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O Acordo de Casamento

Autor
Gallina Brindamour
Leituras
17.0K
Capítulos
79
Autor
Gallina Brindamour
Leituras
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Capítulos
79
⚔️Ação & aventura💪🏻Macho alfa💍Casamento arranjado💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪Mulheres fortes👑Realeza e aristocracia👩🏻‍🍼Mães

Forçada a um casamento destinado a garantir uma aliança, Celia Montgomery nunca conheceu a ternura. Rejeitada por sua própria família e tratada como pouco mais que uma peça de troca, ela sonha com a liberdade — com uma vida onde seja desejada, não usada. Mas quando é enviada para se casar com um laird rival, suas esperanças de fuga desaparecem em um futuro que ela jamais escolheu.

Brian Armstrong nunca se imaginou um marido. O dever, e não o desejo, o prende à noiva que ele deixou para trás. Mas quando o perigo ameaça suas terras, ele retorna para reivindicar a mulher que é sua por direito — apenas para encontrar uma esposa gentil e espirituosa que se encolhe diante das sombras e implora por sua liberdade.

O que começa como obrigação se transforma no momento em que Brian vê a verdade nos olhos de Celia: a solidão que ela esconde, a força que ela não sabe que tem e a coragem silenciosa que desperta algo feroz nele.

Mas a fortaleza guarda segredos. E alguém quer Celia morta.

À medida que as ameaças se aproximam e sua vida corre perigo, Brian se torna o único homem em quem ela pode confiar. E Celia, que nunca conheceu a segurança, vê-se atraída pelo marido que outrora temia.

Unidos pelo perigo e lentamente enlaçados pelo afeto, Celia e Brian devem decidir se o casamento deles é apenas uma aliança… ou o início de um amor poderoso o suficiente para reescrever o destino de ambos.

