
Lembre-me
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Capítulo 1
ROSE
Rose estava no pátio dos fundos da mansão de pedra, apertando uma caixa de arquivos contra o peito enquanto via o CEO da Wills Corporation sair da piscina. Ela tinha acabado de começar na empresa, e entregar aqueles arquivos ao Sr. Wills era sua primeira tarefa.
A água brilhava em seu peito largo enquanto o Sr. Wills andava na direção dela. Rose tentou não encarar o corpo magro e forte dele. Ele passou a mão pelo cabelo escuro para tirar a água e, em seguida, pegou uma toalha.
“Você poderia ter entregado para a empregada”, ele disse enquanto enrolava a toalha no corpo.
Rose olhou para cima e encontrou os olhos azuis e calmos dele.
“Ah”, ela disse baixinho, entregando a caixa grande para ele. “Me disseram que eu tinha que colocar o pacote nas suas mãos.”
“Na próxima vez, deixe na porta”, ele disse, pegando a caixa e se virando quando ouviu o celular tocar.
“Sim, senhor. O senhor precisa de mais alguma coisa, Sr. Wills?”
Ele acenou para que ela fosse embora antes de atender a ligação, observando os filhos brincarem enquanto falava de forma dura com a pessoa do outro lado da linha.
Rose se virou e começou a voltar por dentro da casa. Era um lugar grande e impressionante, mostrando claramente o sucesso do Sr. Wills, mas não era um lugar acolhedor. Não parecia uma casa de família, diferente de onde ela tinha crescido. Na verdade, ela até ficou surpresa ao ver crianças brincando na piscina.
“Espere!”
Rose se assustou e se virou devagar. O Sr. Wills estava andando rápido na direção dela, os músculos dos seus braços e do peito se movendo com força enquanto ele atravessava a sala.
“Sim, senhor?”
“Qual é o seu nome?” ele perguntou.
“Rose…”
“Rose o quê?”
“Rose Gamble”, ela respondeu. “Me desculpe, senhor. Eu fiz alguma coisa errada?”
“Você trabalha para a Wills Corporation?”
“Eu sou temporária”, ela disse, confusa com as perguntas dele. Será que ela tinha trazido a caixa errada por engano?
“Bem, eu estou mudando a sua função temporariamente. Preciso que você fique aqui e cuide dos meus filhos.”
Rose balançou a cabeça, certa de que tinha escutado errado.
“Me desculpe, o quê?”
O Sr. Wills olhou para baixo e folheou o arquivo nas mãos dele.
“Olha, minha babá se demitiu hoje. Tem uma emergência no trabalho e eu preciso resolver isso. Não tenho ninguém para cuidar deles. Então, como seu chefe, estou mandando você ficar aqui até eu voltar.” Ele passou por ela e foi em direção às escadas.
“Você não pode simplesmente deixar seus filhos comigo! Você nem me conhece.” Ela levantou as mãos, sem acreditar. “Eu poderia muito bem ser uma assassina do machado! Eu poderia—”
“Você é uma assassina do machado?” ele perguntou de forma direta.
“Não, mas—”
“Então fique aqui até eu voltar”, ele disse enquanto subia as escadas correndo, deixando Rose sozinha na entrada da casa.
“Eu poderia estar mentindo!” ela gritou, irritada. “Esse cara é louco”, ela resmungou antes de sair correndo pela porta da frente.
Assim que ela chegou ao carro da empresa, alguém segurou seu braço por trás.
“Eu disse para ficar aqui”, rosnou o Sr. Wills.
Ela se virou com um olhar furioso, puxando o braço para se soltar dele. O calor da mão dele continuou na pele dela, e ela resistiu à vontade de esfregar o local para afastar a sensação.
“Sr. Wills, eu entendo que o senhor é meu chefe, mas não vou ser responsável pelos seus filhos. Isso é loucura! Eu sou uma assistente administrativa temporária, não uma babá!”
O Sr. Wills pegou as chaves da mão dela e entrou no banco do motorista.
“Você é, se quiser manter o seu emprego”, ele disse, fechando a porta.
Rose assistiu totalmente chocada enquanto ele ia embora de carro, deixando-a parada na entrada da garagem.
“Você está brincando comigo?!” ela gritou, jogando as mãos para o ar. Ela se virou de volta para a casa. Ela não podia simplesmente deixar as crianças sozinhas. E se acontecesse alguma coisa com elas? Ela suspirou e voltou para dentro da casa.
