
Série Carrero Livro Bônus: A Visão de Jake
Author
L. T. Marshall
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Chapters
32
O Primeiro Encontro
Livro Bônus da Série Carrero: A Visão de Jake
De O Efeito Carrero
Jacob Carrero estava em seu quarto, de frente para o grande espelho sobre a penteadeira, e aquecia a cera de cabelo entre os dedos, dando um sorriso de lado para a familiar embalagem preta e dourada na superfície de madeira. Seu pai ainda se vangloriava da decisão de criar uma linha de produtos de beleza masculina com o rosto de Jake em toda a campanha publicitária — não que ele se importasse.
Ele estava acostumado a ser propriedade pública, sempre em exibição, e a ser a fantasia masculina de todas as mulheres. Qual cara não ia gostar? Mulheres caindo aos seus pés todos os dias. Porra, e como.
Ele esfregou a cera no cabelo com habilidade e espetou os fios para cima e para a frente, no seu estilo de marca registrada. Ele nunca foi de fazer muito alarde com o cabelo.
Isso o mantinha arrumado, e ele não precisava se preocupar pelo resto do dia nem mexer nele, a menos que passasse as mãos pelos fios e os bagunçasse. Se pudesse escolher, ele rasparia tudo, mas tinha feito isso na adolescência e ficado com cara de um bandido de rua ameaçador, recebendo olhares fulminantes da Mamma Carrero.
Ele viu a garota pelo espelho, tentando chamar sua atenção da cama. Ela estava recostada de um jeito sexy e deixava os lençóis escorregarem pelo corpo nu para atraí-lo de volta.
Jake apenas franziu a testa para o esforço dela e voltou a se arrumar para o trabalho. Ele já tinha brincado bastante nessas últimas duas semanas, e ela já o estava entediando.
Essa era sua parceira de foda mais recente. Pernas longas, um pouco magra demais para o seu gosto e com um rosto surpreendentemente sem graça depois que toda aquela maquiagem era tirada.
Mais uma supermodelo obcecada por jantares onde só comia alface e que colocava o rosto no colo dele num estalar de dedos. Nada de especial, chatamente previsível e com zero assunto naquela cabeça.
Ele não sabia por que continuava caindo na armadilha de sair com o mesmo tipo de mulher de novo e de novo. “Eu ainda estou com energia... se você topar?” Ela tentou usar uma voz rouca, o que apenas o irritou.
Deslizando o paletó sobre a camisa impecável e ajeitando os punhos sem olhar para ela nenhuma vez, ele continuou a se arrumar. Jefferson já devia estar esperando com o carro agora, e ele tinha que ir. De volta à realidade e de volta a administrar a sua parte no império da família.
“A Nora vai te dar algo para comer. Pode ir saindo.” Ele deu um sorriso de lado para ela e se sentiu culpado ao ver a expressão de pura decepção em seu rosto. Só um pouquinho.
Ele parou de se importar no segundo em que pegou seus óculos escuros, colocou-os na cabeça e saiu pela porta. Nora o cumprimentou na sala de estar em conceito aberto, empunhando um aspirador de pó e sorrindo graciosamente, seu coração se aquecendo um pouco com a viuvinha maternal que cuidava do seu apartamento.
Ele deu um sorriso sincero. “Você pode garantir que... Hum?” Porra, qual era o nome dela? Trisha? Tracey? Merda, estou dormindo com ela há quase uma semana e ainda não lembro a porra do nome. Eu sou muito babaca.
“Tiffany?” Nora piscou para ele, e ele sorriu, sentindo-se mais sem graça pelo branco na memória. Ele sabia que isso o fazia parecer um cuzão, e não gostava que Nora pensasse nele desse jeito.
A mulher era como uma segunda mãe, e a opinião dela importava. “Isso, ela mesma. Você poderia garantir que ela coma e providenciar que seja levada para casa?” Ele sorriu de novo e foi para a cozinha, onde pegou o café que ela tinha deixado pronto num copo de metal para viagem.
Ele estava atrasado, e ela sabia disso. A melhor governanta da Terra. Ela merecia outro aumento.
“Arrick?” Ele se virou de volta para ela com uma sobrancelha erguida e, em seguida, ignorou a pergunta quando seu irmão veio caminhando devagar da direção dos quartos de hóspedes.
“Ela está toda agitada com a minha nova assistente.” Arrick apenas bocejou e passou a mão de um jeito relaxado pelo cabelo loiro-escuro.
Seu irmão era mais claro, mas tinha os olhos escuros e a pele amarelada do pai, enquanto Jake herdara o cabelo escuro e os olhos verdes da mãe, e ele supunha que também a beleza dela, já que havia sido eleito o solteiro mais gostoso de Nova York pelo segundo ano consecutivo.
Ele nunca viu a semelhança com o irmão, mas as pessoas sempre diziam que estava lá. “Você tem sorte de eu estar em pé, e como diabos você parece tão fodidamente normal?” Arrick estava irritado hoje; a noite passada tinha sido uma festa e tanto, e eles tinham pegado um pouco pesado na bebida.
