
O Médico da Matilha
Author
Constance Marounta
Reads
4,7M
Chapters
72
Prólogo
UNKNOWN
Ela voltou hoje, exatamente como havia prometido a si mesma.
Um sorriso se espalhou pelo seu rosto quando a casa que conhecia tão bem apareceu à vista. Ficava num lugar bom, não muito longe da casa da Matilha e da clínica, e tinha uma cerca ao redor para dar privacidade.
O médico podia facilmente correr para qualquer um dos lugares se fosse preciso, sem perder seu tempo de sossego quando mais precisava.
Ele deve estar em casa, pensou. Imaginou-o junto à janela da cozinha, bebendo seu chá, sempre quente não importava a época do ano, antes de ir para a clínica.
Era isso que ele fazia todos os dias desde que ela o conhecia. Ou pelo menos parte disso.
Ela abriu o pequeno portão, subiu os degraus até a varanda limpa e empurrou a porta. Ele nunca a trancava. Não havia motivo.
Se um membro da Matilha ou o Alfa quisesse entrar, nenhuma tranca ia impedi-los. Não que eles fossem ser mal-educados e entrar sem permissão daquele jeito.
Ela entrou, sentindo-se mais feliz do que estivera em anos. Mais feliz do que estivera antes de partir.
A casa estava silenciosa na luz da manhã. Era estranho, mas não assustador.
Ele geralmente colocava uma música suave pela manhã, mas talvez não quisesse música hoje, ou talvez ainda estivesse no banheiro.
Quando virou em direção à escada estreita que levava ao quarto deles, um cheiro a deteve.
Café.
Café? Ele odiava aquela bebida, então por que estaria fazendo? Não para ela, com certeza. Nenhum dos dois gostava do gosto amargo e preferiam chá.
Ele gostava de chá preto puro, enquanto ela gostava do dela com sabor.
Ela caminhou com cuidado até a cozinha e parou na entrada. Ele não estava lá.
Mas outra pessoa estava. Uma mulher estava junto à janela onde ela o havia imaginado mais cedo. Seu cabelo longo castanho-avermelhado capturou a luz e parecia brilhar.
Suas costas estavam viradas para ela enquanto bebia seu café recém-feito. O cheiro estava mais forte agora, fazendo seu estômago revirar.
Ela respirou fundo e entrou na sala.
“Bom dia” disse, sua voz menos firme do que esperava, mas ainda alta o suficiente para quebrar o silêncio.
A mulher de cabelo castanho-avermelhado se virou rapidamente, surpresa.
“Desculpe” disse. “Não quis te assustar assim.”
A mulher sorriu na mesma hora.
Ela era linda. Seu cabelo castanho-avermelhado combinava bem com sua pele clara e pálida e olhos azuis brilhantes. Era alta e magra, e parecia muito graciosa.
Adicione aquele sorriso radiante, e você tinha uma mulher muito atraente.
Ela sentiu o rosto esquentar. Não conseguia se igualar à beleza dessa mulher.
“Ah, não se preocupe com isso, querida. Só fiquei surpresa, só isso. Como posso te ajudar?”
Algo não estava certo. Por que essa mulher estava agindo como se morasse aqui? Ela só tinha ficado fora uma semana. O que poderia ter... Uma ideia surgiu de repente em sua mente.
“Você é paciente do Max?” perguntou educadamente.
Sabia que às vezes ele trazia para casa pacientes que precisavam de cuidados especiais, geralmente crianças, mas ainda assim...
A mulher olhou para ela de um jeito estranho, depois começou a rir.
“Paciente dele?” disse, tentando conter o riso. “Não, não. Não sou paciente do Max, mas você me parece familiar, acho.”
A mulher olhou para ela por um momento, depois bateu palmas com entusiasmo como se tivesse descoberto algo. “Você é a protegida dele!” disse em voz alta.
“Bem... sim” disse, sentindo-se desconfortável.
Seu coração afundou. Se ele a chamava de protegida, significava que só a via assim. Ela não era nada além do que haviam combinado antes de partir... Era tudo mentira...
“Max teve um chamado cedo no hospital” a mulher disse. “Tivemos alguns problemas pequenos com rogues essa semana, e ele tem estado meio ocupado.”
“Consegue acreditar que estou aqui há quatro dias inteiros, e só o vi uma vez? Mas agora que você está aqui, vou ter companhia finalmente. Estava doida para te conhecer, sabe.”
A mulher disse tudo isso muito rápido, levando-a até uma das cadeiras de madeira e ajudando-a a sentar.
Mas toda essa situação era estranha. Ela conhecia Max quase a vida inteira. Conhecia todos os parentes dele. Todos viviam na Matilha, afinal.
Essa mulher não era parente. Nunca tinha ouvido falar dela. Nem uma vez.
Ela começou a se sentir enjoada e tonta quando a única resposta possível começou a se fixar. Mas talvez estivesse errada. Poderia estar?
“Desculpe” finalmente disse, mal reconhecendo a própria voz. “Não sei quem você é. Quem é você?”
“Sou Delta, a companheira do Max, é claro, sua bobinha!” a mulher disse, sorrindo amplamente e colocando uma mecha de cabelo castanho-avermelhado atrás da orelha.











































