
Os Diabos Livro 2: Blue Eyed Devil
Author
Shala Mungroo
Reads
404K
Chapters
29
Capítulo 1
Livro 2: Blue-Eyed Devil
# DOZE ANOS ANTES
Tirei meus fones de ouvido. Dava para ouvir água espirrando e risadas altas vindas da área da piscina da minha casa. Os sons substituíram a música.
Rolei para fora da cama. Eu estava ouvindo meu álbum favorito dos Backstreet Boys e folheando uma revista Teen Beat. Era isso que eu fazia todo verão. Olhei pela janela grande do meu quarto. A janela dava para o nosso quintal.
Não me surpreendi ao ver meu irmão mais velho, Lucian. Ele estava em casa, de volta da faculdade. Estava jogando uma garota loira na piscina. Ela usava um biquíni rosa chiclete.
O que me surpreendeu foi o cara parado ao lado dele. Meus olhos se estreitaram enquanto eu olhava o estranho de longe. Ele era alto. Era ainda mais alto que meu irmão, que já tinha mais de um metro e oitenta.
Seu cabelo loiro dourado caía sobre os olhos. Ele parecia o Leo, sobre quem eu tinha acabado de ver na minha revista. Seu corpo era magro, mas forte. Parecia que ele praticava algum tipo de esporte.
Minhas sobrancelhas perfeitamente desenhadas se ergueram enquanto eu olhava seu corpo naquele shorts de banho azul-marinho. O shorts ficava baixo nos quadris. Eu queria que ele virasse na minha direção para eu poder ver se o rosto dele era tão bonito quanto o resto.
Lucian raramente trazia amigos para casa. Amigos homens, quero dizer. Ele era quatro anos mais velho que eu, mas sempre estava lá quando eu precisava.
Ele era meu apoio e fazia questão de que passássemos bons momentos juntos, especialmente durante as férias escolares. Nosso pai, Sebastian De Angelis, administrava um negócio bilionário e estava sempre ocupado com trabalho.
Nossa mãe, Mariella, morreu quase cinco anos atrás. A morte dela fez meu pai se afastar ainda mais de nós. Naqueles tempos, parecia que éramos só Lucian e eu contra o mundo.
Desci a longa escadaria curva de chinelos, shorts jeans rasgados e regata. Estava indo para a piscina nos fundos. Parei de repente na frente do espelho do corredor para alisar meu rabo de cavalo longo e escuro. Fiz uma careta para meu reflexo.
Claro, eu era bonita o suficiente, eu acho. Tinha bons genes. Eu tinha cabelo preto longo e olhos azuis brilhantes, igual ao meu irmão. Mas meu corpo era mais magro do que curvilíneo.
Mais de uma vez me disseram que eu tinha corpo de modelo de passarela. Mas eu era tímida demais para me expor daquele jeito. Além disso, meu pai ficaria muito chateado se eu fizesse isso.
Lucian e eu deveríamos ser seus sucessores. Bem, Lucian era. Mas eu deveria estar lá para apoiá-lo, de acordo com a tradição familiar do meu pai. Eu estava determinada a provar que ele estava errado e mostrar que eu podia administrar os negócios De Angelis.
Tudo que ele tinha que fazer era me dar uma chance. Passei pelos seguranças vigiando a casa, como sempre fazia. Saí para o pátio. Imediatamente, meu irmão e seus convidados me notaram.
“Cat! Vem aqui, amor.”
Lucian se puxou para fora da piscina. Água escorria pelo peito e músculos do abdômen. Com um sorriso brincalhão, ele veio na minha direção para me abraçar.
Eu gritei e pulei para fora do alcance. Mas Lucian me pegou nos braços e me abraçou apertado. Eu ri. Não percebi o jeito como o cara loiro estava me observando com interesse.
Lucian se afastou para colocar um braço ao redor dos meus ombros. Ele me virou para encarar seus convidados.
“Cat, aquela ali é a Linda.”
Ele apontou para a garota na piscina, que acenou de volta.
“E este” — ele me virou em direção ao cara loiro para ficarmos a apenas alguns passos de distância — “é Aidan Callaghan, da minha aula de Direito Civil. Lembra que te falei dele?”
Então esse era Aidan. Eu me lembrava de Luc falando sobre o cara que nunca tinha vergonha de responder perguntas na aula. Ou de flertar com as professoras.
Seus olhos cinza claros encontraram os meus de forma equilibrada. Um arrepio de consciência subiu pela minha espinha. Ele era lindo.
