
Prazeres Obscuros
Author
CrimsonPetals
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Chapters
38
Goze (Goze)
Maybell Foster teve exatamente o que merecia.
Na luz suave do outono, a jovem mulher de pele morena aproveitava o pôr do sol fresco de vinte e poucos graus sobre as colinas no leste superior de Chicago. Suas longas pernas nuas e braços escuros brilhavam na luz alaranjada. Seus olhos verde-claros, lábios rosados e cheios, e rosto fino com cabelos pretos e cacheados absorviam os últimos raios do dia, fazendo seu cabelo brilhar como vidro negro.
Estes eram os últimos minutos de sua liberdade. Suas noites agora pertenciam à vingança e ao prazer, uma dor tão forte que era capaz de deixá-la louca.
“Blip! Blip!” — fez seu celular assim que o sol se pôs, transformando o céu numa pintura suave cheia de nuvens azuis, laranjas e vermelho-pêssego. O som dos insetos e o “whoosh” dos carros na estrada suspensa bem acima de sua cabeça eram os únicos sons, e para Maybell, o telefone facilmente cobria todos eles.
Não era uma ligação. Era uma mensagem de texto. Uma mensagem que fez a jovem mulher tremer e as lágrimas virem aos seus olhos.
Não olhe. Não vá até ele... Você está perdendo seu tempo...
Ela tentava com frequência, todas as noites, lutar contra isso. Mas Maybell sempre acabava olhando para o telefone. Ela sempre lia a mensagem. Não ligava se estava perdendo seu tempo.
E lá se foi ela correndo, coração batendo rápido e corpo tremendo, para responder à mensagem dele.
No fim das contas, Maybell era uma mulher normal, gentil e doce de apenas vinte e um anos. Tinha um emprego bem remunerado como vendedora de diamantes, dois gatos e um diploma universitário de dois anos em administração. Também tinha uma família amorosa e uma carreira financeira estável.
E ainda assim, tudo isso parecia menos importante do que o portador do desejo cruel. O homem que ela havia traído. O homem que a chamava agora.
Maybell teve o que merecia.
***
Respirando trêmula, Maybell se levantou de onde estava sentada encostada na frente de seu pequeno Honda.
Olhou para a mensagem.
Isiah
Você vem hoje à noite?
Uma frase curta. A mesma frase exata que ele vinha enviando para ela há quase duas semanas. Uma frase com dois significados feita para deixá-la desconfortável.
O texto. A mensagem. Ou seria mais como um desafio? Uma provocação? Ele queria que fosse escolha dela. Queria que ela o escolhesse porque ela não o havia escolhido antes.
O que você vai fazer? Você pode parar com isso... Ele está te destruindo e você vai simplesmente deixar?
Engolindo um pequeno calafrio, Maybell pressionou seus longos dedos finos na tela de seu iPhone, respondendo.
Maybell
Eu não vou todas as noites?
Era esperto e simples e também tinha dois significados. Ela estava orgulhosa de si mesma.
Houve uma pausa. Sempre havia uma pausa ultimamente. Antes de tudo isso ter começado, ele havia sido rápido e atencioso com ela em todas as coisas, até nas mensagens, mas não mais.
Agora era devagar, como se estivesse entediado ou ocupado e tivesse um milhão de outras coisas para fazer, em vez de responder às suas palavras sem importância.
Maybell suspirou.
Eu quero voltar... Por que não podemos simplesmente voltar?
“Blip! Blip!” — O telefone vibrou na mão de Maybell, interrompendo seus pensamentos. Ela olhou para a resposta dele.
Isiah
Boa garota. Vamos garantir que você faça o mesmo hoje à noite. Me faça esperar... Eu te desafio...
Suando levemente, Maybell fechou a tela de mensagens e quase gritou de susto quando o horário brilhou em branco na tela de seu telefone. 19h08.
Sem muita graça, a mulher se mexeu para cima e para baixo no topo do carro. Não era uma mulher pequena, construída mais como uma guerreira baixa e forte, com um corpo saudável cheio de curvas. Viu-se quase saltando da frente enquanto rolava para seus pés, pegava sua bolsa, pulava no banco do motorista e saía dirigindo.
Droga! Toda vez ele deixa o tempo um pouco mais curto. Mal vou conseguir chegar!
Com um sorriso sério, Maybell balançou a cabeça e segurou o volante com força.
Ele quer que eu me atrase para poder me fazer sofrer mais por quebrar minha promessa...
19h09 — dizia o relógio no painel enquanto ela entrava na rua e seguia em direção ao centro da cidade.










































