
Histórias da Matilha 4: O Destino da Lua
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Livro 4: O Destino da Lua
JAYDON
Eu me pego olhando para o vazio enquanto minha companheira desaparece na floresta. Estou perdido, sem ter certeza se devo segui-la, dado o que ela passou. Porém, também tenho medo de não o fazer, temendo que ela possa estar se colocando em perigo.
Ela é minha parceira destinada, uma bênção da Deusa da Lua. Ela não deveria estar fugindo de mim, mas está. Sua alma está despedaçada, e sua dor é visível em seus olhos quando eles se encontram com os meus.
Ela não me quer, mas não pelos motivos que as pessoas podem supor. Do que eu estou falando? Quase ninguém entenderia por que ela fugiu.
Só quem conhece as batalhas dela, seu sofrimento e o tormento que ela enfrentou anos atrás, pode começar a entender. Meu lobo está arranhando a minha consciência, implorando para que eu corra atrás dela, mas eu não vou.
Eu sei disso tão bem quanto sei o meu próprio nome: no momento em que minha irmã Melanie olha para mim e depois corre atrás de Charity, percebo que tudo o que posso fazer é esperar.
“Jaydon?” A mão da minha mãe pousa no meu ombro. “Vamos nos sentar, filho.”
Ela me guia até a cadeira mais próxima. À medida que minha visão clareia, vejo Amara de pé diante de nós, apertando as mãos nervosamente.
Amara, a mãe de Charity, parece mais devastada do que eu me sinto. Tenho certeza de que pareço apenas chocado, mas Amara está chorando... soluçando de verdade.
“Sinto muito mesmo, Jaydon. Ela está sofrendo, sabe”, Amara consegue dizer.
Sinto minha mãe se mover entre Amara e eu, sussurrando para acalmá-la, dizendo que a culpa não é dela e pedindo paciência.
Antes que eu perceba, as únicas pessoas que restam no nosso quintal são minha família e Amara. Não me lembro dos convidados da festa saindo de fininho e indo para casa.
Só sei que isso deve ter acontecido porque o silêncio é repentino. Solto o ar, quase aliviado. Sempre fui uma pessoa que aprecia a tranquilidade e a solidão.
Não sou como meu irmão Max, que adora interagir com as pessoas. Prefiro ambientes mais íntimos, e ter apenas a minha família aqui é mais do que suficiente para mim.
“Você acha que a Melanie vai conseguir trazê-la de volta?”, pergunto, finalmente.
“Tenho certeza disso, Jaydon, apenas dê tempo a ela. Sua irmã é muito boa nesse tipo de coisa; além de ser médica, ela sofreu o seu próprio trauma. Ela pode ajudar Charity... apenas dê tempo ao tempo”, minha mãe me tranquiliza.
“Você quer ir conversar com ela na floresta?”, meu pai sugere. “Talvez sem toda essa gente, ela fique bem.”
“Não sei se isso é uma boa ideia. Imagino que ela tenha medo da maioria dos homens. Estou errado?” Me viro para Amara em busca de uma resposta.
“É difícil dizer. Ela fica bem na nossa matilha, mas nunca fica sozinha com nenhum homem além do irmão ou do pai. Eu poderia mandar um deles para buscá-la, mas acho que a sua mãe tem razão. É melhor deixar a Melanie tentar lidar com a situação.”
Amara parece ter certeza disso, e ninguém discute. “Ainda precisamos nos arrumar para ir à Itália”, Max nos lembra. “O Jaydon vai ficar aqui agora? Para lidar com a companheira dele?”
“Não. Eu não posso abandonar a minha irmã! Eu vou”, eu deixo escapar. Não suporto o pensamento de que as minhas necessidades egoístas me façam deixar a minha irmã para morrer em um país que nem é o dela.
Ela é a minha irmã gêmea, a minha melhor amiga, eu não posso decepcioná-la. “Jaydon, não seja ridículo. Ela não vai morrer!”, minha mãe insiste.
“Você não estaria abandonando a sua irmã, e ela entenderia a situação com a Charity. Devemos pensar bem nisso tudo e nos planejar de acordo.”
Olho para cada um deles, um de cada vez, determinado a tomar a decisão certa. Esse é um teste da minha capacidade de priorizar os outros acima de mim, de colocar a minha matilha acima de mim mesmo.
Não é isso que o alfa deve fazer? “O que você faria, Max?”, finalmente pergunto.
Max parece desconfortável, e de repente me lembro de que ele enviou nossa irmã para procurar a companheira dele, mesmo sem saber na época que Ginger era sua companheira de verdade.
“Não posso fazer essa escolha por você, Jaydon. Você sabe que tem uma companheira, e, no entanto, também tem uma irmã gêmea com quem já passou por tanta coisa. Acho que talvez você precise conversar com a Charity quando elas voltarem. Ver o que ela está pensando.”
“SE elas voltarem”, eu digo.
“Organizei um jato particular para a Itália. Nós vamos encontrar a Selene. Jaydon, cabe a você decidir se quer ficar. Eu não vou te julgar por isso”, meu pai diz.
