
O Legado Real Prelúdio: Ancestrais Reais
Author
Reads
190K
Chapters
13
Prólogo
The Royal Legacy Prequel: Royal Ancestors
1920
Ela caminhou na ponta dos pés pelos grandes corredores do castelo, o eco de seus saltos batendo no chão de pedra e reverberando pelos tetos altíssimos. Seu vestido e capa, uma mistura de tons azuis, fluíam atrás dela como uma cachoeira, o tecido fino capturando a luz das velas espalhadas ao redor. Seu cabelo escuro estava escondido sob o capuz da capa, e sua coroa, mais parecida com uma tiara, brilhava sob a luz quente.
Em sua mão, ela segurava um candelabro, sua luz trêmula lançando longas sombras pelo corredor deserto. Janelas em arco pontuavam as paredes, permitindo que a fraca luz do sol entrasse. O reino era conhecido por sua chuva constante, o sol muitas vezes escondido atrás de um manto de nuvens grossas e cinzentas.
Enquanto ela andava, seus seios fartos balançavam dolorosamente, e suas feridas não curadas latejavam, vazando sangue fresco. Em sua outra mão, ela apertava um feixe de cobertores, segurado contra o peito como se sua vida dependesse disso.
“Vossa Alteza!” uma voz sussurrou das sombras, e ela virou o candelabro na direção dela.
“Joanna!” ela suspirou aliviada, reconhecendo a esposa de um dos seus guardas reais.
“Rápido, por aqui.” Joanna fez um sinal urgente, levando-a para um corredor escuro.
“Onde estão os outros?” ela perguntou, com a voz trêmula.
“Eles estão seguros. Elisa, Marybelle e Noelle estão com as crianças e fugindo neste exato momento. Eu esperava encontrar a senhora e Austin.” Os olhos de Joanna vasculharam os arredores, procurando o menino.
“Austin...” Ela engoliu um soluço, sua mão voando para a boca. “Ember é a nossa única esperança,” ela conseguiu dizer, recuperando a compostura.
“Ember?” Joanna repetiu, com a confusão estampada em seu rosto.
Puxando o cobertor para trás, ela revelou o rosto pequeno e rosado de sua filha recém-nascida. Joanna ofegou.
“A senhora teve o bebê?”
“Sim, mas mantivemos em segredo. Arlo e eu suspeitávamos de um complô contra a coroa, então escondemos a gravidez e o nascimento dela. Ela é a única esperança do nosso reino, você precisa levá-la.” Ela empurrou o pacote para os braços de Joanna.
“Mas Vossa Alteza, a senhora precisa vir também!” Joanna tentou pegar a mão dela, mas ela se afastou.
“Não, eu preciso ganhar tempo para vocês. Eles estão atrás de mim e vão seguir o meu cheiro. Minhas feridas ainda estão recentes, eles vão me encontrar com facilidade. Eu vou levá-los para longe dos túneis enquanto você foge. Por favor, Joanna, mantenha a minha filha a salvo. Ela é o futuro dos lobisomens,” ela implorou, apertando a mão de Joanna com força.
“Vossa Alteza... Beatrice.” A voz de Joanna falhou, lágrimas enchendo seus olhos.
Beatrice sorriu, abraçando Joanna e beijando a testa da filha.
“Está tudo bem, Joanna. Eu vou estar com Arlo logo. Nós vamos ficar juntos, como deve ser, e a nossa filha será livre. Um dia, nós vamos nos erguer de novo e recuperar o que é nosso. A Deusa da Lua vai nos favorecer e nos conceder a nossa vingança,” Beatrice sussurrou, abraçando Joanna pela última vez.
“Nós vamos criar a princesa como a senhora e o rei fariam, Majestade,” Joanna prometeu.
“Não, ela não deve saber de suas origens. Ela não pode saber que é uma princesa ou quem são os seus pais. Você precisa encontrar um lugar seguro para ela, com pais amorosos. Deixe-a com eles, com apenas uma instrução: amar e proteger o bebê. Você entende, Joanna?” Beatrice perguntou, com o tom firme.
Joanna não entendia por que a criança não podia saber sua verdadeira identidade ou quem eram seus pais, mas ela sabia que não devia questionar sua corajosa rainha, então apenas concordou com a cabeça.
“Eu entendo, e eu prometo,” ela jurou.
“Agora, vá. Rápido,” Beatrice disse, olhando para sua bebê pela última vez antes de empurrar Joanna.
