
Como Sobreviver a um Verão Italiano Quente
Autor
Frida Mo
Leituras
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Capítulos
49
Dois Caras, Uma Garota e um Lugar Italiano
Passo 1 para sobreviver ao verão: Ficar com caras italianos gatos ;)
A mensagem da minha melhor amiga, Ane, me fez dar um sorriso, logo antes de a voz da minha mãe me trazer de volta à realidade no banco da frente do táxi.
Eu aumentei o volume e fingi estar dormindo, com o capuz do meu moletom puxado firme sobre a cabeça e o rosto encostado na janela.
“Lisa, chegamos”, minha mãe disse.
Eu abri um olho, irritada. “É, tanto faz.”
Eu não estava pronta para isso. Nem para a Sardenha. Nem para uma nova família. E, com certeza, não para o amigo dela.
Ao sair do carro, o calor me atingiu com força, fazendo meu agasalho grudar na minha pele. Ao meu lado, minha mãe brilhava em seu novo vestido de verão florido.
“Bem-vindas!”, uma voz chamou atrás de nós.
Minha mãe se virou. “Que casa de férias linda, Lorenzo. Não é à toa que você ama vir para cá.”
Ele parecia inconfundivelmente italiano, com seu cabelo preto penteado para trás. Ele abriu os braços, abraçou a minha mãe e deu um beijo em cada bochecha — por um pouco de tempo demais, me fazendo sentir como se estivesse derretendo de dentro para fora.
Amigo, certo? Eu olhei feio para eles.
Ele andou até mim e estendeu a mão.
“E você deve ser a Lisa?”, ele disse com um sotaque italiano forte.
“Você deve ser o Lorenzo”, eu disse, com um tom talvez passivo-agressivo demais. Minha mãe me deu aquele olhar na mesma hora.
“Tão linda quanto a sua mãe”, ele disse, sem se abalar. “Me disseram que você nada muito bem.”
“Eu não nado há seis meses e odeio tomar sol, então espero que você tenha Wi-Fi”, eu disse, olhando direto nos olhos dele.
“Lisa!”, minha mãe disse e me olhou feio.
“Tudo bem”, Lorenzo disse com um sorriso. “Tem muita coisa para fazer. Meu filho mais novo tem quase a sua idade; ele pode te mostrar o lugar. Meus meninos praticamente cresceram entre aqui e a Noruega.”
Sem me impressionar, eu apenas resmunguei. Antes que eu pudesse impedi-lo, ele já tinha pegado a minha mala.
“Talvez você deva colocar uma roupa mais leve?”, minha mãe disse, olhando para o meu agasalho de frio.
Eu revirei os olhos. Minha única vontade era me trancar no meu quarto.
Eu olhei para a enorme casa. Meio escondidas atrás de oliveiras tortas e buganvílias crescidas demais, as paredes eram brancas e ásperas por causa da idade. Telhas de terracota apareciam entre os galhos. O lugar parecia simples e luxuoso ao mesmo tempo.
“Aqui está ele”, Lorenzo disse enquanto entrávamos na sala de estar. “Este é o Milo, meu filho mais novo.”
Eu tirei meus óculos de sol. “Oi”, eu disse.
Ele estendeu a mão e me deu um sorriso amigável. “Prazer em conhecê-la.”
As pontas do seu cabelo castanho estavam descoloridas pelo sol, e ele se enrolava um pouco perto das têmporas, como se ele tivesse passado a maior parte do verão no mar. Sua pele já estava dourada pelo sol, e seus olhos escuros eram atentos — como se ele estivesse me avaliando, não apenas olhando.
Ele não parecia tímido ou inseguro. Ele parecia à vontade. E, para minha irritação, ele era exatamente o meu tipo.
“Uhum”, eu murmurei.
“Eu disse para a Lisa que você poderia mostrar o lugar para ela amanhã”, Lorenzo disse para Milo.
“Mas eu tenho planos amanhã; vou encontrar uns amigos.”
“Você pode encontrar seus amigos mais tarde”, ele disse, sem dar espaço para discussão.
Eu senti pena dele. O coitado não tinha muita escolha. Estava preso tendo que me arrastar por aí, uma miserável bagagem emocional com uma atitude ruim e sentimentos demais.
“Você não precisa mudar seus planos por mim”, eu disse. “Eu também não estou com vontade de sair. Você poderia apenas me mostrar o meu quarto? Estou cansada.”
“Compreensível”, Lorenzo disse, colocando a mão no meu ombro. “Venha, eu vou te mostrar o seu quarto, querida.”
