Congelei. A voz dele era um gatilho que eu odiava amar—o jeito como ele falava como se eu fosse sua para comandar, como se eu fosse me ajoelhar se ele fizesse um sinal com o dedo. E porra, talvez eu fizesse.
“Roman, não—”
“Tire a roupa. Ou eu vou tirar para você.”
E eu sabia o que aquilo significava.
Minha respiração travou na garganta enquanto eu olhava para ele, desafiadora e tremendo, antes de deixar o roupão escorregar devagar pelos meus ombros.
Ele observava cada centímetro que eu revelava como se já pertencesse a ele. Seu peito subia e descia em respirações lentas e controladas—mas seus olhos queimavam com pura possessão.
Fiquei nua na frente dele, queixo erguido, mamilos enrijecidos tanto pelo ar quanto pela tensão entre nós. Recusei-me a desviar o olhar.
“Boa garota”, ele disse.
Meu Deus, aquele elogio. Odiava que isso ainda me fizesse apertar as coxas.
Ele deu um passo para trás de mim, traçando as pontas dos dedos pela minha coluna, lento e reverente, até as mãos dele agarrarem meus quadris.
“Senti falta disso”, ele murmurou na minha orelha. “Do jeito que você se arrepia quando eu nem te toco direito.”
Trinquei os dentes. “Eu odeio você.”
“Não, não odeia”, ele disse, mordendo meu ombro. “Você quer odiar. Mas seu corpo ainda responde a mim.”
Ele me virou, empurrando-me suavemente, mas com firmeza, contra a cama. Antes que eu pudesse recuperar o fôlego, a mão dele envolveu minha garganta—uma pressão firme e medida, do jeito que ele sabia que eu gostava. Apenas o suficiente para fazer minha respiração falhar.
“A palavra de segurança ainda é a mesma?” ele perguntou, com a voz como fumaça e pecado.
“Sim”, raspei a voz.
“Então deixe-me lembrá-la do que você esteve perdendo.”
A mão de Roman continuou firme na minha garganta, sem machucar, apenas me segurando no lugar, me segurando como uma posse.
Minhas pernas tremeram. “Você não tem o direito de fazer isso”, sussurrei, mesmo com meus quadris se movendo contra a coxa dele. “Você não pode simplesmente aparecer, me chamar de Kätzchen e achar que vou desmoronar por você.”
“Você já está desmoronando”, ele rosnou.
Seus lábios estavam a centímetros dos meus, sua respiração batendo na minha boca. Ele se inclinou até que o calor do seu corpo me prendeu na cama. Meu pulso disparou como um pássaro encurralado no peito.
Eu senti—o momento logo antes de ele me beijar—e algo dentro de mim gritou que sim.
Mas em vez disso—eu virei o rosto.
Ele congelou.
“Eu não posso”, eu disse sem fôlego.
Uma pausa.
“Eu tenho que ir.”
Roman recuou apenas o suficiente para olhar para mim, não confuso, não irritado, mas observando. Avaliando.
“Eu arrumei um emprego novo”, eu disse, tentando recuperar o fôlego e acalmar meu corpo acelerado. “E já estou atrasada. Minha nova amiga Erin está me esperando. Ela é a única que tem cuidado de mim desde que deixei… tudo.”
Sentei-me, pegando meu roupão, enrolando-o ao meu redor como uma armadura.
Os olhos dele escureceram. “Você vai embora agora?”
“Sim”, eu disse, embora doesse fisicamente dizer isso. “Eu trabalhei duro demais para recomeçar, Roman. Não vou arriscar tudo só porque você apareceu com essa voz e essas mãos e esse… cheiro.”
Um leve sorriso. “Então você ainda me quer.”
“Nunca disse que não queria.” Passei por ele, roçando o ombro no seu peito. “Mas não vou ceder a um homem que desaparece sem dizer uma palavra e depois espera que minha cama esteja quente quando ele voltar.”
Ele se virou, seguindo-me com o olhar. “Não era só sobre mim. Você precisava de espaço.”
“Você tomou o espaço”, disparei. “Você levou tudo.”
Silêncio.
Então a voz dele, baixa e letal: “E mesmo assim, você ainda é minha.”
Eu me virei rapidamente. “Roman—”
“Vá”, ele disse, cortando-me. “Seja profissional. Seja responsável. Seja a versão de si mesma que você está tentando tanto ser sem mim.”
Pisquei, chocada com a sua súbita frieza.
“Mas quando você terminar de fingir que isso não importa…”
Seus olhos queimaram nos meus. “Você sabe onde me encontrar.”
Não respondi. Apenas o observei sair pela porta. Meu coração ainda batia forte, minhas coxas ainda doíam, e o cheiro de Roman grudava na minha pele como um pecado que eu ainda não tinha lavado.