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Oceanos de Distância

Autor
Lottie Tait
Leituras
17.6K
Capítulos
49
Autor
Lottie Tait
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Capítulos
49
🥵Literatura erótica💍Casamento arranjado☯️Os opostos se atraem💪🏻Protetor🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia💪🏻Macho alfa💪Mulheres fortes⚔️Ação & aventura🕵️Detetives & policiais🐉Fantasia🦜Piratas🔒Proximidade forçada

Mira Jones achava que sua obsessão pela Era de Ouro da Pirataria se resumia a livros e relíquias — até que um artefato misterioso a arremessa de volta ao século XVIII. Isolada na ilha exótica de Tortuga, ela navega em um mundo de traição, perigo e tentação a cada esquina. O pirata que ela passou a carreira estudando, Lorenzo Sosa, está vivo, é irresistível e perigosamente imprevisível. Cada passo traz aventura, cada olhar desperta o desejo e cada escolha pode decidir seu destino. Em um mundo onde espadas colidem com a mesma frequência que os corações, conseguirá Mira sobreviver — e se entregar à atração que não consegue resistir?

Capítulo 1: Fora do Tempo

MIRA

Areia.
A areia fria e áspera pressionava minha bochecha.
Um gemido escapou dos meus lábios. Por um segundo, eu não conseguia entender onde estava — apenas que o ar que eu puxava para os pulmões tinha um gosto errado.
Carregado de sal. Úmido e velho. Meus dedos cavaram o chão abaixo de mim, os grãos escorregando pela minha mão até eu encontrar apoio na pedra. Não era o chão polido do museu. Não era a cadeira do meu escritório.
Minha cabeça latejava, e cada pulsação enviava uma dor aguda atrás dos meus olhos. Lentamente, eu os forcei a abrir. A luz do sol entrava pela boca de uma caverna.
Eu congelei.
Aquilo não estava certo.
A última coisa de que me lembrava era o meu escritório. A luz fluorescente. O carregamento. A bússola —
Meu estômago revirou e fui inundada por uma náusea. Eu devia estar sonhando. Me empurrei para cima. O mundo se inclinou bruscamente, como se eu tivesse sido jogada nele em pleno movimento.
A caverna se estendia, com pedras irregulares brilhando de umidade, e gotas caíam em um ritmo constante do teto. Mais adiante, as ondas batiam suavemente contra as rochas, e o som era quase… pacífico.
Fechei os olhos, dizendo a mim mesma que aquilo não era real. O cheiro do mar inundou meus sentidos, e o ar úmido grudou na minha pele.
Minhas roupas pareciam erradas — amassadas, açoitadas pelo vento, como se eu tivesse sido arrastada pela natureza em vez de estar sentada à minha mesa como estive horas atrás.
Espere. Fazia horas… ou tinha passado mais tempo?
“Alguém revistou a caverna?”
Minha respiração falhou.
“Não, Almirante.”
Passos ecoaram. O pânico apertou meu peito enquanto eu tentava me orientar.
“Então sugiro que leve William e vasculhe o local. Você sabe o que estamos procurando.”
Meu coração batia forte contra as costelas quando me joguei atrás da rocha mais próxima, me pressionando contra a pedra fria.
Dois homens entraram na caverna.
Não apenas homens — soldados.
Dois homens vestidos com casacos azul-escuros marcharam para a entrada da caverna. Dei uma olhada rápida antes de me esconder atrás da rocha, memorizando suas aparências. Ambos usavam calções e uma camisa de algodão escondida sob um colete amarelo. Lenços bem dobrados sob as lapelas de seus casacos azul-marinho, complementados por um chapéu tricórnio com bordas douradas.
Um traje digno de um marinheiro do século dezoito.
Esse pensamento me atingiu como um soco.
Nada disso fazia o menor sentido.
Ambos começaram a procurar, com movimentos metódicos. Eu me encolhi ainda mais no meu esconderijo, mal ousando respirar quando um deles parou perto da rocha que me protegia.
“Ele realmente espera que a gente encontre alguma coisa?” um deles murmurou.
O outro bufou. “Você sabe a resposta, Edward. Ele não vai parar até encontrar aquela bússola. A história da bruxa do mar ainda o mantém convencido…”
Meus pensamentos travaram em uma única palavra: bússola.
