
O Erro do Príncipe
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Capítulo 1
Ella
Acordei às cinco da manhã, como sempre fazia. Tomei um banho e me vesti para o dia antes de encontrar minha mãe na sala de refeições da nossa pequena cabana, nos limites da vasta propriedade da coroa, para um café da manhã rápido.
“Café?”
“Isso é mesmo uma pergunta?” eu ri, antes de segurar a caneca quente nas mãos e tomar um gole. Minha mãe deu a volta na mesa e apertou meus ombros: “Feliz aniversário, bebê.”
Olhei para a minha mãe com um sorriso: “Obrigada, mãe.”
Mamãe olhou para mim com uma lágrima no olho: “É difícil acreditar que você já tem dezoito anos e logo vai embora para começar a sua própria vida.” Sophie balançou a cabeça, forçando as lágrimas a irem embora.
“Então, hoje de manhã, eu faço os pães se você fizer o molho e cozinhar os ovos,” ela afirmou enquanto saíamos pela porta em direção ao palácio principal, o sol nem mesmo despontando no horizonte ainda naquelas primeiras horas da manhã.
“Fechado,” eu respondi, bocejando.
Minha mãe, Sophie, era a cozinheira principal da família real. Ela comandava a cozinha do palácio e planejava três refeições por dia, sete dias por semana, para quem quisesse vir. Ela era uma cozinheira incrível, e uma das funcionárias mais respeitadas da casa, principalmente porque ninguém quer ficar do lado ruim das cozinheiras.
Eu, por outro lado, estava no último ano do ensino médio e não era nem um pouco respeitada.
“Não se esqueça, depois da escola preciso que você me ajude a começar a planejar o banquete da semana que vem!” minha mãe gritou enquanto eu corria para pegar o ônibus.
Eu estava atrasada de novo, ter que ajudar a limpar a cozinha antes da escola quase sempre me fazia perder o ônibus. Eu o peguei hoje, para a minha surpresa. Sentei perto da frente e soltei um suspiro, nunca me animando para um dia na escola com um bando de babacas ricos.
Quando desci do ônibus, entrei na escola e abaixei a cabeça na mesma hora, esperando passar pelos corredores sem ser notada esta manhã.
“Ora, se não é a aniversariante,” Mariah falou alto por trás.
Eu me virei, mantendo minha voz fria e calma: “Oi, Mariah.”
“Você tem dezoito anos agora, sabe o que isso significa,” uma de suas seguidoras disparou com maldade.
“Ah, será que a zé-ninguém acha que vai conseguir um casamento?!” Mariah zombou. Ela era filha do braço direito do Rei e autoproclamada princesa da escola.
Dei um sorriso que não foi nem um pouco genuíno e o sinal tocou. “Foi um prazer, como sempre, meninas. Obrigada pelos desejos de aniversário.” Eu me virei e andei até o meu armário. Pegando meus livros, fui para a minha primeira aula, que felizmente terminou sem incidentes. Na verdade, consegui chegar até a hora do almoço sem ser incomodada.
“Feliz aniversário para mim,” eu ri baixinho com esse pensamento.
“Sai da frente.”
Fechei os olhos e soltei a respiração antes de me virar, abaixando a cabeça em submissão enquanto o fazia.
“Com licença...” murmurei enquanto saía do caminho e ela passou por mim, abraçando Zane, príncipe e herdeiro do trono. Meus olhos se levantaram e encontraram os dele; lembranças que eu pensava terem sido banidas para o fundo da minha mente surgiram de anos atrás.
“Você.”
Olhei para cima e vi Zane de pé acima de mim. “Príncipe Zane, eu—” Eu parei de falar quando nossos olhos se encontraram. Senti meu corpo inteiro se eletrizar e prendi a respiração. Ele sempre fora devastadoramente bonito.
Zane quebrou o silêncio. “Ella, eu não vou me casar com você.”
“Eu não sabia que a gente tinha muita escolha?” perguntei sarcasticamente, minha mente voltando à conversa que nossos pais tiveram conosco há alguns dias, informando-nos sobre nosso casamento arranjado.
Zane olhou para mim com o rosto fechado e eu percebi meu erro. Abaixei a cabeça de novo em submissão: “Me desculpe, Vossa Alteza.”