Capítulo 1: Prólogo

A tempestade desabou sobre a Mansão Montgomery com uma fúria que fez os ossos da casa tremerem. A chuva martelava o telhado e açoitava as altas janelas do salão principal. O trovão ecoou pelas colinas, profundo o bastante para estremecer o chão de pedra sob os pés descalços de Finella.
Cada clarão dos relâmpagos deixava as colunas de mármore brancas por um instante, mergulhando-as de volta nas sombras em seguida. Finella estava de pé, quase no centro do salão, completamente encharcada e trêmula. Seu vestido grudava em sua pele.
A água pingava das pontas de seus cabelos escuros e escorria fria pela sua nuca. Seu pulso doía onde Charles a havia apertado com muita força momentos antes, arrastando-a para dentro da chuva com fúria queimando em seus olhos.
Do outro lado do salão, Charles Montgomery estava de pé como um homem esculpido pela tempestade e pelo rancor. Seu casaco de montaria estava molhado, suas botas, enlameadas, e seu rosto, vermelho de raiva. A água da chuva pingava da aba de seu chapéu nas pedras entre eles.
Mas os olhos dele eram o que mais a assustava. Não estavam descontrolados. Estavam convictos.
“Você o trouxe até aqui”, ele disse. A respiração de Finella falhou. Charles deu um passo à frente. “Para a minha casa. Para as minhas terras. Para a minha cama.”
As palavras doeram mais do que qualquer golpe. Atrás dele, Alaric Croft saiu das sombras perto das portas. O coração de Finella deu um salto. “Não”, ela sussurrou.
Ele não deveria a ter seguido. Não deveria ter vindo. Mas ele estava ali, encharcado pela chuva e pálido sob a luz das tochas, com seus cabelos escuros grudados na testa.
Seus olhos se voltaram primeiro para Finella, cheios de medo por ela, não por si mesmo. Foi isso que quase a destruiu.
Charles viu isso. Sua boca se contorceu. “Aí está”, ele disse suavemente. “Aí está.”
Alaric ergueu as duas mãos devagar, não para se render, mas para mostrar que não carregava nenhuma arma. “Deixe-a em paz, Charles.”
Charles riu. O som foi baixo e terrível. “Você quer me dar ordens no meu próprio salão?”
“Eu peço que não a machuque.”
“Ela é minha esposa.”
“Ela é uma mulher”, Alaric disse. “Não uma posse.”
Charles se moveu tão rápido que Finella mal viu o primeiro golpe. O punho dele atingiu o queixo de Alaric, virando sua cabeça bruscamente para o lado. Alaric cambaleou, segurou-se em uma das colunas e endireitou-se novamente.
Finella gritou e correu para frente. Charles a agarrou pelo braço e a puxou para trás com força suficiente para rasgar a manga de seu vestido. Uma dor aguda atravessou seu ombro. “Você me envergonhou”, ele disse no ouvido dela. “Você me fez de idiota perante a minha própria casa.”
Alaric limpou o sangue da boca. “Ela amou antes de ter medo de você. É isso que você não suporta.”
O rosto de Charles escureceu. Por um momento terrível, Finella achou que ele fosse matar Alaric ali mesmo, sob o olhar das colunas e do céu rachado pela tempestade.
Em vez disso, Charles a empurrou em direção ao banco mais próximo. Ela bateu na madeira e caiu de joelhos. “Tirem-no da minha frente”, Charles ordenou aos guardas que esperavam perto das portas.
“Não!”, Finella gritou.
Alaric lutou contra eles. Claro que sim. Mas eram muitos, e Charles observou com fria satisfação enquanto seus homens arrastavam Alaric de costas para a tempestade. Os olhos de Alaric não se desviaram de Finella até que as portas o engolissem.
O salão ficou em silêncio, exceto pela chuva e pela respiração ofegante de Finella. Charles se virou para ela. Sua fúria havia esfriado para algo pior. Algo calculado. “Você está grávida.”
Finella paralisou. As palavras sugaram todo o ar do ambiente.
Charles atravessou o salão lentamente e parou diante dela. Suas botas deixaram pegadas de lama na pedra. “É dele?”
A mão de Finella foi para sua barriga antes que ela pudesse se conter. Charles viu. Seu rosto se contorceu.
Ela tentou falar, mas as palavras não vieram. Ele a esbofeteou. O golpe a jogou de lado contra o banco. A dor explodiu em seu rosto, forte e ardente. Ela sentiu o gosto de sangue.
Charles se agachou diante dela e agarrou seu queixo com a mão. “Você vai embora”, ele disse em voz baixa. “Você vai levar esse bastardo para bem longe daqui. E quando voltar, você me dará filhos homens.”
As lágrimas queimaram seus olhos, mas Finella não as deixou cair. “E se eu me recusar?”
O sorriso dele foi vazio e sem emoção. “Então, eu a enterrarei ao lado dele.”
O sangue dela gelou. Alaric. Charles se aproximou ainda mais. “Você acha que eu não sei para onde ele vai fugir? Acha que não sei onde os amantes se escondem quando confundem segredo com segurança?”
O coração de Finella começou a disparar. Charles a soltou e se levantou. “Você tem três dias”, ele disse. “Reze para usá-los bem.”
Então ele a deixou ali no chão frio, com a chuva ainda castigando as janelas como pedras sendo atiradas.
***
Por três dias, o quarto de Finella se tornou sua prisão. A porta continuou sendo vigiada. As janelas estavam trancadas por fora. As velas queimaram até o fim enquanto ela andava de um lado para o outro no quarto, com uma mão sobre a vida que crescia sob seu coração e a outra pressionada contra seu rosto machucado.
Nenhuma notícia veio de Alaric. Nenhum criado ousava olhar em seus olhos. Na terceira noite, quando a guarda trocou e o corredor ficou silencioso por um breve momento, Finella pegou um pergaminho de sua escrivaninha com as mãos trêmulas.
Ela escreveu sob a luz de uma única vela.
Alaric,
Ele sabe o suficiente para nos odiar, mas ainda não o suficiente para tirar o bebê de mim. Eu não posso ficar aqui. Não posso permitir que este bebê seja criado sob a crueldade de Charles, nem que ele reivindique o que nasceu do amor, do medo e do único carinho que eu já conheci.
Encontre-me ao entardecer no bosque de bétulas. Se ainda estiver vivo, venha me buscar. Se ainda resta alguma misericórdia neste mundo, venha rápido. Eu não consigo ir sozinha.
Sempre sua,
Finella
