ser um pesadelo.”
“Ah, é mesmo?”
“É.”
“Da última vez que verifiquei, mocinha, não era você quem comandava esta empresa. Era eu.”
“Na verdade, pai, o Theo é quem comanda.”
“Eu ainda dou a palavra final nas grandes decisões! E a porra da torre estúpida do Hardy é um grande projeto!”
“Então você admite que é estúpido?”
“Claro que é, Myra!”
“Então por que você quer tanto isso?”
“Porque se a Harlowe Homes não construir, outra empresa vai construir!”
“E daí!”
Ele trincou os dentes. Depois passou os dedos pelos seus cabelos brancos e ralos. “Myra, se você quer trabalhar no negócio da família, você tem que saber trabalhar em equipe.”
“Tá bom. Eu faço o esquisitão nerd assinar a porra desse contrato idiota.”
“Obrigado.”
“Tanto faz, pai”, resmunguei, empurrando minha cadeira para trás. “Tenho que ir me arrumar.”
Subi as escadas pisando duro para a suíte que eu dividia com as minhas irmãs.
A véspera de Ano Novo deveria ser divertida. O último lugar onde eu queria estar era na festa da Associação de Construtores e Câmara de Comércio de Bristlecone Bay.
A Harlowe Homes era a construtora da nossa família. Meu avô a construiu do zero. Meu pai acabou assumindo o controle depois.
Nós atendíamos toda a região de Muskoka, conhecida como a região dos chalés. A área era um refúgio popular. Não era apenas para o pessoal da cidade de Toronto, mas também para celebridades ricas em busca de um lugar particular para relaxar.
Com mil e seiscentos lagos, cercada por uma floresta densa e uma natureza deslumbrante, era uma área popular para os donos de chalés. E os clientes ricos não estavam construindo cabanas simples na floresta.
Meu pai colocou na nossa cabeça que o nosso negócio funcionava vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Nós não tirávamos férias. E sempre que saíamos da nossa ilha particular, estávamos representando a Harlowe Homes.
Quando estávamos online, estávamos representando a Harlowe Homes. Se a gente não limpasse a bunda direito, isso poderia afetar a Harlowe Homes.
“Tão ruim assim?” a Naomi perguntou, fazendo uma careta quando eu puxei meu vestido do armário.
“O papai quer que eu faça o Silas Hardy assinar o contrato.”
“Ele está te bancando de cafetão?” ela ofegou.
“Não”, a Audrey suspirou. “Tudo o que ele quer é que a Myra dê uma bajulada nele. Aparentemente, o nerd bilionário e assustador tem uma queda por ela.”
“Como o papai sabe disso?”
“O Hardy andou perguntando sobre ela na cidade.”
“Por que você não pode fazer isso, Audrey?” eu reclamei. “Quantos anos esse cara tem, afinal?”
“Ele tem só trinta, Myra.”
“Que nojo! Ele é velho.”
“Trinta anos não é velho.”
“Não para você”, eu bufei. “Você tem vinte e sete. Eu tenho vinte e um.”
“Ninguém está pedindo para você foder com ele. Apenas dance com ele e talvez flerte um pouquinho. Só isso.”
“Por que você mesma não faz isso, Audrey?”
“Ele não gosta de mim.”
“Como você sabe?”
“A gente não se dá bem.”
“Quando foi que você passou algum tempo com ele?”
“Eu passei quatro horas revisando as especificações elétricas com ele quando estávamos fazendo o orçamento. Ele é o filho da puta mais irritante, arrogante e prepotente que eu já conheci na minha vida.”
“O que você disse a ele?”
“Nada. Eu sou uma profissional. Eu nunca comprometeria um projeto como esse sendo uma escrota com um cliente.”
“Então você passa o tempo com ele hoje à noite.”
“Eu não vou fazer isso, Myra. Seria um desastre. Você precisa fazer isso. Fim de papo.”
“Você sabe com quem está parecendo agora?”
“Nem diga isso”, ela avisou.
“Qual é, gente”, a Naomi disse. “Já chega. Vocês estão assustando a pobre da Milly.”
“Eu estou só sentada aqui, cuidando da minha vida”, a Milly disse com uma risada nervosa.
