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Ponto de Virada Livro 3

Autor
Lyra Lawson
Leituras
15,0K
Capítulos
36
Autor
Lyra Lawson
Leituras
15,0K
Capítulos
36
🥵Literatura erótica🏙️Contemporâneo

A vida de Sophie Callahan dá uma guinada inesperada quando ela conhece Evan, um viajante afetado pelo esquema de pirâmide de sua mãe. À medida que se aproximam por meio de experiências compartilhadas e embarcam em uma jornada pela Austrália, o relacionamento deles se aprofunda em meio a traumas pessoais e aventuras românticas. Mas, enquanto lidam com o amor, a perda e as complexidades de seus passados, Sophie e Evan precisam confrontar seus medos e desejos mais profundos para encontrar um futuro juntos.

1: Capítulo Um

Livro 3: Mergulhando no Amor

Naquela manhã, acordei com o meu telefone apitando, e li que o primeiro dos seis pagamentos da chantagem havia entrado na conta bancária da Sophie Marie Callahan.
Eu sorri para a tela. Agora que o dinheiro da Linda estava entrando na minha conta, eu poderia me mudar dessa porra de hostel para um Airbnb decente.
Como sou uma mulher adulta com um mestrado e graves traumas de infância, eu não quero mais cozinhar em uma cozinha compartilhada ou dormir em um beliche, num quarto com sete mochileiros.
Afinal, o plano de chantagear a Linda valeu a pena.
A Linda Callahan, anteriormente conhecida como minha mãe, comandava um esquema de pirâmide. Ela fundou o esquema, o que significa que ela era a líder.
Os subordinados dela vendiam suplementos de saúde que eram, na verdade, laxantes coloridos superfaturados, o que é irônico, porque a Linda e seus comparsas viviam fazendo merda. Eu tinha um monte de gravações dela admitindo esse fato.
Foi aí que entrou a chantagem. Em troca de cinquenta mil dólares, eu manteria as gravações em segredo.
Parece uma quantia excessiva de dinheiro, mas a minha mãe estava ganhando dinheiro mais rápido do que um vendedor de sorvete no verão. Ao longo de um ano, ela ganhou milhões de dólares com o seu esquema de suplementos.
Meu irmão já havia denunciado a nossa mãe à Polícia Federal, mas a Linda não sabia sobre a investigação. Então, por que não ganhar algum dinheiro e tirar umas merecidas férias antes que a polícia leve tudo embora?
"E aí, tá indo embora?" o recepcionista, que eu chamo simplesmente de ‘cara do hostel’ perguntou, claramente entediado.
Considerando que ele estava sem camisa, mostrando uma tatuagem de prancha de surfe e com a maior cara de tédio, ele obviamente preferia estar na praia agora.
"Sim. Eu sou a Sophie Callahan, tava no dormitório B."
"Então você vai seguir viagem pelo mundo mágico de Oz?" ele cutucou.
'Oz' no meu contexto era a Austrália, não o lugar onde a Dorothy pousou quando o tornado a atingiu.
"Não. Vou ficar aqui em Perth, mesmo. Meu salário acabou de cair então eu vou me mudar pra um Airbnb."
"Oh. Onde é esse Airbnb?"
Eu ainda tinha que reservar. Eu só queria dar o fora desse hostel logo. "Fica... é... pros lados de Elizabeth Quay," eu menti. Eu não estava com saco para explicar a minha situação, e o cara do hostel provavelmente não estava com saco para ouvir.
Ele assentiu. "Pode crer."
Eu sorri, terminando a conversa. Nunca fui uma pessoa muito sociável.
Tem quem goste de me chamar de arrogante, mas prefiro pensar que as pessoas arrogantes são assim de propósito, enquanto pessoas hostis como eu são hostis porque os seus cérebros já ficaram mais fodidos do que os Teletubbies depois de várias dose de ácido.
"Tudo bem, aproveita Perth", o cara do hostel disse. Enquanto eu me afastava, ouvi-o falar com outra pessoa, sem nem mesmo parar para respirar, "Tá chegando?"
"Ah, não. Eu queria ver se vocês estão contratando?" uma voz masculina americana falou atrás de mim. "Tipo, trabalho temporário?"
Achei que, hoje em dia, as empresas só contratavam pela internet. Interessante. Eu havia fugido dos Estados Unidos um dia depois da minha formatura, então isso significava que eu deveria me preparar para trabalhar assim que o meu visto de turista expirar.
Além disso, o mochileiro desempregado tinha uma voz sexy. Escutar a conversa parecia um bom plano.
"Não, não estamos contratando. Foi mal, cara", respondeu o cara do hostel.
