
Em Meio ao Caos
Author
Chaotic Soul
Reads
1,1M
Chapters
30
Capítulo Um
Rebecca
“Você está falando sério?” O som alto e empolgado na voz da minha melhor amiga era tão forte que tive que afastar o telefone da orelha.
“Sim, Nate” eu ri, sentindo a mesma felicidade que ele. Eu também estava empolgada. Quem diria que eu conseguiria um emprego como professora de jardim de infância em Seattle, de todos os lugares para os quais me candidatei?
Ensinar era o que eu mais amava e essa era minha primeira oferta de emprego. Eu não podia recusar só porque meu melhor amigo morava lá.
“Isso vai ser demais, cara. Vamos ser colegas de apartamento” ele disse rapidamente, e meus olhos se arregalaram de surpresa.
Colegas de apartamento? pensei, chocada. “Espera aí, o que aconteceu com seu colega de apartamento anterior?” perguntei, tentando manter minha voz calma.
A ideia de me mudar para Seattle já era assustadora, porque eu teria que vê-lo. Agora ele estava dizendo que deveríamos morar juntos. Eu não tinha certeza se estava pronta para isso.
“Ele se mudou há um mês. Estou morando sozinho desde então” ele disse. “Seria perfeito, Becca” acrescentou, sua voz soando como se estivesse tentando me convencer. Senti minhas pernas fraquejarem com o jeito que meu nome soava quando ele o dizia.
Droga!
“Hummm... Acho que não” consegui dizer, mordendo o lábio e torcendo baixinho para que ele parasse de falar sobre isso. O ensino médio e a faculdade já tinham sido difíceis o suficiente. Eu não achava que conseguiria passar por aquilo de novo.
O problema era que eu sempre fui a melhor amiga, nunca a namorada. Eu até comecei a achar que ele não me via como uma garota. Eu era mais como um dos amigos homens dele, mas eu não queria ser vista desse jeito.
“Sem mais perguntas. Você vai ficar comigo e pronto. Senti tanto a sua falta, Becca. Já faz quase um ano desde a faculdade” ele disse, interrompendo meus pensamentos.
“Tudo bem, a gente conversa sobre isso depois. Vou chegar de avião neste fim de semana.”
“Ótimo, isso me dá bastante tempo pra te convencer.” Eu quase podia ver o sorriso no rosto dele enquanto revirava os olhos, um pequeno sorriso puxando meus lábios.
“Tá bom, a gente se fala depois.”
“Tchau, te amo Becs” ele disse, como sempre fazia antes de desligar.
“Eu também te amo” disse baixinho para a tela apagada do meu telefone, e então soltei um som de frustração.
Essa sou eu, Rebecca Thompson, profundamente apaixonada pelo meu melhor amigo, Nate, desde o ensino médio. Eu achei que já tinha superado ele, mas estava completamente enganada.
Só o som da voz profunda e sexy dele me deixava louca, trazendo de volta um monte de memórias indesejadas. Afastando esses pensamentos, prendi meu longo cabelo castanho em um rabo de cavalo e desci para o café da manhã.
“Você contou pro Nate?” Minha mãe perguntou assim que me sentei à mesa. Sim, eu ainda morava com minha mãe. Éramos só nós duas. Meu pai tinha morrido de câncer quando eu tinha dois anos. Eu mal me lembrava dele.
“Sim, mãe” disse baixinho, enchendo meu prato com ovos e bacon.
“Bom, fico feliz que você tenha alguém pra te ajudar a se instalar. Mudar para uma cidade nova pode ser bem assustador, querida” ela disse, com uma expressão preocupada no rosto.
Ela tinha quase a minha altura, com o mesmo cabelo castanho e olhos castanhos. Eu tinha olhos azuis, a única coisa na minha aparência que herdei do meu pai. Ela trabalhava como consultora sênior em uma multinacional, e eu sabia o quanto ela tinha trabalhado duro pra chegar lá.
“Eu sei, mãe, mas não sou mais criança. O Nate vai me ajudar. Aliás, ele disse que eu deveria ficar com ele” falei rapidamente, fazendo suas sobrancelhas subirem.
“Alguém finalmente está notando minha garotinha” ela disse com um sorriso maroto, me fazendo revirar os olhos. Ela sabia tudo sobre minha paixão por ele no ensino médio.
“Ele nunca me vê desse jeito, mãe, e não acho que vai ser diferente agora” disse baixinho, cutucando meus ovos com o garfo.
“Sinceramente, não sei o que você vê nele. Mas ele é bonito, isso eu admito” ela piscou pra mim, levando o prato pra pia.
“MÃE!” falei alto, sentindo minhas bochechas esquentarem. Às vezes eu esquecia que ela era minha mãe. Ela era mais como a melhor amiga que eu nunca tive.
“O quê? É verdade. Se eu fosse você, já tinha dado em cima dele” ela brincou, me fazendo rir. “Confia em mim, ele é um bobo por não notar uma garota como você. Espero que algo interessante aconteça em Seattle.”
“Ele pode já ter uma namorada, pelo que eu sei” disse, com a boca cheia de comida.
“Vamos torcer pra que não. E se tiver, é melhor você mostrar a ele o que está perdendo” ela gritou da cozinha. Levantei, levando meu prato pra pia.
“É, tanto faz. Você deveria encontrar alguém logo em vez de ficar me aconselhando.”
“Isso de novo não” ela gemeu, jogando a cabeça pra trás.
“Sim, de novo. Você precisa de alguém pra cuidar de você quando eu não estiver aqui, mãe. E eu sei que você não está namorando por minha causa. Estou te dizendo pela milionésima vez, eu estou bem com isso” abracei ela por trás, sentindo seus ombros relaxarem.
“Tudo bem, vou pensar nisso” ela disse suavemente, me fazendo sorrir. Ela sempre trabalhou tão duro por nós. Estava na hora dela dar uma pausa.
“Assim está muito melhor. Vou arrumar as malas agora.” Beijei o rosto dela e corri escada acima pro meu quarto.
Comecei a arrumar todas as minhas coisas, me certificando de que não estava esquecendo nada. Eu não tinha muitas pessoas pra me despedir. Nate era meu único amigo.
Depois da formatura, ele tinha se mudado pra Seattle pra um emprego como designer de jogos. Ele era ligado em games e essas coisas. Eu achei que era pro melhor quando ele se mudou pra longe de mim.
Engraçado como a vida tem um jeito de te jogar de volta na mesma direção.
Pelo que eu me lembrava, ele sempre estava envolvido em algum relacionamento ou outro. Eu nunca encontrei o momento certo pra contar meus sentimentos a ele. Talvez esse emprego fosse o jeito do universo de nos reunir, talvez essa fosse nossa hora, quando tudo daria certo.
Minha mente começou a vagar, criando ideias malucas. Eu não conseguia parar o sorriso que se espalhou pelo meu rosto ao pensar em olhar naqueles olhos quentes e atraentes mais uma vez, e a possibilidade empolgante de morar em uma casa com ele.
Ah, como eu queria que as coisas fossem diferentes dessa vez!
“Finalmente pronto!” Soltei um suspiro de alívio, fechando o zíper da minha mala, e caí na minha cama.
Seattle, pensei, lá vou eu!














































