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Cover image for Rockson Bay Livro 1: Queime Por Mim

Rockson Bay Livro 1: Queime Por Mim

Autor
Jane Anne
Leituras
19.8K
Capítulos
46
Autor
Jane Anne
Leituras
19.8K
Capítulos
46
🥵Literatura erótica⚔️De inimigos a amantes🏙️Contemporâneo💪🏻Protetor💄Aventura de uma noite🏡Cidades pequenas & zona rural

O plano de verão de Eden é simples: sem compromisso, sem drama, apenas diversão. Depois que seu namorado de longa data a trocou pela secretária, ela cansou de fingir que está tudo bem. Então Leo — um sujeito convencido, charmoso e insuportável que ela jurou nunca tocar — faz uma oferta tentadora demais para ignorar: inimigos com benefícios, sem sentimentos permitidos.

Mas quanto mais o calor persiste, mais essas linhas se confundem. Leo não é seguro; nem seu sorriso, nem suas mãos, nem a forma como ele olha para ela como se visse tudo o que ela esconde. O que começa como controle se transforma em caos, e Eden precisa encarar o que mais a assusta — que o amor verdadeiro pode significar abrir mão do controle completamente.

Capítulo 1: Intenções Imprudentes

Era uma daquelas noites assustadoramente paradas, quentes e abafadas, que indicavam que o verão tinha chegado a Rockson Bay com força total.
O calor sufocante pesava sobre mim enquanto eu estava parada na frente da casa de praia da minha melhor amiga. O suor escorria pelas minhas costas, e meu cabelo estava cheio de frizz, formando um monte de cachos ao redor do meu rosto, o que me fez resmungar de irritação pela décima vez desde que saí do meu apartamento.
Eu deveria ter prendido o cabelo. Eu odiava quando ele ficava todo bagunçado, e num lugar tão perto do mar, um cabelo como o meu ficava sempre bagunçado.
“Esquece o seu cabelo, Eden”, eu disse para mim mesma. “Você tem coisas maiores para lidar hoje à noite do que o calor e o frizz.”
Limpei a testa e mordi o lábio, pensando pela décima vez se deveria entrar. Eu normalmente não era o tipo de pessoa que ficava enrolando na porta, totalmente indecisa sobre o que fazer a seguir. Eu era a garota das listas, aquela que usava cores no calendário e lembrava todo mundo dos prazos.
Mas hoje à noite eu não era a Eden-organizadora. Hoje à noite eu era a Eden-ousada, a Eden-imprudente, a Eden-que-queria o Leo Mackenna por motivos que eu não conseguia admitir nem para mim mesma.
Esse pensamento fez meu estômago revirar violentamente. Leo sempre foi o garoto de ouro: o menino de ouro, o sorriso de ouro, a porra de uma vida de ouro. E eu sempre fui a garota que se queimava na sombra dele. Facilmente esquecida, facilmente ignorada.
Acontecesse o que acontecesse esta noite, eu ia garantir que o Leo não me esquecesse nem me ignorasse. Essa era a minha chance de virar o jogo. Ou talvez fosse a minha chance de me machucar tudo de novo.
Independente do resultado, eu costumava ser o tipo de pessoa que entrava em um lugar com um objetivo claro em mente. E mesmo que o objetivo desta noite fosse muito diferente dos meus objetivos normais, ele ainda era muito importante.
Sexo. Eu estava aqui por sexo. Aquele sexo suado, sem compromisso, de gritar alto até desmaiar.
Algo que nunca tinha passado pela minha cabeça antes de ontem à noite. Sexo sempre foi algo que eu programava. Algo planejado e esperado com um friozinho gostoso na barriga. Não algo que eu agarrava desesperadamente enquanto sentia que estava sendo esmagada até a morte por um ataque de pânico.
Mas agora, esse tipo novo e assustador de sexo era tudo que passava pela minha cabeça.
A batida forte da música vibrava pelas janelas como um convite silencioso, me chamando para entrar, mas por baixo dela eu ouvia o barulho das ondas quebrando na praia.
