
O Legado Real 3: À Luz da Lua Prateada
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Um Encontro na Irlanda
Livro 3: Pela Luz da Lua Prateada
FOX
“Você acha que já estamos bêbados o suficiente para essa reunião?” meu gamma, Stone, me perguntou enquanto virava mais um uísque no bar do aeroporto.
“Nós somos lobisomens. Esse álcool é incapaz de nos deixar bêbados o suficiente para qualquer coisa, muito menos para o Alpha Torrin,” eu resmunguei, empurrando meu copo pelo balcão do bar.
“Eu ouvi dizer que esse cara é bem complicado,” Stone disse.
“É, bem, eu não tive muita escolha a não ser aceitar a reunião. Como uma das últimas matilhas que restaram na Europa, ele tem direito a um certo apoio da nossa parte,” eu disse. Suspirei, aceitando outra bebida do barman.
“Eu entendo isso, mas a gente precisava mesmo voar dez horas até a Irlanda?” Stone ergueu uma sobrancelha para mim.
“Ele nunca sai do país.” Eu dei de ombros, pegando minha mochila. “Vamos lá antes que eu encontre alguma bebida que realmente nos deixe bêbados o suficiente.”
Paguei nossa conta superfaturada enquanto Stone encontrava nosso motorista.
O Alpha Torrin liderava a única matilha de lobisomens da Irlanda. Os julgamentos das bruxas podiam ser mentira, mas as caças aos lobisomens não eram.
Centenas de anos atrás, humanos, liderados por vampiros e bruxas, organizaram o massacre de quase todas as matilhas de lobos na Europa.
Como resultado, as matilhas que restaram eram extremamente pretensiosas e superambiciosas.
Estavam famintas por poder e aterrorizadas de perder o pouco que tinham.
Eles viviam totalmente escondidos e separados dos humanos, como se preservados no bom e velho século dezoito. Acreditavam nos costumes e leis tradicionais dos lobisomens, incluindo banquetes formais e bailes, duelos pelo cargo de alpha, e servidão.
E nem me faça falar sobre o que eles achavam dos direitos das mulheres e da igualdade.
A reclusa matilha irlandesa me procurou algumas semanas atrás a respeito de um tratado entre nossas matilhas.
O Alpha Torrin alegou que estava sendo encorajado por sua matilha a entrar em uma era mais moderna de liderança. Ele queria meus conselhos e sugestões sobre como uma matilha americana era administrada.
Mas eu desconfiava das intenções dele.
“Ferra ficou puta por você ter escolhido me trazer para a reunião em vez dela, sabia?” Stone me informou enquanto entrávamos no carro que o Alpha Torrin nos providenciou.
“Eu não a queria em nenhum lugar perto desse cara ou dos membros da matilha dele. Além disso, ela deveria se sentir honrada por eu estar deixando a matilha no comando dela neste fim de semana.” Eu suspirei.
Ferra não era apenas a minha beta, mas também a minha irmã gêmea e, além disso, a companheira de Stone.
Eu o tratava como meu beta no lugar da minha irmã noventa e nove por cento do tempo.
Mas dessa vez foi diferente.
“Ah, você não precisa justificar sua escolha para mim. Eu concordo. Só estou avisando com o que você vai ter que lidar quando chegarmos em casa.” Stone riu.
“Que gentil da sua parte,” eu disse.
“Você vai ficar de cara amarrada a viagem toda, não é?” Stone perguntou.
“Nós vamos embora amanhã,” eu resmunguei.
“Porra, eu topo ir embora hoje à noite. A diferença de fuso horário deve nos dar alguma vantagem, certo?” Stone disse.
“Não acho que é assim que funciona, Stone.” Olhei de soslaio para o meu gamma, que apenas deu de ombros.
“Deusa, onde diabos fica esse lugar? No fim do mundo?” Stone perguntou depois de dirigirmos pelo que pareceram horas.
Estávamos nas profundezas da floresta, dirigindo por curvas sinuosas e em caminhos que só vagamente poderiam ser chamados de estradas.
“Acho que escondido significa escondido mesmo,” eu disse.
“Parece que a gente está no meio de um filme de terror.” Stone era um grande dramático.
“Relaxe, Stone. O Alpha Torrin é incompetente, mas duvido que até ele seja tão estúpido.”
“O que você acha que esse cara realmente quer?” Stone perguntou, recostando-se no banco.
Eu dei de ombros.
“Não faço ideia, mas duvido que seja coisa boa e duvido que eu vá concordar com isso.”
“O que o seu pai acha disso?” ele perguntou.
“Ele disse para eu não vir,” respondi.
Meu pai era um homem bastante tradicional, mas de mente muito aberta.
Ele estava ansioso para abrir mão do título de alpha quando eu fiz dezoito anos, para poder passar mais tempo com minha mãe e meus irmãos.
Ele era absolutamente louco pelo laço de companheiros e adorava a minha mãe.