Ele estava prestes a falar de novo quando fomos interrompidos por Mariah e seu bando de seguidoras.
“Aí está você, bebê!” Ela se aproximou e depois recuou. “O que está acontecendo?”
“Deixe a gente em paz, Mariah.”
Ela olhou para nós dois de cima a baixo e depois começou a rir alto. “Espera... VOCÊS DOIS?! Meu pai chegou em casa murmurando sobre a ideia do rei de um casamento arranjado, mas eu nunca teria imaginado. Nossa, Lady Ella, você sonha alto, não é? Zane é MEU, sua puta.” Mariah me deu um tapa e eu encolhi com o contato, minha bochecha ardendo um pouco.
“Mariah, saia!” Zane gritou. Olhei para ele, nossos olhos se encontrando, e por um segundo achei ter visto preocupação em seu rosto.
“Mas bebê... ela é—” Mariah parou de falar quando Zane virou seu olhar furioso para ela. Ela saiu batendo o pé, deixando-nos sozinhos.
“Se você vai cancelar o acordo, então faça isso,” falei de forma desafiadora antes de olhar para baixo novamente. “Eu prefiro não perder o meu tempo.”
Mas quando o silêncio continuou a preencher o ar ao meu redor, olhei para cima e Zane tinha ido embora.
“Ótimo...” murmurei para mim mesma. “EXATAMENTE o que eu precisava hoje.” De todas as pessoas para quem ser vendida, eu tinha que pegar Zane Davis, Príncipe de Juria. Ele não era um cara horrível, mas também não era exatamente incrível.
Quando o sinal tocou, segui para a minha próxima aula do dia quando fui empurrada por trás.
“Nós não terminamos aqui,” a voz de Mariah era baixa e fria.
“Mariah,” comecei enquanto me levantava do chão, “ele obviamente não vai levar o casamento comigo adiante, então pare.”
“Claro que não vai! Porque por que diabos um príncipe iria querer você?” Ela disparou. “Você não é nada além de uma zé-ninguém quase refinada!”
“Exatamente. Ninguém me quer.” Eu me virei para ir embora, tentando ao máximo lutar contra as lágrimas que ameaçavam cair. Eu não queria admitir que estava magoada pelo fato de estar tão chateada com um acordo que eu nem sequer queria.
Eu me tirei da lembrança de anos atrás e dei de ombros enquanto saía do refeitório para o lado de fora, indo até um banco onde era mais provável que me deixassem em paz.
Voltei para casa e fui surpreendida com um bolo e um pequeno presente. Mesmo que agora estivéssemos no fundo da hierarquia social, minha mãe sempre era alegre e gentil.
“Eu amo você, querida,” minha mãe me abraçou enquanto limpava tudo antes de irmos para o palácio para terminar nosso trabalho do dia.
Enquanto mandava os últimos pratos do jantar da família real, encostei no balcão com um suspiro. Olhei para a minha mãe com um sorriso triste. Ela estava tão cansada e sobrecarregada, algo a que ela nunca estivera acostumada até alguns anos atrás, quando caímos em desgraça com a família real e nosso mundo desabou.
Eu havia sido criada como uma dama, meu pai era um dos queridinhos do Rei e da Rainha, e cresci mimada e confortável.
Quando meu pai morreu, minha mãe descobriu o quão rápido se pode cair em desgraça quando ela, ainda de luto pelo meu pai e seu amor, rejeitou uma proposta de casamento de outro dos favoritos do Rei.
O Rei, pelo que eu me lembrava, era um homem gentil, mas nunca alguém que fizesse mais do que o necessário pelos outros. Quando nossa casa foi tomada e o dinheiro acabou, minha mãe fez a única coisa que podia fazer: recorrer ao Rei. Ele mal olhou para ela antes de lhe oferecer um lugar como chefe de suas cozinhas, o que ela aceitou sem pensar duas vezes. Qualquer coisa para nos manter com teto e comida.
E assim, nos últimos quatro anos, minha mãe trabalhou como escrava dia e noite para alimentar a família real enquanto eu terminava a escola. E então, quando eu me formar, eu vou assumir meu lugar nas cozinhas ao lado dela.














































