
Nieve & Thar'n
Author
Reads
135K
Chapters
8
Prepare-se
Nieve
“Nieve!”
A voz estrondosa do seu mestre a assustou, e ela correu para o quarto dele.
Nieve observou seu mestre andar de um lado para o outro no quarto sem paciência. Ele estava muito irritado desde que o clã visitante aceitou ficar com eles. Ele estava gritando não apenas com ela, mas também com outros dois escravos e com os próprios filhos.
“Aí está você. Onde você estava?” Ele a viu parada na porta. “Não importa. Eu preciso que você arrume os quartos de hóspedes”, ele disse de forma ríspida. “Os planos mudaram e o clã Darkiri vai chegar esta noite!”
Nieve arregalou os olhos. Nenhum dos quartos estava pronto ainda. A cidade inteira fervilhava de rumores de que os Darkiri eram um dos clãs mais ferozes.
Merda!
E ela e Rose estavam sozinhas. Um dos escravos com quem ela normalmente podia contar fora emprestado ao filho de Akila para ajudá-lo a reconstruir um telhado, e ele não voltaria por dois dias.
“Preciso dos três quartos de hóspedes prontos em duas horas.” Seus olhos eram penetrantes, quase implorando.
Nieve endireitou os ombros e lhe deu um leve aceno com a cabeça. “Faremos o nosso melhor, Mestre.”
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios do grande homem. “Eu sei, Nieve… O que eu faria sem você…”
Ela correu pelos corredores para encontrar Rose. “O que eu faria sem você…” Pfft… Talvez ele devesse chutar a bunda da filha dele! Ela era uma boa garota, mas estava apenas procurando oponentes para derrotar em combate em vez de procurar um parceiro adequado. Se ela estivesse fora de casa, administrar esta residência seria muito mais fácil e menos bagunçado.
Mas Ayli, a filha do seu mestre, não tinha intenção de encontrar um parceiro. Ela já tinha dito a Nieve em confidência que não se importava em dar à luz alguns filhotes, mas um parceiro... ela não estava procurando por isso.
Nieve encontrou Rose bem nos fundos do complexo, no jardim, cuidando das plantas e dos vegetais.
“Rose, eu preciso da sua ajuda. Os hóspedes não vêm em dois dias. Eles vêm esta noite!”
A garota se virou com uma expressão de espanto. “Você está falando sério? Então nós estamos muito fodidas! Os lençóis não estão secos, e... e os banheiros... Eu não tirei o pó nem limpei nada ainda.”
“Eu sei, eu sei.” Nieve colocou a mão no rosto. Em um gesto desesperado, Nieve esfregou as pontas dos dedos na testa, onde uma leve dor de cabeça estava se formando. “Vamos ter que dividir as tarefas. Há três aposentos que precisam ser feitos. Vamos começar pelos tecidos, depois os banheiros e, finalmente, faremos os lençóis. Você pega o quarto azul e eu pego o quarto verde. Nós faremos o quarto amarelo por último.”
“O Mestre Akila estava bravo quando te contou?” Rose perguntou enquanto elas se apressavam de volta para dentro para começar a trabalhar.
Nieve assentiu. “É estranho porque ele gosta de companhia. Os outros clãs visitantes nunca o deixam tenso assim. Mas ele se acalmou um pouco quando eu disse que faríamos o nosso melhor.”
“O que tem esse clã Darkiri? Você acha que ele tem medo deles?” Rose pareceu pensativa. “Ele nunca fala ríspido com a gente, e tem gritado até com os próprios filhos.”
Nieve não gostou da ideia de que o Mestre Akila tivesse medo de alguém. “Todos nós ouvimos que os Darkiri não são como os outros clãs. Eles são mais perigosos. O Mestre Akila é um homem decente”, disse Nieve. “Ele vai nos manter seguras.”
Elas se separaram quando voltaram para dentro. Nieve correu para arrumar o quarto verde. Ela afofou as almofadas de pelo verde no sofá verde, e renovou a bacia de água para que os hóspedes pudessem lavar as mãos. Ela tirou o pó ao redor das velas e plantas.
Cada quarto tinha os mesmos móveis, e todos os móveis e decorações foram tingidos para combinar com a cor da pintura da porta.
“Ei, você cortou o cabelo de novo?” Rose franziu a testa para ela quando se encontraram no quarto amarelo. O cabelo de Rose chegava até a cintura. Ela sempre o mantinha trançado e decorado com miçangas, penas e tiras coloridas de tecido.
“Sim. Estava ficando muito longo de novo…” Pelo canto do olho, Nieve viu Rose balançar a cabeça em desaprovação.
