
Histórias da Matilha 3: O Último Sacrifício
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1: Os Tempos Estão Mudando
MELANIE
Eu me peguei olhando no espelho. Meu cabelo estava perfeito, meu vestido estava impecável e minha maquiagem estava no ponto. Para quem olhasse, eu era a imagem de uma jovem bem-sucedida e satisfeita.
Mas, por baixo da superfície, eu era um poço de nervosismo e solidão.
Hoje era a cerimônia de acasalamento de Max e Ginger, e em duas semanas, Max assumiria o papel de alfa, com Ginger como sua luna. Os ventos da mudança estavam soprando pela Matilha Ridge Mountain.
Os últimos três meses tinham sido um turbilhão de atividades.
Com Max descobrindo sua companheira, nosso pai havia acelerado seus planos para que ele assumisse a liderança da matilha. Quando o verão chegasse, Max seria o nosso alfa e o nosso pai estaria aproveitando a sua aposentadoria.
Bem, não exatamente uma aposentadoria — ele estava de partida para a Itália por alguns anos para garantir que a Matilha Venice estivesse prosperando, pronta para Jaydon assumir algum dia.
Embora eu tivesse um caminho claro traçado para o meu futuro, não conseguia afastar a sensação de estar à deriva. Em um mês, eu seria uma médica totalmente qualificada, pronta para assumir o papel de médica da matilha.
A decisão sobre se eu serviria a Matilha Ridge Mountain ou levaria minhas habilidades para outro lugar ainda estava no ar.
Brock ainda estava na Irlanda, ajudando sua família. Nós só tínhamos conseguido conversar duas vezes nos últimos três meses.
Entre a agenda lotada dele e o fuso horário, a situação era difícil. Meu próprio tempo livre era escasso, especialmente com as preparações para a cerimônia de acasalamento de Max e Ginger.
Uma batida na porta me tirou dos meus pensamentos. Eu pedi para que entrassem.
“Melanie, precisamos ajudar Ginger a se arrumar, querida”, disse minha mãe, espiando pela porta.
“Ah, você está absolutamente deslumbrante.” Ela sorriu para mim enquanto se aproximava e colocava uma mecha rebelde de cabelo atrás da minha orelha.
“Minha filha linda, mal posso esperar para que você encontre o seu companheiro. Mas, por enquanto, não podemos deixar esses homens alfas esperando.” Ela se virou e foi em direção à porta, e eu a segui.
Ginger estava isolada em um quarto no fim do corredor, enquanto Max havia sido banido nos últimos dois dias. Ele estava confinado no alojamento com os guerreiros solteiros, proibido de entrar na casa principal da matilha, a menos que houvesse uma emergência.
Ele tinha resmungado sobre isso no início, mas, por Ginger, faria qualquer coisa. Ele estava ansioso para reivindicá-la e a havia marcado apenas dois dias depois de descobrirem que eram companheiros.
Eles estavam esperando por esse dia há tanto tempo que eu estava genuinamente surpresa que Max tivesse conseguido se conter por tanto tempo. Esse pensamento trouxe um risinho aos meus lábios.
Ao nos aproximarmos do quarto de Ginger, batemos de leve e ela nos convidou a entrar. Ginger estava sentada na penteadeira, com a mãe arrumando seu cabelo.
O padrasto de Ginger estava ausente, para o grande alívio dela — sua mãe não o havia trazido.
O alfa da Matilha Phoenix iria acompanhar Ginger até o altar. Ele a conhecia desde que ela era um bebê, já que o pai dela tinha sido o seu beta.
Ele estava transbordando de orgulho com a ideia de Ginger se acasalar com Max. Era como se ela fosse sua própria filha e, agora que estava prestes a se tornar uma luna, ele não poderia estar mais feliz.
“Muito bem, Ginger, vamos colocar o seu vestido”, disse minha mãe.
“Depois disso, alguém virá fazer a sua maquiagem.” Ela levantou a mão para impedir qualquer protesto de Ginger.
“Eu sei que você não quer muita maquiagem e já avisei isso à maquiadora. Você só quer que sua beleza natural seja realçada. Você realmente não precisa de maquiagem, Ginger, mas este é um dia especial. Nem todo mundo consegue encontrar seu companheiro predestinado, e você está prestes a se tornar oficialmente parte da nossa família.”
Minha mãe bateu palmas de empolgação enquanto ia até o armário para pegar o vestido de Ginger.
Uma hora depois, Ginger estava pronta. Eu seria a testemunha dela, ou madrinha de casamento, como os humanos chamavam.
Eu tinha ficado tão emocionada quando ela me pediu que desabei em lágrimas. Eu não poderia estar mais feliz pelo meu irmão e a companheira dele.
Ginger era uma mulher maravilhosa e de bom coração, e ela seria uma excelente luna.
Houve uma batida suave na porta e minha mãe a abriu uma fresta para ver quem era. Ela não confiava que Max não tentaria dar uma espiadinha.
Era o Alfa Bronson na porta. “Chegou a hora. A Ginger está pronta?” O alfa da Matilha Phoenix estava ali com um terno preto e uma gravata bordô profunda, que combinava com os vestidos das madrinhas.
“Estou mais do que pronta, Alfa”, Ginger praticamente gritou.
Todos nós demos risada do seu entusiasmo.
“Pois bem, garotas, precisamos ir lá para fora e abrir o caminho. Melanie e Clara, vocês duas estão prontas?”, perguntou minha mãe.
Clara era a outra madrinha de Ginger, uma velha amiga da sua matilha. Nós duas assentimos e seguimos a mamãe pela porta.
A mãe de Ginger nos seguiu logo atrás, depois de dizer a Ginger como ela estava linda e lhe dar um beijo no rosto.
