
Grávida e Rejeitada
Author
Heather Federow
Reads
2,5M
Chapters
21
Capítulo 1
NICHOLE
“Por favor, vem pra festa? Por favorzinho com cereja no topo?” minha melhor amiga, Becky, diz. Ela se ajoelha na minha frente no chão. Ela me dá aqueles famosos olhinhos de cachorro pidão.
“Eu nem gosto de cereja” respondo, rindo da cena que ela está fazendo. O cabelo castanho claro de Becky cai em cachos ao redor dos ombros. Seus olhos azuis brilham de empolgação.
“Eu sei, mas eu faço qualquer coisa pra você ir!” ela diz, jogando as mãos pro alto.
Eu rio, revirando os olhos e caminhando em direção ao banheiro.
Eu realmente não quero ir. Mas passar tempo com outras pessoas sempre foi uma boa forma de me sentir menos estressada durante a faculdade de medicina.
Estou no meu último ano de um programa muito puxado na minha faculdade especial. Só lobisomens estudam nessa faculdade. Você acha que medicina normal é difícil — tenta estudar medicina de licantropo. É como fazer um curso de medicina e um de veterinária ao mesmo tempo. Dois tipos de corpo, o dobro de aulas.
Eu estou na faculdade há muito tempo. Nunca saí da casa de Shadow Creek, onde toda a minha matilha vive. Neste último semestre, esvaziei meu quarto no dormitório e voltei pra casa pra economizar um pouco de dinheiro.
Depois do banho, visto uma calça jeans skinny rasgada, uma regata vermelha, uma jaqueta de couro e botas de couro pretas até o joelho.
Quando desço, encontro Becky deitada no sofá, conversando com meus pais.
Espero sair rapidinho com a Becky. Mas minha mãe fica surpresa quando me vê.
“Nichole Ann Smith! Por que você não está usando maquiagem?” minha mãe diz, levantando e me empurrando de volta pras escadas e pro meu quarto.
“Mãe, você sabe que eu não uso muita maquiagem. Eu sempre borro tudo mesmo.”
Ela me ignora. Ela me senta e começa a me maquiar. Depois do que parece uma eternidade, ela finalmente me deixa olhar no espelho.
Tenho que admitir que até um pouco de maquiagem faz uma grande diferença.
A garota na minha frente não parece com seu eu tímida e nerd de sempre. Ela parece alguém simpática e forte.
“Obrigada, mãe” digo, envolvendo meus braços ao redor dela.
Quando voltamos pra baixo, meu pai levanta o olhar do jornal e pisca pra mim. Meu pai é o segundo no comando, o lobo Beta de Shadow Creek.
Olho pro lado e vejo que Becky encontrou os brownies famosos da minha mãe.
Alguém pigarreia. Becky pula da poltrona enquanto migalhas caem pelo corpo dela.
Ela me puxa pra fora da porta, mas não antes de dizer: “Tchau, Sr. e Sra. Smith! A gente vai se comportar, e a Nikki vai dormir na minha casa hoje!”
“E desculpa pela bagunça!”
A viagem até a casa de Andrew é curta porque Becky dirige muito rápido e perigosamente. Andrew não mora na casa de Shadow Creek, mas ele ainda é um membro importante da minha matilha.
“Estou tão feliz que você está vindo” Becky diz animada. “Não seria uma comemoração de verdade pro Andrew sem você!”
Eu sorrio, mas ainda estou segurando meu cinto com força enquanto Becky vira bruscamente pra direita. Juro que essa garota acha que está no Grand Theft Auto ou algo assim.
“É tão difícil de acreditar que Andrew já encontrou sua companheira!” ela continua.
“É, ele parece tão feliz com a Caitlyn” respondo, mas meu estômago fica pesado.
Não me entenda mal, estou feliz pelo meu amigo de infância e sua companheira. É só o pensamento de encontrar sua outra metade e ficar com ela pra vida toda.
Eu não estou pronta pra isso.
Tenho apenas vinte e quatro anos, a mesma idade que Becky e Andrew. Todos nós nos conhecemos desde o ensino fundamental.
