
Paixões Domadas
Author
D. T. Jones
Reads
274K
Chapters
101
Capítulo Um
AGOSTO DE 1876
Julia estava deitada no escuro do pequeno leito, olhando para o teto, sendo o único som o dos trilhos debaixo das grandes rodas da locomotiva. As lembranças dos últimos dias a invadiram, e mais uma vez ela ouviu o eco de Sharon Farnsworth, forçando-a a fechar os olhos vermelhos e inchados para a dor.
“Você é uma assassina de sangue frio”, Sharon gritou; suas palavras furiosas podiam ser ouvidas sobre o estrondo do trovão nos céus escuros. “Você matou a minha irmã, confesse. Você tinha inveja dela e a empurrou naquele maldito lago. Você afogou a Heather por ciúme e ganância.”
O frio da angústia tomou conta dela enquanto as lágrimas começavam a escorrer pelo seu rosto.
Fazia apenas dois dias que ela estivera no pior lugar da Terra. O som do trovão ribombava nos céus enquanto nuvens escuras bloqueavam o sol.
A brisa que soprava pelo local lembrava a todos do dia solene e de por que eles estavam ali, parados em volta de um buraco aberto no chão.
O vestido longo de Julia era uma saia simples de tafetá preto com um corpete modesto e mangas compridas. Ela usava um chapéu de luto simples de lã preta com um véu preto que escondia seus olhos vermelhos e inchados.
O Reverendo Parker estava ao lado de um caixão de nogueira escura, fazendo orações enquanto a família de Heather Farnsworth soluçava ao redor.
A Sra. Farnsworth era amparada, não pelo marido, mas pelo banqueiro, o Sr. Hollings, e o Sr. Farnsworth estava de pé entre o filho Peter e a filha Sharon.
Julia, de dezessete anos, estava com seus pais, Victor e Louise Turner, e seu irmão mais novo, Jeremy. Ela sentia os braços da mãe e do irmão, mas o vazio frio que cercava seu coração não conseguia ser aquecido.
Os seis carregadores pegaram cordas longas e grossas e desceram o caixão com cuidado para dentro do buraco enquanto os soluços aumentavam. As flores que cada um dos membros da família segurava foram jogadas sobre a tampa fechada.
O Reverendo Parker fez mais uma oração enquanto os trabalhadores do cemitério se aproximavam, prontos para cobrir o túmulo com terra.
Julia lutou para conter os soluços ao se virar. O braço do seu irmão estava em volta da sua cintura para apoiá-la.
Ela caminhou ao lado da mãe e do pai, e estava quase na sua Dearborn quando uma voz aguda ecoou atrás deles.
“Como você ousa mostrar a sua cara aqui?”, Sharon gritou, fazendo com que os Turner olhassem para trás, assim como muitos dos enlutados que se dirigiam às suas carruagens.
“Você é uma assassina de sangue frio”, disse Sharon, chegando mais perto de Julia, apenas para ter seu caminho bloqueado pelo irmão mais novo dela, Jeremy. “Você matou a minha irmã, confesse. Você tinha inveja dela e a empurrou naquele maldito lago. Você afogou a Heather por ciúme e ganância.”
“Eu não fiz isso”, disse Julia enquanto os soluços tomavam conta de suas palavras. “Eu sinto muito...”
“Já chega, mocinha”, disse Victor Turner, movendo-se para ficar ao lado do filho. “A morte da Heather foi um acidente.”
“Aquela vadiazinha assassinou a minha irmã, e todo mundo sabe disso”, Sharon gritou, puxando o braço quando seu irmão o segurou. “Ela merece morrer. Ela precisa apodrecer no inferno pelo que fez com a Heather.”
“Sharon, já chega”, Peter discutiu. “Entre na carruagem neste instante.”
“Ela é uma assassina”, a garota gritou, batendo o pé na terra, apontando para o túmulo e para os trabalhadores que estavam ao lado dele, encarando a mulher. “Ela deveria estar naquele túmulo, não a Heather. Ela merece morrer.”
“Sharon, eu disse para parar”, Peter lhe falou enquanto seus pais vinham ajudá-lo. “Este não é o lugar para começar a dar chilique. Agora, vá para casa.”
“Nem mais uma palavra”, a Sra. Farnsworth disse à filha. “Já não houve tristeza suficiente por um dia?”
“Como vocês podem ignorar o fato de que aquela bruxa matou a sua filha?”, ela rosnou.
“Entre na carruagem”, Peter ordenou com firmeza.
“É melhor você tomar cuidado, Julia Turner”, Sharon lhe disse. “Um dia você vai receber o que merece. Apenas espere para ver. Se o destino não pegar você, eu pego. Eu vou fazer você pagar por assassinar a minha irmã.”
Aquelas palavras ecoavam pela mente de Julia enquanto ela tentava puxar o travesseiro ao redor das orelhas. Assassina. Você é uma assassina. Não importava o quanto tentasse, ela não conseguia escapar da dor.
O Xerife Patrick e o Dr. Stewart consideraram a morte de Heather um acidente, mas Julia sabia a verdade. Foi por causa dela que Heather estava morta.
A culpa era dela. Ela deveria ter sido a única a morrer.
Enxugando as lágrimas, Julia respirou fundo. Talvez esse fosse o seu castigo.
Talvez viver fosse o inferno que ela merecia pelo que havia feito. Talvez ela estivesse destinada a sofrer e sentir a culpa devastadora pelo resto da vida.
Julia adormeceu lentamente, as lágrimas manchando o travesseiro debaixo de sua cabeça enquanto imagens do corpo morto de Heather vinham à sua mente e a voz estridente de Sharon continuava a ecoar.
“Assassina. Você matou a Heather. Você deveria estar naquele túmulo. Você matou a Heather. Você é uma assassina de sangue frio. Um dia, você vai receber o que merece, Julia Turner. Se o destino não pegar você, eu pego. Eu vou fazer você pagar por assassinar a minha irmã.”
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