Seguimos para o templo, o mesmo onde nossos pais haviam se casado há quase vinte e cinco anos. As duas mães ocuparam seus lugares na frente.
Clara e eu ficamos no fundo do templo, esperando a nossa deixa. Quando o sumo sacerdote deu o sinal, a música encheu o ar e começamos nossa caminhada até o altar, escoltadas pelas duas testemunhas de Max.
Max havia pedido a Beck e Derek, da Matilha Half Moon, para serem seus padrinhos. Beck era o meu par, e Derek era o de Clara.
Enquanto andávamos pelo corredor, Beck se inclinou e sussurrou: “Você está linda. Brock será um cara de sorte se um dia voltar para casa.”
Eu não tinha certeza de como responder. Era um comentário gentil, mas me magoava que ele tocasse no assunto da ausência de Brock.
Eu sabia que eles não se davam bem, mas esperava que Beck tivesse superado isso agora que tinha encontrado sua companheira. Eu simplesmente agradeci e não disse mais nada.
O dia de hoje era sobre Max e Ginger, e eu não ia deixar nada estragar o meu ânimo.
Chegamos à frente do templo e tomamos nossos lugares. E então, lá estava Ginger.
Ela estava de tirar o fôlego, e o Alfa Brandon parecia elegante enquanto ficava ereto e orgulhoso. Ele a acompanhou até o altar como se ela fosse sua própria filha.
Eu sabia que Ginger estava triste por seu próprio pai não poder estar ali naquele momento, mas ela conhecia o alfa a vida toda e ele era a segunda melhor opção.
Ouvi Max puxar o ar com força. Olhei de relance para ele e o vi encarando sua linda companheira, com o queixo praticamente caindo no chão.
Não pude evitar um sorriso. Este seria um dos dias mais lindos da vida dele, e eu estava cheia de alegria por ele.
MAX
Fiquei sem ar enquanto olhava para Ginger, minha alma gêmea. Ela estava deslumbrante, me deixando sem palavras. Enquanto ela se movia graciosamente em minha direção, o amor que eu nutria por ela transbordou no meu peito.
Eu havia esperado pelo que pareceu uma eternidade para confirmar se ela era realmente minha companheira, mesmo que meu lobo interior já soubesse o tempo todo.
O Alfa Brandon parou a poucos passos de distância, depois se virou para Ginger, oferecendo um sorriso gentil ao soltar o braço dela. Ele então olhou para mim e, com a voz quase em um sussurro, me instruiu a protegê-la, antes de se sentar.
Agora, Ginger e eu estávamos de mãos dadas em frente aos nossos entes queridos. A cerimônia foi um borrão, e as palavras proferidas eram as mesmas de sempre usadas nesses rituais de acasalamento. A única diferença era que eu era um alfa, prestes a ser o líder da matilha, e ela seria a minha luna.
Assim que o sumo sacerdote concluiu sua oração à Deusa da Lua, pedindo para que nosso futuro fosse abençoado, nós praticamente corremos pelo corredor até a saída do templo. Mal tínhamos cruzado a porta quando a peguei nos braços, e a risada dela soou leve e doce enquanto deixava um beijo na minha bochecha.
“Eu te amo, Max”, murmurou Ginger, com os olhos verdes brilhando.
“Eu também te amo, e agora você é minha para sempre.”
Coloquei Ginger no chão com cuidado quando chegamos ao Suburban preto que nos esperava. Abri a porta e a ajudei a entrar no SUV antes de entrar ao seu lado. A viagem de volta para a casa da matilha não era longa, mas afinal, estávamos vestidos com nossas roupas de casamento.
A celebração que minha mãe tinha organizado era extravagante, como era o seu estilo. Desta vez, no entanto, ela havia pendurado milhares de luzinhas cintilantes acima de nós, um feito impressionante considerando o tamanho do nosso quintal. A banda ao vivo foi uma surpresa, assim como a pista de dança de madeira que havia sido montada.
Uma mesa especial havia sido arrumada para nós, e seguimos até lá.
O jantar foi servido e os coquetéis foram saboreados. Dançamos a noite toda, agarrados um ao outro como se nunca quiséssemos nos soltar. E eu realmente não queria soltá-la.
A Deusa da Lua havia me abençoado com tudo o que eu poderia querer em uma companheira.
Conforme a noite avançava, me vi procurando pela minha irmã. Eu não tinha visto muito dela depois da cerimônia. Ela se juntou a nós para o jantar, compartilhou uma dança comigo e depois com o nosso pai.
Mas depois disso, ela parecia ter desaparecido. Não pude evitar me perguntar para onde ela tinha ido, mas, conhecendo-a bem, ela provavelmente estava em seu quarto, absorta em um livro.
Dei um último giro com Ginger na pista de dança e sussurrei em seu ouvido: “Meu amor, acho que é hora de sairmos desta festa e começarmos a nossa.”
As risadinhas de Ginger encheram o ar.
“É hora de completar o nosso laço de acasalamento, meu amor. Mal posso esperar para ter você só para mim. Para sempre minha.”
Paramos de dançar e compartilhamos um beijo apaixonado, ganhando vivas e assobios das pessoas ao nosso redor. Então nos despedimos de todos, a peguei nos braços e corri com ela para o nosso quarto.
A antecipação de estar com minha companheira deixou meu lobo interior no limite. Tive que lembrá-lo de que a hora dele chegaria em breve e para ser paciente. Meu lobo, Bo, resmungou em resposta, fechando os olhos e me permitindo manter o controle.












































