
Punk Devasso
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Capítulo 1
NEVE
Tudo começou com um olhar escuro e de cílios grossos. Não era um olhar de amor, apenas de posse.
“Sua pirralha suja.” O tom dele parecia uma carícia quente, arrepiando a minha nuca. “Há quanto tempo você está me esperando?”
Os dedos dele deslizaram fundo no calor molhado entre as minhas pernas. Eu queria isso há muito tempo, desde o momento em que ele me mandou a primeira mensagem. E agora ele podia me ver, com a pele toda vermelha de desejo sob a força firme de suas mãos. Ele empurrou a minha garganta contra o travesseiro, dando um leve aperto.
Não conseguia conter a minha alegria. O oxigênio evaporando do meu cérebro me deixou tão calma, tão disposta para ele. Na escuridão do meu quarto, nada podia nos incomodar.
“Você sorri” — o hálito quente dele toca os meus lábios — “como se tivesse feito algo safado.”
Numa explosão de luz, o sonho foi destruído. Minhas retinas arderam e, com um gemido, enfiei a cabeça debaixo da escuridão familiar do meu edredom.
“Querida, você vai perder a sua orientação se não levantar.”
Ugh, é verdade. Com uma careta, me sentei, a luz do sol da manhã batendo na roupa de trabalho da minha mãe. Ela já estava saindo para o trabalho? Eu teria dormido mais se não tivesse mentido para ela sobre o dia de orientação. Eu já estava frequentando a Oakland University há três semanas.
Mas era melhor que ela não soubesse. Ela daria um jeito de me envergonhar. Pelo menos, mentir para ela adiava o inevitável por um tempo.
“Eu escolhi a sua roupa. Você vai usar uma blusa e uma saia xadrez com meia-calça. Isso grita líder estudantil respeitável, o que você será em pouco tempo!” A minha mãe agia como se a universidade não tivesse um código de vestimenta rigoroso — camisas brancas impecáveis combinadas com calças ou saias pregueadas — e apontou para onde tinha colocado as minhas roupas.
Esse ritual estava enraizado na nossa rotina desde que eu era criança. Minha mãe ditava uma roupa para usar e depois me inspecionava quando eu terminava de me vestir, garantindo que meu traje fosse apropriado. Até parecia que nós éramos a porra da família real sendo examinada.
A única vez em que usei uma blusa de alcinha na rua porque estava um calor infernal, ela me obrigou a cobri-la com um cardigã. “Eles não podem ver você assim”, ela sussurrou ferozmente.
Era só pele.
Obedeci, me vestindo para a satisfação dela. Assim que eu estava terminando de puxar a minha meia-calça para cima, o meu celular tocou na mesa de cabeceira, e todos os músculos do meu corpo ficaram tensos, reprimindo a vontade de pegá-lo.
Era ele.
O homem dos meus sonhos.
Mordi o lábio e olhei para a minha mãe. Eu não queria correr o risco de ela ver a mensagem, então me levantei e peguei o meu celular, abrindo e fechando a tela só para me livrar da notificação.
Estou com fome de você.
“Notificações estúpidas do Twitter,” murmurei, jogando o celular na cama. “Que horas você volta para casa?”
Ela franziu o nariz. “Às seis? Talvez mais tarde.” Ela me deu um beijo na bochecha e caminhou até a porta. “Tenha uma ótima orientação!”
Sorri. “Pode deixar, mãe.”
Escutei enquanto ela descia as escadas. Depois, fui até o topo da escada e escutei enquanto ela andava pela casa. O carro dela estava na garagem nos fundos da casa.
Morar com a minha mãe era doloroso, mas eu precisava ficar sob o mesmo teto que ela até encontrar um emprego estável. E isso era mais fácil falar do que fazer. Era difícil encontrar um lugar disposto a se adaptar aos horários das minhas aulas na universidade. Além disso, a minha rotina dificultava trabalhar horas suficientes para ganhar um dinheiro decente.