Rockson Bay era sempre barulhenta no verão: turistas de Nova York, o surfe e a conversa fiada sem fim dos vizinhos que nunca cuidavam da própria vida. Hoje à noite, porém, o barulho parecia mais intenso, como se a cidade inteira estivesse prendendo a respiração esperando a minha decisão.
Do meu lugar na porta de entrada, eu conseguia ver um monte de corpos se mexendo na pista de dança improvisada na sala de estar. Era a primeira festa em casa do verão, e parecia que a cidade inteira tinha aparecido. Perfeito. Todos eles poderiam me ver passar vergonha.
Meu celular vibrou e eu olhei para baixo. Era a Margo, perguntando onde diabos eu estava. Uma pergunta justa, já que eu estava mais de uma hora atrasada.
Eu já deveria estar lá dentro, me jogando de cabeça naquele meu plano de fazer sexo. E eu ia aparecer por lá, assim que os meus pés resolvessem cooperar e se mover.
“Puta que pariu”, resmunguei, balançando a cabeça. Isso é ridículo. É só dar um passo e se mexer. Siga o plano. Você quer isso.
Eu me abracei com força antes de endireitar a coluna. Joguei meu cabelo por cima do ombro e entrei na casa iluminada pelas luzes coloridas da festa.
A sala da frente estava escura, iluminada apenas por uma luz de discoteca e alguns abajures bem posicionados. Mesmo assim, eu notei que todos os olhares masculinos no ambiente se voltaram para mim assim que entrei.
Que bom, foi o meu primeiro pensamento. Depois: merda, eles estão olhando para mim e sabem o que eu vim fazer. Mas isso era impossível. Uma garota podia mudar o visual sem que isso fosse um grande problema. Sem que isso significasse que ela estava prestes a se jogar de um penhasco. Ou, mais especificamente, se jogar para alguém que não merecia.
Respirei fundo para me acalmar e tentei parecer indiferente. Todo mundo devia estar olhando para mim por um bom motivo.
Eu geralmente era uma garota de calça jeans e camiseta, mas hoje à noite eu vestia um vestido preto justo que mal roçava nas minhas coxas, combinado com sandálias de salto alto prateadas. Meus cachos castanho-claros contornavam meu rosto claro e meus olhos verdes, e a maquiagem leve com um delineador preto forte fazia minhas íris brilharem ainda mais.
Eu não parecia a Eden sensata, a garota que escrevia listas, organizava as pessoas e seguia planos perfeitos. Mas essa era a intenção. Hoje à noite, eu era outra pessoa. Alguém que fazia escolhas imprudentes e pegava o que queria. Alguém que precisava parar de mexer na merda do vestido e sair daquele lugar congelada bem na entrada.
Ignorando os olhares, fui direto na direção das minhas melhores amigas do mundo, Margo e Grace, que estavam conversando na cozinha. Elas levantaram a cabeça e assobiaram quando me aproximei.
“Finalmente”, Margo suspirou aliviada. “Achei que você tinha decidido ficar em casa e afogar as mágoas com carboidratos vazios e sorvete.”
“Não com esse vestido”, resmunguei, ajeitando a barra de novo.
“Foi uma boa escolha. Você está muito gostosa”, Grace elogiou, abanando o rosto vermelho. “E eu não digo isso porque está fazendo uns quarenta graus hoje à noite.”
O cabelo loiro e ondulado dela estava preso em um rabo de cavalo bagunçado. Ela usava um vestido de verão azul-claro que combinava com os seus olhos, enquanto mexia uma tigela enorme de ponche. A festa era dela. A Grace, com seus sorrisos gentis e seu jeito tranquilo, sempre atraía muita gente.
“Com certeza”, Margo concordou, com os olhos brilhando enquanto se encostava na ilha da cozinha. Ela vestia uma camisa grande e um short largo, e a sua pele escura brilhava de suor.
