
O Motoclube Livro 4
Author
Riki Leigh Bishop
Reads
134K
Chapters
30
Capítulo Um
Livro 4: Westyn
Janeiro, Um Mês Atrás
Westyn
Ser o Presidente de uma sede é difícil, mas ser o Presidente de todas as sedes é ainda mais difícil.
Ver os meus irmãos encontrarem as suas mulheres me faz querer uma só para mim, mas ser a mulher do Presidente não é nada fácil.
Estou sempre sendo chamado para resolver problemas. A mulher que eu preciso deverá ser forte, pronta para ser a Rainha, e também terá que aceitar que eu tenho um filho.
Nós somos um pacote completo e eu não vou escolher uma mulher que não o aceite. Ele é o meu mundo inteiro e eu não gostaria que fosse de outro jeito.
Quando ouvi falar do Royal pela primeira vez, eu não acreditei. Tinha certeza de que ele não poderia ser meu porque eu sempre me previno. A Savannah era uma garota do clube.
Nós a expulsamos quando descobrimos que ela usava drogas, pois não toleramos esse tipo de comportamento aqui.
Então, quando ela veio falar comigo antes de irmos para St. Thomas, eu achei que ela estava de brincadeira comigo.
Eu neguei o tempo todo em que conversamos, até que ela me contou o que fez com as minhas camisinhas. Ela disse que fez furos em cada uma delas.
Eu sabia que não precisava me preocupar com outras mulheres fazendo a mesma coisa, porque a única garota do clube com quem transei desde que a Savannah chegou foi ela.
Ela queria que eu a fizesse minha fiel e eu disse que isso não ia acontecer. Também avisei que queria um teste de paternidade só para ter certeza de que ele era meu.
Eu sei como as mulheres do clube agem. Elas querem fisgar um dos membros para se tornar uma fiel, mesmo que isso signifique prendê-lo com um bebê. Eu não ia cair nessa.
Então, esperamos o bebê nascer e fizemos o teste de paternidade. Ele acabou sendo meu. Eu não queria tirá-lo da mãe, mas tive que fazer isso.
Depois que voltei da viagem, fui até o endereço que ela tinha no cadastro, apenas para descobrir que ela não morava mais lá. Tive que procurá-la e, quando a encontrei, ela estava morando em um abrigo para sem-teto.
Eu ofereci ajuda para arrumar uma casa, mas ela recusou, pois não seria a minha casa. O Royal acabou ficando com a Savannah nos primeiros meses de vida, morando em um abrigo para sem-teto.
Quando fomos ao tribunal, eu pedi a guarda total. Descobri que ela teve uma recaída depois de dar à luz e eu não ia deixar o meu filho perto disso.
Ela não tinha uma casa, um emprego, ou qualquer meio de criá-lo.
Ofereci pagar uma clínica de reabilitação para que ela pudesse pelo menos ter algum contato com o filho, mas ela recusou. O juiz me deu a guarda e eu o trouxe para casa.
Minha mãe e minha irmã não ficaram muito felizes por eu não ter contado a elas na mesma hora. Minha mãe me deu uma surra que não dava desde que eu era criança por ter escondido isso dela.
A Aliana me deu um gelo por um tempo, mas acabou cedendo. Só estou feliz por ela não ter atirado na minha bunda de novo.
Ela disse que teria atirado, mas não queria perder uma aposta que estava rolando com o Axyl.
Quando recebi a ligação alguns dias atrás sobre a Posey, eu tinha acabado de dormir depois de colocar um Royal muito agitado e doente na cama.
Ele não estava se sentindo bem há alguns dias, mas a Hannah disse que era só um resfriado. Até a ginecologista da clínica disse a mesma coisa.
O Royal não tem dormido muito bem, o que significa que o seu pai também não tem dormido bem. Mas quando o dever chama, eu levanto e resolvo as minhas coisas.
Deixei o Royal na casa da Aliana e do Axyl e fui para a sede do clube. Quando todos chegaram, o Eliot nos informou sobre a mensagem que a Alanis, sua fiel, havia recebido.
Nós fizemos um plano e saímos. A única coisa que encontramos lá foi a Megan, a ex do Trigger, espancada quase até a morte. Estamos esperando ela acordar para ver se consegue nos dar alguma informação.
Até lá, estou a caminho da casa do Prefeito Borders para ver se ele pode ajudar. Ele não está no escritório hoje, então eu tenho que ir até a casa dele.
O motoclube e o prefeito trabalham em estreita colaboração. Todos nós ajudamos a planejar as ações de caridade e a manter a cidade segura para as famílias que vivem aqui.
“Vamos lá, amigão. Vamos para a casa do prefeito,” eu digo ao meu filho de nove meses.
Ele apenas faz barulhinhos enquanto eu o pego no colo e o levo para a caminhonete. Descobri que é mais fácil deixar a cadeirinha dele na caminhonete e apenas carregá-lo para dentro.