A Milly era a nova namorada do meu irmão. Ele a trouxe para casa para as festas. Eles moravam na Flórida. Mas o Levi estava se mudando de volta para o Canadá.
Eu não fazia ideia do que ia acontecer com o relacionamento deles quando a Milly voltasse para Key West e meu irmão ficasse em Bristlecone Bay. O Levi parecia bem apaixonado por ela.
“Vamos vestir você”, eu disse, pegando outra capa de roupa no armário.
A Milly aceitou a capa, abrindo o zíper. “Ah, eu não sei”, ela disse ao tirar o vestido lá de dentro. “Talvez não caiba em mim.”
“Vai sim”, eu garanti. “Nós temos alturas e tamanhos de seios bem parecidos.”
“Como eu vou usar sutiã?”
“Você não usa”, eu sussurrei. “Não se preocupe. Ele tem bojos embutidos para manter as suas meninas seguras.”
A porta do quarto se abriu. A Milly apareceu no meu vestido sexy. O seu cabelo e a sua maquiagem estavam perfeitos.
“Tudo bem com você aí, Levi?” a Audrey perguntou, esfregando o ombro dele.
“Você está babando um pouco”, a Naomi sussurrou, batendo de leve um lenço no canto da boca dele.
“Você está absolutamente deslumbrante, anjo”, ele sussurrou.
“Obrigada”, ela disse baixinho. “Você fica bem de smoking.”
“Eu não uso com muita frequência.”
“Bem, você está ótimo.”
“Vocês gostam do meu vestido?” eu perguntei, girando em um círculo.
“Hã”, o Levi resmungou, desviando o olhar. “Onde está o resto dele?”
“Cala a boca, Levi!”
“Você é tão puritano, Levi”, a Naomi bufou.
“O seu vestido não parece estar sentindo falta de nenhum pedaço de tecido, Naomi”, ele notou.
“Eu nunca conseguiria usar o vestido da Myra”, ela suspirou. “Eu sou muito baixinha.”
“Você não é baixinha”, ele disse.
“Comparada à Myra, eu sou.”
O Levi atravessou o quarto, estendendo a mão para a Milly. “Vamos dançar a noite toda?”
“Eu não sei se tenho coragem de sair deste quarto com os meus peitos à mostra”, ela sussurrou.
“Se você estivesse usando o vestido da Myra, eu não ia querer que você saísse do quarto. Mas você está ótima. Perfeita, na verdade.”
“Não tem nada de errado com o meu vestido, Levi!” eu gritei. “Você é um velho puritano. E o vestido que a sua namorada está usando é meu! Eu emprestei para ela.”
“Ele só está sendo um típico irmão mais velho”, a Audrey disse. “Você é a irmãzinha caçula dele. Você não se lembra da minha formatura da oitava série? O Levi e o Theo assustaram pra caramba o meu pobre par.”
“Ah, é verdade”, a Naomi riu. “Eu achei que o Dave Noonan ia mijar nas calças. Por que você foi com ele, afinal? Ele era muito nerd. Ainda é.”
“Eu não sei”, a Audrey disse. “Eu tinha quatorze anos.”
“Vamos logo”, eu resmunguei. “Aparentemente, eu tenho um nerd para seduzir hoje à noite.”
***
Fui direto para o bar. Flertar com o Silas Hardy não era uma tarefa para uma mulher sóbria.
“O que eu posso te servir, Myra?” o barman perguntou.
“Duas doses de tequila para me aquecer. E depois um dirty martini, com dose dupla de gim.”
“É pra já.”
“Sem o vermute e sem a salmoura da azeitona.”
“Então você quer só um copo de gim?”
“Isso.”
“Você e eu deveríamos sair para curtir qualquer dia desses.”
“Você não tem um filho agora, Moxy?” eu perguntei.
“Eu tenho dois. O que isso tem a ver com sair para beber? Eles têm pais que podem ser babás.”
“Suponho que sim.”
A Moxy Peters era uma moradora local, nascida e criada aqui. Ela tinha trinta e um anos, a mesma idade que o Levi. Ela era bem conhecida por toda Bristlecone Bay como a vagabunda e interesseira da cidade.
