
Kinky's - Circo de Fetiches Livro 3
Author
M. L. Smith
Reads
368K
Chapters
20
Capítulo 1
Livro 3: Cleo Volta Para Casa
Cleo encarou o cartão de visitas dourado no chão, em partes iguais de choque e incredulidade, imaginando se estava ficando completamente louca ou se o que via era real. O cartão havia acabado de se materializar do nada, caindo no piso da sua entrada com um barulho estridente enquanto ela chorava, desejando poder voltar para Kinky. Para o parque de diversões.
Desejando poder ir para o lugar que parecia o seu lar.
“Que porra está acontecendo,” ela perguntou baixinho, enxugando as lágrimas dos olhos enquanto o “K” gravado na frente parecia brilhar, os redemoinhos negros a convidando a se aproximar. A pegar aquele cartão e permitir que tudo o que ela sempre quis ganhasse vida.
Cleo esticou a mão para o cartão brilhante, mas hesitou, com o nervosismo a paralisando no lugar.
A última vez que havia tocado nele, há menos de algumas horas, ele a levara de volta à realidade. Ela havia se visto no chão, do lado de fora do parque de diversões muito normal, com sua melhor amiga, Sara, dizendo-lhe que ela tinha desmaiado e batido a cabeça assim que entraram no parque.
Mas Cleo não havia desmaiado de jeito nenhum. E Sara, na verdade, a tinha levado por um carrossel distorcido e mágico que a trouxe para aquele circo demoníaco.
O Kinky’s Carnival era real, e a prova da sua existência estava literalmente aos seus pés.
Saber disso a perturbava. Por que Sara havia mentido para ela? Ela tinha agido como se não soubesse nada sobre o Kinky’s, insistindo para Cleo ir para casa descansar. Mas ela não queria descansar. Parecia que havia passado a vida inteira descansando, com os olhos bem fechados para o mundo ao seu redor. E agora ela estava bem acordada.
Ela precisava de respostas, mas tudo isso podia esperar. Primeiro, ela precisava ir até ele.
Ela pegou o cartão de visitas do chão, com as suas últimas lágrimas secando enquanto se levantava e endireitava os ombros.
Ela mal lançou um olhar para as caixas de mudança espalhadas pelo seu novo apartamento ao pegar a bolsa e as chaves, praticamente arrancando a porta ao abri-la na sua pressa para sair.
Era hora de voltar.
***
Já era tarde da noite quando Cleo voltou ao parque de diversões, aliviada por ver que as luzes ainda iluminavam o céu noturno, embora devesse estar perto da hora de fechar.
O estacionamento estava quase vazio, com apenas alguns retardatários andando pelo cascalho enquanto seguiam para seus veículos. Ela estava tão desesperada para chegar antes de o parque fechar que quase se esquecera de desligar o carro, focada demais em garantir que levaria o cartão dourado com ela para até mesmo tirar as chaves da ignição.
Com sorte, seu carro não seria roubado, mas mesmo que fosse, Cleo não planejava voltar para ele.
Seu coração batia rapidamente enquanto ela ia em direção à bilheteria, com a ansiedade deixando suas palmas suadas enquanto esperava impaciente na fila curta. Logo chegou a sua vez, e seu pulso começou a ecoar em seus ouvidos.
Aproximando-se da bilheteria, Cleo deslizou o cartão de visitas dourado pelo pequeno balcão na direção do funcionário, assim como Sara havia feito mais cedo.
Diferente da última vez, não houve um olhar astuto e a devolução do cartão enquanto elas tinham permissão para entrar. Na verdade, ele nem era o mesmo funcionário de antes, e parecia ter acabado de se formar no ensino médio. Tinha um pouco de acne ao longo do queixo, cabelo castanho oleoso e uma estrutura esguia que ele ainda não tinha preenchido direito.
“A entrada custa dez dólares,” o funcionário disse a ela, sem nem mesmo olhar para o cartão.
“Acho que isso deve servir,” Cleo disse a ele, um tanto desesperada, segurando o cartão na frente do seu rosto. Merda, o que Sara havia dito para o outro funcionário? “Estou aqui para o evento especial.” Sara também tinha entregado um punhado de dinheiro, mas certamente um cartão dourado anulava a necessidade disso, certo?
Merda.
Ele apertou os olhos para o cartão antes de bufar. “Moça, eu não sei o que é isso ou de que ‘evento especial’ você está falando, mas a menos que você planeje me mostrar um truque de mágica e transformar isso em dez dólares, você não vai entrar.”
Porra.
Cleo praticamente murchou ao guardar o cartão em sua bolsa, vasculhando rapidamente o seu conteúdo até encontrar a carteira. Ela quase nunca andava com dinheiro, e como era de se esperar, sua carteira estava vazia. O que diabos ela iria fazer agora?
Ela tinha que entrar!
“Eu não tenho dez dólares,” ela disse a ele baixinho, erguendo os olhos da bolsa e se perguntando se poderia simplesmente tentar passar correndo.
Havia apenas um segurança na entrada para revistar bolsas e escoltar os clientes por um detector de metais, mas ele parecia entediado e desinteressado em seu trabalho, com os olhos grudados no celular. Ela provavelmente conseguiria passar por ele com facilidade.
Ela se sentiu ridícula por sequer pensar em algo assim, mas ou ela estava enlouquecendo, ou havia um reino demoníaco espreitando dentro daquele parque de diversões que pertencia a um homem que incendiava o seu corpo, com sua própria alma clamando por ele.
Não, ele não era um homem, mas um demônio. Ela se lembrou da maneira como a silhueta dele havia mudado para um macho mais alto com asas e chifres no topo da cabeça. Aquilo deveria ter sido aterrorizante, mas a sua aparência apenas a fez desejá-lo ainda mais. No fim, não importava o que ele era, ela tinha que encontrá-lo.
Revirando os olhos para a falta de dinheiro dela, o atendente se inclinou para frente, batendo em uma pequena placa de metal retangular pregada na frente da bilheteria, o que a despertou de seus pensamentos.
Ela leu a placa, com os ombros caindo de alívio antes de pegar seu cartão de crédito e entregá-lo.
Deus, ela estava tão desesperada para entrar que havia se esquecido completamente de que poderia usar literalmente qualquer outra forma de pagamento. Talvez ela estivesse mesmo perdendo a cabeça.













