A empregada estava de pé perto da piscina, olhando as crianças brincarem quando Rose voltou para o pátio.
“Quem é você?” perguntou um menino de cabelo escuro e com os mesmos olhos azuis brilhantes do pai. Ele parou de bater na água e encarou a estranha na sua casa.
Rose olhou para baixo, na direção dele.
“Eu sou a Rose. Quem é você?”
“Eu sou o Matthew. Essa é a Sammy”, ele disse, apontando para a menininha brincando na água atrás dele.
“Prazer em conhecer vocês dois”, Rose respondeu.
“Você é a nossa nova babá?” Sammy perguntou enquanto ia até a beira da piscina, com seus cachos castanhos molhados e seu rosto com sardas corado.
“Não. Eu só vou cuidar de vocês até o pai de vocês voltar”, Rose respondeu com doçura. “Quantos anos vocês têm?”
“Eu tenho sete anos e a Sammy tem quatro”, Matthew disse.
“Ah. Vocês não têm escola nem nada do tipo?” Rose perguntou.
“É verão, bobinha!” Sammy riu.
“Ah!” Rose sorriu. “Você tem razão! Que boba eu sou.” Ela olhou ao redor do grande quintal. “Vocês estão se divertindo neste verão?”
“Na verdade não”, eles disseram baixinho, balançando a cabeça.
“Por que não?” ela perguntou com um olhar carinhoso.
“O papai tem que trabalhar o tempo todo”, Sammy disse com tristeza.
“Puxa vida. Isso não tem graça”, Rose respondeu. “E a mãe de vocês?”
Matthew franziu a testa e balançou a cabeça.
“Nossa mãe morreu.”
“Ah…”
A resposta direta dele a surpreendeu. Rose deu um olhar cheio de pena, sem ter certeza do que dizer.
“Sinto muito.”
“Foi há muito tempo”, ele disse com um tom triste, antes de nadar para o outro lado da piscina.
Rose ficou ali por um momento, olhando para eles sem jeito. O que ela deveria fazer com eles até o Sr. Wills voltar?
“Matthew! Samantha! Hora do almoço!” a empregada chamou da mesa do pátio.
“Oba!” eles gritaram ao sair da água. Eles se enrolaram nas toalhas e se sentaram para comer.
“Senhorita, eu sou a Maria. Tem almoço para você também”, a empregada disse.
“Obrigada, Maria. Me chame de Rose. Você não precisava ter feito isso”, ela disse, parando e se virando de novo para Maria. “O Sr. Wills não deixou muitas instruções. O que as crianças costumam fazer depois do almoço?”
“Samantha tira uma soneca, e Matthew faz as tarefas escolares ou outra atividade tranquila.” Maria sorriu, apontando com a cabeça para a mesa.
Rose deu um sorriso gentil para ela antes de se sentar ao lado da menininha.
“Então, é Samantha ou Sammy?” ela perguntou.
“Sammy”, ela disse com a boca cheia de uvas.
“Samantha é o nome verdadeiro dela”, Matthew explicou.
“Que irmão mais velho prestativo”, Rose disse, ganhando um pequeno sorriso de Matthew. “O que vocês dois costumam fazer depois do almoço?”
“A nossa última babá deixava a gente fazer o que quisesse”, Matthew respondeu, sem olhar para Rose.
“Não foi isso que me disseram”, Rose disse, dando uma mordida. “A Sammy não tira uma soneca enquanto você faz suas tarefas?”
Matthew resmungou alguma coisa e olhou para o prato.
“Podemos brincar um pouco mais na piscina primeiro?” Sammy perguntou, fazendo a sua melhor carinha de pidona.
“Nós temos que seguir as regras. E as regras dizem que depois do almoço é hora da soneca”, Rose disse.
“Tá bom”, Sammy disse baixinho.
“Além disso, quando você acordar da soneca, seu pai pode já estar em casa. Aí você pode brincar com ele”, Rose acrescentou.
“Duvido”, Matthew murmurou.
Rose franziu a testa para o menininho.
“Ah! Vamos tirar uma soneca agora mesmo!” Sammy falou animada, pulando da cadeira.
“Você já terminou de comer?” Rose perguntou.
“Sim!” ela gritou, pegando a mão de Rose.
“Certo então”, Rose disse, deixando-se ser puxada pela menininha pela casa e subindo as escadas. Matthew seguiu logo atrás. Eles pararam em duas portas de frente uma para a outra no corredor.
“Vão vocês dois se trocar. Eu vou ficar bem aqui esperando”, Rose disse.
