
Série Carrero 3: A Solução Carrero
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Capítulo 1
Estou jogada na cama, dormente de tanto chorar e da dor lancinante. Não sei há quanto tempo estou deitada aqui, ouvindo o sangue pulsar na minha cabeça enquanto meu coração entra em colapso dentro do meu corpo.
Não sou nada além de uma casca. Uma casca silenciosa e vazia de exaustão e angústia, amassada além do reconhecimento.
Eu o ataquei, bati nele e o empurrei para longe com cada gota de força que eu possuía. E ainda assim, ele tentou se agarrar a mim.
Meu Jake, meu corpo e alma. Agora o destruidor de tudo o que eu era.
Eu disse para ele não me tocar, para nunca mais me tocar. Eu disse para ele sair e ir embora. Eu gritei e chorei e desmoronei no chão aos seus pés. Suas palavras caíam ao meu redor como um barulho que eu não conseguia entender, de tão consumida pela minha dor.
Foi só quando eu choraminguei e implorei para que me deixasse em paz que ele finalmente me ouviu. Ele se afastou para que eu pudesse me levantar, correndo para a solidão deste quarto... nosso quarto. O quarto dele. Eu o expulsei e o tranquei do lado de fora. Não suporto mais que ele esteja perto de mim, que me toque ou que olhe para mim.
O que nós somos está perdido; a traição dele selou o nosso destino, e meu mundo foi despedaçado com tanta devastação. Acho que nunca mais serei a mesma. Tudo o que consigo pensar é na boca dele contra a dela, repetidas vezes, e isso rasga o meu coração. Beijando a boca da única mulher no mundo que eu odeio além da conta. Ele não sabe a profundidade e o estrago que a traição com ela causou. Ele não faz ideia do quão profundamente a sua traição me feriu.
Ele beijou outra pessoa. Não qualquer pessoa, mas ela. O objeto de todo o meu ódio e dor nos últimos meses.
A mulher que no passado possuiu o seu coração. A única outra mulher que já foi amada por ele e que agora carrega o seu filho.
Marissa Hartley.
Como poderei um dia superar isso ou acreditar que os sentimentos dele por ela são tão claros quanto eu pensava?
O nome dela é como uma adaga no meu peito, uma ferida tão insuportável e ardente, garantindo que eu nunca me recupere do golpe fatal.
Por que, Jake? ... Por quê? Porque você tinha tanta certeza da minha facilidade em te trair? Alimentado pela insegurança por causa da minha recusa em começar um lar com você ou responder ao seu pedido de casamento?
Alimentado pela minha estupidez em fazer você acreditar que eu te trairia tão facilmente por causa de uma briga.
Nós éramos tão frágeis a ponto de algo tão estúpido nos partir em dois?
Há uma batida fraca na porta. Minha respiração falha e meu pulso para. A proximidade dele ainda me afeta. Mesmo à distância, meu corpo o sente no ar e treme.
“Emma?” A voz do Jake, rouca e embargada, causa uma dor aguda no meu peito. Eu me deito de lado para bloqueá-lo, cobrindo meus ouvidos, me encolhendo em uma bola com uma nova onda da insuportável dor dentro de mim. Lágrimas silenciosas escorrem pelo meu rosto. Eu só quero que essa dor pare de me devorar.
“Emma, por favor? ... Me deixa entrar,” ele implora, com a voz o mais distante possível do meu Jake, diferente de como ele normalmente soa, esmagando a minha alma. Estou tão distante de mim mesma que temo nunca mais encontrar o caminho de volta. Fecho os meus olhos com força, apertando-os, desejando que ele vá embora. Minha voz não sairia mesmo se eu quisesse. Está tão machucada e dolorida, tornando difícil demais engolir, os efeitos colaterais do lamento de uma mulher desesperada.
Há um baque suave contra a porta. Ela range com a pressão de um peso humano, o som de algo pesado e macio escorregando lentamente pelo outro lado.
“Eu não vou a lugar nenhum, Neonata. Vou ficar bem aqui até você me deixar te ver. Eu preciso te ver, Emma... Estou enlouquecendo aqui fora.” A tristeza em seu tom me faz sofrer. Ele soa tão quebrado quanto eu me sinto. Seu tom de voz normalmente grave e rouco está tenso e áspero, a emoção falhando a cada palavra agonizante.
