
Os Irmãos Brimstone Livro 4: Axel
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Prólogo
Livro 4: Axel
VICTOR
Aos olhos do público, Victor Humphry era apenas o lanterninha do teatro. Mas ele e o seu trabalho eram mais importantes do que pareciam.
Os espectadores achavam que ele era um homem sem graça que apenas os levava até as cadeiras, mas não faziam ideia de quem ele era após o fim do espetáculo.
Ele não era um homem bonito, mas era muito charmoso. A cabeceira de sua cama estava cheia de entalhes deixados por atrizes que começaram a carreira nos teatros antes de virarem estrelas do cinema mudo.
É claro que ele sabia que as atrizes o usavam para conseguir bons papéis, mas isso não incomodava Victor. Ele ficava feliz em ajudá-las.
As pessoas cochichavam sobre filmes com som, mas Victor achava que isso era uma grande bobagem. Mesmo que os filmes com som fossem reais, ele duvidava que eles teriam a mesma magia das peças ao vivo em um palco.
Assistir a um ator se apresentar ao vivo era algo mágico. Vê-los prender a respiração quando percebiam que tinham perdido a deixa e ver seus rostos ficarem vermelhos por causa de algum problema com a roupa o enchia de suspense.
Mesmo que esses momentos fizessem qualquer pessoa normal fugir de tanta vergonha, os atores profissionais sempre encontravam coragem para continuar pelo bem do espetáculo. Era isso que fazia da atuação uma verdadeira arte.
Victor preferia os pequenos erros e as falhas humanas às atuações perfeitas e editadas nas telas de cinema.
Outras pessoas também não deviam gostar de filmes. A apresentação desta noite no Profit's Playhouse era um musical chamado The Chicken or the Hen. Mesmo com um nome sem muito drama, o teatro estava completamente lotado hoje.
Depois que Victor levou os últimos clientes aos seus lugares, ele caminhou rapidamente pela rua até o novo cinema no fim da cidade. Ele ficou feliz em ver que a fila do lado de fora estava bem pequena.
Das portas fechadas do teatro, Victor podia ouvir a última música tocar, o que avisava que o intervalo estava chegando. Ele se apressou, abotoou a sua jaqueta de lanterninha e foi para o seu lugar, pronto para liberar as pessoas que tinham evitado usar o banheiro com medo de atrapalhar a peça.
A música escolhida para a pausa no meio do ato era uma canção animada, cantada por Veronica Cramer, uma das novas estrelas do teatro. Ela era linda e tinha uma voz incrível.
Embora Victor concordasse que a presença dela no palco era maravilhosa, ela era um pouco puritana. Ele não achava que ela faria muito sucesso no mundo do espetáculo.
Victor não esperava muito dessa peça chata, mas ele gostava das músicas, especialmente da canção que fechava a primeira parte. Ele se inclinou na direção da porta, muito ansioso.
Porém, quando Victor encostou o ouvido na porta, ele percebeu que a cantora estava desafinada, e até a música dos instrumentos de corda parecia estranha. Os sons que vinham de trás da porta deixaram a sua cabeça tonta.
Ele balançou um pouco sobre os pés enquanto lutava contra um forte enjoo. Ele cobriu a boca e deu alguns passos para trás enquanto tentava se recuperar daquela sensação esquisita.
Quando a música chegou ao fim, Victor esperou mais sessenta segundos antes de abrir as portas. Ele esperava ver muitas pessoas ansiosas para usar o banheiro mais próximo e comprar um lanche.
Depois de terminar de contar, ele girou as maçanetas e abriu bem as portas. Ele saiu do caminho rapidamente, dando bastante espaço para o público passar. Mas a correria não aconteceu. A única coisa que saiu lá de dentro foi um cheiro muito ruim.
Victor recuou de nojo e os seus olhos se encheram de água. Ele enfiou a mão no bolso e pegou o seu lenço, cobrindo o nariz enquanto piscava para afastar as lágrimas que começavam a escorrer pelo seu rosto.
Mesmo com nojo daquele cheiro, ele sabia que precisava olhar o que estava acontecendo. Era o seu trabalho. Ele respirou fundo, deu um passo à frente e olhou para dentro do teatro. Ele se arrependeu na mesma hora, pois deu de cara com uma cena terrível.
Apenas uma hora antes, ele tinha recebido os casais ricos que sempre iam ao teatro, os homens trabalhadores que só vinham para ver as atrizes bonitas, e os jovens apaixonados que queriam fugir dos olhares vigilantes dos pais.
Victor tinha recebido cada um deles, feliz ao ver que os ingressos da peça tinham esgotado. Antes de fechar a porta, ele parou por um momento para sentir a energia alegre que enchia a sala.
As cadeiras continuavam cheias, mas as pessoas saudáveis que tinham entrado no teatro não estavam mais nelas. Em vez disso, as cadeiras estavam cheias de cadáveres apodrecendo.
Um barulho fez Victor olhar para o palco. Lá, ele viu um esqueleto, que vestia a roupa da grande estrela do show, caindo no chão.














