“Tá bom”, eles responderam. Cada um foi para o seu quarto e fechou a porta.
Rose olhou ao redor da casa por um momento. A madeira bonita e a tinta branca e limpa deixavam a casa com um ar muito chique e moderno. Era o lugar maior e mais bonito que ela já tinha visto.
“É incrível…”, ela sussurrou.
“Tudo pronto!” Sammy gritou do quarto dela.
Rose andou até o quarto e espiou para dentro. A menininha estava deitada na cama, esperando com paciência.
“Tenha uma boa soneca, Sammy.”
“Você tem que me cobrir!” Sammy choramingou.
“Ah, é verdade”, Rose respondeu com cuidado. Ela entrou no quarto e puxou as cobertas até o queixo de Sammy. “Durma bem. Foi muito divertido conhecer você.”
Sammy sorriu antes de rolar na cama e fechar os olhos.
Rose saiu e fechou a porta.
“Pronta?” uma vozinha disse atrás dela.
Rose deu um pulo de susto antes de se virar.
“Matthew! Você me assustou!”
Ele deu um sorriso sapeca enquanto segurava seus cadernos de tarefas.
“Desculpa. Você deveria fazer isso comigo”, ele disse.
“Tudo bem”, Rose suspirou.
***
Quase duas horas depois, Rose e Matthew estavam se preparando para assistir a um filme quando Sammy entrou devagar na sala de estar. Ela esfregou os olhos e os apertou por causa da claridade.
“O papai ainda não chegou?” ela perguntou baixinho. A voz dela ainda mostrava que ela tinha acabado de acordar.
Rose se virou para Sammy.
“Me desculpe. Eu achei que ele já teria voltado a essa altura.”
“Ele nunca chega cedo em casa”, Matthew resmungou enquanto Sammy se sentava no sofá ao lado dele.
“Querem que eu faça um pouco de pipoca para o filme?” Rose perguntou, esperando animar um pouco o clima.
“Sim!” as crianças comemoraram juntas.
XAVIER
Em seu prédio de escritórios bem alto, Xavier olhou para o relógio. Já eram quase quatro horas da tarde.
“Desse jeito, vou ficar aqui a noite toda”, ele resmungou para si mesmo, sabendo que não conseguiria sair dali na hora do jantar. Seus filhos ficariam decepcionados. De novo.
“Então, o problema já está resolvido?” ele perguntou, olhando ao redor da grande sala de reuniões.
“Bem, Sr. Wills…”, um homem gaguejou. “Nós não sabemos.”
“Então quem sabe?” ele perguntou. “Estamos nisso há horas, e ninguém tem respostas. Como isso aconteceu?”
“Parece que tem um problema com o contrato”, outra pessoa disse.
“Quem era o responsável por essa compra?”
“Parece que não foi passado para ninguém”, alguém murmurou.
Eu mesmo deveria ter resolvido isso, ele pensou, apertando os dentes para segurar a raiva.
“Então chamem o gerente do departamento. Isso precisa ser resolvido. Agora.” Ele se levantou da cadeira na ponta da mesa de reuniões. “Um erro como esse não pode ser aceito.”
Ele saiu da sala de reuniões. Sua recepcionista, a Sra. Nelson, o seguiu com atenção até o elevador.
“E então?” ele falou com irritação enquanto as portas se fechavam e eles subiam para o escritório dele.
Ele olhou para ela. A mulher alta e magra estava agora no final dos seus sessenta anos. Seu cabelo loiro estava quase todo branco e sempre preso em um coque perfeito.
“Este é o arquivo dela. Ela parece ter muita experiência e estudo para a vaga”, a Sra. Nelson disse, entregando uma pasta para ele.
Xavier abriu a pasta, dando uma olhada no histórico completo de Rose Gamble. Ele não esperava nada menos da Sra. Nelson.
“Obrigado, Sra. Nelson. Isso é tudo”, ele disse ao saírem do elevador. Ele entrou no seu escritório, deixando a porta se fechar atrás de si. Ele se sentou na poltrona ao lado da mesa e leu o arquivo.
“Sr. Wills”, a Sra. Nelson chamou pelo interfone da mesa dele alguns minutos depois.
Ele se levantou e foi até a mesa, apertando o botão.
“Sim?”
“O gerente do departamento de contratos está aqui para falar com o senhor.”
Ele suspirou, apertando a ponte do nariz.
“Mande ele entrar.”










