Jake estava quase imune a ressacas hoje em dia. Anos bebendo muito tinham lhe dado uma constituição de ferro muito maior que a de seu irmão caçula.
Ele precisava prepará-lo para isso agora que ele estava quase na idade legal para beber. Ele tinha uma reputação a seguir, e se quisesse acompanhar os amigos de Jake, era melhor aumentar logo sua tolerância ao álcool.
“Pronto para ir?” Jake empurrou o ombro do irmão ao passar por ele, para fazê-lo se mover mais rápido. Ele já estava inquieto por ter ficado longe do trabalho por duas semanas. Não fazia ideia do quanto tinha perdido ou do que precisava fazer para colocar tudo em dia hoje.
Ele não tinha mais tanta certeza de que fazer snowboard e base jumping entre festas de arromba tinha sido uma ideia tão boa quando ele tinha tanta coisa por vir. Ele não se sentia mais descansado do que quando partiu com o irmão e o melhor amigo a tiracolo.
Talvez ele devesse ter cortado a diversão um dia antes e dormido de verdade. A noite passada foi um retorno tardio de bebedeira, e depois muito sexo antes de seu alarme o atacar cedo demais. Um banho mal o tinha consertado.
Ele se sacudiu mentalmente e seguiu Arrick pela porta principal até o corredor, onde seu chefe de segurança o esperava com a sua bolsa. Mathews parecia uma espécie de George Clooney com um ar de Jason Statham; o homem era assustadoramente eficiente. Jake pegou a bolsa que lhe foi estendida.
Ele não era muito do tipo que usava maleta, então tinha uma bolsa carteiro de couro. “Aqui está, senhor. Todos os arquivos chegaram na noite passada, conforme o seu pedido.”
Ele sorriu agradecendo ao homem mais velho e deu um tapinha no seu ombro antes de tomar um gole de café. Um leve enjoo se agitou em seu estômago com o primeiro líquido sem álcool a atingi-lo em quarenta e oito horas. Não foi uma boa ideia.
Arrick estava praticamente tropeçando nos próprios pés e segurando a cabeça. Jake tirou os óculos escuros e os colocou no nariz do irmão; o pobre coitado não ficaria nada melhor ao encarar a luz do sol de Nova York em alguns minutos, e ele se sentiu culpado pelo sofrimento dele.
Jake o havia instigado a uma competição de bebida, sabendo muito bem que o venceria com as mãos nas costas. O garoto precisava aprender a ser homem com o resto deles se quisesse sobreviver no seu círculo de amigos. “Valeu.”
Ele finalmente conseguiu falar, depois de engolir provavelmente a pior coisa para se beber quando o estômago estava frágil. O café de Nora era o suficiente para fazer nascer cabelo no peito de um homem. Jesus!
Com a bolsa firme no ombro, ele puxou o primeiro arquivo e entrou de forma descontraída no elevador. “Trabalhando já? Você tem problemas”, Arrick resmungou do canto onde estava largado, e Jake só pôde balançar a cabeça e sorrir para ele.
Essa era a futura concorrência na empresa de seu pai. Ele precisava fazer Arrick engrossar o couro. “O histórico na empresa e o currículo da minha nova assistente. Ela quer que eu esteja a par de quem ela é antes de conhecê-la hoje. Aparentemente, ela tem grandes esperanças de que essa seja a tal que eu estava procurando.”
***
Andar sessenta e cinco da Corporação Carrero—Executive House. Lexington Avenue, Midtown Manhattan.
Caminhando pelo prédio com um irmão que parecia decididamente pálido de enjoo e o seu guarda-costas sempre presente, cortesia de seu pai, Jake sentiu aquela familiar tranquilidade retornar. A tranquilidade de estar de volta no seu próprio prédio e no controle. Era ali que ele se destacava na vida.
Bem ali, num prédio separado do de seu pai, era o seu domínio. Todos os negócios conduzidos lá dentro não tinham muito a ver com Giovanni Carrero, exatamente como ele gostava.
Jake comandava a parte de esportes da empresa enquanto Giovanni reinava sobre os hotéis. A linha de produtos de beleza tinha ficado com Jake, já que o rosto dele estava por toda a parte, e ele tinha um milhão de pequenos negócios paralelos sendo administrados na Carrero House.
Seu pai tinha os seus negócios mais obscuros, e às vezes umas merdas de máfia quase ilegais rolando, e ele não queria ter parte nos velhos laços de família. Ele havia convencido Arrick a começar a se interessar pela sua parte dos negócios; ele o queria trabalhando ao seu lado, em vez de ser puxado para a Carrero Tower com o velho.
Quanto mais ele pudesse manter Arrick longe das pessoas que o pai conhecia, melhor. Além disso, Arrick tinha uma boa cabeça para os negócios, muito parecida com a de Jake, e podia ser útil em algumas fusões e aquisições agendadas para o futuro próximo.
