
Série Diablon Livro 2
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Capítulo 22
Livro 2
Passava muito do meio-dia quando Lilitha acordou nos braços de Damon, sorrindo e dolorida, com o chão da floresta duro contra o seu quadril. Ele a observava, com os olhos brilhando por trás do cabelo ruivo e seus chifres reluzindo sob a luz do sol da tarde.
Damon tirou o cabelo dos ombros dela, beijando o seu pescoço e o seu maxilar. Lilitha se encolheu contra ele, abraçando-o com força. Ele segurou a nuca dela com cuidado e a beijou na boca.
“Como você está se sentindo?” ele sussurrou contra os lábios dela.
“Feliz.”
“As coisas vão ser diferentes agora. Eu vou cuidar de você. Amar você.” Ele esfregou o nariz na orelha dela. “Você vai conhecer o clã. A sua família.”
“Eles são como você?” ela perguntou nervosa.
“Claro.”
Ela mordeu o lábio.
“Não se preocupe,” ele disse. “Eles vão amar você tanto quanto eu amo você. Eu prometo.”
Ele a beijou de novo.
Ela lambeu os lábios e encostou a testa na dele, com os chifres dele de cada lado da cabeça dela.
A floresta parecia diferente agora que ela sabia que não tinha o que temer. Ajudava muito o fato de ser um dia ensolarado, com a luz passando pelas folhas e aquecendo os ombros dela.
Lilitha caminhava ao lado de Damon usando apenas as suas botas. Damon nem sequer estava usando as dele, com as botas e as calças dele fazendo companhia para a capa dela em algum lugar entre as árvores. Eles andavam de mãos dadas enquanto caminhavam, com os olhos passeando pelos corpos um do outro. Eles continuavam tropeçando nas coisas pelo caminho.
Rindo, Damon passou um braço em volta da cintura dela. Ele era alto, largo e lindo, muito melhor do que a figura sombria de capuz que a tinha guiado, ou desguiado, pela floresta nos últimos dias.
Ela observou as feições dele com atenção: o seu maxilar forte, seus lábios carnudos, seus olhos verde-jade brilhantes, seu longo cabelo ruivo caindo pelas costas e o seu abdômen musculoso. Ela corou e sorriu ao ver o pau dele balançando entre as pernas. Então, ela olhou para os chifres dele. Ela engoliu em seco. E também havia a cauda agitada dele.
Ele sorriu diante da curiosidade dela. “Você quer tocar neles?” Ele se ajoelhou na frente dela e esticou o pescoço, com o longo cabelo caindo para trás de uma vez. Lilitha hesitou. “Pode vir. Eles não vão machucar você.”
Ela passou as pontas dos dedos com cuidado pelo chifre direito dele, seguindo o seu comprimento desde o topo da orelha, ao longo da curva, até a ponta arredondada logo à frente da testa dele.
“Eles são tão lisos,” ela disse. Ela segurou os dois chifres, acariciou-os e tocou as pontas deles com os dedos. Eles eram estranhamente quentes. “Você sente quando eu toco em você?”
“Sim. Eles não são tão sensíveis quanto a pele, mas é parecido.”
“Como eles são? Eles são pesados?”
Ele deu de ombros. “Eu não sei. Eles parecem normais para mim.”
Ainda fazendo carinho neles, Lilitha olhou para a cauda dele. O coração dela apertou de tristeza. Ela passou as mãos pela própria bunda. Damon segurou os quadris dela e a puxou para perto.
“Não fique triste,” ele disse. “Este deve ser um momento de alegria. Nós temos um ao outro agora.”
Ela deu um sorriso desanimado. Com um sorriso travesso, ele encostou a boca no umbigo dela, assoprando contra ele até ela rir e se contorcer em seus braços.
“Isso faz cócegas!”
“Faz cócegas, é? Bem, talvez você goste mais disso,” e ele subiu devagar, com a boca contra a cintura, as costelas e os seios dela—
Lá, ele parou, se divertindo. Lilitha revirou os olhos, deixando a língua dele girar, chupar e devorar o bico do seu peito até ela ofegar e apertar a cabeça dele contra o seu corpo.
Afastando-se, ele olhou para cima, ofegante e com os olhos vidrados.
Lilitha se abaixou e o beijou. “Mais tarde, eu preciso ir procurar a Clara.”
Ele rosnou. “Eu estou cansado de ouvir sobre ela.” Ele a puxou contra o corpo dele e lambeu o umbigo dela de novo.
“Damon! É sério.”
Ele a soltou com um suspiro.
De mãos dadas, eles passaram pela clareira onde tinham feito amor pela primeira vez. O lugar parecia menor do que ela se lembrava. As árvores estavam arranhadas e quebradas.
“Você estava com tanta raiva,” ela disse.
“Sim. Me desculpe. Eu sou um alfa. Eu fico emotivo às vezes. Especialmente perto de fêmeas.”
Lilitha observava os arranhões enquanto vestia a sua capa, se perguntando o que ele poderia ter feito com um corpo humano. Damon vestiu as botas e as calças e carregou a capa no braço. Ele usava as calças baixas, com a cauda saindo por cima.
“Nós não devemos demorar mais,” Lilitha disse. “Nós precisamos levar a Clara para Mainstry.”
“Ela não vai a lugar nenhum.”
“O quê?”
“Eu nunca tive a intenção de levá-la para Mainstry. Foi tudo um truque para atrair você.”
“Eu entendo isso. Mas agora que você me tem, por que precisa dela?”
“Não é sobre precisar. É sobre sobrevivência. Se ela voltar, ela vai falar e todas as feras humanas logo saberão sobre a nossa fraqueza.”
Lilitha franziu a testa. “Como assim? Que fraqueza?”
