
Harlowe Island: Apaixonando-se pelo Eletricista
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Capítulo 1
AUDREY
Livro 3: Apaixonada pelo Eletricista
O olho vermelho e furioso do universo me encarou do espelho. Uma espinha enorme e cheia de pus — bem no meio da minha testa.
A risada maligna dela ecoou pelo meu crânio, desencadeando o início de uma dor de cabeça terrível enquanto ela enfiava a mão no meu corpo e apertava o meu útero.
Bridget.
Esse foi o nome que eu dei para a minha supervisora no universo. Ela era uma vadia má que assumiu a missão de me atormentar.
Eu agarrei a beirada da pia e expulsei um jato de ácido estomacal podre, misturado com pedacinhos de lúcio. Nós tivemos um banquete de peixe fresco na noite anterior. O meu irmão, Levi, levou os sogros dele da Flórida para uma viagem de pesca.
Quando eles voltaram com dois lúcios de quase três quilos, eles os cozinharam em uma fogueira. O lúcio desceu delicioso. Mas para voltar?
Nem tanto.
A tentação de rastejar de volta para a cama era forte. Mas eu não tinha essa opção. Não naquele dia. Era o dia do casamento do meu irmão.
Os sogros do Levi estavam hospedados no meu apartamento acima da casa de barcos. Eu estava dormindo na casa principal havia uma semana, e tive que dividir a cama com a minha irmã, Naomi, na noite anterior. Nossa irmã mais nova, Myra, pegou a cama dela de volta.
E ela trouxe o namorado, então eu não podia exatamente dormir lá com ela. Não que eu a tivesse escolhido em vez da Naomi. A Myra estava grávida de seis meses. Ela teria ocupado a cama inteira com o barrigão dela e a sua variedade de travesseiros.
A minha mãe se recusou a contratar um bufê, optando por preparar ela mesma toda a comida para cinquenta convidados. Se eu não descesse para a cozinha logo, ela viria me procurar.
Eu tirei o meu pijama e entrei no chuveiro com um grande suspiro.
Os Harlowes aparecem no local de trabalho com chuva ou sol, tristes ou felizes, doentes ou saudáveis.
E eles não ficam em casa por causa de problemas femininos.
Cale essa boca, bote a porra de um absorvente interno, tome a merda de um Midol e mexa essa bunda!
O meu pai podia estar morto, mas ainda estava muito vivo na minha cabeça. Ele criou a mim e aos meus quatro irmãos com muito amor duro — especialmente as meninas.
Os métodos dele podiam não ser sempre os melhores, mas ele sabia o que era preciso para as mulheres terem sucesso no ramo da construção de casas. Eu fechei os olhos, indo para o meu lugar feliz enquanto a água quente caía sobre o meu corpo.
Misty Cay. Uma ilha fictícia no Pacífico Sul. O cenário da minha novela favorita. Eu era a Sra. Wellington, a esposa do bilionário Stewart Wellington.
Minha irmã esmurrou a porta, me arrancando da minha fantasia.
“Audrey! Anda logo! Você não pode usar toda a água quente!”
“Eu já vou sair, Naomi! Me deixa em paz!”
Eu tinha acabado de enxaguar o meu cabelo quando ouvi a outra porta abrir. A Naomi dividia um banheiro com a Myra. Eu me certifiquei de trancar a porta da Myra antes de entrar no chuveiro.
A minha irmã mais nova tinha problemas com limites. A Myra tendia a esquecer que éramos mulheres adultas, e nem todas nós nos sentíamos confortáveis com a nudez. Se eu tivesse o corpo dela, talvez eu andasse nua por aí sem inibições, mas essa não foi a carta que a Bridget me deu.
Eu espiei pela cortina do chuveiro, rezando para não ser o namorado da minha irmã. “Eu sei que tranquei a porta, Myra”, eu suspirei ao vê-la sentada no vaso sanitário.
“Eu precisava muito fazer xixi.”
“Então você arrombou a fechadura?”
“Sim.”
“Tem outros banheiros nesta casa.”
“Eu não queria me vestir ou andar até lá.”
“Então você devia ter esperado. Não é educado invadir o banheiro quando outra pessoa está usando.”
“Você pode falar baixo?” ela sibilou. “Você vai acordar o Bart.”
“Se você não sair deste banheiro agora mesmo, eu vou contar para a mãe que você está acordada e pronta para ajudar na cozinha.”
“Você não teria coragem.”
“Não teria?”
Ela se levantou do vaso sanitário, me olhando no espelho enquanto lavava as mãos. “Eu tenho que descansar”, ela me lembrou com um sorriso presunçoso. “Ordens médicas. E, tecnicamente, eu sou uma convidada. Eu não moro mais aqui.”
“Tanto faz”, eu resmunguei. “Você pode sair daqui para eu terminar de me arrumar?”
“Por que a Myra está acordada às cinco da manhã?” Naomi gritou pela outra porta.
“Eu precisava fazer xixi.” Myra bufou. “Você esqueceu que eu estou grávida de seis meses?”
“Com certeza não”, Naomi falou baixinho.