Eu virei as duas doses e peguei o meu copo de gim.
“Você pode não ver o ano novo chegar se continuar bebendo assim.”
O Silas Hardy sentou no banco ao meu lado. Seu sorriso bajulador fez meu estômago cheio de tequila dar uma volta nauseante.
“Como vai, Sr. Hardy?” eu perguntei educadamente.
“Isso depende, docinho”, ele sussurrou. “Você veio a esta festa com algum acompanhante?”
“Não, estou voando sozinha.”
“Não está mais”, ele disse. “Você gostaria de dançar?”
“Claro”, eu concordei, virando a minha bebida antes de escorregar do banco.
O esquisitão nerd sabia dançar. Isso eu não posso negar. E ele tinha um cheiro muito bom. Ele era forte, também. Eu nunca tinha prestado muita atenção nele antes. Mas quando estávamos dançando uma música lenta, eu podia sentir os músculos dele.
Não vá transar com ele.
Ou pelo menos não até ele assinar o contrato.
Isso faria de você um pouco menos vagabunda.
“Eu preciso usar o banheiro feminino”, eu sussurrei. Nós já tínhamos dançado pelo que pareceu uma eternidade.
“Claro”, ele disse. “Vou pegar bebidas para nós. O que você gostaria?”
“Que tal uma boa e velha Canadian?”
“É pra já, moça bonita.”
Fui para o banheiro. Quando eu saí da cabine, a Milly e a Audrey estavam lá.
“Aí está a futura Sra. Hardy”, a Audrey riu.
“Cala a boca”, eu resmunguei. “Eu só estou fazendo o que o papai me pediu.”
“Eu não sei não”, ela provocou com um sorrisinho astuto. “Vocês dois estavam ficando bem aconchegados na pista de dança.”
“Está com ciúmes?”
“Dificilmente”, ela zombou.
“Eu vi o Dr. Beaverton”, a Milly disse. “Ele está aqui com a filha grávida dele.”
“Eu os vi”, murmurei.
“A Myra e a Chelsea Beaverton não eram exatamente amigas no ensino médio”, a Audrey explicou.
“Nós éramos as melhores amigas”, eu disse. “Bem até a noite da formatura da oitava série.”
“O que aconteceu?” a Milly perguntou.
“Eu a peguei beijando o meu par lá atrás da lixeira.”
“Por que ela faria isso com você?”
“Porque ela é uma vagabundinha.”
“E vocês nunca fizeram as pazes?”
Eu abri a minha bolsa e tirei meu batom. “Demorou até o terceiro ano do ensino médio para voltarmos a nos falar civilizadamente”, eu disse, apertando os lábios depois de passar uma nova camada de rosa aveludado neles. “E então ela fez isso de novo.”
“Ela beijou o seu par atrás da lixeira de novo?” a Milly ofegou.
Coloquei a tampa e joguei o batom de volta na minha bolsa. “Pior. Ela transou com o meu par na noite do baile.”
“Isso é horrível!”
“Havia uma festa particular em um chalé chique lá no Lago Joseph. Eu não fui, porque eu não estava pronta para fazer sexo. O meu par não ficou nada impressionado. Ele me deixou na marina e foi embora. O Theo foi me buscar, mas a Chelsea me enviou uma foto do meu par dormindo ao lado dela na cama.”
“Ela parece ser uma pessoa terrível.”
“Ela é.”
“Mas o carma é foda”, eu ri. “Ele nunca mais ligou para ela depois daquela noite. E ele contou para todo mundo que só a usou para fazer sexo porque eu não quis dar pra ele.”
“O Dr. Beaverton disse que ela é casada com um cara do exército.”
Dei de ombros. “É, pelo jeito sim. Eu não sei como ela acabou com ele, nem onde se conheceram. E eu realmente não me importo.”
Quando eu voltei para a festa, o Silas não estava em lugar nenhum. Acho que eu ia ter que pegar a minha própria bebida.
“Ele saiu com o seu pai”, a Moxy me informou.
“Quem?”
“O Silas Hardy.”
“Ah.”