Tentei discutir a ideia de morar no campus, mas para a minha mãe, isso estava fora de cogitação. Primeiro, ela me lembrou da falta de privacidade que eu teria e dos banheiros compartilhados, coisas com as quais eu não me importava. Depois, ela tentou me assustar com histórias de colegas de quarto ruins e possíveis problemas de segurança.
No final das contas, ela disse que se recusava a pagar para eu morar e comer em um dormitório quando nós morávamos tão perto do campus de qualquer maneira — a uma viagem de vinte minutos de carro, devo acrescentar.
Voltando para o meu quarto, me joguei na cama e esperei até ouvir o carro. O som revelador do motor passou debaixo da janela, e, na minha mente, visualizei o carro fazendo a curva da entrada que escondia a nossa casa da visão da rua, e depois virando à direita em direção ao hospital onde a minha mãe trabalhava.
Depois de alguns momentos de silêncio, abri os olhos. A barra estava limpa. Com um suspiro, peguei o meu celular.
Tudo o que sonhei na noite passada, Zombi tinha dito em algum momento nas nossas trocas de mensagens. Eu tinha alguns admiradores no Twitter Not Safe For Work, ou NSFW, e Zombi fazia parte desse grupo. Mas, enquanto com os outros era algo puramente transacional e superficial, com Zombi era diferente.
A nossa química era natural, e nada parecia forçado. Eu podia admitir coisas sobre mim para ele que não conseguia admitir para mais ninguém, e Zombi trazia à tona aspectos de mim que eu nem sabia que existiam.
Ele enviou: Estou com fome de você há cinco minutos, o que significava que ele provavelmente ainda estava online. Dei um sorriso largo enquanto meus dedos roçavam o tecido da meia-calça nas minhas coxas. Talvez essa roupa não fosse completamente chata. Sempre havia a possibilidade de ser criativa!
Puxei a minha saia para cima e rasguei o tecido da meia-calça entre as pernas, o som satisfatório do rasgo ecoando pelo meu quarto. Pelo meu espelho, vi que tinha criado uma abertura considerável, suficiente para ver a minha calcinha de algodão azul-claro.
Usei os dedos para puxar o tecido e deixá-lo bem apertado, esfregando o meu clitóris contra a calcinha de algodão até formar uma mancha molhada.
Tirei duas fotos. Uma era bem de perto da virilha, com a calcinha molhada e repuxada, e a outra era uma foto normal de calcinha, exceto pelo fato de eu estar molhada. Alguns caras preferiam a mais natural, onde eu estava apenas descansando molhada, como se tivesse esperado a mensagem deles a noite toda ou depois de um longo dia. Apertei em enviar.
***
A Oakland University era um campus verde e imenso em um lugar estranho. Escondida no centro da cidade de Danshurst, oferecia uma explosão de natureza no meio do concreto, com jardins de cercas vivas bem aparadas ao redor do perímetro e um parque natural coberto por árvores na frente do campus.
Era um patrimônio preservado pelo seu legado e elegância, e era exatamente o tipo de lugar onde uma jovem bem-criada continuaria a sua educação, que foi o motivo de a minha mãe ter exigido que eu fosse.
Depois da minha aula de literatura, saí pelo arco da entrada principal e vi algumas conhecidas acenando para mim de uma toalha de piquenique no gramado.
Tínhamos criado um laço por causa de várias aulas que compartilhávamos, mas não fazíamos todas juntas. Sendo estudante de arte, minhas aulas já tinham terminado, o que acontecia ao meio-dia. As três, que tinham aulas até o final da tarde, choramingavam em seus cafés.
Uma delas olhou além de mim, semicerrando os olhos ao notar algo à distância. Acompanhei o olhar dela até o final do gramado, onde este se estendia para um caminho arborizado antes da cidade movimentada. Um grupo de garotos estava entrando na propriedade como se eles também fossem estudantes.
Ela deu um pulo e limpou a sujeira da calça. “Hora de ir.”
