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Quando eu me for, fico feliz por termos nos conhecido

Autor
Juniper Blaire
Leituras
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75
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Juniper Blaire
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Trinta minutos. Esse era o limite dele. Sempre tinha sido. Observei a porta da frente engoli-lo por inteiro, o clique suave da tranca soando mais alto do que deveria em uma casa deste tamanho. Pisos de mármore. Parapeitos de vidro.

Prólogo

UNKNOWN

Trinta minutos. Esse era o limite dele. Sempre tinha sido.
Eu observei a porta da frente engoli-lo por completo, o clique suave da tranca soando mais alto do que deveria numa casa daquele tamanho. Pisos de mármore. Grades de vidro.
Obras de arte que custavam mais do que meu primeiro carro. Nada disso conseguia esconder a rapidez com que ele fugia de nós.
Cindy nem se deu ao trabalho de fingir decepção. Nunca se dava. Enquanto o cartão de crédito dele funcionasse, ela sobrevivia perfeitamente bem sem ele.
Ela usava suas roupas de grife como uma armadura, o rosto alisado e esculpido por cirurgiões, mas nem todo aquele dinheiro conseguia tornar sua companhia suportável. Meu pai ainda não aguentava ficar no mesmo cômodo que ela por mais do que alguns minutos.
Sinceramente, era quase engraçado.
“Pensei que a gente podia assistir um filme hoje à noite.” A mão de Cindy deslizou pelo meu braço, ensaiada e invasiva, o peito turbinado por cirurgia pressionando contra mim. A insinuação era óbvia.
“Filme” era só o código dela para atenção — a minha atenção — como se eu fosse algum brinquedo substituto em que ela podia dar corda quando estava entediada.
Ela era apenas dez anos mais velha que eu, mas eu preferia arrancar minha própria pele do que tocar nela. Arranquei a mão dela e a joguei para o lado como se estivesse contaminada.
Um estalo seco dos meus dedos a dispensou por completo, como um inseto irritante. “Por que você não vai pedir pro Cole?” eu disse, com veneno escorrendo de cada palavra.
O rosto dela ficou de um vermelho feio. Ela girou nos calcanhares e saiu pisando duro até a cozinha, batendo a porta com tanta força que as paredes tremeram.
Ótimo.
Peguei meu celular e abri o aplicativo que eu usava para rastrear meu pai, dando zoom no pontinho vermelho piscando que me assombrava havia meses. Mesmo endereço. Mesmo lugar.
Toda vez que ele voltava de uma “viagem de negócios”, ia para lá depois do jantar — como um relógio. Sempre voltava cambaleando horas depois, encharcado de álcool e amargura, deixando a casa ainda mais gelada do que já era.
Quem será que ele está comendo agora?
Ele tinha saído havia vinte minutos. Eu sabia exatamente onde ele estava — um endereço gravado no meu cérebro depois de meses vendo ele desaparecer naquele lugar.
Tudo começou no ensino médio — quando eu dava festas e ficava checando a localização dele sem parar para que ele não me pegasse no flagra. Naquela época, era sobrevivência. E agora? Era raiva. Curiosidade.
Um hábito doentio do qual eu não conseguia me livrar, só para ver o que aquele desgraçado miserável fazia quando achava que ninguém estava olhando. Apertei as chaves com tanta força que o metal marcou minha pele e saí noite adentro.
***
Quando entrei na rua, vi de relance a Lamborghini do meu pai, as luzes traseiras cortando a escuridão antes de sumir na curva. Claro. Sempre precisava fazer uma saída triunfal.
Encostei meu carro na vaga que ele deixou e esperei. O motor ronronava baixo enquanto meu celular brilhava na minha mão.
Os movimentos dele se desenrolavam na tela como um padrão que eu tinha decorado — previsível, quase mecânico. O ponto azul avançava, parava, acelerava e desacelerava de novo. Para. Vai. Para. Vai.
Então, o carro finalmente parou.
Fiquei olhando para aquilo mais tempo do que deveria. Era patético, na verdade. Assistir alguém se desmoronar em tempo real, pixel por pixel.
Apaguei os faróis, desliguei o motor e afundei no banco. Como um falcão empoleirado no alto, paciente e imóvel, eu esperei.
Meia hora passou. Depois outra. Ainda nada.
E então — uma BMW entrou na garagem. Ela saiu do carro.
Ela era toda pernas longas e elegância esculpida, o cabelo uma cortina de seda platinada que pegava a luz como cromo polido. Ela parecia exatamente como nos posts de Maddie Stewart — intocável.
Então, a ilusão se quebrou. O salto dela enganchou numa irregularidade do asfalto; ela tropeçou, e um molho de chaves tilintou no chão.
Quando se abaixou para pegá-las, o mundo pareceu inclinar. A barra do vestido subiu, revelando o contraste marcante de renda delicada contra a curva suave da coxa dela.
Era um detalhe íntimo, que nunca foi para os meus olhos, mas eu o absorvi como um ladrão. Um calor pesado e escuro inundou minhas veias, arrancando o ar do meu peito e me deixando tonto.
Minha mente me traiu na mesma hora, imaginando o peso fantasma da pele dela contra a minha, a textura proibida daquela renda sob o meu polegar. Senti a pulsação súbita e violenta do meu próprio sangue — uma manifestação física de um pensamento que eu deveria ter enterrado.
Porra.
