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Author
C. M. Jines
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2,9M
Chapters
83
Capítulo 1
ETHAN
Corri pela quadra. Os gritos da torcida nas laterais estavam muito altos. Passei a bola para o Briggs e me posicionei num lugar onde pudesse pontuar.
Ele finalmente viu que eu estava livre e me devolveu a bola bem a tempo de eu arremessar quando a sirene tocou.
Com gotas de suor escorrendo pelo meu rosto, corri de volta para o banco com o resto do time. Batemos os punhos e nos abraçamos. Mais uma vitória para nós.
Coloquei meu braço no ombro do Briggs enquanto caminhávamos em direção ao vestiário. Ele era alguns anos mais velho que eu, mas era um dos meus melhores amigos.
“Nenhuma briga hoje à noite. Estou surpreso” ele brincou.
“Tá, tá.” Revirei os olhos para ele e fui direto para os chuveiros.
Terminei meu banho e me arrumei para sair do estádio com o resto do time. O Briggs ia se casar neste fim de semana, então já tínhamos planejado uma festa antecipada para ele hoje à noite com todos os nossos amigos.
Só precisávamos falar com os repórteres e então poderíamos ir. Sentei observando meus companheiros de time responderem as mesmas perguntas que respondíamos toda semana.
Eu estava entediado com aquilo. Tudo o que me importava era jogar. O resto era bobagem para mim. Fiquei ali sentado, nem percebendo que um dos repórteres estava falando comigo.
“O que você acha disso, Abbott?” ele perguntou, enfiando um microfone na minha cara. Eu não fazia ideia do que estavam falando. Apenas dei de ombros.
“Bom, não tenho muita certeza” tentei agir como se soubesse. Ótimo, muito bom. Passei a mão pelo rosto e ajeitei meu boné.
“Então, Briggs, seu grande dia é neste fim de semana?!” Felizmente, eles se distraíam fácil. Recostei, deixando meus companheiros de time falarem.
Depois de mais tempo do que eu queria passar na sala de imprensa, finalmente terminamos. Eu não fazia ideia do que os caras tinham planejado para a festa do Briggs, mas estava ansioso por uma noite de bebida e talvez um caso.
Eu não tinha problemas com mulheres — sem querer parecer muito convencido. Estar na NBA certamente ajudava também.
Eu nem sempre aceitava as ofertas delas, mas tinha minha cota. A vida estava ocupada demais e difícil demais para relacionamentos agora. Basquete era o único amor da minha vida.
MOLLY
“Mãe, eu volto de manhã como sempre, tá bom? Se precisar de mim pra qualquer coisa, liga no número que te dei, promete?”
Me inclinei sobre a cama dela e beijei sua testa. Minha pobre mãe estava lutando contra o câncer nos últimos seis meses. As contas médicas custavam tanto dinheiro, e ela não podia mais trabalhar.
Ela não tinha dinheiro entrando, então estava atrasada no pagamento das contas do dia a dia. Eu precisava ajudá-la, e precisava de dinheiro rápido. Nenhuma outra escolha era boa. Larguei a faculdade na hora, faltando apenas um semestre, e voltei pra casa pra cuidar dela.
Meu único irmão, Tyler, estava no exército. Ele estava trabalhando em outro país e não podia ajudar. Meu pai — bem, eu nunca o conheci.
Ele foi embora quando eu era criança, e nunca mais o vimos. Ele ligou uma ou duas vezes pra saber como estávamos, mas era difícil pra mim entender quando criança.
Tyler tinha algum tipo de relacionamento com ele, já que era mais velho, mas eu não fazia ideia de como eles estavam agora.
Peguei minha bolsa e me virei pra olhar minha mãe dormindo mais uma vez. Acho que fazia isso pra me lembrar por que estava fazendo tudo aquilo. Então saí pela porta.
Caminhei pela calçada até meu carro. A droga da coisa estava quase quebrada. Pelo menos me levava até o clube e de volta pra casa todas as noites. E por enquanto, era tudo que eu podia pedir.
Quando cheguei ao clube, cumprimentei Wes, um dos seguranças, que me deixou entrar.
Ele era um homem grande, muito mais alto que eu, com braços maiores que minhas coxas. Tinha um rosto jovem e bonito e, pra nós dançarinas, era o homem mais legal que você poderia conhecer. Pra qualquer outra pessoa, ele te quebraria no meio se precisasse.
Entrei no clube quando estava começando a ficar movimentado pra noite. O piso de madeira escura fazia barulho enquanto as cadeiras e mesas eram arrumadas pra mais uma noite de trabalho.
Naquele momento, as luzes estavam acesas, mas conforme a hora do show se aproximava, o clube ficaria escuro, com apenas as luzes do palco iluminando o ambiente.
Passei por todos que estavam arrumando tudo, cumprimentando antes de ir pros fundos, pro camarim das dançarinas. Sentei na minha penteadeira, olhando pra mim mesma no espelho e respirando fundo.
Nunca em um milhão de anos eu teria pensado que estaria tirando a roupa por dinheiro, mas nada mais pagava as quantias em dinheiro que eu estava ganhando ali.
Eu precisava de dinheiro na mão assim que voltasse, e mesmo tendo oportunidades de emprego, nenhuma delas me permitia ter liberdade pra ajudar minha mãe. Eu tinha que fazer o que tinha que fazer.
Eu sabia que tinha um corpo bom e naquele momento tinha que usar isso pra me ajudar a cuidar da minha mãe. Você consegue, Molly. Você tem que fazer isso, Molly, pensei enquanto começava a passar maquiagem.
“Como está minha favorita?” Giselle perguntou, entrando no cômodo. Ela já estava vestida pro show. Sorri pra minha amiga enquanto continuava passando maquiagem.
“Estou aqui.”
“Parece que tem muitos caras gatos lá fora hoje à noite.” Ela olhou pela porta. “Talvez eu tenha que arrumar um namorado pra você!” Ela assobiou.
“Não, obrigada. Não tenho tempo pra isso, e o Randall não permitiria de qualquer forma. Sou uma bagunça, minha própria bagunça, e estou bem assim.” Eu ri.
“Randall” ela disse com voz de desgosto. Só de falar o nome do dono do clube já nos deixava enjoadas. Ela ajeitou a roupa, olhou no espelho e me deu um abraço rápido de lado.
“Vou sair pra fazer minhas rondas. A Yvonne está chegando!” ela cantarolou. “Te vejo lá fora, Gianna.” Com uma piscadela, ela se foi.








