“Talvez você possa convencer Charity a se juntar a você. Usem esse tempo para resolver o que quer que esteja acontecendo entre vocês enquanto estivermos na Itália. Mas lembre-se de que isso pode ser uma distração, e não suporto a ideia de algo acontecendo com nenhum de vocês. Então, pense onde estão as suas prioridades.”
Ele faz uma pausa e depois acrescenta: “Me avise da sua decisão em uma hora.” Em seguida, ele se afasta e vai em direção à casa da matilha, deixando todos nós parados ali.
Dirk quebra o silêncio. “Acho que você devia ficar”, ele sugere, levantando as mãos como se quisesse mostrar que não tem más intenções.
“Só digo isso porque poderia ser uma distração, e distrações podem ser mortais. Você sempre pode se juntar a nós mais tarde se ainda não a tivermos encontrado.”
“Espere, você também vai?”, minha mãe pergunta a Dirk, com a voz cheia de surpresa.
“Sim, Luna. Se a Melanie concordar com isso — e não imagino que não concordaria, considerando que é da irmãzinha dela que estamos falando —, sou bem treinado em táticas de sobrevivência e um guerreiro habilidoso. É uma coisa de viking”, Dirk responde.
“Eu sei”, ela diz, balançando a cabeça. “Mas se algo acontecesse com você, Melanie ficaria devastada.”
Dirk olha ao redor antes de se voltar para mim. “Jaydon, estou indo no seu lugar. A Melanie vai entender. Fique aqui e cuide da sua companheira.”
Com isso, Dirk se vira e volta para casa. “Ele parece bastante decidido a respeito disso”, Amara comenta.
“Mas tudo bem se você quiser ir”, ela acrescenta, virando-se para mim. “Não posso garantir que a Charity estará pronta para conversar ainda. Talvez ela precise de um tempo para processar tudo.”
“Como eu disse, devemos esperar até que a Melanie e a Charity voltem”, minha mãe intervém, agarrando meu braço. “Vamos entrar.”
Ela puxa o meu braço, me guiando para dentro da casa. Max, Ginger e a Luna — Amara — nos seguem logo atrás.
Max e Ginger estão sussurrando um para o outro, mas estou tão perdido nos meus pensamentos que não consigo entender o que estão dizendo. Eu até poderia tentar focar para ouvi-los, mas agora estou apenas tentando tomar uma decisão.
Decido tentar me comunicar mentalmente com a Melanie. Talvez ela esteja com a Charity agora e possa me atualizar sobre o que está acontecendo.
“Melanie, você a encontrou? Como ela está? Realmente precisamos que vocês duas voltem. É urgente.”
Ela não responde, mas eu sei que a sua conexão mental está aberta. Não sinto que ela esteja bloqueando ninguém, mas dez minutos se passam até que ela finalmente me responda pela conexão mental.
Àquela altura, eu já estou no meu quarto, olhando para uma mala aberta na minha cama e tentando decidir se devo arrumá-la ou não.
“Jaydon, estamos a caminho de volta. O Max também me mandou uma mensagem sobre uma emergência, mas não quis me dizer o que era. Pode me atualizar?”
“É sobre a Selene. Por favor, voltem o mais rápido possível.”
Eu espero, torcendo para que ela diga algo sobre a Charity, mas ela não diz. Então pergunto novamente.
“A Charity vai falar comigo? Pode me dar algum tipo de pista, por favor?”
Quase consigo ouvir a Melanie suspirar na minha mente antes de ela responder.
“Ela vai falar com você, mas seja gentil com ela. Ela está assustada e não acha que merece um companheiro. Você terá que convencê-la do contrário. A menos que não a queira... mas ela não ficará triste se você a rejeitar. Foi isso que ela disse.”
Não consigo evitar soltar um riso de escárnio. Rejeitá-la? Eu nunca faria isso. O que aconteceu com ela foi horrível, e qualquer lobo que pudesse culpá-la e rejeitá-la por causa disso não merece uma companheira escolhida pela Deusa.
Não consigo deixar de pensar que a Deusa me escolheu para ela pelo tipo de homem que sou, o tipo que vai amá-la incondicionalmente. Ela não está quebrada; ela é forte. Ela seguiu em frente e ainda caminha por esta vida; muitas lobas acabaram com as próprias vidas em situações como a que ela passou. Eu vou mostrar a ela que é digna.
“Eu nunca a rejeitaria, Melanie, você sabe disso.”
“Sim. Eu sei. Você é um homem bom, maninho. Vejo você em breve; estamos fazendo o caminho mais longo, andando devagar para dar a ela tempo de recuperar o fôlego e tentar entender tudo isso.”
Isso encerra a questão. Guardo a minha mala ainda vazia de volta no armário e, em seguida, vou para o escritório do alfa, onde tenho certeza de que encontrarei meu pai e meu irmão fazendo planos.
















