As lágrimas borraram a tinta. Ela selou a carta com os dedos trêmulos e a entregou nas mãos da única criada que ainda ousava olhar para ela com pena. “Por favor”, sussurrou Finella. “Garanta que ele a receba.”
A garota concordou com a cabeça, apavorada. Finella esperou.
***
O fim da tarde chegou sombrio e frio, o céu ainda pesado com a lembrança da tempestade. Ela ficou parada perto da janela trancada, sem poder sair, prestando atenção em qualquer som que indicasse que o guarda lá fora havia saído. Ele não havia.
O bosque de bétulas ficava além dos muros da mansão, pálido e fantasmagórico na luz que sumia. Alaric veio. Finella o viu pela pequena fresta entre as venezianas da janela. Ele se movia por baixo das árvores prateadas, com a capa bem fechada, sua respiração formando uma névoa no ar, e uma mão pressionada contra o lado do corpo, como se ainda estivesse ferido da surra.
Ele olhou em direção à mansão várias vezes. Esperando. Por ela.
Finella pressionou as duas mãos na moldura da janela. “Alaric”, ela murmurou.
Mas o bosque se moveu atrás dele. Charles saiu das sombras. Finella congelou. Nenhum som saiu de sua boca.
Alaric se virou tarde demais. A lâmina brilhou uma vez no entardecer. O grito de Finella rasgou o quarto, mas as paredes grossas o mantiveram prisioneiro.
Alaric caiu de joelhos entre as folhas caídas de bétula. Ele levantou a cabeça em direção à mansão, em direção à janela dela, como se, de alguma forma, soubesse que ela estava ali. Então Charles atacou de novo.
Finella desabou no chão, com uma das mãos tampando a própria boca. Lá fora, debaixo das árvores claras, Charles se ajoelhou ao lado do corpo de Alaric. Ele se inclinou para perto, dizendo palavras que Finella não conseguia ouvir.
Então ele o arrastou para o fundo do bosque, para fora de vista, deixando uma mancha escura por sobre as folhas. Algo dentro de Finella se quebrou naquela noite.
Mas a criança em seu ventre se mexeu. Um pequeno sobressalto. Um lembrete. Nem tudo havia morrido debaixo das bétulas.
***
Semanas depois, Finella foi mandada embora. Não publicamente. Nem com uma cerimônia. Charles não precisava dos funcionários fazendo perguntas sobre os hematomas de sua esposa ou sobre uma gravidez que ele se recusava a assumir.
Ele a mandou para o norte, sob os cuidados de uma velha parteira e dois guardas silenciosos, para um chalé de pedras cinzentas perto do litoral banhado de sal. Lá, o mar se tornou sua única testemunha.
As ondas batiam nas pedras abaixo do chalé dia e noite. Gaivotas gritavam sobre os penhascos. O vento batia contra as janelas, até que a pequena casa inteira parecia respirar de solidão.
Finella esperou por seu bebê. Ela esperou durante as náuseas, durante o medo, durante as longas noites em que o rosto de Alaric voltava em seus sonhos e as ameaças de Charles voltavam ao amanhecer. Até que, em uma manhã amarga sob o céu pálido de inverno, ela entrou em trabalho de parto.
A parteira trabalhou à luz de velas enquanto o mar rugia além das paredes. A dor tomou conta de Finella em ondas impiedosas, mas ela se agarrou ao poste da cama e se recusou a soltar. Já havia perdido coisas demais. Não perderia esse bebê também.
Perto do amanhecer, o choro de um bebê ecoou pelo chalé. Uma menina. De cabelos escuros. Pequena. E furiosa com a vida.
Finella a aconchegou nos braços e chorou. Não porque a tristeza havia diminuído. Mas porque a esperança havia sobrevivido a ela.
Ela olhou para o rostinho minúsculo do bebê, para os cílios escuros descansando nas bochechas avermelhadas, para a boquinha que se abria em outro choro indignado. “Você está aqui”, Finella sussurrou. “Você está aqui.”
A porta se abriu antes do meio-dia. Charles parou na entrada. A parteira enrijeceu o corpo. Finella agarrou o bebê contra si, com cada parte do corpo doendo, se sentindo fraca, mas ainda pronta para lutar.
O olhar de Charles se voltou para a criança. Apenas por um instante. Tempo suficiente para ver o que Finella já sabia. Os olhos de Alaric.
A boca de Charles ficou tensa. “Ela não é minha.” Finella não disse nada. “Eu não irei assumi-la”, ele declarou.
As palavras dele deveriam tê-la destruído. Em vez disso, tornaram-se um escudo. Charles olhou para o mar pela janela, já entediado com a bebê que havia escolhido odiar antes mesmo de ela respirar pela primeira vez.
“Fique com ela por enquanto”, ele disse. “Mas quando retornar à Mansão Montgomery, você lembrará do que me deve. Filhos homens, Finella. Filhos legítimos. Ou eu tirarei até ela de você.”
A ameaça pousou suavemente. Isso tornou tudo pior. Em seguida, ele se virou e foi embora, batendo a porta atrás de si.
Finella olhou para sua filha. A bebê estava quieta, com uma mãozinha fechada contra o peito de Finella, como se estivesse se agarrando a ela. “Você não é dele”, sussurrou Finella. “Você não é a crueldade dele. Você não é a vergonha dele. Você não é a punição que ele quer que você seja.”
A bebê se mexeu. Finella deu um beijo nos cabelos escuros dela. “Celia”, ela sussurrou. Esse nome lhe viera à mente meses antes, na pior fase de sua tristeza, quando precisava de algo belo para conseguir sobreviver. Um presente dos céus.
Uma vida que nasceu do amor e da perda, mas que não pertencia nem à crueldade, nem à morte.
Dias depois, quando Finella já estava forte o suficiente para ficar de pé, ela enrolou Celia em lã e voltou para o bosque de bétulas. As árvores se erguiam prateadas sob o céu pálido da manhã. A grama estava coberta de gelo.
A terra embaixo de uma velha bétula formava um montinho baixo, quase escondido pelas folhas. Finella se ajoelhou lá com a filha nos braços.
“Eu tenho uma filha”, sussurrou. O vento balançou gentilmente os galhos. “Ela tem os seus olhos.”
Celia dormiu encostada no coração de sua mãe, quentinha e respirando, seu rosto minúsculo encolhido sob o queixo de Finella. Finella fechou os olhos.
Charles continuava à sua espera. A Mansão Montgomery continuava de pé. O futuro continuava a lhe causar medo.
Mas em seus braços, Celia respirava. E naquela manhã frágil debaixo das bétulas, a esperança respirava também.

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