Jake ignorou o fluxo constante de suspiros e sorrisos femininos direcionados a eles. Ele não era tão convencido a ponto de não perceber que o irmão estava chamando a atenção agora que ficara mais velho.
Não que ele se importasse, Arrick logo descobriria como a atenção feminina podia ser entediante. Porra, o cara obviamente era bonito. Afinal, eles compartilhavam o mesmo DNA.
```
Ele segurou um bocejo no elevador e deu um soco no ombro de Arrick para acordá-lo um pouco. A fadiga óbvia de seu irmão o estava afetando um pouco demais, e ele precisava parecer que estava no controle.
Arrick continuava quase encolhido como uma bola, e Jake se esticou e empurrou os óculos escuros para trás, encaixando-os de volta na cabeça de Arrick de forma descuidada. “Vai se foder”, seu irmão resmungou baixinho, e o guarda-costas lançou um olhar mortal na direção de Jake.
Jake retribuiu o olhar, a agressividade fervendo instantaneamente para colocá-lo no seu lugar. Nenhum brutamontes pago pelo seu pai ia tentar mandar na sua relação com o irmão caçula. Ele tinha certeza de que poderia acabar com o cara, até mesmo ali dentro.
O cara tinha um metro e setenta e pouco, no máximo, e parecia que só conseguia levantar no supino a metade do que Jake levantava. Além disso, Jake tinha anos de luta na gaiola e treinamento de artes marciais mistas na bagagem. Ele encararia a briga mesmo que o cara fosse ex-militar.
Com o seu temperamento quente dos Carrero, ele tinha certeza de que não precisaria de muito, bastaria mais um olhar de desaprovação na sua direção. “Levanta, babaca, chegamos.”
Ele foi um pouco ríspido demais com Arrick e lhe lançou um olhar de desculpas. A sua própria ressaca estava ali, mesmo que não tivesse a magnitude da de Arrick, e ele estava se sentindo pior que o normal.
Ele deveria ter tido o bom senso de cancelar os planos da noite passada. Com certeza estava se arrependendo agora. Quem ele queria enganar?
Uma noite de loucura, muita bebida, um boquete no carro daquela ruiva fogosa e uma noite de sexo quente e pesado em casa com a Trisha... Trudy... Porra!
Ele nunca deixava uma noite assim passar.
Margo deslizou pelo saguão numa densa nuvem de Chanel Nº 9 assim que as portas do elevador se abriram, como um sopro de ar fresco, sempre pronta com o seu sorriso profissional e o corpo atraente envolto na alfaiataria da Christian Dior. Ela o havia servido muito bem por anos e era o templo da calma e da eficiência que ele procurava em uma nova assistente.
Ele precisava de uma nova Margo para substituí-la, ou isso nunca funcionaria a longo prazo. As assistentes temporárias anteriores tinham sido inúteis ou tentado foder com ele loucamente, e ele nunca misturava o trabalho com a diversão.
Ele sabia o que procurava e esperava que ela estivesse certa sobre esta. Não estava com a menor vontade de repetir o caso da Gloria. Aquela garota havia ficado nua em seu escritório e tentado seduzi-lo com sexo oral, antes de receber de volta o seu currículo e um empurrão rápido porta afora.
Ele podia ser um playboy solto e louco por sexo fora daquelas quatro paredes, mas lá dentro o jogo era em outro nível. Jake era sério sobre os negócios e sobre nunca cruzar essa linha.
Ele sorriu de volta para Margo, seu braço direito, e enlaçou o braço dela no seu afetuosamente, enquanto Arrick resmungava e os seguia com o babaca do soldadinho a tiracolo. Todo tipo de murmúrio e reclamação acontecia atrás deles.
Arrick seria inútil aqui hoje, e Jake se perguntou se mandá-lo para casa não seria uma ideia melhor. “Você está particularmente elegante hoje, Jake. Um pouco cansado, no entanto.”
Ela sorriu para ele daquele jeito maternal que usava nos momentos particulares, ajeitando o colarinho por cima do paletó e estalando a língua pela falta da gravata. Ele revirou os olhos enquanto ela balançava a cabeça. “Você sabe que elas me fazem sentir como se estivesse sendo sufocado aos poucos.”
Jake a manobrou para o seu lado mais uma vez e tirou a mão inquieta dela da sua lapela. Ela estava com um pouco de TOC demais com a aparência dele esta manhã, e ele se perguntou se estava com uma cara especialmente ruim. Estava se sentindo atipicamente assim.
“Você quer o seu resumo enquanto entramos?” Margo sorriu para ele com adoração, e apesar da vontade de encostar a cabeça no chão e tirar um cochilo de cinco minutos, ele concordou com a cabeça.
Ok, toda essa merda estava começando seriamente a cobrar o preço. Talvez ele estivesse ficando muito velho para se comportar como um astro do rock.
Vinte e oito anos não era tão velho. Mas hoje ele se sentia dez anos mais velho.
Deus, ele precisava dormir.
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