“Por que você não quer se misturar? Quero dizer, com esse seu cabelo curto, você se destaca.” Rose enfiou um travesseiro em uma fronha limpa.
Nieve sorriu. “Qual é, Rose. Com cabelo curto ou longo, nós sempre seremos diferentes! Somos humanas. Baixas, macias, com olhos grandes e redondos, um nariz, dentes chatos, sem presas ou garras e ainda tem a nossa pele! Desculpe estourar sua bolha, docinho, mas não importa o quanto você tente se misturar, nós sempre seremos diferentes dos Ky’Tain…”
Rose deu de ombros, conformada. “Tanto faz. Estamos ficando sem tempo. Os hóspedes vão chegar a qualquer momento.”
“Ai, meu Deus! Estou cheirando a gambá.” Nieve abaixou a cabeça e deu uma farejada. “Nossa. Vou ter que tomar um banho. Não posso servir a comida deles cheirando assim. Me ajude com estes lençóis.”
Akila
A nave do clã Darkiri havia pousado. O líder, seu filho e seu comandante haviam sido levados para o complexo de Akila. O resto dos Darkiri permaneceu dentro e ao redor da nave.
“Bem-vindo, líder de clã Ma’cté, e vocês também, Comandante Ka’bté e Comandante Thar’n… Bem-vindos à minha casa. Minhas escravas prepararam seus aposentos para tornar a sua estadia o mais agradável possível.”
Os três homens assentiram secamente para o líder do clã.
“Agradecemos pela sua hospitalidade. Peço desculpas por chegarmos cedo, mas a parceira do meu filho está prestes a dar à luz. Não queremos ficar longe mais tempo do que o necessário.”
Akila assentiu. Embora não fosse costume um pai estar presente no nascimento de um filho em seu clã, ele sabia que alguns o faziam, especialmente nos clãs mais violentos.
“Parabéns pelo novo membro da família”, disse Akila. “Parece que tudo o que ouço falar é de homens e mulheres lutando contra a infertilidade. Cada filhote que nasce é um pequeno milagre. Posso perguntar quantos filhotes você e a sua parceira têm?”
O homem assentiu com orgulho e começou a rir. “Pode perguntar sim. Se o parto correr bem, podemos esperar nosso quarto filhote em breve.”
A boca de Akila se abriu de surpresa. Quatro filhotes? Quando foi a última vez que alguém que ele conhecia teve quatro filhotes?
“Ah, muito bem então. Espero que tudo corra bem, de fato. Quatro filhotes! Você é um homem abençoado, se me permite a ousadia.”
Ka’bté sorriu, mostrando os dentes afiados. “Obrigado, líder do clã. Os Darkiri devem se considerar sortudos. A maioria de nossos homens foi pai de vários filhotes.”
O velho líder olhou para seus convidados com surpresa. Ele tinha ouvido os rumores sobre a fertilidade deles, claro — qualquer homem sabia que rumores eram apenas inventados. Mas parecia que eram verdade. “Então espero que a estadia de vocês aqui também dê frutos.”
O líder Darkiri abriu um sorriso. “Acho que alguns dos meus homens com certeza estarão preparados para isso…”
Thar’n
Akila levou seus convidados para os quartos deles. “Esta é a sua morada, líder do clã. Espero que goste dos aposentos.”
Enquanto os dois líderes trocavam gentilezas, Thar’n percebeu um odor interessante flutuando pelo corredor. O mais discretamente possível, ele tentou determinar de onde o cheiro vinha.
Seu líder entrou em seus aposentos e fechou a porta. Os dois homens restantes seguiram Akila enquanto ele os guiava para seus quartos. O quarto seguinte era de Ka’bté, e aqui também, todo o discurso de cortesia foi repetido.
O cheiro estava ficando mais forte. Thar’n teve que se forçar a não abrir a boca para sentir aquele cheiro ainda melhor.
“Você está bem, Comandante?” O velho líder do clã olhou para Thar’n.
O guerreiro assentiu. Ele estava olhando para o nada. “Minhas desculpas. Eu estava apenas perdido em pensamentos por um momento.”
Chegando aos seus aposentos, Thar’n agradeceu ao anfitrião assim como seu líder e co-comandante haviam feito, e entrou em seu quarto. O cheiro neste aposento era muito mais forte. Um arrepio correu por sua espinha. O farfalhar de lençóis veio da área de dormir. Thar’n foi na ponta dos pés para o quarto.
De repente, a porta deslizou aberta e uma pequena criatura de pele clara saiu de lá. Quase instantaneamente, Thar’n percebeu que o cheiro interessante vinha dessa fêmea humana.













































