
Rebel Souls MC Livro 3: Feito para o Pecado
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Capítulo 1
Livro 3: Feito para o Pecado
BENDER
Eu estava a centenas de quilômetros de casa, pelo menos uma viagem de duas horas. Não era minha intenção vir tão longe sozinho. Com sorte, não tinha sido estúpido o bastante para dirigir fora do território não neutro.
Minha cabeça já costumava ser uma bagunça — golpes demais sem proteção quando eu lutava boxe —, mas estava pior desde que fiz o que fiz.
Eu tinha matado uma mulher.
Nathan tinha ordenado. E precisava ser feito. Aquelas vadias loucas teriam matado a Rachel, a primeira-dama do clube.
Honestamente, eu nem lembrava se tinha sido a Stacy ou a Rain que eu tinha apagado. Eu nunca tinha matado ninguém daquele jeito antes, com um tiro direto na cabeça, e muito menos uma mulher.
Quando o Striker me manteve prisioneiro no ringue de boxe clandestino, eu apaguei alguns caras para sempre. Mas aquilo era diferente. Era matar ou morrer.
Mas, agora, a culpa me consumia.
Eu tinha quebrado a regra que mais valorizava: nunca machucar uma mulher.
E nenhum dos meus irmãos sabia o quanto eu estava sofrendo com isso. O Seal tinha puxado o outro gatilho.
Ele parecia estar lidando com isso melhor do que eu, mas até num dia bom ele era um robô sem emoções, um assassino treinado pelo governo. Se uma mulher fosse considerada uma ameaça, não ia contra o código dele acabar com ela.
Só contra o meu.
E o do clube.
Mas acho que agora estávamos abrindo exceções quando as mulheres eram sociopatas e psicopatas e ameaçavam uma das nossas.
E com razão.
Provavelmente.
Mas isso não tornava as coisas mais fáceis.
O Seal e eu puxamos os gatilhos, enquanto o Bear e o Tank foram os responsáveis por se livrar dos corpos.
Já fazia quase três meses. Prez e Rachel tinham se casado e estavam na lua de mel agora.
Eles tinham deixado o Hawk no comando do clube e vê-lo se enrolar tinha sido meu único consolo nas últimas semanas.
Encostando no acostamento da rodovia, estacionei minha moto e peguei meu celular descartável. Por sorte, não havia ligações perdidas. O Hawk me mataria se precisasse de mim e eu estivesse tão longe.
Olhando pelo mirante, eu conseguia ver montanhas e vales por quilômetros sem fim. Era uma vista muito boa, mas estava quieto demais aqui sozinho.
O silêncio deixava minha mente vagar, me levando de volta para todos aqueles anos atrás.
Não importava o quão longe ou rápido eu corresse, eu não conseguia escapar. Eu estava livre agora. O meu corpo, pelo menos. Mas a minha mente... A minha mente nunca estaria livre das coisas que me assombravam.
Os caras sabiam do meu passado apenas o mínimo que eu conseguia contar a eles.
Minha história nas lutas foi o que convenceu o coroa do Hawk e me deu a chance de ser prospecto. Eu tinha contado apenas o básico a ele. Ele não era mais presidente na época, mas ainda assim garantiu a minha entrada.
Mas ninguém sabia dos pesadelos. Que a maconha não era só um hobby, mas um jeito de mantê-los afastados.
Todos os meus irmãos tinham vindo de lares instáveis. Isso já vinha com o território.
E tenho certeza de que o meu não tinha sido pior que o de alguns deles, mas eu nunca saberia.
Nós não éramos conhecidos por sentar em círculo trocando histórias e falando sobre nossos sentimentos.
Por mais que eu tentasse lutar contra isso, a viagem não manteve a minha mente limpa como de costume.
Em vez disso, eu fui puxado doze anos para o passado e era um garoto de quatorze anos de novo. Eu já era tão grande naquela época quanto eu era agora, nunca tendo passado por aqueles anos em que se é magricela e desajeitado.
Eu passei de um garoto gordinho para alguém que parecia um homem feito quase da noite para o dia.
