
O Sorriso do Bilionário Livro 2: Seu Desejo
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Capítulo 1
Book 2: His Desire
Dei por mim encostada no balcão do meu consultório particular, absorvendo um raro momento de tranquilidade. O zumbido suave da clínica do outro lado da porta era um lembrete reconfortante da vida que eu havia criado aqui. A transição para esse novo papel não tinha sido um passeio no parque.
Nunca me imaginei sendo dona de uma clínica, mas quando Elliot me entregou as chaves, com seu sorriso tão irritantemente perfeito, não consegui resistir.
Naturalmente, estar no comando de uma clínica vinha acompanhado de uma lista interminável de deveres. Eu tinha pacientes para cuidar, agendas para supervisionar e funcionários para acalmar quando os paparazzi decidiam acampar lá fora. A presença constante de câmeras, manchetes e olhares indiscretos era uma nova adição à minha vida.
Na maioria das vezes, eu conseguia ignorar tudo isso. Mas em dias como hoje, quando um tabloide decidia me destacar sob a manchete ”A Paixão do Bilionário: A Vida de Luxo da Dra. Duppont”, ainda machucava.
Luxo? Eles não faziam ideia das noites que passei acordada esfregando manchas difíceis do esterilizador ou das horas extras que dediquei para ajudar uma adolescente nervosa em seu primeiro tratamento de canal.
Eu era apaixonada pelo meu trabalho. Era uma parte essencial da minha identidade, e eu planejava que continuasse assim.
Elliot era meu cavaleiro de armadura brilhante, meu confidente mais próximo. A transição de amigos para amantes tinha sido uma jornada linda — era como se tivéssemos uma base sólida para nos apoiar. E o fato de o sexo ser alucinante? Isso era apenas um bônus.
O rangido da porta se abrindo me tirou dos meus devaneios.
— Dra. Duppont? — chamou minha recepcionista, Sara, com os olhos arregalados de expectativa. — O Sr. Vince está aqui.
Soltei um suspiro, um sorriso puxando os cantos dos meus lábios. — Obrigada, Sara.
Ao entrar na sala de espera, a visão dele ainda tirou meu fôlego. Elliot Vince, parecendo devastadoramente lindo em seu terno, estava casualmente recostado no sofá da sala de espera como se fosse um paciente comum. Sua mera presença irradiava uma confiança que deixava todos na sala pendentes de cada palavra sua.
Meu Deus, eu estava tão apaixonada por ele.
No momento em que entrei, seus olhos azuis encontraram os meus, e seu sorriso iluminou o ambiente. — Helena.
Meu coração acelerou; eu ainda não estava acostumada com isso.
— O que o traz aqui durante o horário de trabalho, Sr. Vince? — perguntei, cruzando os braços em tom de brincadeira.
— Senti sua falta. — Ele se levantou e encurtou a distância entre nós em poucos passos. — E queria ter certeza de que você não estava trabalhando demais.
— Não estou.
Ele ergueu uma sobrancelha. — Você pulou o almoço, não foi?
Abri a boca para protestar, mas a fechei rapidamente. Maldito seja.
— Foi o que pensei. — Ele sorriu, passando um braço em volta da minha cintura e me guiando de volta ao meu consultório. Eu podia sentir os olhares curiosos dos meus funcionários nos acompanhando pelo corredor.
Assim que a porta se fechou atrás de nós com um clique, Elliot me girou, pressionando-me gentilmente contra a mesa.
— Pensei que poderíamos sair para almoçar — ele sugeriu, com a voz baixa e brincalhona. — Ou poderíamos pedir comida e... aproveitar a espera ao máximo.
— Você é impossível — retruquei, mas minha voz não tinha convicção.
— E você é irresistível — sussurrou ele, inclinando-se para roçar seus lábios nos meus.
Eu me derreti em seus braços, minhas mãos encontrando instintivamente o caminho para seus ombros. Seu beijo começou lento e provocante, aprofundando-se aos poucos. Sempre que ele me tocava, o resto do mundo parecia desaparecer.
Mas antes que pudéssemos nos deixar levar, o celular vibrou no bolso dele.
— Não — murmurei, puxando-o para mais perto.
Ele gemeu, mas se afastou, encostando a testa na minha enquanto pegava o celular no paletó. — Eu preciso. É a enfermeira da minha avó.
Sua expressão mudou enquanto escutava, e seu rosto ficou pálido. — O que aconteceu? — ele perguntou, com a voz tensa.
Estendi a mão para tocar seu braço, sentindo uma onda de preocupação tomar conta de mim. Elliot raramente falava sobre sua família, muitas vezes desviando a conversa quando o assunto surgia. Mas, recentemente, ele havia mencionado que sua avó não estava se sentindo bem.
— Ela desmaiou? — Seus olhos encontraram os meus, cheios de preocupação, e meu coração apertou. — Estou a caminho. Mantenha-me informado.
