
Como (Não) Namorar um Atleta
Author
Megan Blake
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Chapters
28
Como (Não) Comparecer a Uma Festa
EMILY
... Por que ela estava ali?
A casa da fraternidade estava lotada demais. Continuavam empurrando gente nova para dentro, espremendo todo mundo. A música estava muito alta, e tudo que ela tocava estava grudento ou molhado. Ela não tinha certeza de qual era pior.
Álcool por todo lado. Copos vermelhos sendo passados de mão em mão, e as pessoas ficando mais barulhentas conforme bebiam mais. Ninguém prestava atenção para onde estava indo. Simplesmente esbarravam uns nos outros. Cotovelos acertavam costelas e mãos batiam em todo lugar.
Esse não era o tipo de lugar dela.
Ela tentava evitar festas e tinha conseguido até agora. Tinha os estudos que precisavam de toda a sua atenção. Isso não era algo que ela precisava ou sequer curtia.
O calor do verão fazia o ar grudar na pele dela. O suor de todo mundo piorava tudo.
“Emily” disse Tracy enquanto olhava para a amiga com raiva. “Por favor, tenta se divertir um pouco.”
O dia antes da faculdade começar.
Foi quando o namorado de Emily decidiu terminar o relacionamento deles. Isso fez Emily viver uma vida bem quieta durante o primeiro semestre. Ela perdeu todas as experiências que alguém deveria ter quando começa a faculdade.
Parecia que Tracy estava cansada de esperar ela se sentir melhor, como ela diria. Segunda-feira seria o início do segundo semestre. Tracy disse que se recusava a deixar a melhor amiga definhar por mais um momento. Segundo ela, Emily dizer que não gostava de festas não era uma boa desculpa já que ela nunca tinha ido a uma.
Emily não precisava ir para saber. Ela sabia que não gostava. Era mais do tipo quieta.
“Pode ser divertido.”
Emily não achava.
“Tracy, a gente não pode só voltar pro dormitório?”
“Emily, se eu te ver sentar naquela maldita cadeira azul mais uma vez, eu vou pirar.”
“Mas...”
“Duas horas.”
“O quê?”
“Se depois de duas horas você ainda quiser ir embora tanto assim, a gente vai.”
Emily ia falar, mas Tracy a interrompeu levantando a mão.
“Mas você tem que tentar. Tem que tentar de verdade.”
Emily revirou os olhos.
“Tá bom.”
O único motivo de ela estar concordando com isso era Tracy. A amiga tinha estado lá por ela nos bons e maus momentos. Ela provavelmente devia isso a ela.
Se sentindo vitoriosa, Tracy deu um sorriso largo. Virou até encontrar a mesa que estava procurando: o álcool. Pegou dois copos vermelhos e deu um para Emily enquanto ficava com o outro.
“Bebe.”
“Tracy” ela disse, sem querer.
“Ah-ah-ah!” ela disse com um dedo acusador apontado para Emily. “Você disse que ia.”
“Preciso te lembrar que eu não passei no teste físico? Beber não vai me ajudar.”
O programa de kinesiologia dela exigia que ela passasse num teste físico. Emily não passou na parte da corrida. Por que isso era necessário? Por que tinham que fazê-la sofrer?
Então, ela tinha até o fim do semestre. Passar ou reprovar.
“Sério? Salgadinhos e ficar na cama é ótimo pra sua saúde, mas a bebida é o problema? Qualé. Você não pode usar o Cole ou a faculdade pra fugir das coisas.”
Emily suspirou enquanto olhava para o líquido rosado estranho se mexendo dentro do copo plástico. Os últimos meses tinham sido difíceis — o término, o começo da faculdade, os sonhos quebrados.
Eles deveriam ter conseguido um apartamento juntos, perto da faculdade. Então de repente, Emily se viu sem ter para onde ir. Tracy tinha conseguido por sorte um quarto sozinha no campus e ofereceu dividir com ela, salvando-a.
Cole tinha sido o primeiro namorado dela e o único namorado. Todo mundo sempre dizia que eles deveriam ficar juntos para sempre. Então ele a surpreendeu e terminou com ela.
Ela tinha visto ele algumas vezes desde então, mas ele estava bem. E ela tinha dificuldade em agir normal perto dele depois de passarem cinco anos juntos só para terminar daquele jeito.