Minha mãe tinha sido uma viciada. E eu não a via há mais de dez anos. Meu coroa nunca estava por perto. Que merda, a minha mãe provavelmente nem sabia quem ela mesma era.
Nós estávamos à beira de morar na rua, e o vício dela acabou levando todo o nosso dinheiro, até o que ela ganhava vendendo o próprio corpo.
Foi nessa época que o Striker veio me salvar. Ou foi o que pensei na época.
Ele era o cafetão, o traficante e, às vezes, o namorado da minha mãe. Ele era o motivo de ela estar sempre cheia de hematomas. Se não fossem as marcas de agulha nos braços, eram os olhos roxos causados pelas mãos dele.
Uma vez cheguei da escola e o encontrei batendo nela para valer no nosso apartamento de merda. Finalmente grande o bastante para defendê-la, eu perdi a cabeça.
Correndo na direção dele a partir da porta, eu o tirei de cima dela e o joguei no chão. Pulando em cima dele, eu o espanquei, quebrando seu nariz, cortando seu lábio e deixando seus dois olhos roxos.
Mas ainda não era o bastante. Não depois de tudo que ele fez a minha mãe passar. Ela podia ser uma viciada, uma drogada, mas ainda era a minha mãe. E o único parente que eu tinha.
Quando ele finalmente conseguiu me jogar para longe, puxou uma arma do cós da calça, engatilhou e apontou bem para o meio da minha testa.
Assim como eu tinha feito com a Rain ou a Stacy.
Eu estava convencido de que aquele seria o fim da minha jovem vida. Meu assassinato não seria resolvido, assim como todos os outros assassinatos nos conjuntos habitacionais onde eu tinha crescido.
Em vez disso, ele deu um sorriso de lado, afastou a arma da minha cabeça e cuspiu sangue no chão de linóleo da cozinha.
— Belo soco, garoto. Está a fim de ganhar um dinheiro?
— Sim.
Eu respondi sem pensar nas possíveis consequências. E o que um garoto de quatorze anos sabe sobre possíveis consequências, de qualquer modo?
Porra nenhuma.
O Striker me deu um cartão de visitas com um endereço escrito no verso. — Amanhã. Nove da noite. Não se atrase.
Eu assenti, estudando o cartão antes de colocá-lo no bolso.
Ele me deixou no meio da cozinha ensanguentada. Minha mãe ainda sangrava pela cabeça, desmaiada por causa das drogas ou da surra. Eu não tinha certeza de qual dos dois.
O pó branco no balcão era uma visão comum, mas fiz uma coisa pela primeira vez que nunca tinha ousado fazer antes. Eu o joguei na pia antes de lavá-lo ralo abaixo e lavar as mãos.
Quando minha mãe finalmente acordou, ela estava tão fora de si que achou que já tinha cheirado todo o pó antes de desmaiar.
Sorte a minha, porque, se ela soubesse, teria me batido. E, apesar de ser quase trinta centímetros mais alto que ela e quarenta quilos mais pesado, eu não me defenderia.
Ela já tinha homens demais a jogando de um lado para o outro. Eu não deixaria que o próprio filho dela fosse um deles.
Na noite seguinte, a primeira noite em que lutei na jaula, foi a noite que mudou a minha vida.
Eu ainda não sabia se para melhor ou para pior.
Se o Striker não tivesse me levado para o ringue de luta, eu provavelmente teria acabado na prisão.
Eu não era estúpido, mas também não era inteligente o bastante para ganhar uma bolsa de estudos para a faculdade, que seria a minha única outra passagem para fora daquele caminho de vida.
Se não fosse por ele, eu poderia ter acabado exatamente como a minha mãe. Drogado e esperando a morte.
Em vez disso, fui jogado num ringue fechado com um homem com o dobro da minha idade, mas não maior que eu.
A jaula não era uma luta até a morte, mas não era permitido parar até alguém desistir batendo no chão. E quando o orgulho atrapalhava, os homens preferiam apanhar até a morte do que desistir.
Dois anos depois, com apenas dezesseis anos, eu tinha matado o meu primeiro oponente.