“Você está namorando ele, Myra?”
“Não”, eu ri.
“Interessante.”
Peguei minha cerveja e caminhei pelo salão.
“Olá, Myra.”
“Ah, oi, Dr. Beaverton”, eu disse. Eu sorri para o ginecologista sexy que me trouxe ao mundo. “Como vai você?”
“Bem, e você?”
“Estou bem.”
“Olá, Myra.”
“Olá, Chelsea”, eu disse educadamente. “Como vai você?”
“Estou ótima”, ela falou, alisando sua barriga feia e saliente.
“Parabéns”, eu disse, reunindo o máximo de entusiasmo falso que consegui para aquela vaca rouba-namorados.
“Seu acompanhante é bem bonitinho”, ela disse. “Ele não me parece familiar. Ele é daqui?”
“Não”, respondi, com meu sorriso forçado indo de orelha a orelha. “E ele não é meu namorado, então você não teria interesse nele.”
“Eu sou uma mulher casada, Myra”, ela bufou.
“E daí?”
“Não acredito que você ainda fica falando de coisas que aconteceram no ensino médio.”
“Sobre o que as senhoritas estão conversando?” o Bart perguntou, seus olhos correndo de um lado para o outro entre mim e a filha dele.
“Nada, pai”, a Chelsea suspirou. “Eu estou muito cansada. Você se importa se eu subir para o meu quarto? Não tem como eu aguentar até a meia-noite.”
“Claro, querida”, ele disse. “Vá descansar um pouco.”
“Bom te ver de novo, Myra”, ela disse, revirando os olhos antes de se virar para ir embora.
“O que aconteceu com vocês duas?” o Bart perguntou. “Vocês costumavam ser inseparáveis.”
“Eu acho que você não quer mesmo ouvir os detalhes.”
“Provavelmente não.”
“Você trouxe um acompanhante hoje à noite, Dr. Beaverton?”
“A minha filha era a minha acompanhante.”
“Bem, parece que os nossos acompanhantes nos abandonaram”, suspirei, dando uma olhada pelo salão.
“Você gostaria de dançar, Myra?”
“Por que não?” eu disse, colocando o meu copo vazio sobre a mesa.
Ele estendeu a mão para mim e me conduziu para a pista de dança, bem quando uma música lenta substituiu a batida animada.
“Momento perfeito”, ele sussurrou, deslizando seu braço ao redor da minha cintura.
“Você não gosta de música agitada, Dr. Beaverton?” provoquei.
“Você pode me chamar de Bart, por favor?”
“Eu provavelmente consigo fazer isso.”
“Eu não me importo em dançar músicas agitadas”, ele disse. “Mas isso é muito bom também.”
O Bart era alto. Eu tinha um metro e setenta e oito, e tive que inclinar a cabeça para trás para olhar para ele. Ele era o exemplo perfeito de um coroa bonitão.
Alto e forte.
O cabelo todo grisalho, penteado em um corte bem arrumadinho e com costeletas muito sensuais.
Uma barba por fazer.
Olhos azuis penetrantes.
Lábios cheios e convidativos para um beijo.
“Você dança muito bem”, eu disse.
Os lábios cheios e convidativos se abriram em um sorriso largo. “Assim como você, minha querida.”
“Obrigada.”
“Há quanto tempo você está namorando o Silas Hardy?”
“Ah, nós não estamos namorando. Na verdade, ele nem é o meu par de hoje. Meu pai só queria que eu bajulasse ele para o papai conseguir que ele assine o contrato do chalé hoje à noite.”
“Ah, entendi”, ele disse, franzindo a testa. “O seu pai sempre foi de fechar negócios dia e noite.”
“É. Esse é o meu pai. Ele não tem nenhum escrúpulo em bancar o cafetão da própria filha para fechar um negócio.”
“Tenho certeza de que essa não era a intenção dele.”
“Eu não sei, mas o Silas está em algum lugar com o papai agora. Então eu acho que eu cumpri a minha tarefa.”
“Você não parecia estar sofrendo nenhuma aflição enquanto dançava com ele.”
“Ele não é tão ruim quanto a Audrey diz que ele é.”
