
Acorrentada: Os Bastardos de Las Vegas
Author
Sarah N. Fox
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Chapters
84
Capítulo 1
ANASTASIA
Las Vegas recompensa monstros. Esta noite, peguei um.
Luzes de neon brilhantes queimavam pela Strip. As luzes pareciam um aglomerado de estrelas feitas de mentiras e desejo. A cidade brilhava sob o ar quente e a fome. Estava viva muito depois da meia-noite. Crescia forte com comportamentos ruins que não tentava mais esconder.
Aqui, pecado era dinheiro. Poder era um espetáculo. Justiça era um sonho.
Mas não esta noite. Esta noite, eu a tornei real.
O rei dos bordéis era um homem perigoso que tinha se escondido à vista de todos. O sistema tinha falhado com garota após garota. Agora ele estava sentado numa cela. Seu negócio estava destruído. Seus segredos estavam indo para sacos de evidência.
Dois anos da minha vida foram gastos para derrubá-lo. Dois anos vasculhando arquivos fechados. Dois anos perseguindo pessoas que ninguém queria encontrar. Dois anos convencendo mulheres a falar quando elas tinham aprendido que abrir a boca era perigoso.
Todo mundo disse que era impossível. Mas eu encontrei um jeito. Sempre encontro.
A energia ainda corria pelo meu corpo enquanto eu dirigia para casa. A sensação de vitória ainda estava debaixo da minha pele. Esse era o tipo de vitória que construía carreiras e virava manchete. O tipo que poderia me tornar uma candidata de verdade para promotora-chefe.
A mídia já tinha me chamado de nova heroína da cidade. Manchetes com meu nome estavam por toda parte.
CASO IMPOSSÍVEL VIROU VITÓRIA
ANASTASIA QUINN DERRUBA REDE CRIMINOSA
Eles faziam parecer fácil. Não foi.
Mas mais do que isso, era o tipo de vitória que tirava garotas da escuridão e tentava devolver suas vidas.
Minha assistente cuidaria do que viria depois para as vítimas. Ela encontraria moradia temporária, tratamento para trauma e colocação profissional. Não era justiça, não de verdade. Mas era um começo.
Estacionei em frente ao meu prédio. Morava no mesmo prédio há anos, muito antes dos aumentos de salário e prêmios.
Podia pagar algo melhor agora. Algo mais bonito. Mas eu gostava deste lugar. Era perto da universidade. Silencioso. Normal. O ar cheirava a borra de café e livros velhos em vez de perfume e necessidade.
Normal era um conforto. Uma proteção.
Subi as escadas. Cada degrau me lembrava o quanto a noite tinha sido longa. Meus saltos doíam. Eu estava exausta. Tudo que eu queria era uma taça de vinho, um bom livro e um banho longo e quente. Talvez dormir sem sonhar com tribunais e olhos assustados.
Coloquei a chave na fechadura e girei. Abri a porta. No momento em que entrei, meus instintos me alertaram. Congelei. Cada músculo travou. A escuridão que me recebeu parecia pesada e errada.
Apertei o interruptor. Nada. Nenhuma luz do corredor. Nenhum som familiar, nenhuma luz acolhedora. Apenas uma quietude que pressionava de todos os lados. Parecia estar esperando.
Apertei de novo. Click. Nada.
Meu coração bateu mais rápido. Respirações lentas. Controladas.
Enfiei a mão na bolsa e envolvi os dedos em volta da minha Glock. O peso familiar me acalmou. Trava destravada. Arma apontada para baixo. Passos cuidadosos.
Então eu o vi.
Ele estava perto da janela. Seu corpo parecia feito de luar e sombra. Alto. Um e oitenta e cinco, talvez. Músculos definidos se moviam sob uma camisa escura. Cada parte dele parecia exata e controlada.
Quando ele se virou, as linhas afiadas de sua mandíbula capturaram a luz. Seus olhos eram escuros. Eu não conseguia lê-los. Ele estava calmo de um jeito que me deixava nervosa.
Ele não se moveu. Não falou. Simplesmente me observou. Parecia completamente confortável, como um animal perigoso que não estava preocupado com sua presa.