Quando fui para o ringue pela primeira vez, meu oponente desistiu no primeiro round. Ele tinha me subestimado pela minha idade. Não conseguiu nem acertar um golpe.
Eu fiquei orgulhoso para caralho. Andei me exibindo como a porra de um rei na festa depois da luta. Fui tratado como um também.
O Striker fez uma das garotas dele me levar para um quarto na casa dele para me mostrar como me divertir. Ela tirou a minha virgindade. Ela tinha vinte e quatro anos, e eu, quatorze.
Eu não percebi na época o quanto aquilo tudo era fodido.
Mas agora eu sabia.
Mas, apesar de tudo pelo que tinha passado, eu não conseguia me arrepender. Porque sem todas aquelas experiências, boas e ruins, eu nunca teria encontrado os Rebel Souls. Meus irmãos.
Eu não tive uma família de verdade enquanto crescia. E, por mais disfuncionais que fôssemos — bebendo, fumando e fodendo —, eles eram a minha família. Nós vivíamos juntos e morríamos juntos.
Mesmo sem conseguir me arrepender dos anos que passei lutando para o Striker, isso não significava que eu não tivesse ficado completamente fodido da cabeça.
Eu tinha tido mais concussões do que conseguia contar. Os pesadelos tornavam dormir quase impossível. E, em alguns dias, os demônios simplesmente venciam, tornando difícil demais lutar contra eles.
Eu passava aqueles dias chapado para caralho, sentado na sede do clube, deixando minha chupadora de almas do mês fazer o que quisesse comigo embaixo da mesa.
Eu não tinha orgulho disso, mas era como eu lidava.
Forçando os pensamentos do passado para fora da minha mente, eu foquei na estrada aberta à minha frente.
Desde que a Rachel apareceu, o Hawk não vinha sendo nada sutil sobre o seu desejo de ter uma old lady.
Eu tinha conseguido manter o meu escondido, mas estaria mentindo se dissesse que também não queria aquilo.
Eu nunca tinha visto um relacionamento saudável enquanto crescia. Na verdade, eu não tinha certeza se o que o Nathan e a Rachel tinham poderia ser chamado de saudável ou normal. Mas imaginava que tudo isso era relativo, afinal de contas.
Eles se amavam além da razão. O Hawk achava isso enjoativo, ficando com ciúmes. Eu achava inspirador, me fazendo querer a mesma coisa.
De qualquer jeito que se olhe, era o que nós dois estávamos procurando.
Acho que era o que todo mundo estava procurando, de verdade.
Mas como íamos conseguir conhecer alguém nesse ramo de trabalho? As únicas garotas na sede eram as chupadoras de almas.
Eu era hipócrita por não querer assumir uma mulher que tinha ficado com metade dos meus irmãos, sendo que eu também tinha dormido com metade delas? Sim. Mas isso não deixava de ser verdade.
Além disso, elas eram magras demais para o meu gosto.
Elas nunca comiam. Pelo menos não que eu tenha visto.
Não me entenda mal, eu caía em cheio na linha de raciocínio de que “todos os corpos são bonitos”. Eu só preferia que quem quer que estivesse debaixo de mim tivesse onde eu pudesse agarrar.
Bastante onde agarrar.
Independentemente do meu gosto e preferência pessoais, onde eu ia conseguir conhecer alguém?
As garotas que vinham nos fins de semana geralmente só queriam dizer que tinham dormido com um irmão do clube. Ganhar o direito de se gabar para as amigas, já que a nossa reputação era bem conhecida na cidade. Que merda, no condado e no estado inteiros.
O limite do condado finalmente estava aparecendo, o que significava que eu estava quase em casa. A sede tinha sido a minha casa por três anos, desde que eu estava com quase vinte e quatro anos e finalmente tinha escapado do Striker.
Três anos no clube e eu tinha subido de posição mais rápido do que qualquer um, ganhando o meu lugar como terceiro em comando.
O Nathan e o Hawk estavam destinados às posições deles, mas a minha tinha sido conquistada com lealdade, suor e sangue.
O sol já estava começando a se pôr quando entrei na entrada da sede. Estacionando a minha moto na fila com o resto, desci e entrei.