Faço questão de pegar as minhas chaves, o celular e a bolsa de fraldas antes de sair pela porta e trancá-la. Deixei a caminhonete ligada para ir aquecendo, assim ela já está quentinha quando o coloco na cadeirinha.
“Papai!” Eu sorrio porque o meu coração derrete toda vez que ele diz isso. Ele é o meu mundo inteiro e eu não mudaria o fato de ele estar na minha vida por nada. Eu ficaria perdido se algo acontecesse com ele.
Só consigo imaginar o que a Alanis e o Eliot estão passando agora. Eu perderia a cabeça se a situação fosse ao contrário. Sinto calafrios só de pensar em algo acontecendo com o meu filho.
Eu podia não querer um filho com uma garota do clube, mas no minuto em que vi o Royal, tudo se encaixou.
Não o bastante para fazer da mãe dele a minha fiel, mas o bastante para querer ajudá-la a melhorar pelo bem de conhecer esse garoto incrível. Porém, não há muito que eu possa fazer se ela não quiser se ajudar.
“Vamos nessa, mocinho. Temos um longo dia pela frente.” Eu fecho a porta dele e subo no banco do motorista.
Ele fica balbuciando coisas de bebê durante todo o caminho até a casa do prefeito, deixando um sorriso permanente no meu rosto.
Há tantos bebês nascendo no clube e aquece a minha alma ver todos eles. A minha irmã é a que tem mais filhos entre todas as mulheres.
Ela pode reclamar de estar sempre grávida, mas eu sei que ela secretamente adora isso.
Não expliquei por que queria ver o prefeito. Apenas liguei para ele e disse que passaria lá hoje para conversar sobre algumas coisas.
Ele não se opôs — ele nunca faz isso. Ele e o meu pai eram colegas no acampamento militar. O Prefeito Borders não serviu em tantas missões quanto o meu pai, mas eles continuaram amigos depois que ambos saíram do serviço militar.
É por isso que trabalhamos tão bem juntos. Além disso, ele sabe que nós só temos feito coisas boas para a comunidade.
Ao estacionar na entrada, tiro um momento para olhar para a casa dele. Você pensaria que o prefeito moraria em alguma mansão grandiosa e opulenta. Mas não o Prefeito Borders.
Ele sempre brinca que se tivesse comprado uma casa maior, a esposa dele teria tido um ataque. Ela nunca nega, mas todos nós sabemos que eles estão nessa para o que der e vier. Ela não o deixaria, e nem ele a ela.
A casa dele é uma típica casa de dois andares. É branca com janelas cinzas. A varanda é fechada e dá a volta em toda a casa. Eles até têm uma sacada no segundo andar que também dá a volta.
Não é o meu estilo, mas esse sou apenas eu. Dentro da varanda, há ventiladores de teto com luzes, piso aquecido para o inverno, e é surpreendentemente aconchegante quando está frio lá fora.
Não tenho certeza de como eles conseguiram fazer isso, mas vou descobrir quando tiver mais tempo.
Eu mal tiro o Royal da caminhonete quando a porta da frente se abre e a Sra. Borders vem correndo em nossa direção. “Passe esse bebê para cá, mocinho! Você não o traz para me ver desde que ficou com ele!”
A mulher baixinha e gordinha não é alguém que você queira contrariar. Acho que é por isso que ela se dá tão bem com o esquadrão das mães. Dou uma risada e deixo que ela pegue o bebê que dá gritinhos de alegria dos meus braços.
“Que menino mais lindo. Ele é a sua cara.” Nós andamos em direção à casa enquanto ela mima o meu filho.
“Westyn! Como os seus pais estão aproveitando as férias?” O Prefeito Borders pergunta quando entramos na casa.
“Eles estão se divertindo muito pelo que nos contam. Quem sabe o que eles estão realmente aprontando nesta viagem. Mas eles merecem. Desde que estejam se divertindo, é isso que importa.”
Nós conversamos mais um pouco, até que a porta da frente se abre com força e a garota mais deslumbrante que já vi entra correndo pela sala, chorando.
Sei que ela é a filha do prefeito, mas nunca a vi antes. Eu costumo visitá-lo pela manhã se nos encontrarmos na casa dele. Caso contrário, estou no escritório dele na cidade.
“Brighton! Querida. O que foi?” A Sra. Borders pergunta. A Brighton continua correndo e a Sra. Borders vai atrás dela, ainda com o Royal nos braços.
“Ela vai ficar bem. A mãe dela vai ajudar. O ensino médio tem sido difícil para ela. Ela se forma em maio, então está ansiosa por isso. Vamos aos negócios.”
Sigo o prefeito até o seu escritório e me sento em frente à sua mesa. “Eu não vou contar para ele ainda. Se é por isso que você está aqui, então perdeu o seu tempo. Não é a hora certa para ele saber.”