“Volte para a cama, Myra”, eu suspirei. “Durma até as dez e depois faça sexo com o seu namorado. Nós não queremos interferir na sua vida perfeitinha.”
Ela colocou as mãos na cintura, me encarando com aqueles olhos lindos. Nós sempre brincávamos que a nossa irmã mais nova era adotada. Myra era um mulherão de cabelos loiros, olhos azuis e peitos grandes.
Naomi e eu éramos ambas morenas magras, sem curvas sensuais ou seios de que valesse a pena falar. Eu tinha o suficiente para preencher um sutiã tamanho B, mas a Naomi mal conseguia preencher um A.
“Qual é o seu problema, Audrey?”
“Nada, Myra”, eu suspirei.
***
“O que há de errado com você esta manhã?” a mãe perguntou.
“Nada, mãe”, eu resmunguei.
“Ela está menstruada”, Naomi falou alto.
“Sério, Naomi?” eu sibilei.
“O que foi? Somos só nós três aqui.”
A mãe tirou uma bola de massa da geladeira e a jogou na bancada. “Audrey, você realmente precisa ir a um ginecologista”, ela disse. “Onde está o meu rolo de massa?”
“Bem aqui”, Naomi disse. Ela segurou o rolo no ar.
“Por que você tirou de mim?”
“Eu não toquei nele, mãe. Você está perdendo as estribeiras.”
“Eu não estou.”
“Você devia ter contratado um bufê.” Eu suspirei, balançando a cabeça enquanto cortava uma cebolinha.
“Audrey, essas cólicas debilitantes estão estragando a sua vida. Deve haver algo que eles possam fazer. Por que você não marca uma consulta com o novo ginecologista jovem da cidade?”
“Eu já fui a um ginecologista, mãe. Eu não posso tomar nenhum tipo de anticoncepcional hormonal. Você sabe disso.”
“Doris Graham fez uma ablação. É uma alternativa maravilhosa a uma histerectomia. Eles podem fazer isso como um procedimento ambulatorial. Tempo de recuperação mínimo.”
“Nós podemos mudar de assunto, por favor?” eu pedi. “Vamos focar no casamento hoje.”
“O Silas Hardy vai trazer um encontro”, ela me informou. Ela enfiou uma assadeira no forno antes de me lançar um olhar de desaprovação. “Por que você não convidou o Drew?”
Eu trinquei os dentes, e a faca na minha mão quase acertou o meu polegar antes de fatiar a cenoura na qual eu estava trabalhando.
“Audrey, tome cuidado”, ela me repreendeu.
“Mãe, você pode me deixar em paz, por favor?”
“Eu estou preocupada com você, querida.”
“Por que você convidou o Silas?”
“Ele é amigo do Levi.”
“Não, mãe. Ele é um cliente.”
“Isso mesmo, Audrey”, ela retrucou. “Um cliente importante. Um que está trazendo muito lucro e visibilidade para a Harlowe Homes.”
“Isso era para ser um casamento familiar privado, apenas com familiares e amigos íntimos.”
“Foi o Levi que o adicionou à lista de convidados, não eu.”
“Eu não acredito em você, mãe.”
“Por que você não gosta tanto desse homem?”
“Ele é um cuzão arrogante.”
“Você nunca respondeu a minha pergunta.”
“Qual pergunta?”
“Por que você não convidou o Drew para ser o seu par?”
“O Drew tem namorada”, Naomi disse.
“Desde quando?”
“Ele começou a namorar com ela em janeiro”, eu disse. “Ela é uma colega de trabalho.”
“Ele está namorando uma colega bombeira?”
“Sim.”
“Quem?”
“Só tem uma mulher no Corpo de Bombeiros de Bristlecone Bay”, eu suspirei.
“O Drew não namoraria com ela.”
“Eu não acredito que você não sabia disso. Você foi expulsa do seu clube de fofocas?”
“Se o Drew estivesse namorando aquela mulher estranha, eu teria ouvido falar.”
“A Maja não é estranha”, eu disse. “Só porque alguém não é igual a você, isso não a torna esquisita, mãe.”
“Ela empurra uma bola gigante pelo bairro. A Blythe disse que ela quase esmagou os chihuahuas dela.”
“Ela tem que se manter em forma.”
“A mulher é coberta de tatuagens.”
“E daí?”
“E ela não é um pouco velha demais para o Drew?”
“Ela tem trinta e cinco anos.”
“E ele tem vinte e oito.”
“E daí?”
“Audrey, eu só quero que você seja feliz, querida.”
“Eu sou feliz, mãe.”
“Você nunca mais vai a encontros.”
“É uma perda de tempo!” eu disparei. “Esqueça isso! A vida é minha!”
***
Eu não era uma pessoa ciumenta. Na maioria dos dias, eu era capaz de apreciar a vida que eu tinha: uma família amorosa, a minha saúde, um trabalho do qual eu gostava, um teto sobre a minha cabeça, comida na barriga e dinheiro no banco.
Mas não naquele dia em particular.
Não.
A Bridget se certificou disso.
Eu estava muito hormonal para lidar com o casamento do meu irmão com a maturidade e o comportamento esperados de mim. Audrey Harlowe sempre se portava de maneira profissional quando estava em público.