A Barbara estava trabalhando no bar com a Brenda. Ela não aparecia por ali fazia um tempo. O Tank não estava em lugar nenhum, o que devia ser o motivo de ela estar por ali.
O Hawk estava sentado no seu lugar de sempre, com o Bubbles e o Hands junto com ele.
Passando pelo bar, peguei os três dedos de uísque que a Brenda me ofereceu. — Obrigado, docinho. — Eu sorri, grato, para ela.
Ela era boa demais para nós e não a merecíamos. Sendo egoísta, eu esperava que ela nunca descobrisse isso.
— Onde você estava? — o Hawk perguntou quando me sentei na cabine.
— Em lugar nenhum. — Dei de ombros. — Só dando uma volta.
— Sozinho.
— Nenhum perigo atual — eu disse.
Isso era verdade. Quem sabe por quanto tempo continuaria sendo verdade, mas era. Nós não tínhamos nenhum inimigo vindo atrás da gente no momento.
Que nós soubéssemos, pelo menos.
O Hawk resmungou, e eu resmunguei de volta.
O Bubbles e o Hands estavam fofocando sobre alguma coisa. Eu não me importava o suficiente para prestar atenção. Provavelmente tinha a ver com o Bubbles fazendo alguma coisa ridiculamente estúpida, como de costume.
O Hawk esfregou as têmporas, respirando fundo como se estivesse com dor.
— Qual é o seu problema? — eu perguntei, tomando um gole do meu uísque.
— Quando diabos o Prez vai voltar?
— Na semana que vem — eu disse. Ele deveria saber disso.
— Eu sei! — ele retrucou.
— Quem mijou no seu uísque? Que porra que você tem?
— Esses filhos da puta estão me matando. — Ele acenou para o ambiente.
A sede era sempre a base para todos os tipos de merda. Sexo em público. Sexo grupal em público. Maconha. Bebida. Mas sem o Prez para manter todo mundo na linha, havia ainda mais loucura que o normal.
— Troco? — eu perguntei, levantando uma sobrancelha para ele. Quando o Nathan estava no comando, o Hawk geralmente entrava de cabeça nas trapalhadas, mas agora que ele estava no comando, odiava isso. — Carma?
Me mostrando o dedo do meio, ele deu um longo gole no uísque enquanto eu ria da cara dele.
A sede estava coberta por uma leve camada de fumaça, tornando difícil ver tudo o que estava acontecendo.
— Vamos — o Hawk disse. — Temos que ir.
— Para onde?
— No prefeito.
Merda. A nossa reunião semanal. O Prez geralmente ia com a gente, mas a tarefa caiu para mim e o Hawk, com ele fora da cidade.
Por que eles precisavam de uma lua de mel, afinal? A Rachel já estava grávida.
— Mantenha todo mundo vivo — o Hawk disse para o Hands antes de se levantar. Abrindo caminho por entre a massa de corpos que havia se juntado na pista de dança, caminhamos em direção à saída.
O ar frio da noite de fim de outono bateu bem no meu rosto. Durante o dia, com o sol quente e alto, a temperatura era razoável, mas assim que o sol se punha, eu congelava os meus culhões.
Em alguns dias, eu sentia falta do calor da Flórida.
Mas era só disso que eu sentia falta daquele lugar.
O Hawk foi o primeiro a sair e eu o segui, com o farol iluminando a rua de duas pistas.
A viagem até a casa do prefeito não demorou tanto, mas tivemos que entrar pelos fundos. Ele não tinha nenhum vizinho direto, mas, se fôssemos vistos vindo pela estrada principal, levantaria suspeitas.
Não que todo mundo na cidade já não soubesse que ele estava no nosso bolso. Assim como o xerife. E o representante do distrito. E um dos nossos senadores. E o governador.
Nós tínhamos autoridades suficientes do nosso lado para evitar que tivéssemos que ir para a cadeia.
Não que estivéssemos envolvidos em atividades ilegais.
Não em nada que pudesse ser provado, pelo menos.