Joanna saiu correndo da presença da rainha antes que uma única lágrima pudesse escapar, disparando pelos corredores labirínticos do castelo em direção à porta escondida que levava aos túneis subterrâneos. Ela tinha sabiamente trocado seus saltos altos por sapatos baixos, o que permitiu que fugisse pelo castelo sem ser notada.
Ela estava enrolada em uma capa pesada para se proteger do vento cortante lá fora, e seu vestido de lã cinza se misturava perfeitamente com os arredores. Ela apertava o pacote de cobertores com a princesa contra o peito enquanto corria, certificando-se de se manter nas sombras.
Felizmente, ela chegou à entrada secreta sem ser vista. Escondida em uma das salas de visitas pouco usadas, havia uma estante que, quando um certo livro era puxado, revelava uma entrada para os túneis subterrâneos. Joanna entrou sorrateiramente e fechou a porta da estante com cuidado atrás de si.
Agora envolta pela escuridão, ela respirou fundo e segurou o ar, esperando seus olhos se ajustarem. Quando teve certeza de que estava sozinha, soltou o ar e continuou pelos túneis úmidos. Ela viu um vislumbre de luz no final, sinalizando que estava se aproximando do terreno logo atrás do castelo.
No fim do túnel, ela encontraria seus amigos, os filhos deles e o seu próprio filho, ou soldados prontos para matá-la. Ela não tinha outra escolha a não ser seguir com seu plano e correr em direção à luz. Ela conteve um grito quando tropeçou ao sair do túnel de pedra e caiu na grama orvalhada.
“Joanna!” uma mulher exclamou, segurando o braço de Joanna para evitar que ela caísse. “Você encontrou a rainha?”
Foi Noelle quem segurou Joanna, com os olhos arregalados enquanto vasculhava os arredores.
“Encontrei. Ela está levando os invasores para longe para podermos fugir,” Joanna explicou.
“O quê? Por que ela não veio com você?” Noelle perguntou.
Joanna mostrou o bebê em seus braços.
“A rainha deu à luz a princesa Ember. Ela quer que a gente fuja com ela, para mantê-la a salvo, e para manter todos os nossos filhos a salvo. Ela disse que eles são o futuro do reino agora.” Joanna tentou compreender as palavras da rainha, mas era difícil fazer sentido de tudo aquilo.
“Deixa para lá. Nós precisamos aproveitar a distração e correr enquanto podemos,” Noelle suspirou, pegando a mão de Joanna e a puxando em direção à floresta.
Esperando na linha das árvores estavam Elisa e Marybelle, junto com as quatro crianças, Todd, Phillip, Riley e Samuel.
“Nós precisamos correr. Agora,” Noelle disse às outras, pegando a mão de seu filho de seis anos, Samuel.
Elisa, mãe de Phillip, de dois anos, e Marybelle, mãe de Riley, de quatro anos, olharam para Joanna em choque enquanto ela segurava um bebê que não era dela. Seu próprio filho pequeno, Todd, estava nos braços de Marybelle, e Joanna correu para o lado dela para garantir que seu bebê estivesse a salvo.
“Fomos encarregadas da segurança da Princesa Ember, a herdeira do reino. A nossa fuga não é apenas necessária, é uma ordem da nossa rainha,” Joanna disse, surpreendendo-se com sua força recém-descoberta.
“Então, nós vamos correr,” Marybelle disse, segurando Todd contra o peito e pegando a mão de Riley.
As quatro mulheres, parceiras dos guardas reais, correram para dentro da floresta. Todas estavam vestidas com roupas quentes e sapatos mais confortáveis para facilitar a fuga rápida. Elas conheciam essas florestas como a palma de suas mãos, graças a seus parceiros que garantiram que elas conhecessem todas as rotas de fuga possíveis do reino para a sua segurança.
Elas sabiam que, nas profundezas de Golden Woods, a muitos quilômetros do castelo, havia um portal. Um portal que as transportaria do reino dos lobisomens para a segurança do mundo humano.
Uma vez no reino humano, elas encontrariam um esconderijo seguro não muito longe do portal em um lugar chamado Oregon. O portal foi projetado apenas para uso em emergência e só poderia ser usado uma vez. Após o seu uso, o portal implodiria e selaria o reino.
“Joanna!” uma voz ecoou pela floresta, seguida pelo som assustador de uivos.
“Mais rápido!” Noelle gritou.
As mulheres correram o mais rápido que podiam em direção ao portal.











