“Se ela voltar, os humanos vão duvidar da nossa força. Em vez de terem medo de nós, eles vão aprender a nos caçar.”
Lilitha balançou a cabeça. “Seria preciso muito mais do que isso.”
“É um começo.”
“A intenção dela é se esconder.”
“Ela vai ser descoberta e interrogada.”
Lilitha cruzou os braços. “Ela não pode, e não vai, ficar aqui fora.”
Ele deu um sorriso maldoso. “E como, por favor me diga, você planeja chegar lá? Você não sabe o caminho e não pode me vencer, embora eu possa deixar você tentar.” Ele deu uma risadinha.
“Isso não é uma piada.”
“Não, não é.” Ele franziu a testa. “Não confunda a minha brincadeira com falta de sinceridade. A minha vida, a sua vida e todas as vidas do nosso clã podem estar em risco se ela falar, se ela for encontrada. Ela não pode, e não vai, sair daqui.”
Lilitha firmou os pés no chão. “Eu vou levá-la para lá, e você não vai me impedir.”
Ela tropeçou quando ele agarrou o pulso dela e a puxou para perto. Ele se curvou sobre ela, mais demônio do que homem. De repente, Lilitha não viu Damon, mas sim um monstro, e por vários momentos de parar o coração, ela imaginou como seria ser devorada por ele. O massacre. Lembra do massacre? Ela engoliu em seco.
“Tente ir embora, e eu vou pegar você. A sua amiga tenta fugir, e eu vou matá-la.” Ele a virou e a segurou contra o seu corpo. Encostando os lábios na orelha dela, ele disse: “Não duvide do meu amor, mas duvide menos ainda da minha fúria. Obedeça ou sofra as consequências.”
Lilitha o empurrou, dando um passo para trás assustada. Ele olhava para ela com raiva, em silêncio e sem se mexer, tão firme quanto um dos anjos esculpidos por Deus — ou demônios.
O rosto dele suavizou. “Lila, eu não vou machucar você. Eu nunca vou machucar você. Você precisa entender que eu sou um alfa, e é o meu dever — e instinto — proteger você e proteger o clã. É isso que nos mantém vivos.” Ele estendeu a mão. “Venha. Eu vou levar você até ela.”
Lilitha olhou para a mão dele. Os olhos dela foram rápidos para os chifres dele. Depois, eles caíram para os lábios macios dele. Com hesitação, ela pegou a mão dele.
A mão dele estava quente na dela enquanto eles andavam. Eles estavam perto o bastante para que os quadris deles ficassem se esbarrando. Lilitha fez uma careta com uma dor repentina na bunda. Tão rápido quanto apareceu, a dor sumiu.
Damon percebeu. “Como você está se sentindo?”
“Eu acho que está melhorando, seja lá o que for isso.” Ela olhou para ele com dúvida.
“O seu corpo está mudando — ele já mudou.”
“Por quê? Como?”
“Você sabe.”
Lilitha olhou para os próprios pés enquanto concordava com a cabeça.
“Você vai ser diferente agora. Mais forte. Mais saudável. Fértil. O seu estômago mudou. A sua visão será mais afiada. Quanto à sua cauda — as coisas seriam diferentes. Ela está tentando ser o que não pode ser.” Ele parecia triste. “Eu odeio isso. Eu odeio isso por você.”
Não demorou muito até que eles chegassem ao local de Clara. Damon a soltou e se afastou, desaparecendo de volta entre as árvores. “Lembre-se, eu estou vigiando,” disse a voz dele.
Lilitha olhou ao redor. “Clara?”
Houve um barulho nas folhas, e depois o som de passos. “Lilitha?”
“Está tudo bem. É... é seguro.”
A cabeça loira de Clara apareceu por trás de uma árvore. Na mesma hora, os olhos dela se encheram de lágrimas, e ela correu até lá. “Você está viva!”
Clara abraçou Lilitha, e Lilitha retribuiu o abraço.
“O que aconteceu? Como você escapou? Todo aquele rugido!”
“Eu estava com o Damon,” Lilitha disse. “Ele me protegeu — e a você também. O monstro estava por aí fazendo... seja lá o que estava fazendo.”
“Ah, então ele voltou.” Ela franziu a testa. “Mas não é ele o problema?”
“Ele não é o que você pensa.” Lilitha poderia ter rido da verdade e da mentira disso.
“Ele vai nos levar para Mainstry?”
Lilitha respirou fundo. “Não.”
Clara ficou olhando, chocada.
“Eu quero te contar tanta coisa,” Lilitha disse. “Você não sabe o quanto. Mas é tudo tão... inacreditável.”
“Nós precisamos ir embora, Lilitha.”
“Nós não podemos. Damon me avisou que os monstros vão pegar você — e a mim também — se nós tentarmos.”
Clara apertou os olhos. “Um aviso ou uma ameaça?”
Lilitha chupou o lábio inferior.
“Eu não confio nele. Você não confia nele. É perigoso aqui.” Ela olhou para as árvores. “Eu sinto isso. Se nós ficarmos, nós morremos. Ou, pelo menos, eu vou morrer.”
Depois da ameaça assustadora de Damon, Lilitha não podia negar isso. Clara estava certa. Poderia levar dias, semanas ou anos, pelas mãos dele ou dos outros Diablons, mas iria acontecer. Eles a matariam.
Clara precisava fugir.
“Eu vou pensar em algo.”
Clara a olhou com desconfiança.
“Não olhe para mim assim. Eu vou pensar,” Lilitha respondeu com irritação. “Mas me deixe resolver as coisas. Nós precisamos ser espertas e ficar seguras.”
“O que você precisar fazer.”
















































