
O Legado Real: O Beta e Sua Bruxa
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Capítulo 1
O Beta e sua Bruxa: A História de Ethan e Sybil
Ethan dormia profundamente em um motel barato quando seu telefone começou a tocar alto na mesa de cabeceira. Ele resmungou, virando de lado e batendo na tela até finalmente conseguir apertar o botão verde.
“Alô?” A voz dele soava áspera e seca.
“Ethan?” O cara do outro lado da linha riu, provavelmente de como a voz de Ethan soava mal.
“August, é você?” Ethan se apoiou em um cotovelo, esfregando os olhos.
“Sim, sou eu. Você está bem?” August perguntou.
“Fiquei fora a noite toda. Quase não dormi.” Ethan olhou para o relógio semicerrando os olhos. Já passava das duas da tarde. Merda.
“Desculpe por acordar você, mas tenho novidades.” August parecia feliz demais para aquele horário.
“O que foi?” Ethan se sentou, a cama do motel rangendo sob ele.
“Josie teve nosso filho ontem à noite. Kade Johnathan Hayes. O futuro Alpha da Crescent Moon.” A voz de August estava cheia de orgulho, e Ethan quase podia sentir isso através do telefone.
“Isso é incrível, cara! Parabéns.” Ethan sorriu, subitamente bem acordado. “Como a Josie está? E o bebê?”
“Eles estão ótimos. Josie foi uma campeã. A única coisa que faltou foi o tio Ethan.” August soltou um suspiro, e o peito de Ethan se apertou de culpa.
“Eu sei, cara. Me desculpe. Achei que estava perto hoje, mas ela escapou de novo. Você quer que eu volte para casa?” Ethan franziu a testa, já se preparando para a resposta.
“Não, não volte até encontrá-la. Eu entendo, Ethan. Se fosse a Josie, eu faria a mesma coisa. Kade estará aqui quando você trouxer a tia dele para casa.” A voz de August soou suave, e Ethan se sentiu um pouco menos sozinho.
“Obrigado, August.” Um grande alívio tomou conta dele. Saber que August ainda o apoiava significava tudo.
“Vá dormir um pouco, está bem? Falo com você depois.” August deu uma risada baixa e desligou.
***
Já fazia cinco longos meses desde que Ethan descobrira quem era sua companheira — uma bruxa do exército que Victoria trouxe para as terras da matilha Crescent Moon. A maioria daquelas bruxas tinha sido forçada a lutar, e elas se renderam no instante em que Victoria morreu.
Ethan tinha certeza de que sua companheira era uma delas. Ela fugiu no instante em que perceberam que eram companheiros.
Depois que a poeira baixou, Ethan partiu com Mayze — a bruxa boa — para tentar encontrá-la. Mas, eventualmente, eles se separaram.
Agora, Mayze ligava de vez em quando com uma nova pista, usando sua magia para rastrear a bruxa fugitiva. Ethan largava tudo e dirigia para qualquer cidade ou estado que Mayze indicasse.
Cada pista era sólida. Os instintos de beta e as habilidades de rastreamento de Ethan captavam o traço mais fraco do cheiro de sua companheira. Seus sentidos estavam sempre em alerta máximo, mas ele estava sempre um ou dois dias atrasado.
Sempre perseguindo, mas nunca a alcançando.
Agora mesmo, ele estava em algum lugar de Michigan, congelando a bunda enquanto tentava seguir o cheiro dela pelas florestas cobertas de neve. O rastro era antigo — ela já tinha ido embora havia dias.
Jesse, seu lobo, mal conseguia se segurar, desesperado até mesmo pelo menor cheiro de sua companheira. Esse desespero tornava Ethan mais perspicaz, mais determinado, mas nunca era o bastante.
A pior parte? Ethan nem sabia o nome dela. Ele não sabia qual era a sua aparência.
Ele só tinha captado o cheiro dela no campo de batalha, Jesse puxando-o na direção dela, mas ela o sentira e fugira. Tudo o que ele viu foi a sombra dela enquanto desaparecia entre as árvores.
Ethan resmungou, rolando para fora da cama e arrastando as cobertas com ele. Ele foi tropeçando até o banheiro minúsculo e se enfiou no chuveiro.
Três horas de sono era o normal ultimamente. Ele não se importava. Ele ficaria sem dormir para sempre se isso significasse encontrá-la.
Ele tomou um banho rápido, depois enfiou suas coisas na mochila. Ele saiu do quarto do motel e entrou em seu Jeep Wrangler preto, que já tinha visto mais do país do que a maioria das pessoas veria na vida.
Ele jogou sua mochila no banco de trás e saiu do estacionamento. Jesse tinha perdido o rastro indo para o norte, em direção ao Canadá. Então era para lá que Ethan estava indo — para o norte, no frio, perseguindo a esperança.
Ethan estava grato por ter lembrado do seu passaporte. Passar pelo controle da fronteira foi muito fácil — graças à Deusa pelos pequenos milagres.
Ele deixou os instintos de Jesse o guiarem enquanto dirigia por estradas sinuosas e vazias, do tipo que fazia você se sentir a única pessoa que restava no mundo.