Parando na casa grande, descemos das nossas motos. Meus olhos foram atraídos para a janela do quarto no andar de cima quando vi a cortina se mexer.
Subindo os degraus de entrada, o Hawk tocou a campainha antes de colocar as mãos nos bolsos, assumindo uma postura relaxada e neutra enquanto esperávamos o prefeito abrir a porta da frente.
— Davis — o Hawk o cumprimentou apenas com seu sobrenome.
— Garotos — ele disse, abrindo a porta e nos permitindo entrar.
Nós não precisávamos ser guiados enquanto passávamos pelo espaço familiar em direção à cozinha. A garrafa de bourbon Blanton’s Single Barrel já estava no balcão.
Esse era o único momento em que podíamos beber uma bebida tão cara. Não por não podermos pagar por ela, mas porque o resto do clube iria bebê-la como se fosse água.
E eu tinha aprendido a lição sobre guardar bebida boa no meu quarto no clube. Assim que alguém ficava sabendo, todo mundo ficava sabendo. E, de repente, todo mundo queria ser companheiro de copo.
Filhos da puta.
O Prefeito Davis serviu uma taça de bourbon para cada um de nós antes de nos sentarmos nos bancos altos do balcão de café da manhã. Ele permaneceu de pé do lado oposto.
— Aqui — o Hawk disse, tirando um envelope cheio de notas de valor alto e o deslizando pelo balcão.
O Prefeito Davis espiou o interior antes de guardá-lo no bolso interno do paletó do terno.
— Algum problema vindo por aí que eu devesse saber? — ele perguntou.
— Não. Estamos de boa — o Hawk respondeu.
— É isso que eu gosto de ouvir. — Ele assentiu, erguendo o copo levemente na nossa direção. — Quando o Prez volta?
— Na semana que vem — eu disse.
— Já está cansado de fazer negócios comigo? — o Hawk perguntou, com tom de ofensa falsa na voz.
O Prefeito Davis bufou. — Claro que não. Só estou puxando assunto. É o que nós fazemos. O que nos difere dos animais. Nós bebemos e jogamos conversa fora enquanto fazemos negócios.
Disse todo gângster, fora da lei e policial corrupto da história. Eu ri dos meus próprios pensamentos antes de limpar a garganta para disfarçar.
Quando escutamos um degrau ranger, as cabeças de nós três viraram bruscamente na direção da escada.
— O que foi isso? — o Hawk perguntou.
— Minha filha está lá em cima com uma amiga — ele respondeu rápido.
— Mulheres — o Hawk disse.
— Abelhudas demais para o próprio bem delas — o prefeito disse. — Não se preocupem. Eu vou dar um jeito nela.
Com essas palavras, o Hawk e eu terminamos nosso bourbon antes de nos levantarmos para sair.
Nenhum de nós concordou com as palavras do prefeito. Mas o Prez nos tinha dado ordens estritas para nos comportarmos. E isso significava concordar como robôs sem cérebro. Então concordamos.
O prefeito caminhou com a gente até a porta da frente, se despedindo.
Na caminhada até as motos, eu não pude evitar olhar para a janela de novo.
Se botassem uma arma na minha cabeça, eu não seria capaz de identificar a filha do prefeito numa fila de suspeitos. Ou a amiga que, aparentemente, estava na casa com ela.
Mas, olhando para cima, eu vi duas silhuetas sombreadas através das cortinas. Uma era baixa e miúda, e a outra, alta e encorpada. Muito encorpada.
Não consegui evitar assistir ao corpo dela se mover como uma sombra. Ela conversava rápido, gesticulando com as mãos, até a cabeça dela virar de forma brusca para o lado oposto e ela sumir do meu campo de visão.
— Você vem? — o Hawk perguntou, já na moto dele.
— Sim — eu disse.
Em toda a viagem de volta para a sede, não consegui evitar me perguntar se a garota que tinha chamado a minha atenção era a filha do prefeito. Ou se era a amiga dela.
E, quem quer que ela fosse, como eu iria encontrá-la de novo?

















