Não importava se era uma reunião de negócios ou uma reunião familiar privada. Myra andou até o altar em toda a sua glória de grávida, cravando os olhos no seu homem.
Eu queria aquilo.
O Bart olhou para a minha irmã como se ela fosse o centro do universo. Ele não se importava que ela fosse trinta anos mais nova do que ele, ou que ela pudesse ser uma pé no saco teimosa. Ele a amava.
“Myra”, eu sussurrei quando ela parou de andar.
Ela continuou até o fim do tapete rosa e subiu os degraus para o caramanchão.
A noiva veio em seguida, de braços dados com o pai. Milly tinha duas coisas que eu nunca teria.
O pai dela para acompanhá-la até o altar.
E um bebê na barriga.
***
Eu me movi pela fila do bufê atrás da Myra e do Bart, pegando uma comida que eu não sentia vontade de comer. A cerveja e as doses de tequila não estavam brincando bem juntas no meu estômago vazio.
Eu raramente bebia, mas assim que eu escapei da sessão de fotos em família, fui direto para o bar.
“Você vai ficar acordada a noite toda com queimação no estômago”, Bart avisou a minha irmã.
“É para isso que eles fazem remédio, doutor”, Myra disse.
“Mas esse remédio tem muito sal. Ele pode fazer a sua barriga inchar.”
“Então eu vou soltar uns bons peidos.”
“Você está lutando uma batalha perdida, Bart.” Eu ri. “Minha irmã nunca ouve.”
“Eu estou muito familiarizado com o lado teimoso dela”, ele suspirou.
“E você nunca concorda comigo, Audrey”, Myra reclamou.
“Isso não é verdade, Myra. Eu estou sempre cuidando de você e tentando te salvar de si mesma.”
“Você só está irritada porque o Silas trouxe um encontro.”
“Eu não me importo”, eu bufei. “Eu nem sei por que ele foi convidado. Ele é um cliente.”
“Um cliente importante”, ela disse, fazendo a sua melhor imitação do nosso pai. “Quando você tem um negócio, o trabalho não termina às cinco da tarde. É um trabalho vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Nós temos que fazer novos contatos e solidificar as relações de negócios existentes durante eventos sociais.”
“Um casamento familiar privado não é um evento social.”
“Reclama com a mãe.”
“O par dele parece uma boneca de plástico”, eu resmunguei, pegando um dos famosos bolinhos de macarrão com queijo da minha mãe.
“É melhor vigiar os seus carboidratos, irmãzona”, Myra sussurrou. “Você não iria querer perder essa cinturinha.”
Eu a encarei antes de pegar mais três daqueles bolinhos cheios de carboidratos.
“Eu acho que alguém está com um pouquinho de inveja”, ela cantou.
“Cala a boca, Myra”, eu sibilei quando o Silas se aproximou com a acompanhante dele.
“Boa noite, moças”, Silas disse. “Você está muito bonita como sempre, Myra.”
Bart colocou o braço em volta da cintura da Myra. “Myra sempre está bonita.”
“Você é um homem de sorte, Dr. Beaverton.”
“Vocês dois falam muita merda”, Myra riu. “Se me dão licença, eu vou encher a cara com toda essa delícia gasosa e que dá azia.”
“Como você está, Audrey?” Silas perguntou.
“Eu estou bem, Sr. Hardy”, eu anunciei. “Ótima, na verdade. É um lindo dia de verão. O Levi e a Milly tiveram uma cerimônia adorável. Eu tenho um ótimo emprego e uma família maravilhosa. E a melhor parte de hoje é que eu não estou no trabalho. Este não é um evento de negócios. É uma festa de família privada, e eu não tenho que ser educada com você.”
Eu virei a minha garrafa de cerveja, dando um longo gole enquanto ele observava com um sorriso divertido.
“Quanto ele te pagou para ser o par dele?” eu perguntei, encarando os peitos falsos e nojentos da mulher de plástico.
“Você poderia nos dar licença por um momento, por favor, Gladys?” Silas pediu.
“Claro”, ela disse, os seus lábios cheios de botox se curvando em um sorriso rígido.
“Não tem como a sua boneca Barbie se chamar Gladys”, eu ri.
“Quanto de álcool você bebeu?”
“Não foi o bastante.”
Ele inclinou a cabeça, me penetrando com um olhar magnético. Os olhos dele eram como café preto. Não tecnicamente pretos, mas bem perto disso. Torra escura, passada por tempo demais.
“Você não acabou de me dizer o quão bem está se sentindo, Lambkin?”
“O meu nome é Audrey.”
“Esse é um nome adorável, e combina com você quando está no trabalho. Mas, como você apontou, você não está no trabalho hoje. Portanto, o tratamento profissional não é exigido.”
“Você tem razão, cuzão”, eu cuspi, antes de girar nos calcanhares e sair furiosa.
“Isso machucou os meus sentimentos, Lambkin”, ele gritou para mim.
Eu levantei o braço acima da cabeça e mostrei o dedo do meio para ele.










