“Não é por isso que estou aqui. Mas o senhor precisa contar para o Ink antes que seja tarde demais. Ele merece saber a verdade,” eu digo a ele.
Existem algumas coisas que descobri nos últimos meses sobre um dos meus irmãos. Não é o meu lugar de falar, mas sei que, quando o Ink descobrir, o inferno vai desabar.
“A filha do Eliot foi sequestrada há três dias. Nós já tentamos de tudo.
“Estamos esperando a ex-namorada dele acordar para ver se ela pode nos dar algumas respostas, mas a situação não parece boa. Eu esperava que o senhor pudesse nos ajudar.”
“Sinto muito em ouvir isso, filho. Só posso imaginar como eles devem estar se sentindo agora. Farei tudo o que puder para ajudar a trazê-la de volta. Você sabe que sim. Eu faço isso desde que o seu pai e os seus tios começaram o BAMC.”
Eu aceno com a cabeça. Um peso sai dos meus ombros em saber que ele vai ajudar.
Ele entende pelo que eles estão passando porque, há quase trinta anos, ele e a Sra. Borders perderam o filho deles em um sequestro e nunca mais o viram. Até recentemente, claro.
“Obrigado, Sr. Borders. Eu agradeço muito por isso. Estou sem ideias. Tenho o Kai investigando isso também. A Alanis está perdendo a cabeça. Ela perdeu um de seus bebês e agora a filha, dois meses depois.
“Ela e o Eliot estão em conflito. A tensão está alta entre eles e eu não sei que porra fazer. Ser o Presidente do clube é difícil às vezes,” eu desabafo.
“O seu pai não o teria colocado no comando se não achasse que você daria conta. Você está fazendo um ótimo trabalho. Você expandiu o clube de maneiras que o seu pai apenas sonhava. Você consegue.
“Você só precisa encontrar uma mulher forte para te manter com os pés no chão. O seu pai tem isso na sua mãe. Os outros homens têm isso em suas esposas. Eu não seria metade do homem que sou hoje sem a minha esposa.
“Você vai chegar lá, filho. Mantenha a cabeça erguida e você ficará bem.”
Eu sei que ele tem razão, mas é difícil às vezes. Especialmente em momentos como este.
“Obrigado, senhor. Provavelmente eu deveria pegar o Royal e voltar para a sede do clube. Quem sabe o que os outros estão aprontando com a minha ausência,” eu brinco. Ele dá uma risada enquanto nós dois nos levantamos.
“Sem problema. Vou dar uma sondada por aí para ver se encontro alguma informação para você. Não tenho certeza do quanto poderei fazer, mas vou dar o meu melhor.”
Ele caminha comigo até a cozinha. Olho para as janelas e vejo a Brighton lá fora, na varanda com o Royal. Porra, se existe uma visão linda, é essa.
“Nem pense nisso. Ela ainda está no ensino médio,” eu ouço de trás de mim.
“Então, quando ela terminar a escola, eu posso fazer da sua filha a minha garota?” eu pergunto a ele.
“Droga. Você nem a conheceu ainda e já está planejando fazer dela a sua garota?” ele retruca.
“Eu apenas sei que ela é a certa para mim, só de olhar para ela. Consigo ver o que ela tenta esconder.
“Não se preocupe, eu vou esperar que ela termine a escola antes de levá-la para morar comigo. Mas até lá, pretendo conhecê-la,” garanto ao prefeito.
Ele suspira fundo, entendendo a maneira como o nosso mundo funciona. A Sra. Borders é a garota dele. Eles se apaixonaram à primeira vista.
“Ela tem um namorado. Não vá estragar isso. Se ela quiser conhecer você, é uma história diferente. Não pressione a minha filha.
“Mesmo que você seja filho de um dos meus bons amigos, não hesitarei em transformar a sua vida num inferno se você a machucar,” ele avisa.
“O senhor não precisa se preocupar com isso. Ela não vai ficar com esse namorado por muito tempo. Não vou forçá-la a terminar com ele, mas eu vou conhecê-la.”
Saio para a varanda, deixando o prefeito para trás sem dizer mais nada.
“Então, ele olhou bem para mim e disse que era tudo uma brincadeira. Que ninguém iria querer namorar uma vaca gorda como eu,” escuto a Brighton dizendo ao meu filho. Meu sangue começa a ferver, mesmo não entendendo totalmente o que está acontecendo.
“Você não é uma vaca gorda. Você é bonita pra caralho e não deveria deixar nenhum homem falar assim com você.”
Ela solta um suspiro de surpresa e suas bochechas ficam bem vermelhas. Seus olhos são do tom de dourado mais vibrante que já vi. Estou cativado. Ela é a certa para mim. Sinto isso nos meus ossos.
“Você fica linda segurando o meu filho.”










