Parte dela pensava, talvez se ela desse espaço para ele, talvez se ela deixasse ele viver a vida dele, eles encontrariam o caminho de volta um para o outro. Então, Emily usava esse pensamento para evitar namorar completamente.
Sim, ela era uma covarde.
No momento que Tracy tinha dito a palavra fraternidade, ela tinha dito não. Por sorte, não era a fraternidade do Cole, e ela esperava que isso significasse que ele não estaria por perto. Não era para ter competição entre fraternidades?
Ela esperava que sim.
“Um gole.”
E um foi.
Ela levou a borda aos lábios. O gosto já a fazia se sentir enjoada, mas ela não parou. Deixou o líquido queimar a garganta enquanto descia e fez careta o tempo todo.
Um a menos.
Muitos mais pela frente.
“Vai ser divertido.”
Isso ainda estava para ser visto.
Minutos viraram quase duas horas. Apesar da música alta, das tentativas de Tracy de ajudar e das bebidas, o nível de diversão de Emily não tinha subido. A cabeça dela tinha ficado bem mais tonta, mas tirando isso, ela não estava se sentindo confortável.
Não, em vez disso ela se viu irritada. Não era como se ela estivesse tentando ser alguém que ficava no canto, mas essa festa toda fez ela perceber que tudo que ela tinha era Tracy. Ela não conhecia ninguém. Nunca tinha ido a uma dessas festas antes.
As pessoas gritavam palavras, jogavam jogos, diziam oi umas para as outras — e ela não fazia parte disso. O primeiro semestre dela tinha sido passado se trancando no quarto. Até Tracy conhecia metade das pessoas ali, e ela nem era do tipo festeira.
Todo mundo tinha estado ocupado fazendo uma vida para si e conhecendo pessoas, e ela tinha estado sozinha.
Nesse ponto, ela não conseguia diferenciar entre o arrependimento e a sensação ruim que vinha com a quantidade de álcool que tinha bebido.
Ela se sentia mal.
Para piorar as coisas?
Agora ela tinha perdido Tracy.
Tinha levado quase vinte minutos para Emily encontrar um banheiro. Durante esse tempo, a amiga tinha desaparecido. Quanto mais rápido ela a encontrasse, mais rápido sairiam dali.
Se Tracy quisesse ficar, ela não ia discutir, mas ela tinha que sair dali. Estava desconfortável, fora do lugar e se sentindo uma idiota.
E sim, Tracy tinha razão sobre essas festas.
Ela conseguia ver por que as pessoas gostavam delas. Ela conseguia mesmo.
Mas isso só funcionava para alguém que tinha muitos amigos e uma vida social.
Não funcionava para ela.
Sim, era completamente culpa dela. Mas, sério, ela não sabia como as pessoas faziam isso. Ela não tinha a habilidade que deixava as pessoas conversarem com facilidade. Isso era culpa dela?
Talvez.
Os olhos dela procuraram pelo cômodo, tentando encontrar a melhor amiga. Procurou em cada cabeça por um rabo de cavalo de cabelo escuro e uma saia branca brilhante. Infelizmente para ela, encontrou um tipo diferente de brilho.
Cabelo ruivo. O coração dela parou de bater, o tempo congelou, e enquanto a garganta fechava, os dedos dos pés se encolheram. Os olhos dela se moveram rapidamente enquanto segurava a mão com força. Era ele. Tudo ao redor dela parou de se mover exceto pela imagem dele entrando — com alguém.
Alguém que não era ela.
A mão dele estava envolta nos dedos de uma garota. As unhas vermelhas se destacavam. Ela tinha a pele muito branca, cabelo loiro longo e perfeito ao redor do rosto e olhos castanhos afiados.
Ele tinha uma namorada. Mas ele não tinha estado pronto. Ele queria viver a vida dele livremente, ver o mundo...
Ele não queria ela.
Não era sobre o mundo. Não era sobre se encontrar e saber do que a faculdade se tratava.
Tudo aquilo era mentira.
Era sobre ela.
O coração dela caiu no estômago enquanto a boca se abria. Os olhos não mostravam emoção enquanto ela se via incapaz de falar. Ela nem conseguia chorar. Precisava sair dali.