Secretamente achei que Becky e Andrew acabariam sendo companheiros quando completassem dezoito anos. Mas acontece que somos todos melhores como amigos mesmo.
Antes dos dezoito anos, lobisomens não sentem a atração pelo companheiro, ou qualquer coisa realmente. Não nos transformamos em nossa forma de lobo completa até então.
Apenas aqueles com sangue alfa se transformam jovens. Isso os ajuda a se preparar pra liderar uma matilha.
O vínculo da matilha é forte. Mantém lobisomens como eu numa comunidade unida. É meio que uma família estendida.
Quando Becky e eu entramos na festa do Andrew, muitos gritos e barulhos podem ser ouvidos vindo de dentro da casa.
Compartilhamos um olhar preocupado antes de correr pra dentro e atravessar a porta vai e vem da cozinha.
A cena na cozinha é uma loucura. Andrew corre por aí xingando, tentando cozinhar e preparar toda a comida pra festa.
Um avental rosa pink bem ridículo está pendurado no pescoço dele. Diz: “beije o cozinheiro”. Caitlyn está sentada de lado sorrindo e tirando fotos no iPhone dela.
Rindo, nos juntamos a ela na mesa, observando Andrew sofrer.
“Ele deve ter feito alguma coisa muito idiota, né?” pergunto, apontando pro meu amigo enquanto ele entra em pânico com uma bandeja de margaritas pela metade.
“Ele estava fazendo uns comentários de machão sobre como ele cozinha melhor que eu mesmo se estiver na forma de lobo. Então me recusei a cozinhar a comida pra festa” ela diz, sorrindo orgulhosa.
Explodimos em risadas de novo. Batemos high-five com ela enquanto Andrew nos olha com cara de poucos amigos.
“Eu disse que me sinto tão sortudo de poder ser o único a cozinhar pra você pelo resto das nossas vidas — não quis dizer como insulto!” ele diz, parecendo triste.
Caitlyn se levanta e beija o rosto dele antes de pegar a bandeja e empurrá-lo de lado.
“Vou ficar aqui e ajudar a Caitlyn, por que vocês dois não terminam todo o resto?” Becky diz, levantando pra ir cortar os legumes.
Acenando, sigo Andrew até a adega.
Observo ele pegar várias garrafas empoeiradas de scotch e whisky. Lembro de como éramos jovens quando nos tornamos amigos pela primeira vez.
“Como você soube que Caitlyn era sua companheira?” pergunto, tentando não soar tão tímida sobre isso quanto me sinto.
Andrew levanta o olhar com uma expressão penetrante.
“É só... um sentimento. Não sei.” O rosto dele fica vermelho e ele dá um sorrisinho. “Meu lobo tomou conta do meu cérebro no minuto em que olhei nos olhos dela e eu simplesmente soube.”
“Parece tão fácil” digo baixinho, passando as pontas dos dedos pelas garrafas de vinho chiques.
“Nikki” Andrew diz com uma voz estranha.
Olho pra ele. Cada pelo do meu corpo se arrepia.
“Nada sobre ter uma companheira é fácil” ele diz.
Sinto as palavras dele no fundo do estômago, mas não consigo pensar numa resposta.
Finalmente, depois que terminamos de nos preparar e estamos todos relaxando no sofá, a campainha toca.
“Hora da festa, vadias!” Andrew grita. Caitlyn dá um tapa no braço dele, e ele ri, apertando o botão do controle remoto do som.
A música explode por toda a casa, e eu rio da escolha da música: “Sorry”, do Justin Bieber.
Por que tenho a sensação de que Andrew aceitou uma vida pedindo desculpas? É isso que é o amor?
Andrew abre a porta e as pessoas começam a entrar. Há lobisomens de diferentes matilhas, e até alguns humanos que ouviram falar da festa.
Becky e eu pegamos nossas bebidas da noite que escolhemos mais cedo. Cada uma tem duas garrafas de vodka. Uma pra cada uma de nós.
Abrimos nossas garrafas e batemos uma na outra.
“Por uma boa noite. Saúde.”








































