
Companheira do Babaca
Autor
Eliza Vasquez
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Capítulos
48
Lily Summers achou que deixar sua matilha significaria liberdade, mas o destino tem outros planos. Um único ataque de vampiro estilhaça sua vida tranquila, lançando-a em um perigo que ela não pode ignorar. E então existe Adrian Ryker — insuportável, arrogante e completamente impossível de resistir. Ele é tudo o que ela está determinada a evitar; no entanto, a atração entre eles é magnética, inevitável.
Enquanto o perigo espreita e o desejo ferve, Lily precisa decidir se pode confiar no homem que ela quer odiar — ou se deixá-lo entrar transformará seu coração de pedra em algo inquebrável.
Capítulo 1
LILY
Eu estava voando pela rodovia sem a menor preocupação, enquanto a minha amiga, sentada no banco do passageiro, gritava por sua vida. Eu não conseguia evitar. Eu adorava a velocidade.
Como uma loba, eu estava acostumada a correr pela floresta com o vento no rosto, o cascalho sob as minhas patas e a adrenalina pulsando nas minhas veias. Isso aqui? Isso não era nada. Só mais uma diversão.
“Me lembre por que eu ainda entro no carro com uma louca como você”, Marsha, a minha única amiga humana, disse enquanto tentava salvar o cabelo daquela ventania.
Os cachos da Marsha eram lindos, mesmo que ela dissesse que era impossível domá-los na metade do tempo. Depois dessa corrida, no entanto, eles praticamente teriam vida própria.
“Porque você ama a minha Lambo”, eu disse, dando um beijo no meu volante e rindo quando a Marsha me lançou um olhar estranho.
“Eu juro que não sei por que ainda ando com você”, ela murmurou, balançando a cabeça.
“Porque você me ama, sua vadia.”
“Droga. Nessa você me pegou”, ela rebateu, dando um sorrisinho.
Nós duas caímos na gargalhada. Eu me virei para olhar para ela. “O que seria de mim sem você, Marsh?”
Os olhos dela se arregalaram. “Primeiro de tudo, awn. E em segundo lugar, sua vadia louca, preste atenção na estrada!”
Eu revirei os olhos. “Tá bom”, eu murmurei, e pisei ainda mais fundo no acelerador. Naturalmente, a Marsha reclamou o caminho inteiro até a faculdade.
Nós chegamos ao campus sãs e salvas. A Marsha me mandou um beijo no ar quando nos despedimos, e seguimos em direções opostas.
Assim que pisei na sala de aula, a minha professora me cumprimentou com um breve aceno de cabeça e continuou a dar a sua aula. E, Deusa da Lua, como aquilo era libertador. Lá na matilha, eu teria levado uma bronca daquelas por chegar atrasada. Aqui? Só um aceno. Como não amar a faculdade dos humanos.
A aula passou voando. Logo, eu já estava voltando para o meu carro, apertando a bolsa contra o meu corpo enquanto o vento jogava os meus longos cabelos castanhos para trás.
Uma vibração no meu bolso me fez parar no meio do caminho. Eu peguei o celular e dei uma olhada no contato. Eu franzi a testa enquanto encarava o nome piscando na tela. Claus Blackthorn.
O meu noivo. Não por escolha minha, mas por causa de uma tradição antiga que deveria ter apodrecido no inferno junto com quem a inventou.
Eu joguei o celular de volta no bolso, engolindo as memórias do meu passado... da minha família. Eu já deveria ter esquecido todos eles. Enterrado cada um, na verdade.
Mas uma parte bem pequena e desesperada de mim ainda desejava ouvir um elogio da boca do meu pai, ou ver um olhar de carinho no rosto do meu irmão. Porra, até mesmo a merda de um tapinha na cabeça de qualquer um dos dois. Só que até uma coisa simples assim nunca vinha sem consequências.
Um toque no meu ombro me tirou dos meus pensamentos, e eu me virei.
Os olhos verdes exóticos da Marsha brilhavam de malícia enquanto ela praticamente pulava de empolgação.
Eu respirei fundo, me preparando para qualquer que fosse a ideia maluca que tinha surgido na cabeça dela durante a aula.
A Marsha tinha um talento natural para ter ideias absurdas. Aquele tipo de ideia que eu jurava que nunca ia topar, mas, de algum jeito, sempre acabava sendo arrastada, graças à insistência absurda dela. “Lily!”, ela disse, com um sorriso frouxo no rosto.
“Sim?”, eu perguntei com cautela.
“Vamos para a boate La Loba hoje à noite!”, ela soltou toda animada.
“De jeito nenhum.” Eu balancei a cabeça.
“Mas Lily”, ela choramingou, “eu não tenho companhia. Você é a minha única amiga.” Os ombros dela caíram, e a derrota suavizou o seu olhar. “Por favor”, ela acrescentou, fazendo um biquinho.