"Porra!" O mochileiro desempregado resmungou. "Eu emprestei dinheiro pra minha mãe, mas ela sumiu e estourou o meu cartão de crédito. Ela se meteu em um daqueles esquemas de pirâmide e gastou todo o dinheiro dela. Isso também existe aqui?
Não sei onde eu tava com a cabeça quando emprestei dinheiro pra ela... Mas não tem mesmo como eu trabalhar aqui em troca de um quarto? O meu pai vai transferir mais dinheiro pra minha conta, mas vai demorar alguns dias, então eu só preciso…"
"Me desculpa, cara. Eu gostaria de poder ajudar," o cara do hostel disse, com simpatia.
"Que esquema de pirâmide?" Eu perguntei, ouvindo as palavras saírem da minha boca com uma onda de culpa e intromissão.
Os lábios do mochileiro americano se moveram para responder à minha pergunta, mas não captei nenhum som.
O ser humano mais bonito de todo o universo estava diante de mim, implorando por um trabalho clandestino em um hostel no oeste da Austrália. Seus cabelos e olhos castanhos escuros eram cor de chocolate, ou seriam, se chocolate fosse capaz de seduzir uma mulher.
Os lábios dele eram de um tom perfeito, quase vermelhos, com uma curva marcada na parte de cima. Eles eram da forma perfeita para arrebatar a mim ou a alguma outra mulher de sorte.
"Desculpa, eu não entendi", eu engasguei.
"Ela caiu no esquema da Boston Health Company", ele repetiu.
Eu reajustei a minha mochila de viajante nas costas e me virei para o cara do hostel e para a minha próxima vítima. "A minha mãe é a CEO da BHC", eu disse a ele.
"Você tá brincando."
"Quem me dera..."
"Você sabe que essa empresa arruína vidas, certo?" ele disse, ficando nervoso. "A minha mãe se envolveu tanto…"
"Sim, a Linda é uma vaca," eu interrompi.
Seus lindos olhos brilharam. "Nossa, que engraçado! A minha mãe acabou de fugir com meus últimos dez mil dólares, mas isso, por favor, vamos fazer piada agora e zoar da minha cara…"
"Eu não tô zoando," eu interrompi. "A minha mãe Linda é mesmo uma vaca."
Ele me olhou de um jeito acusador. "Você também tá dentro desse esquema?"
Ele estava começando a me dar nos nervos. "Não. Eu ia oferecer pra pagar pra você ficar mais algumas noites no hostel até que o dinheiro do seu pai chegue," eu o corrigi.
O queixo dele caiu.
"Estão chegando, meninas?" o cara do hostel falou novamente, com os olhos vagando.
O mochileiro desempregado rabugento e gostoso deu um passo para o lado, para que três beldades escandinavas pudessem passar. "Você tá falando sério?" ele perguntou para mim.
"Sim."
"Por quê?"
Eu deveria ter apenas ido embora. Eu estava começando a ficar irritada.
Eu deveria ter deixado o aborrecimento tomar conta de mim e ido direto para o Airbnb que eu ainda não tinha reservado, mas não fiz isso porque esse cara era bem mais gostoso do que dar um rolê sob o sol escaldante da Austrália.
"Porque a minha família prejudicou a sua, pelo menos financeiramente, e a calçada não é um lugar muito confortável pra dormir," eu respondi.
"Eu não posso simplesmente aceitar o seu dinheiro," ele disse, parecendo culpado, com a sua sexy cabeça inclinada, fazendo beicinho.
"Você é um assassino?" Perguntei.
"Não."
Essa era exatamente a resposta que eu queria ouvir. "Você pode dormir no meu sofá, se quiser."
Eu gostaria de poder dizer que me arrependi imediatamente da minha oferta, mas seria mentira.
Esse cara era tão gostoso, e eu meio que gostei da insolência dele. Além da coisa de defender a mãe e tal. Deve ser bom vir de uma família de pessoas que você pode defender.
"Sério?"
"Sério. Ainda não reservei a minha nova hospedagem, então vou pegar um Airbnb com sofá."
"Você acabou de convidar um estranho pra dormir com você?"
"Tipo isso." Sim, isso era exatamente o que eu estava fazendo. "Vou mandar uma foto do seu passaporte pro meu irmão pra que ele saiba quem me matou se eu desaparecer. Você pode fazer a mesma coisa, manda pro seu pai."
"Você vai me matar?" ele perguntou.
"Não," eu prometi.
"Que doideira. Nesse caso, você vai salvar a minha vida. Eu sou o Evan."
"Eu sou a Sophia."
Apertamos as mãos. No momento em que nossas palmas se tocaram, eu percebi que estava condenada; do mesmo jeito que o Noah foi condenado no dia do julgamento.
Condenada como a mãe do Evan quando ela foi vítima dos truques da Linda. Completamente, totalmente, estupidamente condenada.

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