Meu sangue gelou.
Estrutura preta. Detalhes em ouro. A agulha girando loucamente sob meus dedos — logo antes de tudo escurecer.
“Bem”, uma voz arrastou as palavras.
Botas apareceram no meu campo de visão. Lentamente, levantei o olhar. Um sorriso presunçoso me recebeu.
“Esta é uma surpresa adorável. Espere até o almirante ver qual… tesouro… nós encontramos.”
Endireitei as costas ao encontrar o olhar do homem. “Eu não sou nenhum ‘tesouro’”, respondi com rispidez.
Eu não era uma náufraga indefesa. Eu era uma restauradora. Uma historiadora. Eu lidava com artefatos de séculos atrás para ganhar a vida e havia passado um ano enterrada em relatos das táticas de abordagem de Sosa — algo que me fez procurar a verdade por trás do pergaminho.
Comprometida com minhas pesquisas, eu até tinha passado as noites de terça-feira em um pequeno clube de esgrima histórica perto do museu, aprendendo a mover uma espada como os homens dele fariam. Além disso, passei manhãs silenciosas e furiosas no estande de arremesso de facas que comecei a frequentar depois do Johnathon, atirando até minhas mãos finalmente pararem de tremer. Eu não era boa como um soldado. Mas era boa o bastante para saber qual ponta de uma faca causava o estrago.
Isso não estava acontecendo.
O sorriso dele se transformou em raiva. Ele se abaixou, agarrando meu braço com força, me erguendo de onde eu estava abaixada. A força do puxão me assustou, e seus dedos afundaram na minha pele.
Eu tropecei, mal conseguindo me equilibrar quando o outro homem agarrou meu outro braço, me prendendo entre eles.
“Me soltem”, disparei, lutando contra eles. Era inútil. O aperto deles era como ferro.
Algo frio e pesado se instalou no meu peito. Isso não era um sonho — eu não tinha cochilado na minha mesa, perdida na pesquisa outra vez.
O pensamento me atingiu como uma onda quebrando sobre a minha cabeça, me puxando para o fundo. Isso era real.
Os homens me puxaram para fora da caverna, e a luz do sol me cegou quando saímos na costa. Apertei os olhos contra a luz, e minha respiração falhou quando a visão à minha frente entrou em foco.
Um navio. Enorme. Imponente. Suas velas estavam abertas, e uma bandeira britânica balançava na brisa do mar.
Minhas pernas fraquejaram quando os homens pararam atrás de um homem mais alto, vestido com trajes parecidos. Mas o chapéu dele era diferente, com plumas douradas no topo. Seus cabelos loiros estavam puxados para trás em um rabo de cavalo, amarrados com uma fita para mantê-los no lugar.
Ele estava de pé, calmo. Autoritário.
“Almirante, não conseguimos encontrar a bússola”, o homem à minha direita disse, com um tom cauteloso.
Os ombros do almirante ficaram tensos.
“Mas encontramos algo de valor.”
Ele se virou, e seu olhar parou em mim, como se avaliasse cada centímetro. Um tom de verde afiado e venenoso deslizou sobre mim como uma cobra. Um sorriso de canto surgiu em seus lábios.
“Onde vocês encontraram esta… criatura deslumbrante?” A voz dele era suave.
“Eu não sou uma criatura”, falei rispidamente, erguendo o queixo, apesar do medo que subia pela minha garganta.
Os olhos dele brilharam. “Ousada. Eu gosto disso.”
Um dos homens me ergueu um pouco, afrouxando o aperto. “Nós a encontramos na caverna; não parece estar machucada”, o que estava à minha esquerda respondeu. “Arrumada demais para ter chegado à praia em um naufrágio.”
“Obrigado, William, pode nos deixar sozinhos.” O homem deu um aceno seco com a cabeça e soltou meu braço. “Você também, Edward.”
Os dois soltaram meus braços na mesma hora e se afastaram a passos pesados. Uma dor surda pulsava debaixo da minha manga — eu tinha certeza de que eles tinham deixado um hematoma. Eles marcharam para um pequeno barco a vela, me deixando sozinha com o almirante. Fiquei observando, absorvendo aquele ambiente estranho.
Uma mão subiu — rápido demais — segurando meu queixo e forçando meu rosto em direção ao do homem. Eu fiquei tensa, e cada nervo do meu corpo gritou com o contato.