Eu suspirei, passando a mão no rosto. Droga. Eu nunca conseguia dizer não quando ela ficava assim. “Tá bom. Mas só porque eu vou ficar preocupada pra caramba se você for sozinha.”
“Eu sabia! Você é a melhor amiga que uma garota poderia ter!”, ela deu um gritinho de alegria, me apertando num abraço de urso. “Você com certeza está preocupada com os ataques, né?”
Eu inclinei a cabeça de leve. “Ataques?”
“Aham, eu vi no jornal. Tem algum psicopata maluco por aí matando as pessoas.”
Eu mordi o lábio. Eu ainda não tinha ouvido falar nisso. Mas agora que eu sabia, não tinha mesmo a menor chance de eu deixar ela ir sozinha.
E foi assim que eu vim parar, cinco horas depois, na La Loba em plena sexta-feira à noite.
Eu usava um vestido longo Helena vermelho-escuro que abraçava as minhas curvas, um salto agulha de matar para combinar, e os meus cabelos castanhos estavam presos num coque bem firme, com uma franja suave emoldurando o meu rosto. A minha maquiagem era puro glamour: delineador esfumado, sombra escura e um batom vermelho-sangue bem marcante.
Falando a verdade, eu não queria ter vindo para essa maldita boate de jeito nenhum. Mas isso não significava que eu não pudesse estar uma grande gostosa enquanto estava aqui. E se algumas cabeças acabassem virando na minha direção?
Bom... isso era só uma massagem no ego.
Nós nos aproximamos do segurança, e ele imediatamente abaixou a cabeça em sinal de respeito. “Lily, eu sabia que você tinha se mudado para a cidade, mas nunca pensei que fosse te ver numa boate sem a Luna Trinity”, ele disse, com uma expressão de surpresa.
“Eu estou aqui contra a minha vontade”, eu murmurei, dando uma olhada para a Marsha, que já estava secando o Nico, o segurança, como se ele fosse um prato de sobremesa. “Entra logo, sua vadia desesperada.” Eu revirei os olhos e empurrei a Marsha para dentro da boate.
Assim que nós entramos, a música alta estourou nos meus ouvidos. As pessoas dançavam e se esfregavam umas nas outras como se fossem animais. Talvez porque metade delas realmente fosse, mas isso não vinha ao caso. O cheiro era horrível: suor, álcool e fumaça, tudo misturado num coquetel nojento. Eu já estava odiando a noite, e olha que eu tinha acabado de chegar.
“Meu Deus do céu, olha o tanto de gente encarando a gente”, a Marsha disse maravilhada.
Eu olhei ao redor. Ela tinha razão. Metade da boate estava nos encarando como se fôssemos a próxima refeição deles.
Que maravilha.
“Aceita dançar comigo?”, perguntou uma voz masculina e grave, direcionada à Marsha.
Nós nos viramos para ver quem era. O cara em pé do nosso lado era um gato, o que com certeza explicava por que a Marsha se virou para mim com olhos de quem estava implorando.
Eu suspirei. “Tá bom... mas comporte-se.” Eu lancei a ela um olhar de aviso.
“Eu prometo que vou me comportar, mamãe!”, a Marsha deu um sorriso enorme e cruzou os dedos para mim antes de sumir no meio da pista de dança.
Caramba, essa garota não tem jeito.
Eu olhei ao redor do salão e encontrei o bar. Fui até lá e me sentei num banco que estava vazio.
“Vai querer alguma coisa?”, perguntou uma voz familiar que eu já tinha escutado várias e várias vezes antes.
“Um Long Island Iced Tea. Coloca na minha conta.”
“Você diz aquela conta que você nunca paga?”, o Rodrigo ergueu uma sobrancelha.
Eu dei a ele um sorriso atrevido. “Preciso ir ao banheiro das meninas. Quero ver a minha bebida me esperando quando eu voltar. Obrigada!” Enquanto eu caminhava em direção aos banheiros, senti um cheiro horroroso. Eu segui o cheiro até o lado de fora.
A noite estava escura, e a lua era a única fonte de luz. As batidas da música ainda podiam ser ouvidas bem de longe quando eu saí pelos fundos da boate. Não tinha ninguém lá fora, apenas várias latas de lixo. Mas não era o cheiro delas que eu tinha sentido.
De repente, um vulto saiu do meio das sombras. À medida que ele se aproximava, eu finalmente reconheci de onde vinha aquele cheiro.
Um vampiro.
Os olhos vermelhos dele se fixaram nos meus, e um sorriso perverso e lento se formou nos seus lábios.
Eu fiquei imóvel, e depois endireitei os ombros devagar, me preparando para a briga.
Eu tinha a sensação de que essa noite ia ser uma merda.
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