
Os Irmãos Bennett
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Capítulo 1
Encontros Inesperados
ROSEMARY
Os dias de Rosemary Dalton na Winters Gallery se confundem — a elite de Manhattan não tem tempo para realmente olhar para a arte, então ela passa os dias literalmente vendo a tinta secar. Até esta sexta-feira, quando Alexander Bennett entra em sua loja e vira seu mundo de cabeça para baixo.
Com um suspiro, Rose olha ao redor da galeria de arte vazia. Não está vazia de arte, não. O lugar está abarrotado de pinturas; só não há clientes. Pelo menos, nenhum que tenha entrado da rua.
A Winters Gallery, na Sexta Rua, tem muitos clientes, mas eles são de um nível socioeconômico mais alto. Eles têm coisas melhores a fazer do que escolher quais pigmentos superfaturados decorarão as paredes de suas casas superfaturadas, então Rose faz isso por eles.
Como uma negociante de arte com essa clientela, ela já se deparou com muitas pessoas que compram com base no nome do artista, e não na arte. Ela poderia jogar um pedaço de merda em uma tela, dizer que é um van Gogh e convencer qualquer elitista de Nova York a gastar dezenas de milhares de dólares naquilo.
Rose sempre gostou de arte; ela cria a sua própria de vez em quando, mas apenas para si mesma. Talvez um dia sua arte cubra as paredes da casa de sua própria família.
Uma formada em história da arte e gestão de negócios pela NYU que não deseja nada além de viver a vida de seus pais — essa é Rose.
Maria e Anthony Dalton são o exemplo perfeito de casal. Eles foram namorados no ensino médio, casaram-se jovens, tiveram filhos e abriram uma padaria de sucesso no Brooklyn. Eles passam todos os momentos de seus dias juntos, e Rose nunca os ouviu brigar.
Eles têm aquele algo raro e especial, e Rose tem quase certeza de que encontrou isso com seu namorado de dois meses, Eric Holmes.
Embora não estejam juntos há muito tempo, ele não tem feito nada além de enchê-la de afeto, atenção e presentes desde o primeiro dia, e Rose se apaixonou perdidamente por ele.
Ela se apoia no balcão de mármore, tentada a pegar o celular, mas sabe que, se o fizer, a Gremlin vai aparecer — com a sorte que ela tem.
Elizabeth Winters, também conhecida como a Gremlin, a esnobe com cara de cansada, que usa pérolas e é dona da galeria, é tão fria quanto o nome sugere. E apesar da gratidão de Rose por ter conseguido um emprego em um estabelecimento tão prestigiado logo após a faculdade, a Sra. Winters continua sendo uma mulher saída dos pesadelos.
Rose suspira novamente, batendo seu lápis 2B na mesa e observando-o quicar na madeira.
“Estou interrompendo?” uma voz grave pergunta.
Assustada, Rose levanta os olhos e ofega ao ver quem é.
Entrando na galeria há um homem bem-vestido com um rosto familiar. Seu cabelo castanho tem um corte perfeito, e o caimento justo do terno deixa pouco para a imaginação, exibindo seus ombros musculosos.
É ele! É o cara!
Borboletas dançam em seu estômago enquanto sua mente passa rapidamente pelas vezes em que ela e o seu homem misterioso se cruzaram nos últimos doze anos. Mas, num segundo olhar, este estranho não se parece inteiramente com ele.
Rose estuda os traços dele enquanto ele passeia pela galeria, ignorando-a, o que lhe diz definitivamente que ele — apesar da estranha semelhança — não é o seu homem. Ela suspira, balançando a cabeça, incapaz de conter a decepção que brota dentro de si.
A maneira como ele se porta enquanto olha ao redor do espaço exala um ar de pomposidade, que Rose vê o tempo todo na clientela. “É por isso que a sua galeria é tão recomendada”, o homem diz.
Ela não sabe dizer se aquilo é uma pergunta ou uma afirmação, se ele está sendo desdenhoso ou se está genuinamente impressionado. No entanto, quando ele torce o nariz para algumas das pinturas, ela entende. Ela não consegue evitar um sorriso ao notar que o homem tem gostos parecidos com os seus.
Depois de alisar as dobras da sua saia lápis azul-marinho, ela dá a volta no balcão, dizendo: “Se estas não forem do seu agrado, podemos ajudá-lo a encontrar o que procura. Ou podemos oferecer peças comissionadas de forma privada.”
Ele murmura, sem dar uma resposta definitiva — e ainda a ignorando.
Rose se pega estudando-o de novo. Ele é quase exatamente igual ao seu homem misterioso: mesma cor de cabelo, lábios grossos, nariz reto, queixo esculpido, estrutura óssea facial, porte físico e—
Um fungado vindo da porta tira Rose de seus pensamentos. Ela se vira para encarar a figura que está ali e vê que é uma mulher que ela realmente conhece.
“Benny? Oi”, Rose diz, aproximando-se dela.
Bernadette Carroll, uma cliente antiga da padaria de seus pais, tem um olhar exausto ao fazer contato visual com a mão estendida de Rose. “Ah!”, ela diz, atrapalhando-se com os dois celulares, o caderno e a caneta nas mãos. “Rose, como você está?”
Rose dá uma risadinha enquanto elas apertam as mãos de forma desajeitada. “Eu estou bem. Posso… te ajudar com alguma coisa?”
Alguns fios de cabelo escapam do coque de Benny, que grita praticidade em vez de estilo. “Não. Acredito que ele está só dando uma olhada”, Benny diz com um pequeno sorriso, antes de dar atenção a um dos celulares.
“Então, ele é o seu infame chefe?”, Rose pergunta. “Ele parece mais intenso do que você descreveu.”
“Esse é o típico Sr. Alexander Bennett”, Benny responde com um aceno de cabeça.
Bennett.
Por que esse nome é tão familiar?
Bennett.
Bennett.
“Estas”, ele ordena com um resmungo alto, sua voz atraindo a atenção de Rose para trás dela.
Ela dá um pulo, se vira e entra em pânico quando vê uma sombra se movendo na sala dos fundos. “Ah, me desculpe, senhor, mas aquela sala é só para funcionários”, ela diz, correndo até ele com seu sorriso mais educado.
“Eu quero estas”, ele diz, seu tom não deixando espaço para discussão.
O coração de Rose salta pela boca, enchendo-se de orgulho e medo. Ele está apontando para as pinturas dela, aquelas que ela colocou ali hoje de manhã para poder levar para o apartamento de Eric depois do trabalho.
“Hum… essas não estão à venda.” Rose dá um passo na direção dele, com os punhos cerrados para evitar ficar torcendo as mãos.
“Bobagem. Tudo está à venda.” O Sr. Bennett descarta as palavras dela. “Eu vou levar estas cinco.” Ele se vira para olhar para ela. “E mais vinte e cinco até o fim do mês.”
Rose fica boquiaberta, atordoada e em silêncio. Ele gostou tanto assim do meu trabalho?
Aparentemente tomando o silêncio dela como concordância, ele sai do pequeno espaço e vai em direção à porta da frente. Levantando a mão em uma espécie de aceno, ele diz: “Diga ao artista para começar a trabalhar. A Carroll aqui vai resolver os detalhes.”
E então, como um redemoinho que se dissipa depois de perturbar a calmaria, Alexander Bennett vai embora.
O que diabos acabou de acontecer?














