Eu o estudei sem querer. Pele bronzeada pelo sol. Maçãs do rosto marcadas. Um rosto que poderia ter sido bonito — se não fosse pela frieza em seus olhos.
“Diga-me”, ele murmurou, com uma voz enganosamente suave, “como você foi parar naquela caverna?”
Minha respiração travou enquanto a mão dele descia devagar pela lateral do meu pescoço, e seus dedos deixavam um rastro ardente de repulsa queimando por onde passavam. Ele parou no meu ombro, afastando uma mecha do meu cabelo.
“Você pode confiar em mim.” A voz dele era mortalmente baixa, uma ameaça silenciosa pairando sobre as ondas suaves que batiam contra a maré da enseada.
“Eu… eu acho que…”
Minha voz vacilou enquanto o pânico se instalava.
Ele arqueou uma sobrancelha levemente quando eu falei. “Uma inglesa.” A mão dele caiu enquanto ele fazia uma breve reverência com a cabeça. “Sou o Almirante Thomas Helston. Aos seus serviços, milady.”
Não… isso não era —
O nome dele me atingiu como um soco no peito.
Eu tinha passado um ano pesquisando sobre ele — suas campanhas, sua brutalidade e, acima de tudo, sua rivalidade com o Capitão Lorenzo Sosa.
Isso não podia estar acontecendo.
Ele deu um passo à frente, estudando minha reação. “Qual é o seu nome?”
Pensei em mentir — mas descartei a ideia na mesma hora. Se aquele fosse realmente o Thomas Helston, ele perceberia a mentira. “Mira Jones.”
Ele assentiu, absorvendo a informação. Ele parou ao meu lado, oferecendo o braço. Hesitei por um instante antes de aceitar, permitindo que ele me guiasse pela enseada.
“Devo confessar, Senhorita Jones… Acho curioso que uma inglesa tenha vindo parar na costa de uma ilha espanhola.”
O desconforto tomou conta de mim. Ilha espanhola? A última vez que verifiquei, eu estava na Inglaterra. No meu escritório.
“Você não é uma sereia, é, Senhorita Jones?” Os olhos dele brilharam com humor, embora o mesmo não pudesse ser dito sobre o seu tom.
Analisei minhas opções, mas não cheguei a nenhuma conclusão. O que eu deveria dizer?
Com cuidado, dei a ele um sorriso tímido. “Não, definitivamente não sou.” Olhei para o horizonte à nossa frente, e uma ideia surgiu na minha mente. “Meu barco virou… Consegui chegar à costa, mas…”
“Você estava com alguém?”
Meu olhar voou para ele. Os olhos dele se estreitaram, e eu assenti seriamente. Se ele acreditasse na minha mentira, eu estaria a salvo. Por enquanto.
“Nesse caso, sinto muito pela sua perda.”
Rapidamente baixei o olhar para a areia antes que fosse desmascarada. “Para onde está me levando agora?” perguntei suavemente.
Parando perto do barco a vela onde William e Edward esperavam, Helston me ajudou a entrar na embarcação de madeira, a própria imagem de um perfeito cavalheiro. Embora eu soubesse que era mentira.
“De volta para o meu navio.” O sorriso dele se tornou perverso. “Onde poderemos continuar nossa conversa.”
***
“Bem-vinda ao Endeavor, Senhorita Jones.”
O navio era grande e extravagante, e o ar estava coberto pelo cheiro enjoativo de suor e pólvora. Cada um dos homens pausou seu trabalho, me observando caminhar ao lado do almirante. Havia confusão e julgamento estampados em seus olhares.
Helston caminhou com firmeza passando por cada trabalhador, estalando os dedos para os membros mais jovens de sua tripulação. O som de um chicote estalou no ar, e eu trinquei os dentes, tentando não demonstrar o pânico que me dominava.
“Apenas ignore a tripulação; eles raramente viram uma mulher a bordo de um navio antes. É uma visão espetacular para eles, como você pode imaginar.” O olhar do almirante cortou em minha direção, descendo rapidamente pelo meu corpo.
Respirei fundo para me fortalecer. “Tenho certeza.”
