
Neon
Author
Kelsie Tate
Reads
1,0M
Chapters
32
Capítulo 1
“Jade! Pega essa caixa de copos e volta pro salão!”
“O Ben está lá fora. Estou de pausa, Jim” — ela gritou de volta, dando um gole na água.
“É sexta à noite. Volta lá antes que vire um caos!”
“É, porque seria o fim do mundo se eles ficassem dois segundos sem beber” — Jade disse baixinho para si mesma.
Ela soltou o ar, arrumando o rabo de cavalo, o cabelo preto e comprido caindo sobre o ombro enquanto prendia de novo.
Pegou a caixa e levou até o bar, desejando não ter que trabalhar naquela noite. Enquanto continuava preparando drinks, queria um descanso.
Quando o movimento começou a diminuir, pegou um pano e começou a limpar o balcão, aproveitando o silêncio antes de fazer um som de desgosto quando um grupo de caras barulhentos entrou.
Era óbvio que aquele não era o primeiro bar deles.
“Eeeepa!” — um deles gritou na direção do bar.
Jade forçou um sorriso. “Oi, o que vão querer?”
“Ah, tem muita coisa que você pode me dar, gata” — ele disse piscando, se apoiando no balcão.
“Aposto que sim...” — ela disse baixinho. “Que bebida posso te servir?”
“Cervejas para todo mundo” — ele berrou, e os amigos no canto comemoraram.
“Tá bom” — ela respondeu com seu melhor sorriso falso, pegando o cartão dele e passando na maquininha, mas ela fez um bipe irritante.
Ela se virou de volta para o homem, colocando o cartão no balcão. “Desculpa, deu recusado.”
“Só me dá minhas cervejas” — ele disse com voz raivosa.
“Sem dinheiro, sem cerveja” — ela rebateu.
“Qual é o seu problema, porra?” — ele gritou, o estado de embriaguez deixando ele mais irritado.
“Nenhum, senhor” — ela sorriu. “Vou ter prazer em te servir assim que você pagar.”
“O que está acontecendo aqui?” — o gerente dela, Jim, perguntou ao se aproximar de Jade.
“A bartender não quer servir a gente!” — o homem gritou alto, fazendo todo mundo no salão olhar.
Jade se virou para o gerente com uma expressão irritada. “O cartão dele foi recusado. Eu disse que teria todo o prazer em servir assim que ele pagasse.”
Jim se virou de volta para o homem, balançando a cabeça. “Que tipo de lugar você acha que eu estou tocando? Isso aqui não é caridade, babaca. Paga suas bebidas como todo mundo aqui ou cai fora.”
Jade sorriu. Jim não era o melhor chefe do mundo, mas sempre protegia seus funcionários. Especialmente quando o assunto era dinheiro.
O homem resmungou algo irritado antes de puxar dinheiro do bolso. Jade pegou dele com um sorriso orgulhoso. “Obrigada, senhor. Seis bebidas saindo.”
“O quê... cadê meu troco?”
“Ah, tenho certeza que você acabou de me dizer para colocar o resto desse dinheiro no pote de gorjetas. Como desculpa por toda a confusão, né?”
O homem abriu a boca para discutir antes de fechá-la e ir embora.
Jade se virou para pegar as bebidas dele, um sorriso no rosto.
Ela serviu as bebidas e voltou para o bar. Foi até o final onde um senhor idoso estava sentado a noite toda, bebendo devagar.
“Posso te servir outro?” — ela perguntou, olhando para a quantidade minúscula de uísque que sobrava no copo dele.
Ele olhou para ela com um sorriso antes de apontar com a cabeça para o grupo de homens. “Uns caras bem ruins, hein?”
“Sempre tem uns todo dia” — ela disse, dando de ombros. “Estou acostumada.”
“Você pareceu se virar muito bem.”
“É. Como eu disse, estou acostumada” — ela respondeu com um sorriso, pegando o copo dele.
“Vou tomar mais um” — ele respondeu, estendendo dinheiro.
“Não precisa” — ela disse, fazendo um gesto com a mão. “Aqueles caras acabaram de pagar sua bebida.”
O homem riu baixinho. “Obrigado.”
“De nada. Eu daria bebida de graça para todo mundo se fossem todos como você” — ela respondeu com uma piscada.
Ele estendeu a mão por cima do balcão. “Sou o Davis.”
“Jade” — ela respondeu, apertando a mão dele gentilmente.
“Prazer em te conhecer, Jade” — ele sorriu, o rosto ganhando rugas enquanto sorria para ela. Ele era mais velho, talvez no final dos setenta.
O cabelo grisalho estava bem penteado, e ele usava o que ela podia perceber que era um terno caro. Ela via isso com frequência por ali.
Executivos vinham toda noite dos prédios comerciais altos do outro lado da rua para relaxar e tomar uns drinks.
Mas sempre agiam como se fossem melhores que os outros e como se fossem donos do lugar. Davis era gentil de um jeito avô.
“Prazer em te conhecer também, Davis” — ela respondeu. “Você trabalha por aqui ou é um dos que só passou?”
“Um pouco dos dois” — ele disse, balançando a cabeça enquanto falava. “Não trabalho tanto quanto costumava, mas tive que ir ao escritório hoje. Sempre via esse lugar do outro lado da rua, mas nunca tinha entrado.”
“Bom, fico feliz que você veio” — ela disse, colocando a bebida dele no balcão na frente dele.
“Eu também” — ele respondeu, dando um gole. “Você trabalha aqui todo dia?”
“Sim, todo dia. Geralmente faço o turno de fechamento, mas amanhã vou trabalhar à tarde” — ela respondeu enquanto limpava o balcão.
“Vai vir me visitar de novo?” — ela disse de forma brincalhona.
“Talvez” — ele disse, dando outro gole. “Provavelmente vou ter que trabalhar de novo amanhã, limpar a bagunça que ele...” — Davis parou de falar quando raiva cresceu em seus olhos. “Enfim, vamos ver.”
Jade ia perguntar sobre o trabalho dele quando ouviu alguém chamando do outro lado do bar.
“Com licença...” — ela disse baixinho antes de ir até o outro cliente.
Quando voltou, fez uma careta ao olhar para o assento vazio dele. Pegou o copo e a nota de cem dólares embaixo dele.
Ela encarou a gorjeta muito generosa com surpresa antes de olhar para cima para discutir com ele, só para ver um último vislumbre dele passando pela grande janela da frente antes de desaparecer.
Seu sorriso foi um agradecimento silencioso pela gentileza dele. Colocou a nota no bolso e continuou com a noite.












