Ele finalmente chegou à Matilha Green Mountain. O lugar parecia ter saído de um cartão-postal, todo de cabanas de madeira e pinheiros.
Os guardas fizeram sinal para ele entrar, e ele estacionou na frente da maior cabana. O Alpha Quinton e sua luna, Michelle, esperavam por ele na varanda, agasalhados contra o ar frio da montanha.
Ethan estremeceu ao sair do Jeep, desejando ter trazido uma jaqueta mais grossa. Ele subiu os degraus rapidamente, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
“Obrigado por me deixarem entrar, Alpha, Luna. Eu sou o Beta Ethan da Crescent Moon em Rhode Island.” Ele ofereceu a mão, esperando não parecer tão nervoso quanto se sentia.
A Luna Michelle sorriu de forma amigável. “Vamos entrar, Beta Ethan.”
A sala de estar era aconchegante, com uma lareira de pedra enorme onde o fogo crepitava. Ethan sentiu seus ombros relaxarem um pouco ao se afundar no sofá.
“Os guardas disseram que você está procurando sua companheira?” O Alpha Quinton perguntou, com a voz calma.
“Sim, deixem-me explicar…” Ethan começou a contar sua história. Ele a contara tantas vezes nos últimos cinco meses que provavelmente poderia recitá-la dormindo.
Ele tinha viajado de costa a costa, parando em todas as matilhas que conseguiu encontrar. A cada vez, as pessoas escutavam, ofereciam ajuda e prometiam ficar de olho.
Ninguém parecia se importar com o fato de sua companheira ser uma bruxa. A bondade que ele encontrara ao longo do caminho o fez pensar em como o conselho podia ser tão cheio de ódio, quando todos os outros só queriam ajudar.
O Alpha Quinton se inclinou para frente. “Na verdade, Beta Ethan, um coven de bruxas pediu para se estabelecer logo fora das nossas terras, montanha acima. A mãe do coven e suas duas discípulas vieram até nós, assinaram um acordo de paz, e nós deixamos que elas se estabelecessem a uns oito quilômetros ao norte daqui.”
O coração de Ethan bateu mais rápido. Finalmente, uma boa notícia.
“Você poderia me dar as direções?” ele perguntou, tentando não parecer muito desesperado.
O Alpha Quinton abriu um sorriso. “Vou fazer algo melhor. Meu beta vai levar você direto até elas. A Mãe Bruxa pareceu muito gentil — ela vai ajudá-lo, mesmo que sua companheira não esteja lá.”
Ethan não conseguiu deixar de sorrir. “Muito obrigado, Alpha.”
O Alpha Quinton apertou a mão de sua luna. “As coisas que fazemos por nossas companheiras, não é?”
***
Cerca de uma hora depois, Ethan estava de volta ao seu Jeep, desta vez com o beta da Green Mountain, Lance, no banco do passageiro. A viagem foi silenciosa no início, com a floresta se fechando em ambos os lados da estrada.
“É muito legal da parte do seu alpha deixar você ir nessa busca,” Lance disse, olhando para ele.
Ethan riu. “Meu alpha é um cara muito legal.”
Lance deu um sorriso de lado. “O meu ficaria louco se eu fosse embora.”
Ethan abriu um sorriso. “Sinceramente, se August não tivesse encontrado sua luna — e ela é incrível, a propósito — eu provavelmente também não conseguiria sair. Ela é como um segundo alpha.”
Lance soltou um riso pelo nariz. “O que os alphas fariam sem seus betas e lunas?”
“É verdade,” Ethan disse, balançando a cabeça.
De repente, Lance sentou mais reto e apontou. “Ah, é ali.”
Ethan apertou os olhos. “Onde? Eu não vejo—”
Antes que ele pudesse terminar, o Jeep atravessou algo invisível, e de repente um acampamento inteiro apareceu do nada. Tendas, jardins e uma pequena casa de campo, tudo escondido por magia.
Ethan gemeu. “Espera, é sério? Bolhas mágicas invisíveis existem? Eu poderia estar bem ao lado da minha companheira e nunca saber?”
Lance riu. “Não é comum, mas sim. Pare aqui. Alguém virá nos buscar.”
Ethan estacionou, e ambos desceram. Duas mulheres se aproximaram — uma mais velha, com longos cabelos grisalhos e uma coroa de flores, e uma mais jovem com longos cabelos loiros.
“Beta Lance, seja bem-vindo,” a mulher mais velha disse, com um sorriso gentil. “Quem é seu convidado?”
“Este é o Beta Ethan, de uma matilha nos Estados Unidos,” Lance disse. Ethan baixou a cabeça com educação.
“Eu sou a Mãe Bruxa do coven, e esta é minha filha, Rhea,” a mulher mais velha disse. “O que o traz aqui, Beta Ethan?”
Rhea deu um passo à frente, com os olhos brilhantes. “Ele sente falta de alguém. Alguém muito importante.” Ela esticou a mão e tocou no braço de Ethan, e seus olhos verdes começaram a brilhar.
Por favor, que seja isso. Que ela saiba de algo. Deixe-me finalmente encontrar você.
