
Profecia: A Profecia de Ártemis Parte 1
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O Peso da Coroa
Do Universo da Profecia: A Profecia de Artemis Parte 1
ANNA
A luz do sol entrava pela janela, banhando o quarto com um brilho quente e dourado. Estiquei os braços acima da cabeça, piscando com sono enquanto afundava ainda mais nos lençóis macios.
Senti o peso reconfortante dos meus companheiros ao meu lado, a presença deles me envolvendo como um cobertor familiar. Eu estava aninhada bem entre Ares e Apollo — meus companheiros, meus amores, meu mundo inteiro.
Por sorte, os lobisomens não envelheciam como os humanos, então, mesmo estando bem na casa dos quarenta anos, nossa aparência era quase a mesma de dezoito anos atrás. E, sinceramente, esses dois ainda agiam como se tivessem vinte e poucos anos — principalmente quando se tratava do seu apetite sem fim por sexo.
Ares estava deitado à minha direita, dormindo num sono pesado, com seu braço forte posicionado de forma protetora sobre a minha cintura. Mesmo depois de todos esses anos, ele continuava o mesmo — forte, firme e capaz de acender algo selvagem e intenso dentro de mim.
Ele sempre foi assim — corajoso, impulsivo, apaixonado — e eu não mudaria uma única coisa nele. Ele não havia mudado nem um pouco.
À minha esquerda, a mão de Apollo descansava suavemente na minha cintura, seu toque sendo mais leve, mas não menos possessivo. Ele sempre foi mais calmo e pensativo, mas sua intensidade se igualava à de Ares à sua própria maneira silenciosa.
Mesmo agora, deitada aqui ao seu lado, senti o calor dele se espalhar pelo meu corpo, um brilho suave me lembrando de que eu estava segura em seus braços. O sol da manhã nos envolvia, fazendo o mundo lá fora parecer distante e sem importância.
Nesses momentos de silêncio, nada mais importava — nem as responsabilidades, nem a confusão — apenas nós. Apesar de todos os anos e das lutas que enfrentamos, eu nunca me senti tão completa ou certa sobre a minha vida.
Olhei para os dois homens — Ares com a sua intensidade silenciosa, Apollo com sua confiança calma — e não consegui evitar um sorriso. Eu estava feliz — verdadeira e profundamente feliz.
Esses eram os meus companheiros, aqueles a quem a minha alma estava ligada para sempre. Juntos, criamos uma família de oito filhos, exatamente como a Deusa da Lua havia profetizado.
Artemis, nosso primogênito, era o mais poderoso de todos. O nascimento dele, por si só, uniu dois reinos, algo que ninguém achava ser possível.
E em apenas dois dias, ele se tornaria oficialmente rei, governando um reino unido. Embora Ares e Apollo ainda dormissem profundamente, minha mente já estava bem acordada, a todo vapor com meus pensamentos.
Artemis faria dezoito anos em dois dias, e com esse aniversário vinha um grande peso de responsabilidade. Ele havia passado a maior parte da vida se preparando para este momento, mas agora finalmente havia chegado — era real.
A cerimônia de acasalamento marcaria o início oficial do seu reinado como o único rei dos lobisomens. E, se a Deusa da Lua o abençoasse, também seria o dia em que ele conheceria sua companheira.
Uma lembrança passou pela minha mente, me levando de volta à minha própria cerimônia de acasalamento — o momento em que senti o cheiro de Ares e Apollo pela primeira vez. Os cheiros deles eram distintos, pessoais e feitos apenas para mim.
Esses cheiros simbolizavam o nosso laço, e esse laço significava muito mais do que eu jamais imaginei. Significava mudança — meu mundo inteiro virou de cabeça para baixo quando Victor me sequestrou e tentou me forçar a acasalar com ele.
Mas a mudança não foi apenas sobre os tempos difíceis — também foi sobre os momentos bons. Foi a mudança que nossa comunidade de lobisomens precisava desesperadamente.
Artemis era a resposta para essa necessidade, a mudança que todos nós esperávamos. Desde o nascimento dele e da demonstração incrível dos seus poderes, nossa comunidade se tornou mais forte, melhor e mais unida.
Saí da cama com cuidado, colocando os pés suavemente no chão, tentando não acordar Ares e Apollo. Enquanto eu caminhava em silêncio pelo corredor até o quarto de Artemis, os corredores pareciam estranhamente vazios e silenciosos.
O palácio nunca ficava em silêncio — não com oito filhos correndo por todo lado —, mas, agora, o silêncio parecia quase antinatural. Mesmo que o meu filho mais novo já tivesse doze anos e eles tivessem parado de se transformar em lobos dentro de casa ou de correr pelos corredores, eu ainda não estava acostumada com aquele silêncio.
Todos os nossos filhos — Artemis, Poseidon, Athena, Zeus, Hera, Morpheus, Aphrodite e Hermes — ainda dormiam profundamente, livres das responsabilidades do dia. Artemis foi o primeiro filho que vi crescer e, logo depois, quase todo ano, seguia outro filho, cada um sendo dotado de uma maneira única.