Um lenço colorido segurava seu cabelo curto e preto para trás, enquanto ela balançava um leque de papel na frente do rosto. Mesmo com o ar condicionado ligado, a mistura de umidade e muita gente deixava o calor insuportável.
“Então eu imagino que essa roupa significa que você ainda vai seguir com o seu plano?”, Grace perguntou.
“Olha para ela, é claro que vai”, Margo bufou e, depois, disse para mim: “Aposto que você está até sem calcinha.”
Eu fiquei vermelha, olhando para mim mesma. “Vocês não acham que é exagero? E sim, eu estou com a porra de uma calcinha. Eu não estou tão louca ainda.”
Margo levantou as mãos. “Eu só achei que você iria querer ser prática. Nada diz ‘me fode contra essa parede’ como um vestido curto e uma bunda de fora.”
“Eu posso ser focada e ainda manter um pouco de dignidade.” Eu hesitei antes de acrescentar: “E eu nunca falei nada sobre foder contra a parede.”
“Não critique até você experimentar”, Margo disse, dando uma piscadinha atrevida.
“Você está linda”, Grace me tranquilizou, dando uma cotovelada na costela da Margo. “Se você quer a atenção do Leo, esse vestido com certeza vai resolver.”
“Ela não quer a atenção dele”, Margo acrescentou dando risada. “Ela quer o pau dele.”
Quando ela mencionou o meu alvo da noite, e o pau dele, uma onda de calor absurda tomou conta de mim. “E se ele disser não?”, perguntei, sentindo minha coragem ir embora aos poucos, como água em uma torneira pingando. “Ele tem todo o direito, e eu não o culparia. Eu vou parecer uma idiota.”
“Você não é uma idiota”, Margo disse com firmeza. “Você é linda, gostosa e não tem nada de errado em dar o primeiro passo. E vamos ser sinceras, não é como se o Leo fosse muito exigente sobre com quem ele transa.”
Ao ver a minha cara, Margo se apressou em explicar. “Quero dizer, ele não merece a deusa maravilhosa que você é, todas nós sabemos disso, mas esse é o seu plano, e foi ele quem você escolheu. Isso é exatamente a cara dele, então eu duvido que ele diga não. Só vai lá e vê o que acontece. Você não vai saber se não tentar.”
Eu concordei com a confiança da Margo, embora a dúvida ainda apertasse o meu peito. O plano parecia divertido e ousado na noite passada, lá no bar durante as bebidas depois do trabalho. Agora, ele só parecia imprudente. Bobo. E muito perigoso agora que eu estava encarando a realidade.
Grace estava quieta, mas quando viu a minha hesitação, ela me deu um abraço rápido. “Ei, tudo bem se você mudar de ideia. Nós estávamos, tipo, muito bêbadas quando inventamos esse plano. Provavelmente não foi muito bem pensado. Nós podemos esquecer isso e nos organizar de novo amanhã.”
“Vocês duas estavam bêbadas. Eu só estava com muita frustração sexual mesmo.”
Grace assentiu. “Que era justamente a intenção, não é? Você quer acabar com essa frustração por baixo de alguém.”
“Mas o Leo? Eu ficaria muito melhor com o meu vibrador, e todas nós sabemos disso.”
“Por que não ele?”, Margo argumentou. “E um homem gostoso e de pau duro metendo em você é muito melhor que um vibrador.”
Eu soltei um gemido de frustração. “Mas é o Leo.”
“Nós já vimos os prós e os contras ontem à noite, lembra?”, Grace me recordou. “Você ainda escolheu o Leo, apesar de todos os motivos para não escolher.”
Todos os motivos. Tantos que eu não conseguiria nem fazer uma lista. E eu absolutamente, acima de qualquer coisa, adorava saber que estava fazendo uma escolha lógica. Isso não era mais lógico. Era maluquice.
Puxei a barra do meu vestido de novo, com vontade de ir para casa e desistir dessa ideia inteira. Carboidratos vazios, sorvete e uma sessão com o meu brinquedinho de vibrar favorito não pareciam tão ruins agora.