“Rhea tem a Visão. Ela pode sentir as emoções e os pensamentos mais profundos das pessoas,” a Mãe Bruxa explicou, com a voz suave, mas firme.
As mãos de Ethan estavam cerradas ao lado do corpo. “Estou procurando minha companheira. Ela é uma bruxa, mas não sei o nome dela ou qual é a sua aparência. Ela estava seguindo uma bruxa das trevas — Victoria — que atacou nossa matilha. Ela fugiu antes que eu pudesse falar com ela. Não acho que ela estava com Victoria por vontade própria. Eu só quero conhecê-la. Estou procurando por ela há cinco meses.”
Suas palavras saíram apressadas, de forma desesperada e muito sincera.
Os olhos de Rhea piscaram com um sentimento que Ethan não sabia explicar. “O nome da sua companheira é Sybil,” ela disse em voz baixa.
Ethan paralisou. Sybil. O nome dela é Sybil.
“Como… como você sabe disso?” A voz dele tremeu.
O olhar de Rhea era gentil, quase triste. “Eu posso vê-la através da sua alma. Você gostaria de vê-la também?”
“Sim. Por favor.” Ethan tentou soar calmo, mas a esperança estava estampada em todo o seu rosto.
Os olhos de Rhea brilharam mais fortes, quase de forma antinatural. Ela pressionou o polegar na testa de Ethan e, de repente, uma visão passou pela mente dele — tão vívida que o deixou sem ar.
Ele viu uma bela mulher com cabelos curtos e castanhos ondulados, e grandes olhos azuis como o oceano. Sua pele era quente e de um tom castanho-dourado, suas bochechas cheias e redondas. Ela parecia forte e, ao mesmo tempo, de partir o coração de tão vulnerável.
Então, Rhea deu um passo para trás e abaixou a mão. A imagem desapareceu.
“Você sabe onde ela está?” Ethan perguntou sem fôlego.
“Não está aqui,” Rhea respondeu. A resposta dela foi pouco clara e causou frustração.
Ethan implorou, “Por favor. Eu só quero a minha companheira.”
Rhea soltou um longo suspiro, os olhos se suavizando. Ela parecia estar procurando por algo dentro dele.
“Ela está viajando sozinha, evitando covens. A bruxa das trevas que você mencionou — ela machucou Sybil. Agora Sybil não confia em ninguém. Ela é poderosa, com a Visão como eu, e é forte com feitiços.
“Ela sabe que você a está seguindo e tem despistado você, enviando seu cheiro em direções diferentes. Ela foi para o sul, e não para o norte, a partir da sua última localização.”
O coração de Ethan se apertou. “Ela está me afastando de propósito?”
“Sim. Mas a magia dela não é mais forte do que o laço de companheiros — ou a sua persistência. Seu lobo o tem guiado, lutando contra os encantos dela, mantendo você perto,” Rhea disse, com a voz gentil.
Ethan suspirou. “Eu não quero machucá-la. Eu só quero protegê-la. Eu só quero a minha companheira.”
Rhea assentiu, com uma expressão cheia de compreensão. “Eu posso sentir sua honestidade, Beta. Mas Sybil foi traída e machucada muitas vezes. Ela não consegue imaginar nada de bom vindo de um companheiro — especialmente um lobisomem. Você é o companheiro de segunda chance dela.”
As palavras atingiram Ethan com muita força. Companheiro de segunda chance.
“Eu sou?” ele sussurrou.
Os olhos de Rhea estavam tristes. “Eu não sei o que aconteceu com o primeiro companheiro dela, mas não foi bom. Ela está sofrendo muito lá no fundo. Encontrá-la não será fácil, e convencê-la a confiar em você será ainda mais difícil.”
O maxilar de Ethan se apertou. “Eu não me importo com o tempo que vai demorar ou quão difícil vai ser. Eu farei qualquer coisa por ela.”
Rhea sorriu só um pouco. “Eu acredito em você.” Ela se virou para a Mãe Bruxa. “Ele é digno. Ele precisa da nossa ajuda.”
A Mãe Bruxa suspirou, depois assentiu. Ela enfiou a mão no bolso fundo de sua túnica grossa e puxou um pingente — um rubi engastado em ferro antigo.
Ela o entregou para Rhea, que fechou a mão ao redor dele. Seus olhos e punho brilharam, e então ela estendeu o pingente para Ethan.
“Pegue isto. Vai brilhar em vermelho quando você estiver indo no caminho certo. Quanto mais perto você chegar da sua companheira, mais brilhante e quente ficará,” Rhea disse, colocando o rubi na palma da mão de Ethan.
Ethan fechou a mão ao redor do pingente, segurando-o contra o peito. “Obrigado. Estou muito grato. Se um dia precisarem de algo, eu devo uma a vocês.”
Os olhos da Mãe Bruxa eram gentis, mas sérios. “Sua dívida será paga quando você salvar nossa irmã de seu caminho sombrio.”















































