
Os Viajantes de Tyr Livro 6: Bate na Madeira
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Capítulo 1
Riders of Tyr Livro 6: Knock on Wood
WOOD
A manhã me encontra sozinho na cozinha. Não importa até que horas eu fiquei acordado, ou se o que eu faço pode sequer ser chamado de sono, eu sempre acordo no mesmo horário. É um hábito gravado em mim por um sargento durão durante o meu treinamento dos SEALs.
Estou segurando firme a bancada da cozinha, tentando não perder o controle de tudo. Apesar de duas horas na academia e uma hora de corrida, meu corpo continua tenso, como se houvesse uma arma apontada para ele.
Balanço a cabeça, limpando minhas mãos suadas na minha camiseta. Depois de lavar as mãos, vou direto para a geladeira pegar os ingredientes que preciso. Encontro mais alguns nos armários.
Cozinhar é a única coisa que consegue me acalmar. Se a minha equipe dos SEALs pudesse me ver agora, sempre cozinhando, assando coisas, mexendo em panelas e essas merdas, eles provavelmente iriam rir. Ou talvez não.
Cada um de nós encontrou sua própria maneira de lidar com as coisas que vivemos no serviço militar. Eu me certifico de que tenho tudo o que preciso para uma quiche grande e foco nisso. Eu posso controlar os ingredientes. Eu comando a receita. Eu decido o resultado.
Estou criando algo. Estou em paz.
“Bom dia, Wood,” uma voz interrompe atrás de mim.
Lá se vai a minha paz. Eu rango os dentes e passo a mão na barba, nervoso, enquanto me viro para encarar a mulher atrás de mim. Já faz muito tempo, supera isso, eu dou bronca em mim mesmo na minha cabeça.
“Bom dia, Iris.” Minha voz sai mais áspera do que eu queria.
“O que você está preparando?” Iris pergunta, se aproximando de mim.
Preciso de todo o meu autocontrole para não deixar meu olhar parado nela. Fracasso, eu me castigo, desviando os olhos, mas não sem antes olhar bem para ela.
Ela está usando um short jeans, mais comprido do que a maioria das mulheres que andam com os Riders usa, e uma blusa azul frente única que realça o azul dos seus olhos cinzas. O olhar dela é claro, aberto, sincero.
Foi esse olhar que me atraiu primeiro. A mulher baixinha vindo até mim com um sorriso verdadeiro é a única que eu já...
“Estou fazendo uma quiche.” Eu corto meus pensamentos antes que eles possam ir longe demais.
“Quiche,” Iris repete, olhando para a bancada. “Precisa de ajuda?”
Eu fico tenso. Ter ela por perto dói demais. Eu a queria, estava pronto para tomá-la como minha.
Mas ela pertence ao Rage. Ela tem a tatuagem dele nas costas e o nome dele no dedo anelar. O Rage tem o nome dela na mão direita e uma única e marcante flor de íris azul sobre o coração.
Ela o ama. Ela o escolheu, não a mim.
“Não, estou bem,” consigo dizer, forçando um sorriso.
É tão fácil fingir que está tudo bem. De certa forma, o Rage é quem tem a mente sã. Todo mundo chama ele de psicopata, mas ele apenas deixa a sua escuridão interior aparecer, sem se importar com o que os outros pensam.
Eu posso ser duas vezes mais perturbado do que ele, mas eu me escondo atrás de uma máscara, morrendo de medo de deixar as pessoas se aproximarem.
Eu me viro de volta para a bancada. “Então, o que traz você à sede do clube?”
“Eu ainda trabalho do outro lado da rua, Wood.” Iris começa a preparar café para todos, como ela fazia todas as manhãs antes de ir morar com o Rage. “O trabalho está ficando mais agitado, e mais pessoas estão pedindo para serem atendidas por mim.”
“Então você deveria fazer um trabalho pior,” eu brinco. “Fiquei sabendo que tem gente vindo do outro lado da baía só para você mexer nos carros deles.”
Iris dá uma risadinha, e isso dói como uma facada no meu coração. Eu deveria ter tentado alguma coisa quando ela chegou aqui.
Eu vi a luz dela por trás do medo que ela usava para se esconder. Nós éramos próximos na época. Ela era nova. Eu ainda era um thrall.
Nós passávamos horas juntos, eu ajudando ela, e ela cuidando dos Riders. Eu fui muito idiota.
“Eu recebi uma proposta de uma equipe da NASCAR,” Iris diz em voz baixa.
“Porra! Isso é ótimo!” Eu largo o que estou fazendo para prestar atenção nela.
“Eu... Eu não sei... Eu não quero deixar os Riders.” Iris passa a língua nos lábios, e eu não consigo evitar acompanhar o movimento. “E eu não sei como o Rage vai aceitar isso.”
“Você não contou para ele?”
“Ainda não. Na verdade, você é a primeira pessoa para quem eu contei.”
Outra facada no coração. A Iris sempre confiou em mim, sempre me considerou um amigo. Apenas um amigo.
Ela já era do Rage mesmo antes de eles saberem disso. Mas é bom sentir que ela confia em mim. Eu posso me apegar a isso e deixar todo o resto de lado.
“Converse com ele, Iris. O Rage ama você”, ele ama mesmo, maldito seja, “e ele não ficaria no caminho dos seus sonhos.”
“Obrigada, Wood.” Iris coloca a mão no meu ombro, e eu de repente sinto calor. “É sempre bom conversar com você.”
“Sempre que precisar, garota,” consigo dizer, voltando a cozinhar.
Iris dá uma olhada na geladeira, tira as coisas da máquina de lavar, anota algumas coisas para os thralls e depois vai embora.
“Tenha um bom dia, Wood,” ela diz por cima do ombro.
Duvido muito.
“Você também, Iris,” eu respondo, olhando por cima do meu ombro.
Porra, como ela está linda. Eu sei que é errado, mas ver a Iris tão maravilhosa não ajuda em nada a minha dor de cabeça forte.
Ela é a mistura perfeita de inocência e sensualidade. E ela pertence a um irmão.
Eu decido descontar a minha frustração nos ovos, e é exatamente isso que eu faço.
















