Mas então os olhos da Margo se fixaram em algo atrás de mim. “Falando no próprio diabo. O Leo acabou de entrar.”
Eu me virei rapidamente. Leo Mackenna tinha chegado com um grupo dos seus velhos colegas do time de beisebol. Nate e Jay estavam ao lado dele, rindo e dando tapas nas costas uns dos outros daquele jeito exagerado que os caras faziam quando estavam juntos.
Provavelmente era alguma herança do tempo das cavernas. Eles se parabenizando pelo simples fato de terem testosterona e sorrisos lindos que faziam as calcinhas caírem por todo lado.
Revirei os olhos. Leo estava usando uma bermuda cargo e uma camiseta gola V justa que marcava o seu abdômen bem até demais. O seu cabelo cor de caramelo-claro formava cachos ao redor das orelhas, um pouco grande demais. Ele jogou o cabelo para trás enquanto observava o ambiente com aquele olhar atento tão conhecido.
Eu não conseguia ver os olhos dele dessa distância, mas eu os conhecia: cor de mel, dourados sob a luz certa ou quando ele estava se divertindo. Tudo no Leo parecia ser de ouro.
A beleza dele, o charme dele, a capacidade dele de passar pela vida sem ser afetado por nada. O nome dele, que em latim significa leão, combinava muito bem com ele. Ele rondava pela vida, pegando o que queria, sem assumir nenhuma responsabilidade. Ele me irritava só por existir, mesmo que isso fosse muito injusto.
Ainda assim, meu peito apertou de ressentimento.
O Leo podia fazer o que quisesse, com quem quisesse, na hora que quisesse. E ninguém se importava com isso. Enquanto isso, eu não conseguia nem seguir em frente com um único plano espontâneo. O calor e a minha indecisão já estavam insuportáveis, e agora a presença do Leo estava me deixando no limite.
Enquanto ele analisava a sala, os olhos dele pararam em mim.
Eu me preparei para aquele seu olhar de desprezo de sempre, mas isso não aconteceu. O olhar dele se demorou em mim. Atento. Direto. Focado.
Eu fixei meus olhos nos dele e levantei o queixo em tom de desafio.
Ele desviou o olhar primeiro.
Mais pessoas começaram a entrar, empurrando o grupo dele para dentro da sala. Eu o perdi de vista.
Te peguei, eu pensei, sentindo uma satisfação crescer no meu peito. Talvez esse plano tivesse alguma chance, afinal de contas. Tudo que eu precisei foi um vestido de puta e um pouco de maquiagem, mas o Leo tinha reparado em mim pela primeira vez em anos.
Eu me virei de volta para as minhas amigas, com a decisão rápida já tomada. “Eu vou fazer isso. Me desejem sorte.”
Grace parecia dividida, mas sorriu. “Você é a pessoa mais teimosa que eu conheço, então eu não estou surpresa. Vai com tudo. E, já que você vai fazer isso, faça valer a pena.”
“Você sabe que eu estou super apoiando isso”, Margo acrescentou. “Eu preciso de alguma fofoca boa para viver através de você. Me conte todos os detalhes depois.”
Eu respirei fundo. “Ok. Lá vou eu.”
Margo me deu um empurrãozinho. “Não esquece as camisinhas. Nem da parede.”
“Eu não vou foder contra a...”
O empurrão da Margo ficou mais forte. “Só vai logo.”
Grace gritou: “E se cuida! Conta tudo para a gente amanhã!”
Eu sorri olhando por cima do ombro, sentindo um carinho imenso pelas garotas que estavam sempre do meu lado para o que desse e viesse. A Grace: a do coração mole. A Margo: a ousada, a exagerada, e, pelo visto esta noite, muito sedenta.
Juntas, elas eram o meu time. Elas tinham me apoiado na escola, na faculdade, e agora na vida. E continuariam me apoiando, mesmo eu estando prestes a seguir com o meu plano de dormir com um homem que eu odiava.

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