Recuei, batendo as costas contra o banco do carro como se tentasse me distanciar fisicamente dos meus próprios olhos. Estava coberto de um suor frio e repentino. Meu coração martelava um ritmo frenético e culpado contra minhas costelas, soando como um martelo de juiz batendo.
Eu era um predador num carro estacionado, observando uma garota que nem sabia que eu existia. “Porra,” murmurei de novo, dessa vez mais baixo — uma prece por perdão que eu não merecia.
Sentado ali, vendo a garota entrar, meus pensamentos giravam entre culpa e confusão. Tentei justificar minhas ações, me lembrando de que eu nunca tinha feito nada de errado de verdade — era tudo só observação, certo?
Mas a imagem da calcinha daquela garota ainda queimava na minha mente, alimentando o fogo do meu desejo. Porra, no que eu estou me transformando?
Eu sempre soube que tinha algo torto em mim, mas isso… isso era simplesmente errado. E mesmo assim, o fato permanecia — eu não conseguia parar de olhar para ela.
Meu pai não pode estar comendo ela.
Um movimento repentino chamou minha atenção. A garota do Instagram da Maddie apareceu numa janela, ajeitando o vestido e depois se virando para o espelho.
Eu conseguia ver o reflexo dela, e ela parecia estar se examinando. Não pude deixar de me perguntar o que ela estava pensando enquanto ficava ali se olhando.
Meus olhos devoraram a silhueta dela, cada curva e ângulo mandando estilhaços de desejo bruto e carnal pelo meu corpo. Ela é gostosa pra caralho.
O vestido curto que ela usava se grudava ao corpo, sem deixar quase nada para a imaginação. E, Deus, minha imaginação era um lugar diabólico.
O tecido deslizava para cima, lento e relutante, revelando lampejos tentadores de seda com acabamento em renda contra a suavidade de porcelana da pele dela. Vê-la assim — sem filtro, íntima — acendeu um fogo proibido no meu estômago, um calor selvagem e cortante que queimou todo o meu senso de decência.
Foram as pernas dela que me destruíram primeiro. Longas, torneadas e firmes, se estendendo infinitamente para cima até desaparecerem nas dobras escuras do vestido.
Eu quase podia sentir a fricção fantasma das minhas palmas percorrendo aquele caminho, arrancando suspiros dos lábios dela enquanto eu provocava a borda daquela renda. A imagem súbita e vívida de mim entre aquelas coxas divinas me atingiu como um narcótico, mandando uma pulsação pesada e rítmica pelas minhas veias.
Minha calça jeans parecia uma jaula, meu corpo se retesando num protesto silencioso e desesperado.
Observei a mão dela enquanto ajeitava o vestido, puxando e arrumando com uma inocência descuidada que parecia uma tortura deliberada. Eu a queria nua. Eu a queria aberta embaixo de mim, sem a renda e sem os segredos.
Minhas mãos agarravam o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, doloridos, enquanto eu lutava contra a vontade de me tocar — de quebrar a tensão que vibrava como um fio elétrico no meu baixo-ventre.
Eu quase podia senti-la na boca, um néctar doce e imaginário na minha língua. Minha boca salivava com o pensamento dela se contorcendo, implorando pelo mesmo alívio que eu estava negando a mim mesmo.
Mas o auge da fantasia era o peso — afundar fundo dentro dela enquanto eu tomava cada centímetro. Desabei no banco, encharcado de um suor frio e pesado.
Uma parte de mim gritava que aquilo era uma doença — que eu era um predador perseguindo uma garota a partir de uma tela digital. Mas a parte mais sombria, a parte que vivia nas sombras da minha mente, sussurrava de volta, sedutora: E se ela fosse sua?
Eu assistia, paralisado, enquanto ela levava a mão às costas. O zíper do vestido cedeu com uma graça silenciosa e deslizante.
Lentamente, o tecido caiu, deixando-a de pé no brilho âmbar vestindo nada além daquela renda delicada e escura. Minha respiração falhou, embaçando o vidro da janela do carro, mas eu não conseguia desviar o olhar.
Então, as mãos dela se moveram. Ela não estava mais apenas se olhando no espelho.
Os dedos dela traçaram a linha do pescoço, descendo até o volume dos seios antes de mergulharem sob a borda da renda. Um som grave e gutural escapou da minha garganta — um som de pura tortura.
Quando ela arqueou as costas, os olhos se fechando no espelho, eu a vi balançar os quadris, a cabeça tombando para trás enquanto se perdia no próprio toque. Deixei minha imaginação cobrir a distância entre o asfalto e o vidro.
Eu não estava apenas assistindo; eu estava lá, meus dedos ásperos substituindo os dela, minha boca silenciando a respiração dela. Enquanto ela estremecia na luz da janela, ela começou a se mover de novo, alheia e linda, enquanto eu ficava ali sentado nos destroços da minha própria vergonha, percebendo que precisava transformar minha fantasia em realidade.
Puxei meu celular, o polegar pairando só um segundo antes de tocar na chamada.
Quando meu amigo atendeu no terceiro toque, eu não perdi tempo com formalidades.
“Você ainda tem o número da Maddie Stewart?” eu disse.
“Acho que sim. Por quê?”
“Garante que ela receba o endereço da fogueira,” eu ordenei, olhando para ela na janela uma última vez.

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