“Eu soube que ele tem um grande projeto planejado lá em Miller Point.”
“Sim, a torre”, eu suspirei.
Estávamos na nossa segunda música quando o meu pai reapareceu com o Theo e o Silas. Ele olhou pelo salão e os olhos dele pararam em mim.
“Ih, caramba”, eu sussurrei. “Acho que eu estou encrencada.”
Meu pai fez um sinal para eu ir até lá.
“Obrigado pela dança adorável, Myra”, o Bart disse.
Fiquei na ponta dos pés, pressionando os meus lábios na orelha dele. “Não vá a lugar nenhum”, eu sussurrei. “Eu já volto.”
“Eu vou cobrar isso de você”, ele riu.
“Myra”, o papai disse. “Nós já encerramos todos os nossos negócios por esta noite.”
“Que bom.”
“Vou procurar a Tracey”, o Theo disse. “Estou ansioso para supervisionar a construção do seu chalé, Silas.”
O Silas estendeu a mão. “Eu tenho a máxima confiança na Harlowe Homes.”
Eles apertaram as mãos antes de o meu irmão sumir no meio da multidão.
“Eu vou procurar a minha esposa”, o papai disse. “Foi um prazer fazer negócios com você, Silas. Aproveite o resto da sua noite.”
“Meus melhores votos para o ano novo, Sr. Harlowe.”
“Vamos continuar de onde nós paramos?” o Silas perguntou, tentando pegar a minha mão.
Puta que pariu, merda, caralho.
Eu quero dançar com o Bart.
E agora?
“Claro”, eu disse. “Eu só vou dar uma retocada no banheiro feminino e depois vou te procurar.”
“Vou pegar algumas cervejas para nós.”
Eu não precisava mesmo fazer xixi. Era só uma desculpa para fugir dele e bolar um plano.
Como eu vou dar um fora nele?
Os negócios vêm antes da diversão, Myra.
Você está representando a Harlowe Homes toda vez que sai de casa.
“Eu odeio a porra da minha vida”, eu resmunguei.
O Silas estava no bar.
“Oi”, eu disse.
“Tudo bem?”
“Sim”, eu o tranquilizei com um sorriso brilhante.
“Silas, meu chapa!”
Gunter Flindall.
Dono da Flindall Homes e o nosso maior concorrente.
Por favor, distraia ele.
Por favor, por favor, por favor.
“Olá, Gunter”, o Silas disse, apertando a mão do outro homem. “Feliz Ano Novo.”
“Escuta, eu soube que você fechou com a Harlowe para o seu chalé.”
“Sim”, ele confirmou. “Eles têm a mão de obra necessária para um projeto desta proporção.”
“Sim, sim”, ele disse. “Sem ressentimentos. São apenas negócios.”
A Moxy olhou para mim. Ela sorriu quando eu revirei os olhos enquanto os dois homens continuavam falando sobre política e outras merdas com as quais eu não me importava.
“Você quer uma ajuda?” ela sussurrou.
“Com o quê?”
“Você sabe muito bem com o que, amiga”, ela gesticulou com os lábios, acenando com a cabeça para o outro lado do salão, onde o Bart estava sentado sozinho.
“Desculpe, Myra”, o Silas disse, deslizando o braço ao redor da minha cintura depois que o Gunter se afastou. “Chega de falar sobre negócios por hoje.”
“O que eu posso te servir para beber?” a Moxy perguntou ao Silas.
“Que tal uma vodca com suco de cranberry?”
“É pra já”, ela disse, virando as costas para preparar a bebida.
“E você, Myra?” ela perguntou ao voltar com a bebida do Silas.
“Vou querer só uma Canadian”, eu disse.
“Ah, é verdade”, o Silas riu antes de tomar um gole da sua bebida. “Eu fico querendo te pegar uma, mas toda vez que eu tento, acabo me distraindo.”
“Você deve ter gostado muito dessa vodca com suco de cranberry”, a Moxy observou. O Silas esvaziou o copo dele rapidinho.
“Eu gostei”, ele concordou. “Faz outra para mim, sim, querida?”
“Pode apostar”, a Moxy disse. Ela piscou para mim antes de ir preparar a bebida dele.
