
O Lobo Estelar: O Final
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Reencarnação
Hades, Sage
Nesta empreitada, como em todas as empreitadas, o momento exato era tudo.
Hades havia esperado por este dia. Ele sabia que as estrelas precisavam estar alinhadas, a atenção do restante dos Deuses precisava estar voltada para outro lugar e, mais importante, a 13ª constelação precisava estar em seu momento mais fraco. Só então ele seria capaz de capturá-la.
Apesar de sua luta e de se debater, Hades a arrastou do céu para o seu reino debaixo da terra, exatamente como havia tirado Persephone do olhar de sua mãe.
Então, assim como havia engaiolado Persephone, ele engaiolou a 13ª constelação.
É verdade que sua prisão não era tão bela quanto a de Persephone. Ela era o amor da vida de Hades; já a 13ª constelação era simplesmente uma fonte de poder e não exigia nenhuma gentileza ou consideração da parte dele. Ela tinha uma utilidade.
Hades sabia que todas as constelações haviam renascido, exceto duas: Scorpio e Taurus, o amado de Aphrodite. Hades não ficou surpreso que a reencarnação não tivesse sido permitida a Taurus.
Aphrodite tinha tantos filhos e facetas que era um milagre ela conseguir acompanhá-los.
Scorpio, no entanto.
Após o último fracasso, quando as duas constelações desapareceram no céu e o restante delas caiu fora de alcance, Hades elaborou um novo plano. Um plano melhor.
Sem tantas partes móveis, seria mais fácil alcançar seu objetivo. Taurus era desnecessário; para início de conversa, ele tinha sido pouco mais que um acessório para Scorpio.
Então, Hades segurou os trapos da alma de Scorpio em seu punho até o momento exato, quando o poder da 13ª constelação pôde ser canalizado para um corpo físico para seu... Assistente.
Hades nunca gostara particularmente das constelações. Elas eram perigosas, uma ameaça para si mesmo e para todos os seus semelhantes.
Os Olimpianos haviam destruído o touro e o escorpião por ousarem atacá-los, mas Hades tinha o hábito de usar coisas mortas para seus próprios propósitos. Uma peça de xadrez recém-ressuscitada era tão boa quanto qualquer outra.
Hades teceu a magia, girando-a por entre os dedos e sorrindo com desdém enquanto a coisa na jaula uivava de indignação. Como se tivesse uma única esperança de detê-lo.
Hades estava quase sem tempo quando seu pequeno servo ganhou vida, como se estivesse se erguendo de um túmulo.
Ele era tão bonito quanto em sua vida passada: alto e com músculos definidos, com cabelos escuros como o rio Styx e olhos verdes como a inveja. Ele ficou imóvel como um cadáver, mal respirando.
— Levante-se — Hades ordenou. Scorpio se apoiou nas mãos, com os novos músculos tremendo com o esforço.
— Meu Senhor.
Hades o deixou sofrer e se contorcer em silêncio por um momento; Scorpio havia falhado com ele em sua última vida.
— De pé.
Scorpio se levantou, cambaleando. Hades se lembrou de mudas de árvores chacoalhando no vento de inverno, e teve vontade de dar um tapa no garoto para o lado, apenas para ver se ele se transformaria em vapor.
— Darei a você uma chance de se redimir — disse ele. Scorpio estremeceu, e Hades estendeu a mão para agarrá-lo pelo queixo.
Havia mais medo em seu rosto do que antes. Ótimo.
— Você não vai falhar comigo de novo — Hades disse. Não era preciso dizer que o fracasso não era uma opção.
— O que precisa que eu faça? — Scorpio perguntou.
— Encontre a garota — disse ele, soltando o rosto de Scorpio. — Traga-a para mim. Intacta e ilesa, está claro? Não me importo com os métodos.
— Sim. — Scorpio abaixou a cabeça e se afastou.
Scorpio seria sua faca no escuro, cortando a garota de seu lugar no mundo e nas estrelas. Ela seria trazida perante ele e serviria à sua utilidade.
Quando qualquer um dos Olimpianos percebesse que estava sendo destruído, seria tarde demais para se salvar.