“Apartamento errado”, eu disse, levantando minha arma. “Se você está aqui para me assustar, escolheu a mulher errada. O que você quer?”
Ele não recuou. Quando falou, sua voz atravessou a escuridão. Era suave e baixa, como fumaça sobre seda. O tipo de voz feita para tentar, não ameaçar.
“Acabar com sua vida atual.”
Uma risada afiada saiu de mim. Não foi uma risada feliz.
“Estou muito feliz com minha vida", eu disse. Minha voz estava firme e fria. “Saia. Agora.”
Havia poder no seu olhar. Medido. Controlado. Muito deliberado. Mas por baixo da superfície, algo se movia. Algo que não pertencia ao rosto de um homem que tinha invadido minha casa sem permissão.
Interesse. Tristeza. Reconhecimento.
“Acabar com sua vida atual", ele disse de novo, mais devagar desta vez. “Anastasia Devlin.”
Devlin.
O mundo inclinou. O nome atingiu meu peito com força. Arrancou o ar dos meus pulmões.
Anastasia Devlin estava morta, enterrada e esquecida. Eu tinha apagado aquela vida pedaço por pedaço. Tinha removido de cada registro e selado debaixo de camadas de novos nomes e silêncio cuidadosamente construído.
Meu aperto ficou mais apertado na arma. Meus dedos estavam dormentes e meu coração batia alto nos meus ouvidos. Por um momento, esqueci como respirar. Esqueci onde estava. Tudo que conseguia ouvir era aquele nome se repetindo na minha cabeça. Vinha de um túmulo que eu mesma tinha cavado.
Quem é esse homem? E como ele descobriu?
O ar se moveu do meu lado esquerdo. Parecia errado de um jeito que não consegui nomear na hora. Meu estômago despencou.
Outro homem saiu das sombras da minha cozinha. Era mais alto que o primeiro. Um e noventa, talvez mais. Seus ombros largos preenchiam a porta. Poder repousava debaixo de sua quietude.
Eu não tinha ouvido ele. Nem mesmo sentido. Anos de treinamento me diziam que deveria ter. E ainda assim ele se moveu pelo meu ponto cego como se sempre tivesse pertencido ali.
A luz capturou seus olhos. Eram frios e analíticos. O tipo de olhar que encontrava fraquezas e nunca desviava.
Antes que eu pudesse atirar, ele avançou.
Ele se moveu como fumaça. Silencioso e rápido. Num segundo eu tinha minha arma. No seguinte ela tinha sumido.
Meu braço foi torcido para trás até a dor explodir no meu ombro. Dei chutes. Acertei com cotovelos e unhas. Mas era como tentar dobrar aço.
O homem agarrou meu rabo de cavalo e puxou com força. Forçou minha cabeça para trás com tanta força que o mundo explodiu em estrelas.
“Blake” o homem me segurando disse calmamente. Ele quase parecia divertido. “Você disse que ela viria de boa vontade.”
“Não sabia que ela era tão brava, Ty”, aquele chamado Blake respondeu. Havia humor sombrio na sua voz.
Raiva queimou através de mim. Quente e selvagem.
O homem da janela se moveu. Era deliberado e lento enquanto se aproximava.
“Dê a ela o presente do Finn", ele disse calmamente. “Antes que ela acorde o prédio inteiro.”
Uma picada afiada mordeu meu braço.
Não.
Eu me debati e torci. Lutei com tudo que tinha. A respiração rasgou dos meus pulmões enquanto mãos cruéis esmagavam meus pulsos. Eles me prenderam com habilidade terrível.
Fogo correu pelas minhas veias. Parecia queimar e congelar ao mesmo tempo. A droga agiu rápido. Meus joelhos cederam enquanto o chão se movia.
Blake me pegou. Seu aperto estava firme. Seu rosto pairava sobre o meu. Aqueles olhos escuros eram impossíveis de ler enquanto meu batimento cardíaco desacelerava. Parecia pesado e distante como se pertencesse a outra pessoa.
Pisquei enquanto minha visão se despedaçava. Pedaços de cor sangravam nas sombras. Suas vozes se esticaram em ecos.
Então o mundo escureceu.















































