
Maçãs Azedas
Author
Jeordie Draven
Reads
878K
Chapters
46
Toc, Toc
“Você sabe muito bem que não deve entrar na propriedade dele” Gretchen virou o boné de baseball. “Tem placas de Proibido Entrar e Proibido Panfletar por todo esse lugar!”
Layla olhou ao redor. “É um panfleto. Que mal pode fazer eu entregar um panfleto pro cara?”
“Ele provavelmente tem um monte de espingardas lá dentro. Você não precisa levar um tiro hoje” Gretchen apontou. “E as placas mostram que ele não quer ser incomodado. Nunca.”
Layla lambeu os lábios. “Mas a caixa de correio dele fica na varanda. Talvez eu só coloque lá dentro.”
“Você sabe muito bem que vai bater naquela porta” Gretchen sorriu. “Dar uma bela olhada naquele Lucas “Gostoso Pra Caralho” Foster!”
Layla deu de ombros. “A pior coisa que pode acontecer é ele bater a porta na minha cara.”
“Ou te dar um tiro...” Gretchen apertou os lábios. “Ou te levar pro quarto dele e fazer sexo selvagem com você!”
“Cuida do meu cachorro!” Layla disse de forma brincalhona, jogando a cabeça pra trás. “E você pode ficar com todos os meus vinis!”
“Todos eles?”
“Shh... Você vem comigo?”
“De jeito nenhum!” As tranças pretas de Gretchen estavam ficando arrepiadas com a umidade. “Esta texana aqui não vai morrer hoje.”
“Se acontecer alguma coisa, você é minha melhor amiga e eu te amo!”
“Você sabe que ele é gostoso pra caralho” Gretchen lembrou, como se tentasse se convencer a ir até a porta dele pra vê-lo. “Lucas Foster pode ser um babaca, mas puta merda. Eu queria ter aquele homem de todas as formas possíveis!”
“Eu sei como ele é” Layla sorriu. “E pra um cara mais velho, ele manda bem, mas não é por isso que estamos aqui.”
“Ele não é tão mais velho assim” Gretchen disse. “Talvez quarenta? Uma diferença de quinze anos não é nada, mana. Parece meus pais.”
Layla de repente se perdeu em pensamentos quentes sobre Lucas Foster. Ela já tinha namorado, mas isso não significava que não podia pensar no assunto.
“É, ele tem trinta e nove ou quarenta, mas não lembro” Layla balançou a cabeça. “Ugh, para! Você tá tentando me enrolar. Vou lá.”
Ela torceu o cabelo ruivo num coque enorme e estava lutando pra tirar o dedo de dentro dele. “Merda.”
Gretchen riu. “Espera aí” Ela ajudou a amiga a se desvencilhar e acenou pra ela ir. “Foi um prazer te conhecer, querida!”
“Tão dramática” Layla disse baixinho enquanto atravessava a rua em direção ao portão da frente da grande casa de dois andares na esquina.
Era bonita, com um jardim bem cuidado. A entrada era meio longa, e ela esperava que Lucas não tivesse arranjado algum cachorro de guarda perigoso desde que colocou as placas.
“Você consegue. É só o Lucas. Você meio que conhece ele. Seus pais moram logo ali. Ele é só um cara. Ele é um maníaco. Ele é louco. O que eu tô fazendo?” Ela estava falando sozinha, sofrendo no calor do Texas.
A casa de Lucas era a última que elas iam visitar no dia.
Layla e Gretchen estavam distribuindo panfletos e conversando com pessoas que queriam ajudar os fazendeiros locais a manter seus negócios e fazendas funcionando.
Com certeza Lucas ia querer isso. Ele não ia querer que toda aquela terra linda fosse destruída.
“Sem cachorro de guarda” Layla suspirou aliviada, notando a caminhonete de Lucas e a moto dele estacionadas na entrada.
Mesmo tendo dito que não ia falar com ele, que mal faria? Era só uma conversinha entre dois seres humanos, certo?
Ding dong! Toc, toc!
“Tá tudo bem. Tudo bem” Layla segurou o panfleto com força, encarando a caixa de correio ao lado dela, depois olhando ao redor do pátio. “Que vasos lindos.”
“Que porra você quer?!”
“Ahhh!” Layla soltou os panfletos, vendo-os cair no chão quando a porta da frente se abriu de repente. Ela se ajoelhou e começou a pegá-los rapidamente.
“Eu sou... uh... sou a Layla... Você sabe disso... E tô distribuindo esses panfletos pra ajudar a conscientizar sobre a indústria agrícola local, e também tem o horário de uma reunião marcada do conselho municipal pra ajudar... ajudar os fazendeiros locais... e pra...”
Ela juntou todos, depois se levantou com as pernas trêmulas e olhou nos olhos de Lucas Foster, louco certificado.
Mas ele não era nada difícil de olhar.
Alto, construído como um touro, tatuagens, meio bronzeado de ficar no sol, cabelo loiro sujo e barba rala nas bochechas e no queixo — e sem camisa.
Claro que ela teve que dar uma olhada rápida no peito nu dele, musculoso e suado. Por meio segundo, Layla desejou estar dentro da calça jeans azul dele.
“Que delícia da porra, mas você é analfabeta?” ele perguntou, apontando pras placas.
“N-não...” Layla disse com voz trêmula. Ela estendeu o papel pra ele, mas ele não se mexeu. “P-posso colocar isso na sua caixa de correio?”
Lucas suspirou pesadamente. Ele não sorriu, e ela não conseguia lê-lo de jeito nenhum. Ela agradeceu por sua amiga estar esperando por ela. Pelo menos a polícia saberia onde procurar o corpo dela.