Ele encerrou a ligação e soltou uma respiração trêmula. — Helena, eu...
— Vá — encorajei. — Quer que eu vá com você?
Elliot passou a mão pelo cabelo, nervoso. — Não. Eu não sei exatamente o que está acontecendo e... — Ele suspirou. — Eu te ligo se precisar de você e te mantenho informada.
— Me avise se houver qualquer coisa que eu possa fazer.
Elliot hesitou por um momento antes de assentir. Ele beijou minha testa, seus lábios se demorando ali como se tentasse se recompor antes de se afastar.
— Obrigado — murmurou ele, e então se foi, deixando para trás um turbilhão de preocupação e saudade.
Eu o observei se afastar, mas ele parou na porta e se virou para me dar um sorriso fraco. — Helena, não se esqueça de comer.
Assenti, sentindo o fardo que ele carregava. Elliot — o homem que sempre foi tão firme, tão inabalável — parecia estar desmoronando. Ele parecia distante agora, precisando de espaço para respirar. Ele sempre lidava com questões familiares sozinho e devia ter seus motivos.
Depois que ele saiu, não consegui me concentrar no trabalho. Meus pensamentos não paravam de voltar a Elliot, relembrando a tensão estampada em seu rosto.
Duas batidas na porta me tiraram dos meus devaneios. Sara entrou com uma sacola nas mãos. — Seu almoço chegou.
— Almoço? Eu não pedi nada... — Minha voz sumiu ao me dar conta. Sorri, aceitando a sacola dela. — Obrigada, Sara. Você pode esvaziar minha agenda para o resto do dia?
— Com certeza, Dra. Duppont.
Dei uma espiada dentro da sacola e olhei para o meu celular.
Eu sabia que você não ia comer. Espero que esteja com vontade de comida chinesa.
Você é um salva-vidas. Como está a sua avó?
A resposta dele demorou mais que o normal.
Não muito bem.
Quer que eu vá aí?
Nenhuma resposta.
Eu estava no meio de uma papelada quando meu celular vibrou novamente.
— Helena... — Sua voz vacilou. — Ela... ela faleceu.
Suas palavras pareceram um peso de chumbo, preenchendo o ambiente e pressionando meu peito.
— Ah, Elliot — sussurrei, com o coração doendo por ele. — Sinto muito.
Houve silêncio na linha. Esperei, dando-lhe espaço para falar se quisesse, mas ele não o fez.
— Posso encontrar você no hospital — sugeri com delicadeza. — Você não deveria ficar sozinho agora.
— Não — ele respondeu, com a voz áspera, mas decidida. — É... complicado.
Complicado. A palavra doeu mais do que eu queria admitir.
— Vou para casa — acrescentou ele após uma pausa. — Me encontra lá?
— Claro — respondi suavemente. — Estarei lá.
Depois que desligamos, eu ainda não entendia totalmente por que Elliot era tão reservado em relação à sua família. Ele mantinha essa parte de sua vida cercada por muros, deixando-me apenas captar vislumbres por meio de pequenas frestas.
Recolhi minhas coisas, e Sara bateu de leve na porta do meu consultório. — Dra. Duppont, o motorista do Sr. Vince está aqui.
— Obrigada, Sara.
Hans estava me esperando lá fora, com o rosto incomumente grave. Ele abriu a porta do carro sem dizer uma palavra, e eu deslizei para o banco de trás, minha mente girando de preocupação.
Quando chegamos à casa de Elliot, estava escuro, a entrada iluminada por luzes fracas ao longo do caminho de pedra. Saí do carro, e o ar da noite estava fresco contra a minha pele.
Hans me deu um pequeno aceno com a cabeça antes de ir embora, deixando-me sozinha com o peso do que quer que eu encontrasse lá dentro.
A porta estava destrancada. Entrei silenciosamente, o som suave dos meus saltos ecoando no grande hall de entrada.
Eu o encontrei na sala de estar, sentado na ponta do sofá com os cotovelos nos joelhos. Sua camisa estava desabotoada no colarinho, revelando as linhas esculpidas de seu peito, e ele segurava frouxamente um copo de uísque em uma das mãos.
Seu cabelo loiro estava bagunçado, como se ele tivesse passado as mãos por ele repetidas vezes.
Por um momento, apenas o observei. A luz do abajur lançava um brilho dourado em seu rosto impecável, mas sua expressão estava sombria — perdida. Ele parecia tão diferente do Elliot Vince composto e imponente que o mundo conhecia.
Seus olhos azul-celeste encontraram os meus, suavizando-se assim que me viram, como se eu fosse o bálsamo para curar sua dor crua.
Ele pousou o copo e se levantou, seus movimentos lentos e pesados. — Helena — ele disse, a voz quase um sussurro.