“Alguns dizem que uma mulher a bordo dá azar. Que o navio em que ela embarcar afundará em questão de minutos.” Um sorriso enganosamente charmoso apareceu. “Mas isso é apenas uma lenda do mar que os piratas contam para espalhar medo nos corações de seus companheiros de navio.”
A vaga lembrança de um pedaço de pergaminho com um texto parecido passou pela minha mente.
“Uma lenda do mar”, murmurei, tentando juntar a memória que escapava.
O almirante destrancou a trava de ferro da porta e deu um passo para trás, fazendo um gesto elegante com o braço para que eu entrasse. Fui em frente, entrando no que só poderiam ser os aposentos dele.
O espaço era decorado com vitrines de vidro, brilhando com a luz de velas que balançavam a cada batida das ondas.
Meus pés se moveram pela sala até eu parar ao lado da cadeira em frente à do almirante.
“Por favor, sente-se. Temos muito o que conversar.” A voz de Helston era suave.
Ele apontou para uma cadeira de madeira, e eu retribuí com um sorriso fraco. Ao me sentar, olhei por cima do ombro quando o som da porta se fechando ecoou por mim. Um dos membros da tripulação ficou em posição de sentido, com uma expressão completamente indiferente.
Soltando uma respiração calma e firme, forcei meu tom a se manter neutro ao falar. “O que o senhor deseja discutir, Almirante?”
Um sorriso lento surgiu. “Em primeiro lugar, me chame de Thomas. É muito mais fácil do que o meu título.”
Apertei minhas mãos de forma nervosa no meu colo, debaixo da mesa. “Tem certeza?” Eu sabia que nem mesmo os membros mais próximos de sua tripulação ousariam chamá-lo pelo nome… Fosse qual fosse o jogo que ele estivesse jogando, eu precisava continuar atenta.
“Absoluta.” Ele relaxou na cadeira, com o olhar me avaliando. “A segunda coisa, Senhorita Jones, é que eu devo informá-la que, enquanto estiver a bordo do meu navio, você é uma prisioneira.”
Um choque percorreu meu corpo.
“Você compreende?”
O brilho perverso em seu olhar se destacou na fraca luz das velas.
“Eu compreendo.” Fiz uma pausa, pensando rápido. Inclinei a cabeça em submissão, espiando-o através dos meus cílios. “Thomas.”
Uma sobrancelha arqueada se ergueu, impressionada. “Ah, vejo que aprende rápido. Você me impressiona, milady.”
Dei a ele um pequeno sorriso. “Fico feliz que pense assim.”
“Senhorita Jones, eu preciso ser direto…” Ele inclinou a cabeça, me estudando como se eu fosse um quadro em sua parede. “Como você foi parar em uma caverna na costa de Tortuga, sozinha, está além da minha compreensão. Gostaria de me esclarecer como chegou lá?”
Tortuga?
Ele não podia estar falando sério.
“Eu…”
Thomas se levantou de sua cadeira antes de caminhar ao redor da mesa. Seus dedos deslizavam pela beirada.
“Eu expliquei quando seus homens me agarraram. Meu barco virou. Consegui chegar à praia e fiquei abrigada na caverna para me recuperar.”
Será que ele podia ouvir como o meu coração estava batendo descompassado agora?
A mão de Thomas subiu e percorreu a borda da cadeira em que eu estava sentada, a centímetros do meu ombro.
Tocar uma mulher sem o seu consentimento naquela época era impensável. Ele não ousaria se fosse um cavalheiro, como afirmava ser.
Uma máscara que eu temia que ele usasse bem até demais.
A mão dele descansou de leve no meu ombro, me arrancando um suspiro de susto. “Por favor, aceite minhas desculpas, pois eu não acredito nem por um segundo nessa história que você inventou tão bem.”
Fechei minhas mãos em punhos, com as unhas cravando na pele das minhas palmas. “É a verdade.”
O aperto dele ficou mais forte, as pontas de seus dedos firmes pressionando o ponto de pulsação no meu pescoço. Por instinto, arranhei a mão dele, tentando arrancá-la de mim, gritando.
O almirante se curvou, pressionando com mais força. “Se você não me contar agora, então algum tempo na cela pode soltar a sua língua”, ele rosnou.
A batida antes constante do meu pulso perdeu o ritmo quando a escuridão nublou minha visão.
“Eu farei você falar, Senhorita Jones. Eu sempre faço.”

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