Tinha um nariz reto, mandíbula quadrada e sobrancelhas fortes que faziam seus olhos intensos e esfumaçados se destacarem. Eu já podia me sentir sendo puxada para ele. E ainda nem tínhamos sido apresentados direito.
Estendi minha mão e ele a pegou na dele. O toque foi tão elétrico que quase ofeguei. Eu era jovem demais para perceber a mesma reação nos olhos dele, que ele estava tentando cuidadosamente esconder.
“Pequena Cat” — ele disse baixinho. Seu polegar traçou meu pulso interno sem pensar. Isso iniciou um fogo no fundo da minha barriga. — “Finalmente nos conhecemos. Só que você não é tão pequena quanto seu irmão disse.”
Dei a Lucian meu melhor olhar falso de raiva e dei um soco brincalhão no braço dele. Ele me soltou para se juntar a Linda na piscina. Isso me deixou sozinha com Aidan.
“Eu tenho dezesseis anos” — eu disse firmemente, encarando Aidan novamente e cruzando os braços sobre o peito.
Não pude deixar de notar o jeito como ele inclinou a cabeça enquanto me olhava da cabeça aos pés. Isso me deixou muito consciente de que minhas roupas estavam molhadas agora, graças a Lucian. Mas com sorte não transparentes. Seus lábios se moveram como se minha resposta o fizesse sorrir.
“Eu posso ver isso.”
“Você vai ficar com a gente no verão?” — perguntei inocentemente enquanto mergulhava um dedo do pé na piscina para testar a temperatura. Então percebi a carranca dele.
“Só por alguns dias” — ele me disse. Seu rosto se fechou. — “Depois tenho que passar um tempo com minha família na Inglaterra.”
Virei para ele, surpresa.
“Eu amo a Inglaterra! É de lá que você é? Você não parece ter muito sotaque.”
Eu sabia que estava falando demais, mas não conseguia evitar. Ele não parecia se importar nem um pouco. Ele só colocou seus óculos de sol e sorriu para mim. Suas covinhas me distraíram.
“É porque estou estudando na América desde os seis anos.”
Abri a boca, pronta para fazer cem perguntas porque ele era tão interessante. Mas Luc jogou água em nós, me fazendo gritar.
“Vocês podem conversar depois. Entrem!”
Aidan me deu de ombros e pulou na piscina para se juntar aos amigos.
Pelos próximos dias, Luc, Aidan e eu fizemos quase tudo juntos. Fiquei surpresa que eles não se importavam de me ter junto. Fosse ao cinema ou à academia.
De vez em quando, Luc convidava uma garota para se juntar ao nosso novo grupo, mas Aidan não. Era durante esses momentos que ficávamos mais próximos. Aprendemos muito mais um sobre o outro.
Descobri que o pai dele também era um figurão do outro lado do oceano e administrava seu próprio negócio multimilionário. Aidan, como filho único, deveria assumir quando terminasse a faculdade de direito, igual ao Luc. Ele falava com carinho da mãe, mas dava a entender uma criação muito rígida.
Tive a sensação de que o pai dele era muito duro com ele. Quando ele caía naquele humor triste com o qual eu estava rapidamente me familiarizando — quando pensava na família —, eu o provocava para tirá-lo daquilo.
Conforme a semana chegava ao fim e Aidan estava prestes a partir para a Inglaterra, parecia que meu coração estava sendo violentamente arrancado do meu peito.
Eu não percebi que o que tinha começado como uma simples paixão adolescente se transformaria em algo muito mais profundo.
***
“Você tem certeza que precisa ir?” — perguntei. Minha voz estava tremendo.
Aidan assentiu.
“Eu preciso. Minha família precisa de mim lá.”
Mordi meu lábio, tentando segurar as lágrimas.
“Mas e a gente?”
Ele pegou minha mão com delicadeza.
“Vamos fazer dar certo. Eu prometo.”
Olhei nos olhos dele, procurando por garantias.
“Você realmente acha que conseguimos?”
“Sim” — ele disse com firmeza. — “Eu acredito na gente.”
Suspirei, sentindo uma mistura de esperança e desespero.
“Vou sentir sua falta todos os dias.”
“Eu também vou sentir sua falta” — ele sussurrou, me puxando para um abraço apertado.















