Acabei com a distância entre nós sem pensar duas vezes, correndo para seus braços. Ele me segurou com força, seu aperto firme, mas um pouco trêmulo.
— Eu estou aqui — sussurrei contra o peito dele, meus braços enrolados fortemente ao seu redor.
Ele abaixou a cabeça, depositando um beijo no topo da minha cabeça. O gesto foi tão terno que me trouxe lágrimas aos olhos.
— Eu não sabia que doeria tanto assim — confessou ele, com a voz embargada.
— Não tem problema doer — eu disse, me afastando apenas o suficiente para olhar para ele. Seus olhos estavam brilhantes, e meu peito apertou. — Você não precisa passar por isso sozinho, Elliot.
Ele balançou a cabeça, um sorriso fraco e amargo passando pelos seus lábios. — Eu sempre fiz isso sozinho. É mais fácil assim.
— Talvez. Mas isso não torna nada melhor. — Levantei a mão, e meus dedos traçaram a linha de seu maxilar. — Deixe-me estar aqui para você. Deixe-me ajudar.
Elliot fechou os olhos brevemente, como se estivesse absorvendo minhas palavras, e então soltou uma respiração trêmula. — Você já está ajudando.
Eu o levei até o sofá, tirando gentilmente o copo de uísque da sua mão e o deixando de lado. Ele não resistiu, apenas seguiu meu exemplo como se estivesse exausto demais para lutar.
Sentamos em silêncio por um tempo, sua mão agarrada à minha como se fosse sua única âncora com a realidade.
Quando ele finalmente encontrou a voz, ela soou distante, como se estivesse desenterrando palavras de um lugar que raramente visitava. — Ela era a única na minha família que me entendia. Todos os outros... eles me veem como um caixa eletrônico ambulante, não como um ser humano. Mas minha avó nunca fez isso. Ela sentia orgulho de mim, não importava o quê. Ela não estava nem aí para o dinheiro ou os negócios. Ela só se importava comigo.
Apertei minha mão na sua, o coração doendo por ele.
— Ela me criou — ele continuou, a voz vacilando de leve. — Quando meus pais não puderam — ou não quiseram —, ela interveio. Ela me ensinou a amarrar os cadarços...
Lágrimas marejaram meus olhos, e eu pisquei para contê-las, mantendo-me em silêncio para que ele pudesse continuar.
— E agora ela se foi. A única pessoa que realmente me entendia se foi. — Ele me olhou, com os olhos transbordando de dor. — E se eu não conseguir ser a pessoa que ela acreditava que eu pudesse ser?
— Você não tem que provar nada — eu disse, com a voz firme. — Você já é alguém de quem ela sentiria orgulho. Eu tenho orgulho de você, Elliot.
Ele soltou uma respiração trêmula, puxando-me para mais perto até nossas testas se tocarem. — Eu não mereço você.
— Sim, você merece — eu disse, meu polegar acariciando sua bochecha.
Seus lábios encontraram os meus em um beijo suave e prolongado, cheio de gratidão e de algo mais profundo — algo não dito.
— Eu preciso ir à casa da minha família — ele disse, com a voz pesada. — Eles vão ler o testamento neste fim de semana e... — Ele passou a mão pelo cabelo, o gesto entregando o seu pavor. — Eles são como abutres, Helena, mas eu tenho que ir, e...
— Eu vou com você — eu disse, sem pensar duas vezes. Ele precisava de mim, e eu não estava disposta a deixá-lo enfrentar isso sozinho.
— Helena — disse ele, a voz baixa e conflituosa. — Eles são pessoas horríveis. Não quero você nem perto deles...
— É por isso que você nunca fala deles? — perguntei baixinho.
Seus ombros cederam, e ele assentiu, embalando meu rosto em suas mãos. Seu polegar roçou minha bochecha, com um toque gentil, mesmo com sua expressão tensa. — Essa é uma parte do motivo — ele confessou. — Escute, Helena, você não precisa ir. Você é boa demais para pessoas como eles, e...
— Eu vou — afirmei com firmeza. — Você precisa de mim lá, e estarei lá por você.
Ele suspirou, a testa encostada na minha por um momento. — Prometa-me uma coisa — ele disse, com a voz grave. — Prometa que vai escutar tudo que eu disser. Que nunca vai sair do meu lado. E que não vai deixar eles mexerem com a sua cabeça.
Um arrepio desceu pela minha espinha com as palavras dele, a seriedade do seu aviso me atingindo em cheio. Pela primeira vez, senti uma pontada de medo, mas assenti. — Eu prometo.
Elliot me deu um sorriso fraco e me beijou de novo, de maneira suave, mas havia tensão por trás do beijo. Quando ele se afastou, não consegui me livrar da sensação de que estávamos prestes a entrar em um pesadelo.












































