
Os Escolhidos 5: Encurralados
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Segredos Arriscados
Livro 5: Encurralada
CHLOE
Chloe segurou o corrimão. Ela olhou para as duas grandes luas que brilhavam no céu escuro e alienígena de Zibon 8. Ela sentiu tontura ao olhar para baixo pela beirada. Ela estava tão alto que não conseguia ver o chão, fosse oceano ou terra firme.
Olhando para cima, ela tentou se lembrar de como a lua da Terra era diferente. Era triste pensar que quase nunca olhava para ela quando estava em casa. Que quase não notava nada do seu mundo.
Tão presa em sua vidinha, em sua casinha no Texas, ela quase nunca notava o azul do céu ou as estrelas brilhantes.
Ela fechou os olhos, deixando todas as novas sensações arrepiarem sua pele. O toque também era diferente. O cheiro era diferente.
De um jeito estranho, isso a fez sentir saudade de casa. Ela estava começando a sentir falta do azul. Da lua única.
De tudo que antes era normal.
Chloe abriu os olhos. A nostalgia veio, foi embora e não durou muito. A emoção de um novo mundo, de uma nova vida, estava esperando por ela, implorando para que ela a agarrasse.
Mas ela não podia. Ela não tinha permissão para fazer isso.
Chloe franziu a testa. Por mais que sua vida na Terra fosse irritante, chata e sufocante, pelo menos ela podia sair de casa. Pelo menos ela tinha permissão para ter algum tipo de vida.
Chloe piscou quando uma presença grande e quente se fez notar. Duas mãos enormes seguraram o corrimão ao lado das dela. O ar parecia estar vibrando.
O cheiro dele invadiu seu corpo como um perfume. Ela respirou fundo e soltou o ar. Na mesma hora, suas dúvidas e arrependimentos foram embora.
Como ele fazia isso? Eles se conheciam há quase um ano. Eles não se desgrudavam nem por um minuto todos os dias.
Como ele podia parecer um estranho lindo e maravilhoso que ela ainda estava conhecendo, mas, ao mesmo tempo, parecer alguém que ela conhecia há muitas vidas?
Tor apoiou o queixo na cabeça dela. “Você pensa demais.”
“Sim.”
“Nós precisamos ir.”
Chloe fungou. “Toque de recolher é para crianças.”
“Eu concordo, mas o que podemos fazer?”
Chloe se encostou nele. O peito quente dele pressionou as costas dela. “O que vai acontecer se a gente quebrar a regra?”
“Acho que eles vão nos arrastar de volta.”
“Então qual é a pressa?” Ela sentiu um frio na barriga de emoção. “Por que não dar um pouco de trabalho a eles para variar?”
Ele riu. “Acho que podemos ver no que dá.”
Chloe olhou para o céu noturno de Zibon 8. Ela tentou afastar seus pensamentos de Tor, mas era difícil. E parecia ficar cada vez mais difícil a cada dia que passava.
“O nosso laço está ficando mais forte?” ela perguntou.
“Por que você diz isso?”
“Eu realmente preciso responder?” Ela entrelaçou os dedos nos dele. “Isso não te preocupa?”
“Você realmente precisa perguntar?”
Chloe estava frustrada, mas não conseguiu evitar um sorriso. Tor sempre fazia isso com ela. Ele a fazia sentir muitas coisas opostas.
Ela se virou nos braços dele. Tor também estava sorrindo. Seu cabelo longo e escuro caía sobre os ombros grandes, balançando com a brisa.
O rosto alienígena dele de repente a impressionou: seu maxilar grande demais, suas maçãs do rosto altas demais, aqueles olhos amarelos de predador. Seu tamanho enorme era outra coisa; a fazia tremer, fazia o coração dela bater mais forte, fazia com que ela quisesse se encolher nele como uma gatinha e se perder totalmente.
Ele sempre a lembrava de sua natureza de “fêmea” de um jeito que nenhuma outra pessoa fazia.
A camisa prateada dele brilhava. O seu sorriso ficou ainda maior. Isso fez o estômago dela dar um salto.
Segurando o rosto dele, Chloe olhou fundo em seus olhos amarelos. Eles brilhavam sob a luz da lua e pareciam atravessá-la até os ossos. A ponta da língua dela formigou.
A boca dela encheu de água. Ela não percebeu que o estava beijando até uma voz mandar que eles parassem.
Eles se separaram num pulo.
“Toque de recolher!” a voz esbravejou.
Chloe limpou a boca no susto. As bochechas de Tor estavam coradas. Os olhos dele brilhavam como ouro líquido. Ele estava ofegante ao se virar para olhar quem os havia atrapalhado.
