
Reed: Escola do Sexo 2: Em Segredo
Author
Reads
798K
Chapters
35
Capítulo 1
Livro 2: Hush Hush
REYNA
À uma da manhã, eu ainda estava esperando na varanda do Arthur, me esforçando ao máximo para ignorar a conversa que vinha da sala de jantar.
Não só porque as vozes grossas deles dificultavam a minha concentração no que eu estava lendo. Mas porque eles também estavam bêbados. E chatos pra caralho.
Eu não podia simplesmente ir embora, é claro.
Quando o Arthur me chamava, eu aparecia. Não importava a hora. Não importava se eu estivesse quase morta de cansaço ou em outro continente.
Nos últimos meses, os trabalhos que recebi foram bem rápidos e fáceis — entregar um documento, seduzir um cara, plantar um microfone no escritório de alguém, e por aí vai.
Mas algo mudou esta semana quando o Arthur me chamou e o rosto dele estava todo inchado. Roxo. Como se um caminhão tivesse passado por cima dele em alta velocidade. Eu não ousei perguntar o que tinha acontecido. Mas eu mentiria se dissesse que não estava secretamente feliz.
Arthur Blackmore era uma cobra. E independentemente do que ele fez para merecer uma surra dessas, fiquei feliz que alguém finalmente o colocou no seu devido lugar.
Ainda assim, eu tinha a sensação de que o motivo dele me chamar esta noite tinha a ver com isso. E seja lá o que ele tivesse em mente para a sua vingança, eu sabia que não seria fácil.
Mais uma hora se passou, e os homens finalmente se levantaram e apertaram as mãos do Arthur, sinalizando o fim daquela reunião idiota deles.
Soltei um suspiro e me preparei para falar com aquele monstro.
“Aí está você.” Ele deu um sorriso malicioso, com o olho esquerdo ainda inchado como uma ameixa seca nojenta. “Peço desculpas por fazer você esperar. Mas você não se importou, não é?”
Uma fúria ardente correu pelas minhas veias só de olhar para ele. Aquele homem colocou o meu irmão em uma cadeira de rodas e aterrorizou a minha família desde que meu pai fugiu com o dinheiro dele e o traiu.
Nós não tínhamos como pagar ele — que inferno, nós nem sabíamos que o papai fazia negócios com ele até que ele apareceu na nossa porta dez meses atrás, exigindo o pagamento.
“De forma alguma,” eu menti, fechando meu livro e me levantando na frente dele. Eu não ia deixar ele ver o quanto me afetava. Quanto menos ele soubesse sobre mim, melhor.
“Ótimo. Preciso que você faça algo por mim.”
“Mais uma coisa, você quer dizer,” eu o desafiei, enquanto uma onda de ansiedade tomava conta de mim. “Quantas vezes mais vou ter que arriscar a minha vida para você considerar a dívida do meu pai paga?”
O sorriso dele desapareceu, e ele olhou para o nada, como se eu não estivesse mais ali.
“Você cuida desse trabalho, Reyna, e pode considerar a dívida paga.”
Meu nome soou repugnante saindo dos lábios dele. Isso sempre me irritava, e acho que ele sabia muito bem o quanto isso me incomodava. Era só mais uma forma de exercer o seu domínio sobre mim. De garantir que eu fosse submissa e continuasse sob o seu controle.
“Eu não vou matar ninguém,” declarei logo de cara, percebendo que esse trabalho em especial não seria como os outros.
“Não,” ele riu pelo nariz, “você não vai. O que vamos fazer com eles é muito pior do que a morte.”
Não tive tempo de pensar sobre quem ele estava falando antes dele virar o celular para me mostrar.
A foto de dois homens atraentes me encarava de volta — altos, sombrios e de olhos verdes em seus ternos pretos caros. A câmera capturou os dois bem no meio de uma conversa nas ruas de Nova York.
O da direita parecia irritado. O maxilar dele estava tenso, e me deu a impressão de que ele estava prestes a perder a porra da cabeça.
O outro, no entanto, tinha um olhar brincalhão. Como se ele não ligasse para nada além de se divertir.
“Estes são os irmãos Reed,” Arthur disse, apontando para a esquerda da tela. “E este aqui é o mais novo, Calvin Reed. Preciso que você entre na vida dele, nos negócios dele. E consiga algo que eu possa usar para acabar com os dois.”
“Eles te pegaram de jeito, não foi?” eu brinquei, olhando para o rosto machucado dele. As sobrancelhas dele se ergueram, e o meu sorriso sumiu.
Olhei de volta para a tela, inclinando a cabeça para observar melhor o meu próximo alvo.
Havia algo estranhamente atraente na presença de Calvin Reed. O jeito como ele mantinha as mãos nos bolsos e encarava o irmão mostrava claramente que ele não tinha o menor interesse em receber ordens.
Não — Calvin era o tipo de homem que fazia o que queria, na hora que queria, sem se importar com as consequências. Embora isso me assustasse um pouco, eu gostava disso nele.
Eu gostava muito.
“Sedução não vai funcionar com ele,” Arthur me informou. “O Calvin tem fama de dormir com várias mulheres, então você nunca chegaria perto o suficiente para realmente espioná-lo.”
“Então, o que eu faço?”
“Você estuda na NYU, não é?”
Eu balancei a cabeça confirmando.
“Sorte a sua, a irmã dele também estuda lá agora. Matricule-se na mesma aula de administração que ela. Faça amizade com ela. Depois, peça a ajuda dela para acompanhar o Calvin no trabalho dele como observadora. A disciplina exige que você faça isso para a prova final. Tomei a liberdade de pesquisar isso para você.”
“Mas…,” eu protestei, “eu já escolhi minhas matérias para o semestre. Não posso simplesmente mudar agora. É muito tarde.”
Ele acenou no ar como se não se importasse e tomou um gole da bebida.
“Isso não é problema meu. Resolva do jeito que achar melhor.”
Balancei a cabeça de leve em resposta, respirando fundo pelas narinas, mas não protestei mais. Não ia adiantar nada com ele, de qualquer forma.
“Acompanhe ele como observadora por algumas semanas. E seja inteligente. No começo, você não vai ouvir muita coisa. Mas quanto mais tempo passar perto dele, mais você vai descobrir. Preste muita atenção, Reyna. Não preciso te lembrar que a sua família está em jogo, preciso?”
Não, ele não precisava.
“E se eu fizer isso,” eu disse, olhando direto nos olhos dele, “acabou? Nós terminamos? Você nunca mais vai me obrigar a fazer outra coisa, nunca mais?”
Eu nunca fui treinada para ser espiã. Ou para fazer qualquer um dos trabalhos sujos que o Arthur me obrigou a fazer nos últimos meses. Eu era só uma garota universitária comum que, de alguma forma, ficou presa em uma teia de aranha. E porra, eu queria sair.
“Isso mesmo,” ele deu um sorriso de canto, com as sombras escuras em seus olhos azuis e frios, o que me dificultava acreditar em qualquer coisa que saísse da boca dele. “Você tem a minha palavra.”
A sua palavra não significa nada para mim, eu queria dizer para ele. Mas essa era realmente a primeira vez que ele me oferecia a liberdade.
Aquilo parecia real. Minha primeira chance real de retomar a minha vida. De proteger a minha família.
E se tudo o que eu precisava fazer era simplesmente ficar perto do Calvin Reed por alguns meses, parecia bastante fácil.
“Eu vou resolver isso,” eu disse, quebrando o contato visual e seguindo em direção ao saguão de entrada.

















































