
Um Romance com uma Estrela do Rock: O Céu Azul
Author
Isabel S. Knight
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Chapters
40
Capítulo 1
SKY
“Boa noite, Los Angeles! Somos a Lucid Mantra, e vocês são fodas demais!” Maddox, nosso vocalista, gritou no microfone. A voz dele estava tão alta que fez os alto-falantes tremerem.
A multidão enlouqueceu. Gritaram nosso nome como se a gente tivesse feito algo incrível em vez de só ter tocado guitarra por noventa minutos. Saí do palco antes mesmo de as luzes se apagarem. Empurrei minha guitarra nas mãos de um roadie que estava esperando.
O barulho da plateia ainda ecoava atrás de mim. Estavam pedindo bis. Normalmente a gente fazia isso, mas não nessa noite. Nessa noite, meus ossos pareciam errados, como se não se encaixassem direito. Minha cabeça doía para um caralho, como se alguém estivesse batendo um tambor dentro do meu crânio.
Não conseguia dizer se estava só imaginando ou se era real. Os outros membros da banda iam ficar lá fora um pouco mais. Talvez jogassem uma camisa suada na multidão e deixassem todo mundo ainda mais empolgado.
Eu? Fui direto para o camarim. Passei por roadies que acenaram para mim em um cumprimento de bom trabalho.
Não era que o show tivesse sido ruim. Era o oposto.
Tinha sido ótimo, uma daquelas noites em que a música parecia correr nas minhas veias. Mas esse era o problema: sempre era assim.
Show trinta e cinco, show trezentos, show mil. Cada um igual ao anterior.
As pessoas achavam que ser uma estrela do rock significava ser feliz o tempo todo. As festas, o álcool, a fama, o dinheiro, as mulheres.
No papel, parecia perfeito. Mas quando você vivia assim tempo suficiente, o perfeito começava a parecer uma prisão com luzes bonitas. Tudo se misturava no mesmo padrão louco até mesmo as partes loucas ficarem entediantes.
A verdade? Eu só me sentia vivo mesmo quando estava tocando. Quando meus dedos deslizavam pelas cordas da guitarra, criando sons que ninguém nunca tinha ouvido antes.
Quando Maddox cantava no microfone, e a bateria do Jaxon combinava com o baixo do Maverick como se nossos corações batessem juntos. Essa era minha onda, minha droga e minha razão.
O resto? As luzes piscando, os fãs gritando e as coisas boas que vinham com a fama? Tinham parado de ser empolgantes fazia tempo.
Eu parecia um babaca reclamão, e eu sabia disso. Porra, eu só tinha vinte e cinco anos, não era algum roqueiro velho se agarrando ao passado.
E não era como se eu tivesse algum passado triste e terrível para explicar por que me sentia esgotado. Minha vida tinha sido bem normal: pais bons, embora meu pai estivesse ausente a maior parte da minha vida, uma casa nos subúrbios, um cachorro de família chamado Pepper.
Conheci os caras no ensino médio. A gente tocava música na minha garagem até os vizinhos dizerem que iam chamar a polícia. Tocamos em festas de aniversário, começamos a tocar na rua por diversão, e em uma tarde qualquer, Colin nos viu em uma calçada e mudou tudo.
Nenhum passado terrível. Nenhuma história triste de pobreza à riqueza.
Só quatro idiotas que queriam tocar música e que ficaram famosos por acidente. Me joguei no sofá do camarim, acendi um cigarro e fiquei olhando para o teto até a fumaça fazer linhas cinzas finas no ar.
Foi quando a porta se abriu de repente. “Tá bem?” Colin perguntou. A testa dele estava enrugada de preocupação.
Ele se apoiou no batente da porta. A tensão nos ombros dele o fazia parecer mais velho que trinta e três. “Sim. Só uma dor de cabeça fodida,” menti com facilidade.
Colin não acreditava em mentiras, mas também não fez mais perguntas. Ele sempre tinha sido como um pai para esse grupo, mesmo sendo só oito anos mais velho que eu.
O cara tinha nos encontrado, lutado muito por nós e vivido cada momento importante conosco. Ele não era só nosso empresário. Era família.
E família não precisava me ouvir reclamar de me sentir vazio quando ele tinha perdido o sono, garantindo que nossas agendas não nos matassem. “Tá bom,” ele disse, embora seus olhos ficassem em mim como se quisesse perguntar mais.
“A festa tá do outro lado do corredor quando você estiver pronto.” E ele foi embora.