Dois homens estavam na entrada da sacada, de braços cruzados.
Tor colocou o braço em volta dos ombros de Chloe de um jeito relaxado. Ele até riu. “E o que vocês vão fazer a respeito? Vão lutar comigo? Me machucar? Vão machucar a minha fêmea?” Tor apertou Chloe de leve. “Venham, então, eu duvido.”
“É apenas o nosso trabalho, Tor. É o que mantém você seguro,” o homem da esquerda falou.
“Sem querer ofender, Darrin. Mas acho que posso cuidar da Chloe melhor do que você. Você não acha?”
“Não piore as coisas. Só voltem para o seu quarto,” ele disse. Ele parecia cansado.
Tor ia falar de novo, mas Chloe o impediu. “Vamos voltar logo. Eu não quero me estressar.” Ela fuzilou os dois homens com os olhos. “Nós não vamos ficar muito tempo aqui. Se vocês querem um bebê meu, vão ter que começar a fazer o que eu mandar.”
Com isso, ela pegou a mão de Tor e saiu pisando duro pela sacada. Os dois Zibons saíram do caminho deles.
Quando eles já estavam longe, Tor disse: “Você continua me surpreendendo. De onde saiu isso?”
Chloe deu de ombros, brava demais para falar. Ela estava tremendo enquanto caminhavam para os quartos das mulheres.
Quando chegaram ao quarto, Chloe sentou na beirada da cama, sem fôlego. As luzes automáticas se acenderam.
“Se acalme,” Tor disse de testa franzida. “Você vai acabar ficando doente. Você está me deixando doente.” Ele esfregou a barriga. “Não deixe eles entrarem na sua cabeça.”
“É fácil para você falar,” Chloe disse. “Eles não te tratam como um cachorro de procriação sem nenhum outro objetivo na vida.”
“Eles não pensam assim.”
Chloe deu uma risada amarga. Ele tentou se sentar e pegar a mão dela, mas Chloe se levantou. Ela começou a andar de um lado para o outro no quarto.
As janelas estavam abertas, e a brisa a deixava inquieta. Ela parecia estar sempre inquieta. Inquieta para ir embora.
Inquieta para fazer alguma coisa. Inquieta por Tor.
Inquieta. Inquieta. Inquieta.
Ela arranhou o pescoço com as unhas.
“Eles estão começando a me olhar de um jeito estranho,” Chloe disse. “Você não notou? Eles estão começando a ficar desconfiados.”
Ela tocou o próprio olho. Toda manhã, ela procurava pelos caroços reveladores. Ela queria ter certeza de que os cuidados deles ainda estavam funcionando.
“Eu não vou negar isso,” Tor disse.
“O que você acha que vai acontecer quando eles descobrirem?”
“Eu não sei dizer.”
“Mas você está preocupado,” ela disse. “Você acha que eles vão... Você acha que eles vão forçar a gente?”
Ele não respondeu. Chloe pôde sentir o nervosismo através do laço deles.
“Não é justo,” ela disse.
“Eu sei. Me desculpe.”
“Pare com essa culpa. Eu não te culpo.”
“Você deveria. A culpa é minha.”
“Você me salvou.”
“E te prendi de novo.”
“Não.” Ela apertou a garganta enquanto a vontade de chorar aumentava. “Mesmo se... mesmo se eu fosse forçada, eu ainda iria preferir isso. Eu preferiria viver isso por várias vidas a voltar para o que eu tinha antes. Pelo menos estarei com você.”
Tor se levantou e foi até ela.
“Você diz isso por causa do laço, mas eu fico feliz.” Sorrindo, ele fez carinho no nariz dela com seu dedo grande. “Nós vamos passar por isso.”
Chloe olhou fundo nos olhos dele. “Desde que a gente esteja junto.”
“Nós temos que ficar juntos, lembra?” Ele caiu na gargalhada. “Não temos escolha!”
Chloe sorriu. Suas lágrimas secaram enquanto o bom humor dele ecoava de um jeito sombrio e maravilhoso através do laço deles. Enquanto ele ria, ela observou o pomo de adão dele subir e descer na garganta.
Isso fez o pescoço dele parecer mais grosso. Os ombros mais largos e as mãos mais enormes. De repente, a presença dele tomou conta de todo o quarto.
Ficando na ponta dos pés, ela apertou seus lábios contra os dele.














