O que ela está tramando?
Depois que o Silas terminou a segunda bebida, fomos para a pista de dança. Ele tentou me puxar para perto. Eu segurei a mão dele, me mantendo um pouco distante.
O Bart estava dançando com uma mulher mais ou menos da idade dele. Isso me deu uma pontada de ciúme na barriga. Eu queria dançar com ele, e não com o bilionário meio bêbado, que estava começando a ficar muito cheio de mãos em mim.
O relógio estava cada vez mais perto da meia-noite. Se eu não encontrasse um jeito de fugir do Silas, eu ia acabar beijando ele. E não eram os lábios dele que eu queria nos meus à meia-noite em ponto.
“Eu não estou me sentindo muito bem”, o Silas disse. “Eu acho que vou pular essa próxima dança, Myra.”
“Ah, tudo bem”, eu disse, mal escondendo a minha alegria.
Eu o segui até uma mesa, tentando criar uma estratégia para escapar. “Você quer que eu pegue um copo d'água, ou talvez um refrigerante de gengibre?”
Ele fez uma careta e se curvou. “Eu preciso usar o banheiro.”
“Tá bom.”
Eu o observei correndo para o banheiro. O Bart ainda estava dançando com a velha. Então, fui me sentar no bar, do lado da Naomi.
“Por que você está sentada aqui sozinha?” eu perguntei. Eu contei os copos de dose enfileirados na frente dela.
“Eu estou sempre sozinha”, ela falou enrolado.
“Chega de álcool para ela”, eu avisei a Moxy.
“O dela já foi cortado”, a Moxy confirmou.
“Aonde o seu novo namorado foi?” a Naomi sussurrou em voz alta.
“Ele não é o meu namorado, e ele foi ao banheiro.”
“Faltam só dez minutos para a meia-noite, pessoal”, o DJ anunciou. “Encontrem a pessoa que vocês querem beijar. É agora ou nunca.”
“Você vai ficar bem, Naomi?” eu perguntei.
“Sim!” ela gritou. “Vá! Beije o sapo rico!”
Eu saí do meu banco e olhei pelo salão. Não havia sinal do Silas.
Quantas vezes ele ia me abandonar?
Que se foda ele.
Ele não é o seu par.
Você não deve nada a ele.
E os papéis estão assinados.
Um par familiar de olhos azuis maravilhosos cruzou com os meus.
O Bart sussurrou algo no ouvido da sua parceira. Ela concordou com a cabeça e bateu de leve no peito dele antes de desaparecer no outro lado do salão.
Minha barriga deu um salto, e meu pulso acelerou muito quando ele caminhou na minha direção. Fui ao encontro dele no meio do caminho com os joelhos meio bambos.
“Vejo que o seu par abandonou você de novo”, ele disse.
“Desculpe por ter te abandonado mais cedo.”
“Eu entendo.”
“Eu estou livre agora.”
“Eu também.”
“Você gostaria de dançar, Bart?”
“Eu adoraria, Myra.”
Ele me puxou para os braços dele, apoiando as mãos no final da minha coluna enquanto deslizávamos pela pista de dança.
Olhei para ele, fazendo carinho na sua nuca. “Quem era a mulher com quem você estava dançando?” eu perguntei.
“Uma vizinha.”
“Ah.”
“É quase meia-noite”, ele sussurrou.
“Eu sei”, eu sussurrei de volta.
Meu coração bateu forte enquanto o DJ fazia a contagem regressiva.
O Dr. Beaverton ia me beijar!
Como eu tive tanta sorte?
Toda garota em Bristlecone Bay provavelmente já tinha fantasiado em beijar o nosso ginecologista local uma vez ou outra.
“Feliz Ano Novo!”
Ele abaixou a cabeça e roçou os lábios dele suavemente nos meus.
Fogos de artifício explodiram na minha barriga.
Um calor tomou conta do meio das minhas pernas.
Eu queria mais do que um simples beijo sem graça.
E de um jeito ou de outro, eu ia conseguir isso antes que a noite acabasse.










