Lucas saiu pra varanda bem ao lado dela porque — claro — ela estava apavorada demais pra se mexer. Ele ficou sobre ela, então ela teve que forçar o pescoço pra olhar pra ele.
“Se você queria colocar na minha caixa de correio, por que bateu na minha porta?” ele perguntou, os olhos verdes encarando os azul-escuros dela.
Layla deu de ombros. “A gente tem conversado com todo mundo...”
“Enchendo o saco de todo mundo, você quer dizer?”
Layla bufou. “É uma questão importante. Eu achei que você, de todas as pessoas, não ia querer um condomínio bem na frente do seu rancho lindo.”
Por que ela ainda estava naquela varanda e por que seus lábios estavam se mexendo?
Lucas sorriu, um sorriso torto e maldoso, mas não se mexeu.
Ela podia sentir o calor dele contra o dela, quase provar o suor saindo dele. Olhando pra trás dele pela porta aberta, ela viu umas luvas de boxe jogadas no chão.
“Você luta boxe?” ela perguntou.
“Vai. Embora” O sorriso dele sumiu enquanto ele arrancava o papel da mão dela. “Agora.”
E com isso, ele bateu a porta atrás de si.
Layla não fazia ideia de como tinha descido aquela entrada, mas ainda estava surtando quando ela e Gretchen foram embora.
“E aí?”
“E aí o quê? Tô tendo um ataque cardíaco” Layla respirou com dificuldade.
“Como ele é? Que cheiro tem? Como age?”
“Gostoso, gostoso, gostoso e muito bravo” Layla riu, enrolando o cabelo de novo. “Mas ele pegou o panfleto.”
“Missão cumprida!” Gretchen bateu mais cinco nela.
“Vamos tomar sorvete” Layla ofereceu.
“Ah, precisa se refrescar?” Gretchen brincou.
“Algo assim.”
***
Lucas jogou o panfleto no lixo e se acomodou pra tomar uma cerveja bem gelada.
“Hippies da porra” ele disse baixinho enquanto bebia. “Bela bunda, no entanto.”
Ele pensou em Layla e em como ela tinha tido coragem de aparecer na porta da frente dele daquele jeito — não que fosse a coisa mais inteligente a fazer, mas foi corajoso.
Ela era uma gata, mas era jovem — talvez vinte e quatro, vinte e cinco. Não muito jovem, mas não da idade dele de quarenta.
Ele não transava fazia um bom tempo, e só de pensar nela fez o pau dele pulsar. Ela era linda de tirar o fôlego e cheirava tão fresco, como lençóis novos misturados com potpourri caro de flores.
Ele sabia tudo sobre as pessoas tentando tomar a terra dele e a terra dos fazendeiros locais da região. Não precisava de uma jovem hippie formada na faculdade e abraçadora de árvores pra contar as novidades.
Ele tinha visto ela várias vezes na vida, sempre feliz — sorrindo, usando vestidos e saias grandes, correndo por festivais de música onde ele era chefe de segurança, vendo ela pintar flores nos rostos das crianças, protestando contra guerras nas quais ele tinha lutado.
Que cara de pau.
Claro que algumas pessoas não gostavam dele. Elas conheciam o passado dele e ele tinha seus amigos próximos, mas não muitos na região.
Ele gostava assim. As pessoas não precisavam saber da vida dele, e não precisavam continuar tendo pena dele. Ele não aguentava isso.
***
“Foi uma pena quando a esposa dele morreu” Gretchen estava dizendo enquanto comiam sorvete.
“Eles nunca tiveram filhos, né?” Layla perguntou.
“Não que eu saiba. Mas eu não me importaria de ter os bebês dele” Gretchen riu. “Queria ter ido na casa dele agora.”
“Eu quase podia sentir o gosto dele, mana” Layla balançou a cabeça, os olhos azuis arregalados. “Ele é assustador.”
“Você tem que gostar desses bad boys” Gretchen cutucou ela.
“Olha, eu sei que não sou muito aventureira na minha vida amorosa, mas o Paul e eu estamos bem.”
Gretchen torceu o nariz. Ela não era muito fã de Paul Gates, mas ele era o namorado de Layla, e Layla era sua melhor amiga.
“Ele é um cara legal e temos muito em comum” Layla disse de novo.
“Tipo o quê? Vocês dois são apaixonados pelo planeta? Ele é tão... tão... Paul...”
Layla franziu a testa. Ela não era a melhor em perceber quando alguém era mau-caráter, mas Gretchen era. Ele não era o que Layla realmente queria, mas era o que ela tinha, então estava contente — o que era exatamente o que Gretchen não aguentava.
“Você tá confortável demais.”
“Eu deveria estar desconfortável?” Layla riu.
“Você é um espírito livre, mas não ultrapassa os limites. Vamos sair esse fim de semana.”
“Pra onde?” Ela olhou pro sorrisinho diabólico da amiga. “Ah, não, eu não vou pra balada com você.”
“Ah, qual é!” Gretchen implorou. “Só esse fim de semana. Por favor?”
Layla apertou os lábios. Ela tinha tanto trabalho da faculdade pra colocar em dia, e Paul queria sair.
“Quantos fins de semana você vai dar pra ele? Sai com as meninas!” Gretchen fez biquinho.
“Tá bom, tá bom...” Layla acenou com a mão. “Você sabe que eu te amo, mas balada não é muito a minha praia.”
Gretchen revirou os olhos. “Eu sei. Cantorias e fogueiras e protestar contra injustiças são a sua onda” sem falar na sua coleção enorme de pedras.
“São meus cristais de cura, muito obrigada.”
“Pedras, foi o que eu disse” Gretchen provocou. “Então tá decidido! Vamos pintar a cidade, mana.”










