Não se importava como. Só sabia que precisava ir embora antes de ser vista. Começou a andar para trás. As costas bateram em pessoas diferentes. Ele estava ficando perto da porta. Ela não podia sair por ali.
Ele ia vê-la, e se ele a visse, ela ia morrer. Era um bicho acuado sem saída. Ela podia correr. Não, não podia. Se corresse, ia chamar a atenção dele, e ele podia dizer o nome dela. Ele podia correr atrás dela, e ela não conseguia lidar com isso.
Não agora.
Ela assistiu enquanto ele virava a cabeça — e ela entrou em pânico.
“Aí, Cole.”
Oh não — ele estava vindo na direção dela. Muitas ideias passaram pela cabeça dela, mas nenhuma delas ia funcionar.
“Ei, cuidado.”
Ela reagiu à voz já que dessa vez o comentário era direcionado a ela. Não conseguiu ver o rosto de quem falou mas notou o cabelo castanho dele enquanto ele desviava o olhar dela. Voltou para a conversa com os amigos. O incidente tinha acabado para ele.
Ele estava perto de uma parede.
Uma parede podia funcionar.
Paredes eram boas para se esconder.
Se esconder — ela podia se esconder.
O cérebro dela estava tendo dificuldade em formar uma ideia completa. O álcool estava deixando ela mais lenta. Estava confusa, só focando no momento presente e tentando descobrir uma saída dessa situação impossível.
Qualquer coisa era melhor do que encarar Cole. Emily não pensou duas vezes antes de agarrar o braço do cara e puxá-lo na direção dela.
“O que...”
“Desculpa mesmo” ela disse, as palavras não claras. Nossa, o que tinha acontecido com a fala dela? “Eu só... meu ex está aqui. E eu não consigo. Eu... me ajuda.”
Ela conseguia sentir as lágrimas enchendo os olhos.
O álcool afetava o cérebro dela, e ela não conseguia fazer uma frase mais clara do que essa. Esperava que fosse o suficiente.
Foi todo o aviso que ele teve antes dela agarrar a barra da camiseta azul dele e pressionar os lábios nos dele. No começo, ele ficou rígido contra o corpo dela. As mãos pequenas dela mantinham o tecido de algodão apertado como se para impedi-lo de ir embora.
Depois de um momento, ela sentiu ele relaxar, o que a ajudou a fazer o mesmo. Era loucura. Ela era louca. As mãos grandes dele encontraram os quadris dela, e ele a segurou com firmeza antes dela sentir a parede contra as costas. Ele os encostou no canto. O corpo alto dele ficou sobre ela enquanto ele assumia o controle do beijo.
Os lábios dele se moviam suavemente contra os dela, lavando o gosto de álcool da boca dela. Calor vinha dele, fazendo a tontura que ela sentia do álcool ficar mais forte.
Parecia que ele estava esmagando ela com o corpo muito maior enquanto a língua dele se enrolava na dela.
As bochechas dela ficaram vermelhas, o corpo ficou muito quente, e ela se viu inclinando a cabeça para trás enquanto as mãos dele subiam, apertando os quadris dela. Tonta. Essa era a palavra.
Por um momento, tudo parou: a festa, a desgraça iminente.
O beijo durou mais alguns momentos até finalmente, ela sentiu ele se afastar dela. Os lábios dela estavam molhados e inchados. Os olhos estavam semicerrados enquanto ela tentava ver o rosto dele. Notou os olhos azuis dele.
Enquanto fazia isso, viu o cabelo loiro bem atrás da cabeça dele. Ele tinha passado por ela — e não tinha notado ela. A visão de Cole se afastando deu a ela um retorno frio à realidade.
“Obrigada.”
Foi tudo que ela teve tempo de dizer antes de correr para longe da vista dele. Esbarrou em algumas pessoas — e objetos — no caminho para fora, mas conseguiu. Tracy ia ter que entender. Ela ia mandar mensagem.
Nunca mais.
Enquanto se afastava da porta da frente, limpou os lábios com as costas da mão — ainda estavam molhados de antes.
Ela tinha beijado um estranho.
Mais do que isso.
Ela tinha beijado alguém pela primeira vez desde Cole.











