Ele me deixou em paz até eu ficar quieta, mas eu não poderia deixá-lo trancado de fora para sempre. Este é o apartamento dele... a casa dele. Não é mais a minha. Eu preciso me levantar, pegar tudo o que possuo e deixá-lo; ele não me deixou outra escolha a não ser ir embora. Não há mais nada para nós aqui.
Novas ondas de devastação me atingem, fazendo com que eu quebre o silêncio com um soluço. Não consigo nem começar a pensar em deixá-lo, não ainda, não enquanto meu corpo quer ficar deitado aqui e morrer. A dor é tão avassaladora que mal consigo respirar.
“Por favor... Por favor, Bambina. Está me matando ficar aqui fora ouvindo você chorar. Me deixa entrar. Me deixa te abraçar.” Sua voz falha, a dor é grande demais. Eu o imagino escorregando contra a porta, com os joelhos encolhidos e os braços em volta dos ombros, talvez segurando a cabeça, tão quebrado e destruído quanto eu. Tento afastar a imagem dele da minha mente, as lágrimas me consumindo; o pensamento me machuca mais do que posso imaginar. Não suporto que ele esteja tão destruído quanto eu, sofrendo em agonia do lado de fora da sua própria porta.
Estou me afogando em confusão. Não consigo suportar a dor de deixá-lo chegar perto. O pensamento do seu toque traz o flash de uma visão na minha cabeça dele e dela — ele a tocando, focando em seus olhos, beijando-a. Isso me corta como um atiçador quente e me tortura até o âmago.
O que ele fez conosco?
“Eu... Eu... Eu não consigo.” Minha voz é fraca e frágil, um fantasma do tom normal que eu costumo possuir. Eu respiro em meio às lágrimas, incerta se estou sendo alta o suficiente para ele me ouvir.
“Emma, eu não vou te tocar. Eu juro. Vou manter a distância. Eu só preciso te ver... olhar para você,” ele implora. Ele se move em direção à porta para tentar escutar a minha resposta, o que me despedaça ainda mais.
Eu não gosto dele desse jeito. Ele é o meu Carrero forte e dominador, sempre tão seguro e irritantemente confiante, no controle de tudo.
Não suporto essa versão triste e quieta dele me implorando, sentado e largado lá fora, buscando permissão para entrar em um quarto do seu próprio apartamento.
Este não é o Jake. Quero o meu Jake de volta. Quero o Jake de uma semana atrás, aquele que nunca me traiu e me deixou desse jeito. O Jake que moveria montanhas para me proteger, não este homem sentado lá fora que está tão distante daquele que eu achei que conhecia.
“Não consigo. Não consigo me levantar.” É verdade. Não tenho forças para andar até a porta. Meu corpo está quebrado. Eu choro em silêncio, as lágrimas caindo livremente fora do meu controle. Mal consigo levantar a cabeça, tão esgotada de vida que passei do ponto de conseguir me mover. A fadiga está destruindo cada membro do meu corpo com a exaustão emocional. Não sei que horas são, mas parece que estou aqui há dias.
“Apenas me diga que posso abrir a porta, e eu abrirei,” a voz dele está tensa. Ele está esperando e torcendo para que eu não o mantenha do lado de fora, enquanto ainda busca a minha permissão.
Não consigo mantê-lo do lado de fora, por mais que eu queira desesperadamente. Ele é quem está me causando uma agonia paralisante, mas também é a única pessoa no mundo com alguma esperança de me ajudar. Essa é a minha tortura. O meu curador também é o meu algoz. Quando tudo o que consigo sentir é devastação, meu coração dói, clamando pela única pessoa que sempre me mantém no chão e me faz sentir segura.
“A casa é sua.” Eu desmorono, não decidindo por ele. Eu estremeço momentos depois, contraindo o meu corpo de surpresa, quando ele chuta a porta com uma força sem esforço. A madeira se partindo e o metal se rompendo violentamente; a luz invadiu a partir do outro quarto, mostrando sua forte figura masculina silhuetada na moldura.
Eu me encolho ainda mais, como fazia quando era criança, cobrindo o rosto com os braços e defendendo meu corpo instintivamente. A dor de tê-lo perto de mim é mais excruciante do que qualquer coisa que eu já tenha suportado. Eu o escuto se aproximando. A cama afunda quando ele desliza para cima dela, mantendo a distância. Ele suspira pesadamente. Consigo sentir cada grama de energia forte irradiando dele, desesperado e cheio de remorso, inundado com tanta angústia quanto eu.












