Mas Artemis era especial — a Deusa da Lua o havia abençoado com múltiplos dons, diferente de seus irmãos, que receberam apenas um cada.
Entrei de fininho em seu quarto, andando na ponta dos pés suavemente enquanto entrava e o observava dormir. Sua bochecha descansava de leve no travesseiro fofo, e os olhos estavam bem fechados num sono tranquilo.
Ele parecia tão calmo, tão inocente, e meu coração se apertou um pouco. Toda mãe se preocupava com o crescimento do filho — especialmente quando tinham responsabilidades tão grandes os esperando.
Especialmente quando o peso de um reino inteiro descansava sobre os ombros deles. Em dois dias, tudo mudaria para todos nós.
Fiquei ao lado da cama dele, afastando com carinho um cacho de cabelo castanho-escuro de sua testa. Artemis se mexeu de leve, mas não acordou.
Sorri suavemente ao vê-lo. Ele havia sido criado para este momento, criado para se tornar um rei poderoso.
Sentei com cuidado na beirada de sua cama, sentindo o colchão afundar sob meu peso, e sussurrei suavemente: — Artemis.
— Mãe? — ele resmungou com voz de sono, despertando de uma vez.
— É hora de acordar, meu filho — eu disse com carinho.
Artemis se apoiou para sentar, piscando devagar enquanto seus olhos encontravam os meus.
— Dois dias — lembrei a ele com calma — até o seu aniversário e a cerimônia de acasalamento.
Artemis assentiu devagar, apertando os lábios em uma linha fina e séria. Como qualquer adolescente, ele temia esse momento — às vezes em silêncio, às vezes em voz alta —, mas sempre o temia.
Era muita pressão para alguém da sua idade, mesmo sabendo que era uma responsabilidade que precisava carregar.
— A cerimônia de acasalamento — continuei com calma — vai marcar oficialmente o seu reinado como rei.
— A matilha vai olhar para você em busca de liderança. Seus pais e eu ainda seremos seus conselheiros, mas você terá mais liberdade para tomar decisões.
— Você precisa aprender a governar um reino sozinho, como um verdadeiro rei. Escolhas difíceis terão que ser feitas, e, às vezes, você não terá a quem recorrer em busca de respostas além de si mesmo.
— Nós não seremos mais a sua muleta, Artemis — nós estamos tentando guiá-lo em direção à independência.
Artemis levantou o olhar de volta para mim, e notei o quanto ele havia crescido. Seus ombros estavam mais largos agora, o corpo mais forte, a postura mais parecida com a de um homem do que a de um menino.
Mas seus olhos — aqueles olhos verde-azulados, uma mistura perfeita dos meus e dos do pai dele — ainda guardavam a inocência crua da juventude. Eu sabia, no entanto, que seus olhos ficariam mais duros com o tempo, calejados pelas experiências da vida.
— Eu sei, mãe — Artemis respondeu baixo.
— Você se preparou para isso desde o dia em que nasceu — lembrei a ele com carinho. — Você consegue suportar o peso da coroa. Um rei é muitas coisas: ele entende de sacrifício, de equilíbrio, de quando lutar e de quando mostrar misericórdia. Ele sabe o que é necessário para cada reunião, para cada decisão.
Eu sabia que nem sempre estaria aqui para guiá-lo. Ele teria que fazer escolhas difíceis sozinho, sem a nossa ajuda.
Meus outros filhos também tinham seus papéis para cumprir, mas nenhum era como Artemis. Ele era o herdeiro, aquele que a Deusa da Lua havia escolhido para liderar nossa dinastia e trazer uma mudança significativa.
Artemis franziu a testa, olhando para mim de novo. — Você age como se eu estivesse indo para a guerra e nunca mais fosse voltar, mãe.
— Eu sei, eu sei. Entendo as minhas responsabilidades. Você e meus pais me prepararam para este dia por quase dezessete anos — eu até me lembro do meu pai lendo livros de guerra para mim na hora de dormir.
Eu não consegui evitar rir suavemente da lembrança. Ares havia insistido naquilo, alegando que deixaria Artemis mais forte — mesmo que apenas mentalmente, no começo.
E ele estava certo. Artemis havia herdado partes das personalidades tanto de Ares quanto de Apollo, felizmente — uma combinação perfeita dos dois.
— Eu sei, mas você não pode culpar uma mãe por se preocupar — lembrei a ele com carinho.
Ele balançou a cabeça, esticando os braços acima de si e puxando as cobertas mais apertadas ao redor do corpo. — Agora, se não se importa, mãe, eu preciso me vestir.
— Você se esquece de que eu costumava trocar as suas fraldas — provoquei, rindo de leve enquanto me levantava da cama dele.
Fechei a porta suavemente atrás de mim. — Dois dias — sussurrei, em parte para mim mesma, mas em parte esperando que ele me ouvisse.
A audição de um lobo era uma coisa magnífica — especialmente em um alfa.
















































