
O Universo da Discrição: Talento Herdado
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Capítulo 1
“Alô.” Eu segurei o telefone na orelha com o ombro, minhas mãos já afundadas na massa de pizza.
“Oi, eu estou tentando falar com o Cezar Long.”
“Quem quer saber?” eu disse, ficando logo desconfiado. Eu não ouvia esse nome há muitos anos.
“Eu sou Arthur Jonas, representante de talentos da Poseidon Studios…” Ele fez uma pausa, provavelmente esperando a minha reação.
“Eu não sei se você ficou sabendo, mas eu me aposentei há quase duas décadas,” eu disse rispidamente. Eu já estava atrasado com o preparo da comida, e o restaurante ia abrir em breve.
“Na verdade, foi exatamente por isso que me pediram para entrar em contato com você,” Arthur disse, soando alegre até demais.
“Não tenho o dia todo, amigo,” eu disparei. Eu odiava quando as pessoas enrolavam — vá logo direto à porra do assunto.
“O estúdio está comemorando trinta anos de excelência, e gostaríamos que você fizesse parte das festividades,” Arthur falou animado.
“Festividades em um estúdio de filmes adultos? O que faz você pensar que eu teria interesse nisso?” eu debochei.
“Bem, a Poseidon está planejando uma viagem de cinco dias para Barcelona com tudo pago. O estúdio quer pagar dois mil dólares por cena para você.”
Meu telefone escorregou do meu ombro e caiu direto na farinha. Isso era algum tipo de brincadeira?
“Alô?”
“Tô dentro!” eu disse, já desamarrando o meu avental.
***
Eu nunca tinha ido para a Europa antes. Barcelona era incrível, mesmo eu tendo dificuldade para me comunicar com os moradores locais.
A Poseidon Studios alugou seis casas do HomeAway pela cidade. A minha ficava em uma área chamada “El Gótico”, um dos bairros mais antigos.
O movimento agitado nunca parava, e eu mal conseguia dormir por causa de todo o barulho, mas... eu não me sentia tão intensamente vivo assim há anos.
Eu dividia o apartamento com outros três caras que o estúdio chamava de “talentos clássicos”. Basicamente, isso queria dizer que nós tínhamos mais de quarenta anos e nos encaixávamos na categoria “Daddy”.
Dois dos caras eram de depois da minha época, quando eu já não parecia mais um garoto novinho nos DVDs de alta definição. Wesley, por outro lado, eu com certeza lembrava.
Nós tínhamos gravado algumas cenas juntos em uma fazenda no interior, lá no ano de noventa e quatro. Porra, nós dois envelhecemos tanto!
Deram a primeira noite de folga para a gente se ajustar ao fuso horário, mas nós acabamos em um terraço com uma jarra de cerveja. Trocamos histórias loucas sobre os velhos tempos até bem depois da meia-noite.
***
Na segunda-feira de manhã cedo, uma equipe chegou para gravar algumas imagens exclusivas de bastidores. Nós fingimos ter sido pegos dormindo pelados por um cara chamado… Eldoris?
Ele nos avisou antes que queria que agíssemos de forma “natural”. Acrescentou que, se não nos importássemos em dar um boquete casual para a câmera ou fazer uma rapidinha ocasional, o estúdio pagaria um dinheiro extra com muito prazer.
O sexo tinha sido uma parte tão grande da minha juventude que eu estava pegando leve desde que parei. Mas ver três caras fortes andando pela casa com os paus balançando definitivamente estava me excitando.
El — como decidi chamá-lo — tinha “pego” Darren com o pau de Hector enfiado no cu dele no chuveiro. A equipe filmou por uma fresta na porta, fazendo parecer a experiência perfeita de voyeur.
Eu queria muito colocar as minhas mãos no Wesley. Para minha surpresa, eu estava bem nervoso. Foder na frente da câmera com uma equipe inteira olhando era muito mais difícil do que a maioria das pessoas pensava.
Em vez disso, decidi chamar a atenção da câmera fazendo omeletes usando nada além de um avental.
***
Para a minha primeira cena em quase vinte anos, fui levado para uma casa de campo reformada perto da Passeig de Gràcia — a elegante rua de compras.
Fui apresentado ao meu parceiro, que olhou para mim por apenas um segundo antes de voltar a mexer no celular. Ted Silver era um garoto bonito e entediado com uma bunda empinada e uma atitude de merda.
Mas puta que pariu, como ele sabia chupar um pau! O diretor tinha uma câmera focada na gente, de lado, enquanto Ted engolia meu pau com vontade, e outra apontada direto para a boca dele.
Eu imaginei que eles iam criar expectativa para a foda combinando os ângulos no corte final. Tínhamos sido informados de que todas as cenas seriam sem camisinha.
Eu tinha entregado todos os meus exames de DSTs antes mesmo de entrar no avião. Na minha época, os estúdios ainda eram cautelosos demais para permitir gravações sem camisinha. Como a indústria tinha mudado.
O diretor gritou “corta” e deu algumas dicas para o Ted. Pedi uma garrafa de água para acalmar meus nervos. Eu nunca tinha precisado de ajuda para me manter duro no passado, mas, para o meu choque, vi que estava começando a ficar mole.
“Você vai conseguir manter isso aí 'em cima', velhote?” Ted perguntou com um sorriso debochado que eu tive vontade de tirar da cara dele com um tapa. Como ele já estava com o celular na mão?
“Que tal você dar uma chupada para me animar, garoto,” eu disse, não querendo engolir merda de alguém que nem era nascido quando gravei meu primeiro pornô.
Ted me deu um olhar feio, mas logo depois o diretor mandou a gente continuar de onde tínhamos parado. Na mesma hora, a expressão de Ted mudou de entediada para um tesão falso — como apertar um botão.
Nós fizemos os movimentos da cena de um jeito mecânico, sem sequer um sinal de faísca. Quando o diretor finalmente gritou “corta”, eu tive certeza de que ele também tinha percebido a falta de química.
Para os espectadores, o entretenimento adulto era pura fantasia. Mas para mim, sempre tinha sido apenas um trabalho. Foder era a única coisa em que eu sempre fui bom — até eu parar e descobrir a culinária em vez disso.












