Sage olhou para as árvores, com o queixo apoiado nos braços cruzados. Pesadelos de novo, na noite passada.
Ela acordou várias vezes ofegante, apavorada com mãos cruéis agarrando seu corpo, ou tremendo com a sensação pegajosa de sangue quase seco em sua pele.
Seu pai continuava dizendo que não era nada demais, que pesadelos eram apenas uma parte normal de ‘crescer’.
Ele agia como se Sage já não tivesse quase vinte anos, sendo velha demais para ter medo de sensações e perigos imaginários.
Com um suspiro, ela se afastou do parapeito da janela e se virou para o quarto.
Ela pegou um corta-vento e desceu as escadas; seu pai e o companheiro dele estavam na mesa da cozinha jogando cartas.
— Vai sair? — Rick perguntou, sorrindo para ela.
— Sim — ela assentiu, movendo-se para envolver os braços ao redor dos ombros dele em um abraço.
Rick era seu pai biológico e a havia trazido para casa da família da mãe quando ela era jovem.
Suas meias-irmãs tinham sido intoleravelmente cruéis, sua mãe era distante e seu padrasto a desprezava. Quando Sage completou oito anos, ela praticamente implorou para ser levada embora.
Sage sabia agora que a condição que Rick precisava cumprir para levá-la à matilha era uma vida familiar estável com um companheiro.
Jamerson a ergueu em seu quadril, beijou sua cabeça e prometeu que ela nunca mais teria que voltar; que ele e Rick tinham uma casa e um quarto para ela, e que o resto de sua família estava lá, então ela não ficaria sozinha.
O seu lar com o Fire Moon Pack era infinitamente melhor.
— Não vá muito longe — Jamerson disse, abaixando as cartas e sorrindo de lado. Rick gemeu, e Sage riu.
— Não me diga que vocês estão jogando a dinheiro — ela disse.
— Tarefas de casa — Jamerson disse, erguendo a sobrancelha para Rick. — Você está na função de lavar as roupas, amor.
— Tá bom, tá bom — Rick suspirou, levantando-se da cadeira e empurrando Sage de leve em direção à porta.
— Veja se consegue encontrar o seu irmão por aí em algum lugar. Ele disse que ia levar Juliet para brincar um pouco.
— Aposto que ele levou Romeo com ele — Sage cantou. — Vou checar como ele está. Volto mais tarde, Rick!
— Ok, Sage.
Sage enfiou as mãos nos bolsos enquanto saía pela porta.
Elijah devia ter levado Juliet para o parquinho, e ela não tinha dúvidas de que Romeo estava com eles.
Talvez conversar com Elijah ajudasse. Sage vinha guardando seus pesadelos para si mesma, mas eles estavam começando a tornar a tarefa de dormir quase impossível.
Além de tudo, havia Aries Astrofengiá, que era um tipo de problema totalmente diferente.
Apenas ver o rosto dele já era o suficiente para arruinar o dia de Sage, e ela não tinha ideia do porquê.
Claro, ele era promíscuo e sem-vergonha, mas Gemini também era, e ela não o odiava.
De alguma forma, a recusa de Aries em manter o pau dentro da calça era tão irritante que fazia a pele dela coçar. Ela nem gostava tanto assim dele.
Como fazia qualquer sentido ela ser... O quê, possessiva com ele?
Não era que ela o quisesse. Ela só queria que ele parasse de agir como se fosse morrer caso não tivesse alguém babando por ele a cada minuto do dia. E ela queria que todos os outros parassem de babar por isso.
Quando ela tentava conversar com Rick sobre isso, ele sempre ria e dizia algo como ‘paixonites de parquinho’.
Ele falava sobre como Sage e Aries viviam se atracando desde que eram crianças, puxando as trancinhas um do outro e discutindo.
Ele fazia soar como se ela e Aries de alguma forma devessem ficar juntos.
Fechando a cara, Sage tirou o cabelo longo e escuro dos olhos e seguiu para o parquinho.
















































