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Jogando para Valer

Autor
Amber Kuhlman
Leituras
16.5K
Capítulos
61
Autor
Amber Kuhlman
Leituras
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Capítulos
61
🏈Disputas esportivas🏃🏿‍♂️Atletas⚔️De inimigos a amantes🎭Drama👩🏽‍🎓Estudantes🏙️Contemporâneo🎓New Adult & Faculdade🏈Jogadores de futebol americano

Kate construiu sua vida para ser cautelosa, estável e se manter longe de qualquer coisa que pudesse despedaçá-la novamente. Seth Tate, o quarterback estrela da cidade, é o exato oposto — imprudente, intenso e carregando um passado que se recusa a ficar enterrado. Quando seus mundos colidem, nenhum dos dois está preparado para a rapidez com que a atração se transforma em algo mais profundo. Mas o amor entre eles nunca é simples. Feridas antigas, barreiras emocionais e as pressões do mundo ao redor continuam a afastá-los logo quando começam a se sentir próximos. Kate quer proteger seu coração, Seth quer provar que vale o risco, e ambos precisam decidir se o que sentem é forte o bastante para sobreviver a tudo o que joga contra eles.

Capítulo 1

SETH

Fiquei deitado na cama olhando para o teto, tentando não me mexer enquanto a loira deitada sobre o meu braço respirava suavemente no meu ombro. Minha mão formigava com o peso da cabeça dela, e meu ombro estava completamente dormente, mas ela nem se mexeu quando eu mudei de posição.
Do lado de fora da janela do meu apartamento, o time de futebol já estava no campo para o treino. O apito do treinador cortou o ar da manhã — agudo e frustrado.
Nenhuma surpresa. O time de futebol era uma merda.
Era uma daquelas manhãs de começo de setembro que tentavam parecer um quadro: folhas caídas estalando sob os pés, o leve toque de frio no ar. As folhas lá fora já tinham ficado naquele tom horrível de laranja queimado que eu odiava.
O outono era apenas a porta de entrada para o inverno, e o inverno era o meu pior inimigo. Bem… o inverno e as cebolas. Cogumelos também. Mas não era esse o ponto.
A loira finalmente se mexeu. Olhei para baixo bem a tempo de vê-la piscar, acordar, se espreguiçar e sorrir para mim. Forcei um sorriso educado de volta, embora tudo o que eu quisesse fosse levantar, tomar banho e encontrar meu time no campo.
Se eu a deixasse ficar por perto, ela ia achar que a noite passada significou alguma coisa. Não significou. Na faculdade, as garotas caçavam namoros como se fosse um esporte. Eu? Eu tinha o futebol americano. Não precisava de mais nada.
“Como você dormiu?”, ela perguntou.
Eu dei de ombros. Nenhum de nós tinha dormido muito na noite passada. Ela enrolou o lençol em volta do corpo e passou a mão devagar pelo meu peito, tentando provocar um segundo round.
Normalmente, eu teria adorado isso. Mas com o treino chegando, eu não estava com vontade — um evento muito raro, já que eu sempre estava com vontade, a não ser que o futebol americano estivesse envolvido.
“Escuta”, eu disse.
Meu tom de voz deve ter me entregado, porque ela congelou e puxou a mão de volta. Ela estreitou os olhos. Ela sabia exatamente onde isso ia dar.
“A noite passada foi divertida”, eu disse a ela, dando um sorriso forçado. “Mas eu tenho coisas para fazer hoje.”
Pelo olhar que ela me deu, eu poderia muito bem tê-la expulsado pelada enquanto dava risada.
“É. Tá bom.” Ela puxou o lençol debaixo de mim, claramente cansada da conversa. Desviei os olhos por educação — ou talvez por impaciência — enquanto ela se vestia. Quando ela colocou a calça jeans e a blusa de alcinha, eu me levantei para levá-la até a porta. Não me preocupei em vestir roupas. Não para acompanhá-la por trinta segundos.
“Eu me diverti ontem à noite”, eu disse de um jeito casual, encostando no batente da porta para não parecer que estava expulsando ela com pressa.
Ela concordou com a cabeça de um jeito duro.
Procurei no meu cérebro pelo nome dela. Brandi? Brittany? Bernice?
“Amanda”, ela disse de forma seca. “Meu nome é Amanda.”
“Eu sei.” Eu a puxei para um abraço rápido — do tipo que não deixava dúvidas — e dei um passo para trás. Ela hesitou, abrindo os lábios como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas então suspirou.
“Tchau, Seth.”
“Até mais.”
Fechei a porta antes de vê-la ir embora. Depois a tranquei — automaticamente. No ano passado, uma garota ficou tão puta por ser expulsa que invadiu meu apartamento enquanto eu tomava banho e destruiu o lugar. Ela até deixou a calcinha na minha cama como um tipo de cartão de visitas de psicopata. Eu ainda não tinha jogado a calcinha fora. Não porque significasse alguma coisa, mas porque eu tinha preguiça de me livrar dela. A lembrança do ataque de raiva daquela garota já era motivo suficiente para continuar usando a tranca.
Fui para o banheiro e liguei o chuveiro no quente. Uma das vantagens de ser o quarterback titular era ter meu próprio apartamento no campus. Roupas eram opcionais. Não que um colega de quarto fosse me impedir.
A água bateu em mim como um abraço quente, relaxando meus músculos e lavando a noite passada. Eu tinha sentido falta desse lugar — meu pequeno refúgio nos últimos três anos. Os verões eram passados na casa dos meus pais, perto de Denver, em Eagle River.
Chamar aquilo de “lar” era ser generoso. Meu pai, que também tinha sido um quarterback arrojado, arruinou o ombro no último ano e nunca superou isso. Agora ele treinava o time do ensino médio e fazia da amargura uma forma de arte.
Minha mãe, uma professora de jardim de infância aposentada, tinha virado a cuidadora dele em tempo integral, embora fingisse que não se importava. Ela nunca falava muito sobre nada. Na verdade, ela nunca falou.
Eles eram o motivo pelo qual eu fugia de relacionamentos como o diabo foge da cruz. Ficar preso em um casamento miserável por causa de obrigação? Tô fora. Eu preferia ficar sozinho para sempre.
Três meses vivendo sob as regras, os sermões e as constantes decepções do meu pai eram o suficiente para colocar qualquer um na terapia. Minha mãe já estava na metade do caminho para isso.
A faculdade era minha fuga, meu ar fresco. Depois de me formar, eu planejava ir para o mais longe possível de Denver.
Levantei o rosto para a água, deixando o vapor encher o banheiro enquanto minha mente viajava para o início da temporada de futebol americano. Meu último ano. Minha última chance de provar o meu valor antes que o mundo real desabasse sobre mim.
Qualquer coisa que acontecesse nessa temporada iria definir o resto da minha vida. E enquanto a água batia em mim, eu dizia a mim mesmo que estava pronto. Ou, pelo menos, eu achava que estava.

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