Levei um momento para perceber que as outras garotas também tinham se levantado e estavam reunindo as suas coisas.
Meus olhos correram de uma para a outra, e eu ri, confusa. “Vocês já vão? Por quê?”
“Aqueles punks estão estragando a bela vista. Você vem com a gente?”
Acenei com a mão no ar. “Eu já acabei as aulas por hoje, lembram?” Meu sorriso aumentou quando elas fizeram careta. “Vejo vocês mais tarde.” Acenando em despedida, me aproximei dos garotos enquanto tentava não parecer muito óbvia. Eles pararam debaixo de uma árvore próxima, perto o suficiente de onde eu estava para eu notar seus estilos diferentes e piercings, e estudei cada um, alheia a tudo o mais.
Do meu ponto de observação, eles não podiam me ver, então abri o meu caderno de desenho em uma página em branco e esbocei um rascunho rápido.
Em relação à aparência, eles eram rudes e desleixados. Um usava um piercing no lábio e delineador. Outro usava brincos que alargavam os lóbulos. Alguns tinham o cabelo raspado, outros tinham cabelos longos e trançados.
Enquanto eu absorvia suas características, uma imagem se formou na minha página de rascunhos de um híbrido sombrio e sedutor deles, com algumas dessas características combinadas.
Será que pessoas assim eram perigosas mesmo?
No momento em que cheguei em casa, pronta para o banho, eu já havia dado ao esboço o começo de um corpo. Havia um pescoço musculoso com um pomo de adão bem marcado e ombros largos. Eu não conseguia tirar a imagem da cabeça, e isso me encheu de uma dor latejante que eu não estava disposta a explorar.
Estou com fome de você.
A água saía quente do chuveiro e parecia maravilhosa contra a minha pele, mas eu não deixava meus olhos se desviarem da porta do banheiro. Eram apenas cinco da tarde. Minha mãe ainda não deveria estar em casa, mas eu ainda me preocupava que ela pudesse aparecer de repente.
Imaginei o garoto desenhado com os piercings, como os músculos retesados do seu pescoço se destacariam como cabos, expostos e pulsando em êxtase.
Minha respiração saiu em arfadas curtas, embaçando a porta de vidro do box enquanto eu imaginava um cenário apenas com nós dois. Apoiei meu pé na borda da banheira, o meu joelho contra a parede de azulejos. Alcançando o ângulo certo, eu me esfreguei implacavelmente, com um calor se acumulando no meu íntimo.
Daria muitos beijos nele. Nos lábios dele, no pescoço dele, no seu—
Uma batida soou do outro lado da porta. “Querida, eu não vi você chegar,” veio a voz abafada da minha mãe. “Quando você chegou em casa?”
Puxei a minha mão bruscamente e abaixei o pé. “Às quatro,” gritei, controlando a minha respiração ofegante. Tirei o cabelo molhado do meu rosto, tentando resfriar o calor das minhas bochechas. “Achei que você ainda estivesse no trabalho?”
“Eu saí mais cedo.”
Suspirando, desliguei o chuveiro, saí e peguei uma toalha seca. Ela ia me dar um sermão de culpa autoritário agora.
“Você quase me fez pensar que alguém tinha invadido a casa.” Esse era o jeito da minha mãe de me fazer pedir desculpas, mesmo eu não tendo feito nada de errado. Eu não ia aturar isso hoje à noite.
“Nossa, um ladrão invadindo a casa para tomar banho? Quem diria?” Ela deve ter ouvido o sarcasmo no meu tom, porque de repente ficou um silêncio mortal do outro lado da porta. “Mãe?”
Se o meu comentário a chocou ou ofendeu, eu não sabia dizer, mas ela mudou de assunto. “Sim, hum, eu só estou avisando que nós vamos jantar com os Harrods esta noite.”
Não ouvia esse nome há anos.











