Isso deixava meus irmãos e eu excessivamente ansiosos em encontrar nossos próprios companheiros.
Até agora, só a Ferra tinha tido essa sorte.
“Eu imaginei,” Stone disse.
“Ele não acha que haja quaisquer benefícios em formar uma aliança com a Irlanda. Não discordo, mas preferia saber o que ele quer a ser pego de surpresa por uma emboscada,” expliquei.
“Você acha que ele está armando um ataque?” Stone perguntou.
“Eu não sei o que pensar,” admiti.
“Bom, vamos descobrir. Olha, aquela deve ser a casa da matilha.” Stone se inclinou para frente no banco enquanto olhava pela minha janela.
Estávamos descendo por uma longa e sinuosa entrada e paramos em um portão alto de ferro.
De ambos os lados do portão, cercando a casa da matilha, havia um muro alto de pedra.
Uma vez do outro lado do portão, demos de cara com um castelo medieval.
Era feito de pedra escura e arquitetura gótica.
“E você me chama de dramático,” Stone disse maravilhado enquanto admirávamos essa suposta casa da matilha. “Este lugar faz a nossa casa da matilha parecer uma casa minúscula,” ele acrescentou.
“Feche a boca, Stone, não estamos aqui para lisonjeá-los,” resmunguei, saindo do carro.
Stone deu a volta no carro e se juntou a mim assim que a porta do castelo se abriu.
Um homem alto e pálido com olhos sem brilho e cabelos loiro-acinzentados desceu as escadas e se juntou a nós na entrada de pedra.
“Alpha Finn, é um prazer tê-lo aqui,” o homem disse, estendendo a mão para mim. “Eu sou o Alpha Torrin.”
Eu apertei a mão dele.
“Esse é o Stone, meu gamma,” eu disse.
Torrin pareceu surpreso ao ver que eu tinha trazido meu gamma em vez de minha beta, mas ele não disse nada a respeito.
“Por favor, entrem.” O sorriso de Torrin era tão falso quanto a sua educação.
Os empregados abriram as portas pesadas para a gente.
Eu os observei com curiosidade, notando as olheiras fundas e a derrota em suas posturas. Isso os fazia parecer fracos.
Torrin nos levou ao seu escritório e nos apresentou ao seu beta, Collins, e ao seu gamma, Patrick.
O escritório dele era tão impressionante quanto o castelo, admito, mas era tudo para se mostrar.
Nenhum poder real vinha do forte acabamento em mogno, dos detalhes delicados ou dos móveis caros.
“Nós vamos dar um jantar hoje à noite em sua honra, Alpha Finn,” Torrin disse.
“Não estamos interessados em nenhuma festividade, Alpha Torrin. Temos negócios importantes para tratar em casa. Estamos aqui apenas pela noite para ouvir suas preocupações,” respondi severamente.
“Claro, Alpha, eu entendo.”
Antes que o Alpha Torrin pudesse continuar, um cheiro doce tomou conta da sala.
Cheirava a chuva de verão e champanhe de framboesa.
Respirei fundo e fiquei tenso na cadeira. Stone me olhou de soslaio, erguendo a sobrancelha em questionamento, mas eu fiquei sem palavras.
A mulher mais linda que eu já tinha visto saiu timidamente de trás das cortinas. Ela parecia estar se escondendo contra a janela, abrigada pelas cortinas longas e pesadas.
Ela usava um vestido azul sujo e um avental branco, parecendo uma Cinderela baixinha. O rosto dela em formato de coração estava opaco e sem vida, fazendo com que parecesse ainda mais derrotada do que os porteiros.
Meu coração foi parar nos pés. Ela tinha olhos grandes, redondos e verdes que ansiavam por brilhar e reluzir.
Seus lábios cheios estavam caídos em uma carranca permanente, tornada aparente pelas linhas de expressão em suas bochechas gordinhas. Ela tinha cabelos castanho-avermelhados escuros presos em um coque desgrenhado.
E, mesmo assim, ela era maravilhosa.
O Alpha Torrin gritou alto com a mulher pequenininha, “O que diabos você está fazendo aqui, garota?”
Ela devia ter apenas cerca de um metro e meio de altura, pequena demais para ser uma lobisomem. Seu rosto se contorceu em desgosto e medo enquanto ela recuava tropeçando diante do avanço de Torrin.
Estudei o rosto dela procurando medo, mas não encontrei nenhum. Ela era desafiadora e forte.
Torrin avançou rapidamente sobre ela, agarrando seu braço com firmeza e atirando-a para o lado. Ela bateu na parede, e o som me tirou do meu transe.
Eu rugi ferozmente, cruzando a sala em um único passo. Agarrei Torrin pela garganta e o atirei pelo próprio escritório, plantando-me na frente da bela criatura com olhos verdes e cabelos avermelhados.

















