Devo ter ficado sentado lá por um bom tempo, a cinza queimando até meus dedos, antes de meu celular vibrar no chat do grupo.
Maddox
Porra, Sky, cadê você?
Maddox
Traz essa bundinha linda aqui.
Jaxon
É, cara, bora. O flerte do Maverick tão matando o clima.
Jaxon
Ele tá espantando as minas, e eu não vou ficar de pau duro no café da manhã de novo!
Maverick
Pelo menos eu falo com as minas em vez de só batucar pra elas.
Jaxon
Minha bateria tem mais ação que você, mano.
Maverick
Vai se foder, Jaxon!
Ri, balançando a cabeça. Idiotas. Idiotas talentosos e espertos que também eram meus irmãos.
Sky
Chego em um minuto.
Jaxon
Bom mesmo, ou eu mando alguém aí pra te mamar.
Jaxon
Opa, te pegar.
Jaxon
Desculpa, foi o corretor.
Mesmo me sentindo mal, ri. Conhecendo o Jaxon, ele estava só meio brincando.
O cara não era nada sutil e queria sexo o tempo todo. Apaguei meu cigarro, me preparando para me arrastar para o outro lado do corredor, quando a porta se abriu de novo.
Dessa vez não era o Colin. Era uma mulher alta com peitos grandes e cabelo loiro. Parecia que tinha sido espremida naquele vestido brilhante.
Olhos castanhos grandes, maquiagem demais, lábios tão brilhantes que refletiam luz. “Oi,” ela disse com voz ofegante, brincando com o cabelo.
“O Jaxon me disse pra vir aqui. Sou a Amanda.” Claro que era.
Ela era bonita, com certeza, mas daquele jeito polido e comum que parecia que tinha saído de uma audição de Hollywood: Fã número sete. Normalmente, ver uma mulher como ela que estava ansiosa e agressiva teria feito meu corpo reagir antes de meu cérebro pensar.
Nessa noite? Nada. Meu pau não estava funcionando.
“É mesmo?” falei devagar, inclinando a cabeça enquanto olhava para ela. O sorriso dela ficou maior.
Ela entrou, fechou a porta atrás dela, e em dois segundos tinha me empurrado para trás no sofá. Passou uma perna forte por cima de mim e sentou no meu colo, pressionando contra mim com o tipo de confiança que vinha de homens demais nunca dizendo não.
Os dedos dela tocaram meu peito, traçaram meus músculos abdominais e desceram mais. “Posso te fazer sentir coisas que você nunca sentiu antes, Sky,” ela sussurrou, olhos parecendo sexy.
É. Já tinha ouvido essa antes.
Junto com “Sempre sonhei em estar nos bastidores” e “Meu namorado não vai se importar se for você.” Todo mundo parecia desesperado para me fazer sentir algo esses dias, e sinceramente? Essa pressão me deixava irritado mais do que excitado.
“Ah é?” falei sem emoção. “Se você tiver camisinha, talvez a gente se vire. Caso contrário, podemos encerrar a noite.”
O rosto dela mudou, só por um segundo, antes de colocar a expressão sexy de volta. Eu sabia que estava sendo um babaca, mas não me importava.
Não estava com humor para ser legal só porque alguém queria se gabar de ter ficado comigo.
Ela se inclinou mais perto, os lábios quase tocando os meus, o perfume doce e forte demais. Me preparei, já pensando no jeito mais gentil de tirá-la de cima sem causar problema, quando…
A porta se escancarou com tanta força que sacudiu as paredes. Nossas duas cabeças viraram em direção a ela.
Amanda congelou no meu colo, os lábios abertos em irritação.
Olhei para a pessoa que tinha nos interrompido e planejei agradecer depois por ter impedido isso. Mas a pessoa parada na porta não era outra fã.
Não era o Jaxon rindo da própria piada, e nem era o Colin dando uma checada.
Os olhos dela se fixaram nos meus com uma intensidade que cortou a fumaça e o perfume. Meu estômago despencou e senti minha nuca arder.
Ela era a filha de Griffin Hayes: lenda do rock, vocalista e guitarrista do Death Phenomena, e o homem que era dono da nossa gravadora.
De todas as malditas noites, de todos os malditos camarins em LA, ela tinha que entrar nesse.
Fazia dois anos que eu não a via em um dos nossos shows, e ela escolheu justamente esta noite, quando eu estava com dor de cabeça, ressaca de cigarro e uma aspirante a fã sentada no meu colo.
Que sorte a minha.










