Eu mal tinha subido alguns degraus quando ouvi os passos dele.
Ele desceu a escada na direção oposta, descalço e sem pressa. Havia uma leveza nele que não dava para fingir. O cabelo dele caía em ondas soltas, ainda áspero do sal, tocando os ombros.
Nossos olhos se encontraram por um momento — os dele eram azuis, não um azul frio, mas vivo, como a fina borda azul de uma onda quebrando. Ele vestia apenas um calção de banho, sem camisa, sua pele bronzeada pelo sol.
Eu esqueci de continuar andando. Minhas pernas pararam.
Então, o calor bateu — não o tipo bom, mas aquele tipo vergonhoso e pegajoso que sobe pelo peito e se instala nas bochechas. Eu sabia que estava encarando por tempo demais, mas não conseguia parar.
Tentei fingir que estava olhando para o corrimão. Ou para uma marca na parede. Qualquer coisa, menos ele.
“Jacob, diga oi para a Lisa”, Lorenzo disse atrás de mim.
Minha garganta apertou. “O-oi”, eu gaguejei. Eu mal conseguia olhar nos olhos dele.
“Oi”, ele disse, com um sorriso provocante, como se tivesse lido a minha mente, como se soubesse exatamente o efeito que causava. Ou talvez estivesse apenas zombando de mim; eu não sabia dizer.
Por um momento, o mundo pareceu encolher apenas para nós dois.
Ele passou por mim, perto o bastante para que o calor de seu corpo roçasse em mim, trazendo o perfume de protetor solar de coco, inebriante de uma forma que enfraqueceu meus joelhos. De repente, me senti instável dentro do meu próprio corpo e percebi que meu rosto estava dormente.
Ele parou bem ao meu lado.
“Isso parece quente”, ele disse, com os olhos descendo lentamente pelo meu corpo, fazendo meu pulso bater rápido como um pássaro preso.
Ele acabou de...
“O que?”
A boca dele se moveu um pouco. “Sua roupa. Você percebe que está fazendo trinta graus, certo?”
Ah.
Meu rosto ficou vermelho de calor.
“Isso não é da sua conta”, eu disparei, odiando que ele tivesse me pegado de surpresa.
Ele balançou a cabeça e murmurou: “Esses jovens de hoje em dia...”, antes de se virar de volta para o pai. Ele não pediu desculpas. Apenas passou por mim como se eu fosse algo que ele já tivesse decidido que não queria.
“Vou para a praia”, ele disse, nem sequer olhando na minha direção, como se eu não existisse.
Então, ele cumprimentou a minha mãe como se eles se conhecessem há anos e sumiu.
Lorenzo me deu um pequeno sorriso de desculpas antes de me ajudar a levar minha mala para o quarto.
“Aqui está”, ele disse.
O quarto era grande, e a vista se estendia sobre a área da piscina com a praia no fundo. Cheirava a água salgada e lençóis recém-lavados.
“É assim que você controla o ar-condicionado”, Lorenzo explicou. “Posso pegar alguma coisa para você? Algo para beber? Comida?”
“Não, estou bem”, eu disse, me jogando na cama.
Quando ele fechou a porta atrás de si, peguei meu celular e liguei para a Ane.
“Você já chegou?”, ela perguntou, sem fôlego. “Como é o lugar? Me mostra!”
Eu me levantei, virei a câmera e gravei o quarto e a vista para o mar.
“Isso parece incrível, Lisa! Queria estar aí.”
“Você pode ficar no meu lugar”, eu murmurei.
“Então... como são os novos meio-irmãos?”
Aquele primeiro encontro dolorosamente constrangedor fez meu rosto queimar de novo. “Eu não falei muito com eles, mas um deles pareceu ser quase rude.”
“Rude? Tipo, o que ele disse?”
“Ele é só daquele tipo... que se acha legal demais, sabe?”
“Eles são o meu tipo, então?”, ela sorriu de lado.
“Os dois são”, eu também sorri de lado. Então, meu sorriso sumiu. “O papai se foi há seis meses, Ane, e ela já está brincando de família feliz.”
“Se você quiser irritar ela, pegue o vestido mais curto que você tiver, vá para festas como uma louca, fique na rua até tarde e fique com um cara muito mais velho.”
Eu ri. “Você é louca.”
Mas, quando desligamos, eu não ri mais.
Talvez a Ane estivesse certa. Se a minha mãe queria uma família feliz, eu daria um show para ela.
Jacob olhou para mim como se eu fosse invisível. Milo, como se eu fosse um problema.
Isso estava prestes a mudar.
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